10/08/2013

Os tempos são outros...

O futebol engloba várias classes sociais, culturas, religiões. A democracia do esporte é uma das grandes marcas que envolvem e atraem cada vez mais adeptos. Os ideais religiosos estão em constante confronto com os interesses mercadológicos do futebol moderno. A beleza do jogo, amor à camisa e a magia dos velhos tempos foram deixadas de lado. E o futebol virou um negócio.

Nos últimos dias, as páginas dos jornais ingleses estamparam a polêmica envolvendo Papiss Cissé e o novo patrocinador do Newcastle United, de Londres. A 'polêmica' consiste no fato de Cissé, muçulmano, não aceitar vestir a camisa de seu time, devido ao novo patrocinador ser a empresa Wonga, que atua na rede de empréstimos. Porém, após ser visto em um cassino, Cissé aceitou voltar a treinar com o clube, quebrando todos os ideais. Surge o raciocínio de que, valendo-se de sua religião, o senegalês tentou forçar a saída dos Magpies.

Os 'duelos' entre patrocinadores e crenças religiosas são recorrentes no cenário do futebol. Em 2006, o atacante Kanouté se recusou a utilizar a camisa do Sevilla, quando a equipe era patrocinada pelo site de apostas 888.com. À época, o atleta comentou o caso. "As apostas são como as bebidas alcoólicas, um resultado da obra maligna de Satanás". O malinês conseguiu seguir seus ideais e jogar algumas partidas com a sua camisa sem patrocinador, mas após conversas o jogador aceitou vestir a camisa normalmente.

A perda da essência...

No futebol moderno, vence quem paga mais e, cada vez mais, o esporte perde a essência, para tornar fonte de renda de grandes empresários. O exemplo dos muçulmanos prova que tão cedo não teremos um Afonsinho rebelde, que recusa a jogar por não acatar ordem do presidente de sua equipe, para cortar o cabelo e fazer barba. Não teremos Mário de Castro vestindo apenas a camisa do Atlético/MG - e recusando-se a vestir a da seleção. Não teremos Cruyjff rejeitando disputar uma Copa, em protesto contra um ditador.

Os tempos são outros, definitivamente. E os tradicionais romantismos do futebol devem, cada vez mais, estar reservados às páginas dos livros de uma bela história.

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