17/02/2014

Muitas faltas, pouco futebol

Vinícius Dias

De um lado, o atual campeão da Libertadores. Do outro, o tricampeão brasileiro. A expectativa tratava de um clássico em alto nível - e balizado pela técnica de Ronaldinho Gaúcho e Éverton Ribeiro. Os mais de 18 mil presentes no estádio assistiram, contudo, a um embate em que sobrou vontade, mas faltaram gols. Nas três vezes em que a bola balançou as redes - duas com Ricardo Goulart e outra com Jô - os lances foram bem anulados.

De resto, uma arbitragem fraca. Igor Benevenuto distribuiu oito cartões amarelos, anotou 56 faltas, travou o jogo. Que começou com a Raposa, sem se intimidar com a torcida do rival, dando as primeiras cartadas. Pelo lado esquerdo, com Ceará e Dagoberto, a equipe celeste buscava o dois contra um, para explorar as costas do argentino Dátolo, improvisado na lateral-esquerda.

Clássico mineiro terminou em 0 a 0
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

O Atlético respondia. Ora na bola parada de Ronaldinho Gaúcho. Ora na agilidade de Fernandinho, que tinha em sua companhia o pouco inspirado Diego Tardelli. O duelo, no entanto, se concentrava no meio-campo e, de lado a lado, as defesas se impunham aos ataques. Reflexo das mudanças táticas promovidas por Marcelo Oliveira no Cruzeiro, e do Galo 2014 - de cara e comando novos.

Galo de cara nova...

Ao contrário de Cuca, Autuori aposta nas trocas de passes, na transição defesa-meio-ataque, sem as ligações zaga-Jô, marca (de sucesso) da era Cuca. A mudança requer treinamentos, adaptação, uma nova cultura. Os laterais avançam menos. Os volantes, que antes apenas destruíam, agora iniciam a etapa de criação. Josué, por exemplo, tem sentido dificuldades. Maus resultados são naturais. E, talvez, o estadual seja a única hora em que é possível errar.

Rodrigo Souza: a 'sombra' de R10
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Do lado celeste, sem Lucas Silva e Nilton, Marcelo Oliveira teve um meio-campo de maior marcação. Rodrigo Souza foi a surpresa, muito bem na marcação de Ronaldinho. No ataque, Marcelo Moreno, mal diante do Real Garcilaso, acabou barrado. Com Ricardo Goulart, sobrou movimentação e posse de bola, mas faltou presença na área do rival, facilitando o trabalho da zaga atleticana.

Lições de lado a lado

Aquém das expectativas, o confronto teve mais faltas que futebol. Para o Cruzeiro, vale o alento de ter, com a bola nos pés - 55% contra 45% -, segurado o rival, que costuma ser letal no Horto. Para o time alvinegro, o empate contra o atual campeão brasileiro é prova, ainda que mínima, de adaptação ao estilo Autuori.

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