25/07/2013

Atlético, o dono da América!

Tiago de Melo

Após 120 minutos de partida e uma disputa nos pênaltis, o Clube Atlético Mineiro chegou ao primeiro título de Libertadores em sua história. O script foi exatamente o que todos esperavam: nervosismo, sofrimento, jogadores correndo como nunca, torcedores cantando do início ao fim, a completa agonia da massa atleticana antes do gol salvador, participação decisiva de Victor. Uma final com a cara do time treinado por Cuca.

Não apenas a forma pela qual o Atlético colocou as mãos na taça foi previsível. A partida em si teve o desenho que se projetava. O Olimpia se defendia, marcava Bernard e Ronaldinho de perto, e buscava os contra-ataques. O Galo fazia prevalecer o mando de campo, marcava por pressão e tentava sufocar o adversário.

Na etapa inicial, empate por 0 a 0
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

No primeiro tempo a estratégia dos paraguaios funcionou melhor que a dos brasileiros. Apesar de ter esmagadora liderança na posse de bola, o Atlético não conseguia criar boas oportunidades e esbarrava na defesa rival. Na verdade a grande chance dos primeiros 45 minutos foi do Olimpia, com Bareiro concluindo mal um ataque de grande perigo que poderia ter dado ao Decano a vantagem na primeira etapa.

Esperança nos pés de Jô

O Galo voltou para o segundo tempo com Rosinei no lugar de Pierre. A ideia era óbvia: dar mais agressividade à equipe alvinegra. Só não se esperava que o resultado chegasse tão rápido. No primeiro minuto após Wilmar Roldán apitar o reinício da partida, Rosinei centrou, Pittoni furou de forma constrangedora e Jô fuzilou o bom goleiro Martín Silva. O Atlético abria o placar. Agora só faltava mais um para levar a partida para a prorrogação.

Mas o sofrimento estava longe de acabar. O Galo seguiu pressionando o adversário, mas a bola parecia não querer entrar. A trave e o ótimo Martín Silva impediam a explosão da massa, que não parava de cantar na arquibancada. Para piorar, o Olimpia seguia ameaçando nos contra-ataques. Até que Ferreyra driblou Victor e escorregou antes de empurrar para as redes e sepultar todos os sonhos atleticanos.

'Eu acredito' foi o lema alvinegro
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Todos os que acompanharam a trajetória da equipe comandada por Cuca em 2013 sabiam que era a sorte do campeão se manifestando mais uma vez. A mesma que permitiu que Victor salvasse, com o pé, o pênalti que eliminaria o alvinegro no confronto contra o Tijuana. A mesma que empurrou o tiro certeiro de Guilherme para as redes do Newell's no fim da partida e que levou a experiente equipe argentina a desperdiçar três cobranças de pênalti.

Com a marca do capitão

E se alguém duvidava disso, veio logo a seguir a expulsão de Manzur, por falta duríssima em Alecsandro. Não cabia discussão: o Atlético estava destinado a vencer a Libertadores de 2013. E quando, no apagar das luzes da grande final, Leonardo Silva escorou cruzamento para finalmente marcar o segundo gol, tudo ficou claro. A explosão atleticana mostrava que aquela equipe jamais perderia a chance de conquistar o maior título da história do clube.

O que veio depois foi apenas consequência. O Galo teve outras chances, Réver acertou a trave de Silva, Alecsandro perdeu ótima chance, e o jogo foi para os pênaltis. Que apenas confirmaram o que todos àquela altura já estavam cansados de saber: nada no mundo tiraria a taça do Atlético.

Capitão Réver comemorou título
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

O Clube Atlético Mineiro nunca deixou de ser um time grande. Mesmo nos piores momentos, nunca deixou de ter uma torcida gigantesca e apaixonada, uma camisa de peso e uma tradição tão grande que sequer se pode medir. Mas havia algo atravessado na garganta de todos os fanáticos torcedores: faltava a grande conquista. Uma taça que significasse a atualização da grandeza do gigante alvinegro.

Agora, os atleticanos podem dormir em paz. A conquista tão sonhada chegou. Grandeza, tradição e camisa são um diálogo entre passado e presente. A história constrói tudo isso, mas essa história nunca pode deixar de ser feita. E o Galo mostrou na Libertadores 2013 que segue grande como sempre. Ou melhor: maior do que nunca!

Um comentário:

  1. Ótimo texto! Na verdade, os atleticanos mereciam essa conquista, pois o Galo manteve-se somente por causa de sua torcida nas últimas décadas. Mas, o time demonstrou a garra que os atleticanos admiram tanto. Isso fez inclusive que a equipe fosse aplaudida numa derrota. Saravá!!!

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