13/07/2013

Raio-X: Club Olimpia/PAR

Tiago de Melo

A empolgante classificação sobre o Newell's Old Boys deixou o Atlético muito perto do sonho continental. Agora, faltam apenas duas partidas para colocar a mão na Copa Libertadores. Partidas que não serão simples, em especial por serem contra um adversário de tradição.

O Olimpia é simplesmente a única equipe a ter chegado a decisões de Libertadores em todas as décadas. No total, o Decano paraguaio vai para sua sétima decisão continental, das quais venceu três: 1979, contra o Boca Juniors; 1990, contra o Barcelona de Guayaquil; e 2002, contra o São Caetano. Perdeu em 1960 para o Peñarol, em 1989 para o Nacional, da Colômbia, e em 1991 para o Colo-Colo.

No entanto, fatores como camisa e tradição podem ser relativos. Até cerca de 20 anos os clubes que faziam os adversários tremerem quando entravam em campo eram Peñarol e Independiente, os grandes vencedores do torneio em suas primeiras décadas. Hoje não provocam nenhuma comoção quando se classificam para a Libertadores. Por outro lado, há 15 anos o Boca não tinha maior expressão continental, mas em apenas oito anos levou quatro canecos e hoje é temido por qualquer adversário, independente da equipe que coloque em campo. Em suma, não será o retrospecto na Libertadores que dará o título ao Olimpia.

Olimpia bateu Fluminense, em maio
(Créditos: Nelson Perez/Fluminense F.C.)

O grande perigo para o Galo é de fato a equipe em si, mais do que a camisa adversária. O Olimpia entrou no torneio bastante desacreditado. Havia sido apenas o sexto colocado no Clausura 2012, vencido pelo Libertad, que terminou o campeonato 15 pontos à frente do Decano, que só se classificou pela somatória de pontos nos dois torneios do ano. O clube entrou na primeira fase do torneio, por aqui conhecida como 'Pré-Libertadores', sem despertar medo em ninguém.

'Mudanças' no torneio

Mas, aos poucos, as coisas mudaram. O clube trocou o treinador uruguaio Gregório Pérez por Ever Hugo Almeida, ídolo histórico do Olimpia, duas vezes campeão da Libertadores pelo Rey de Copas como jogador e duas vezes campeão nacional como treinador. E lentamente a equipe começou a mostrar força no torneio continental, eliminando equipes como Fluminense e Universidad do Chile, e goleando o Newell's na primeira fase até avançar à final.

A equipe não possui grandes valores. Vários jogadores são argentinos sem maior expressão em seu próprio país. No entanto, o formato 'mata-mata' favorece o estilo de jogo do Olimpia, baseado em grande medida na força dentro de casa, e nas jogadas pelos lados do campo, visando os atacantes Salgueiro e Bareiro.

O goleiro é o uruguaio Martin Silva, jogador seguro e experiente, figurinha fácil há anos na seleção de seu país, ainda que quase sempre como reserva de Muslera. Como joga no 3-5-2, a equipe tem na zaga Manzur, Miranda e Candia. A defesa não é exatamente o forte da equipe, e exatamente por isso a proteção é forte: Pittoni (ex-Figueirense), Gimenez e Aranda dão muita força no setor de marcação, protegendo a linha de defensores.

Clube paraguaio usa esquema 3-5-2
(Créditos: Nelson Perez/Fluminense F.C.)

Nenhum dos três volantes é especialista na criação, de modo que a grande saída utilizada é a participação dos alas, em especial Silva ou Mazacotte, que ocupam o lado direito do meio campo. Pela esquerda Benítez também auxilia na saída de bola, ainda que sem a mesma qualidade. Sempre visando às finalizações dos artilheiros Salgueiro e Bareiro, jogadores que não são exatamente excelentes, mas têm experiência e já foram testados e aprovados em várias equipes do continente.

Assunção: jogo-chave

A primeira partida em Assunção é chave para as pretensões atleticanas. Afinal, o Olimpia faz a maioria de seus gols em contra-ataques ou em jogadas pelos lados do campo. Se o Galo conseguir bloquear as laterais e não se expor em demasia, o Decano terá dificuldades, já que penetração pelo meio não é o forte da equipe. Conseguindo realizar esse plano de jogo com efetividade, o Atlético pode levar um bom placar para decidir em casa, onde poderia jogar com calma, sem se expor aos perigosos contra-ataques do Rey de Copas.

Por outro lado, o cenário de pesadelo para o Atlético é ser pressionado na primeira partida, não conseguir reter a bola nem conter as jogadas laterais do Decano. O jogo ficaria muito perigoso, podendo terminar com placar negativo para o Galo. Que teria de reverter a situação em casa contra uma equipe que possui bom contra-ataque. Mas nem tudo estaria perdido: uma marcação por pressão bem feita na saída de bola do Olimpia poderia resultar em uma pressão quase insuportável para uma equipe que não tem uma defesa sólida.

Favoritismo atleticano

O Atlético é favorito. Tem menos tradição internacional, mas seu time é mais bem armado, tem melhores valores e decide em casa. Mas todo o cuidado é pouco. O Olimpia não está na final por acaso. A equipe é muito forte em casa e, apesar de não ter grandes individualidades, tem armas perigosas que podem complicar a vida do Galo.

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