17/05/2013

Por mais atléticos...

A péssima arbitragem de Carlos Amarilla na partida entre Corinthians x Boca Juniors deixou em muitos brasileiros a sensação de que há uma conspiração continental para afastar as equipes do nosso país da fase final do torneio. O principal motivo para que isso ocorra é o fato de termos uma liga em que os clubes têm muito mais dinheiro que os dos países vizinhos, aliado ao sucesso das equipes do país nos últimos torneios continentais: desde 2004 não há uma final de Libertadores sem brasileiros.

Tudo isso, aliado à visão brasileira de que clubes sul-americanos só ganham de seus rivais brasileiros quando apelam para artifícios extra-campo, gerou a certeza de que a vitória das equipes brasileiras sobre os rivais sul-americanos é algo muito natural, e que só fatores extra-campo poderiam impedir a supremacia "brazuca" na Libertadores.

Pois bem. Chegamos às quartas de final do maior torneio continental com apenas duas equipes com chances de chegar ao título. O que nos deixa com duas opções: ou os vizinhos se uniram para nos derrotar com artifícios absurdos, ou nosso futebol não é tão bom como pensávamos.

A favor do primeiro argumento só existem os erros de Amarilla no Pacaembu. O São Paulo foi eliminado por outra equipe brasileira, o Palmeiras nem conseguiu se manter na primeira divisão do Brasil, e o Grêmio jogou muitíssimo mal contra os colombianos do Santa Fé.

Talvez seja a hora de começarmos a repensar o futebol brasileiro. Um país em que os clubes têm receitas milionárias, mas frequentemente as usam para pagar fortunas a jogadores comuns. Possivelmente o melhor exemplo seja o Grêmio, com sua comissão técnica muito inflacionada e seu elenco repleto de nomes conhecidos, muito bem pagos, mas pouco efetivos.

O contraponto ao Grêmio poderia perfeitamente ser o Atlético. Com seu técnico tido como derrotado e jogadores que até pouco tempo não despertavam o interesse de ninguém, o Galo montou uma equipe que joga o melhor futebol fora do continente europeu. Pode perder a Libertadores, mas empolga seu torcedor e os amantes do futebol como nenhum outro esquadrão sul-americano.

O futebol brasileiro aprendeu a arrecadar dinheiro. Falta aprender como gastar. Uma opção é a do Grêmio: pagar caro por nomes comuns. A outra é a do Atlético: montar boas equipes que podem se transformar em grandes quando recebem reforços de peso e que fazem a diferença. Resta ao nosso país decidir o modelo vigente.

O meu é por um Brasil com menos grêmios, que é meu time do coração, e por mais atléticos.

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