09/09/2014

Seleção cinco estrelas...

Douglas Zimmer

Após o fracasso de Felipão na Copa do Mundo, Dunga voltou ao comando da seleção brasileira e, com ele, novamente, as promessas de renovação e de um planejamento mais focado no futuro. Muito além da (ultrapassada) metodologia de 'famílias', a ordem, por ora, parece ser a da meritocracia, descartando velhas fórmulas que, aparentemente, não têm mais o mesmo efeito de outrora.


Na sua primeira convocação, o técnico da Copa de 2010 mostrou algumas novidades que, se não são a certeza de renovação, pelo menos dão novo ânimo àqueles que têm potencial para brigar por uma vaga nas próximas partidas e competições. Antes, eles sabiam que, mesmo que 'comessem a bola', não atingiriam os medalhões preferidos. Dois símbolos da nova fase estão bem aqui, no Cruzeiro!

Éverton vestiu a amarelinha na sexta
(Créditos: Rafael Ribeiro/CBF/Divulgação)

As convocações de Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart não só premiaram o desempenho individual dos atletas, mas também o excelente trabalho que tem sido realizado na Toca da Raposa II. Talvez, não fosse a permanente busca por títulos, Dunga poderia ter convocado mais jogadores celestes, como Fábio, Mayke ou Dedé. Mas, por enquanto, a boa notícia é suficiente para confirmar que é, de fato, possível ir além, mesmo atuando no quase esquecido futebol tupiniquim.

Elenco selecionável

Antes da dupla Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart, o último atleta celeste a vestir a amarelinha havia sido o zagueiro Dedé, em 2013, na disputa dos amistosos contra Coréia do Sul e Zâmbia - quando, inclusive, marcou um gol. Antes dele, no ano de 2011, o volante Henrique fora convocado pelo então treinador, Mano Menezes, para a disputa de um amistoso contra a seleção escocesa.

Dedé: zagueiro foi convocado em 2013
(Créditos: Rafael Ribeiro/CBF/Divulgação)

Com a participação de Éverton Ribeiro no amistoso diante da Colômbia, na última sexta-feira, no Sun Life Stadium, em Miami, a equipe celeste esteve representada em campo pela 441ª vez em partidas da seleção. A história teve início em 1936, quando Niginho foi o primeiro jogador do Cruzeiro a vestir a camisa da seleção.

Histórico estrelado

Ao todo, 59 atletas atuaram pela seleção nacional enquanto jogadores do Cruzeiro. O meio-campista Piazza foi quem mais vezes envergou o manto pentacampeão mundial: 57 partidas. Tostão contabiliza 36 gols vestindo a amarelinha - todos eles como jogador da Raposa - e é, até hoje, o atleta estrelado que mais balançou as redes a serviço da seleção, sendo o nono maior goleador geral.

Tostão: artilheiro a serviço da seleção
(Créditos: Curta Circuito/Divulgação)

Clubismo à parte, gostei bastante do pouco tempo que Ribeiro esteve no gramado. Ele entrou no jogo aos 26 minutos da etapa final, substituindo Oscar e, prontamente, deu mais mobilidade ao meio-campo. Uma de suas principais características, o drible incisivo e agudo, foi muito explorada e o jogador conseguiu boas e belas jogadas, sempre buscando o ataque. Foi dos pés dele que surgiu a falta que culminou no gol marcado por Neymar, aos 38 minutos.

Na trilha do sucesso

Além da nítida valorização que os jogos pela seleção brasileira trazem, a motivação e a busca para que isso se torne uma constante dão novo gás aos atletas. Sinto, especialmente no caso de Éverton Ribeiro, que a gana por desafios cada vez maiores está latente na forma como atua. Goulart, embora ainda não tenha sido utilizado, também possui características que podem ser úteis a Dunga.

Goulart: destaque do líder do Brasileirão
(Créditos: Washington Alves/Light Press/Textual)

O jogador, que surpreende a todos com o seu desempenho ofensivo no Cruzeiro, costuma 'cair pra dentro', como se diz na gíria dos boleiros, e é capaz de criar chances quando o adversário marca forte e não permite o toque de bola.

Nova oportunidade

Resumindo, espero que a dupla receba chances no amistoso desta terça, ante o Equador. Não penso nisso pelo lado financeiro, até porque espero que ambos permaneçam no time mineiro pelo maior tempo possível, mas sim pelo que isso representa para os dois e para o trabalho realizado pelo técnico Marcelo Oliveira, cujos resultados, no dia a dia, mostram estar no caminho certo.

Força, Cruzeiro!
Boa sorte, Ribeiro e Goulart!

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