16/01/2015


Seguindo planejamento feito em 2014, gastos são reduzidos;
Blog ouviu fontes para traçar um panorama do quadro atual

Vinícius Dias

Pelo menos quando o assunto são as finanças do clube, a diretoria do Cruzeiro tem bons motivos para comemorar a saída de Ricardo Goulart, negociado com o chinês Guangzhou Evergrande por € 15 milhões. "Deu retorno técnico e, agora, financeiro. Foi um investimento perfeito", afirmou ao Blog Toque Di Letra uma fonte ligada à cúpula celeste. A venda do jogador foi, até o momento, um dos capítulos mais importantes do tão citado processo de 'oxigenação' do elenco estrelado, motivado por razões técnicas e também financeiras.


"Todo início de ajuste é difícil, até porque há a mudança de mentalidade, saídas e chegadas de jogadores. Mas foi mantida boa parte das principais peças, então essa quebra foi pequena", completou a fonte. Entre saídas, contratações e retornos de empréstimo, a reformulação representou uma redução de 6% na folha salarial, que encerrou 2014 estimada em cerca de R$ 10 milhões mensais. A redução pode atingir 12%, caso Dagoberto e os volantes Souza e Charles, fora dos planos de Marcelo Oliveira, deixem a Toca da Raposa II.

Dagoberto: reforço de peso em 2013
(Créditos: Juliana Flister/Vipcomm)

As mudanças no elenco renderam mais espaço para a base. Atualmente, o grupo tem 11 jogadores formados na Toca I, número que deve crescer após a Copa São Paulo de Juniores. "Esta deveria ser a ideia de todos os clubes. O torcedor quer sempre ver as maiores estrelas no seu time. Mas, financeiramente, isso é inviável. A nossa ideia é criá-las. Amanhã, Judivan, Alisson e Eurico serão estrelas, como já é o Lucas. Além de salários mais baixos, eles geram mais receitas quando são negociados", destacou um dirigente celeste ao Blog.

De vendedor a comprador

No balanço patrimonial de 2014, que tem divulgação prevista para abril, deve constar receita total superior a R$ 220 milhões. Neste cenário, as vendas dos pratas da casa Wallace e Vinícius Araújo por cerca de R$ 25 milhões representariam cerca de 15%. No entanto, se os valores foram impulsionados por bilheteria, premiações e pelo sucesso do programa de sócios-torcedores, as despesas também cresceram. Habitual vendedor, o clube celeste assumiu o posto de comprador nos dois anos e nove meses da chamada 'era Mattos'.

Mattos e Gilvan: títulos e investimentos
(Créditos: Washington Alves/Vipcomm)

A inversão da política teve início em 2012. Ainda sem caixa para viabilizar operações de compra de direitos econômicos, o clube optou por elevar o teto salarial e, assim, seduziu atletas como Tinga, Ceará e Borges, que tinham vínculos próximos do fim. Em 2013 e 2014, com o aumento das receitas e contando com aporte de investidores, o clube selou quatro das maiores contratações de sua história: Dedé, Willian, Manoel e Dagoberto custaram, juntos, R$ 39 milhões. Jovens como Marlone, Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart vieram como apostas.

Aposta em Júlio Baptista

Uma das explicações para o recente aumento na folha foi a contratação de Júlio Baptista, em julho de 2013. Para retornar ao Brasil, o meia-atacante abriu mão de quase € 3,5 milhões para assegurar a rescisão do contrato junto ao Málaga. Ao assinar com o jogador, o Cruzeiro 'assumiu' a dívida, que foi parcelada em 24 meses, correspondentes ao tempo de contrato. Deste modo, Júlio, dono do terceiro maior salário do grupo, tem o maior custo mensal, alcançando 9% da folha.

Júlio Baptista: meia de seleção na Toca
(Créditos: Juliana Flister/Vipcomm)

As recentes vendas de Egídio, Nilton e Goulart devem render quase R$ 35 milhões líquidos aos cofres do clube. Além de serem utilizadas para novos investimentos no futebol e para quitar débitos em aberto, as receitas vão significar também a oportunidade de fazer caixa, um fato raro na história recente. "As questões fiscais estão organizadas, salários estão em dia e o clube tem o dinheiro do dia a dia, dos pagamentos. Mas, desde a crise mundial de 2008, não sobra dinheiro", afirmou uma fonte ligada a Gilvan Tavares, explicitando o quadro atual.

Com receitas crescentes

Nos bastidores, as previsões são positivas quanto a outras duas grandes fontes de receita: cota de TV e patrocínio. Quanto à TV, a cota atual é de R$ 60 milhões, segundo revelou ao Blog o senador Zezé Perrella. Hoje no grupo 5, a Raposa deve ser promovida ao grupo 4 em 2016, aumentando sua fatia no bolo. Com relação ao patrocínio master, com a sequência de Jorge Hereda à frente da Caixa, o clube mantém a expectativa de fechar com a estatal por R$ 20 milhões. Na temporada passada, o mineiro BMG pagou R$ 13,5 milhões.

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