14/07/2015

Marcha de volta à Argentina...

Tiago de Melo

Um dos assuntos mais comentados do futebol sul-americano nas últimas semanas foi a volta de Carlitos Tevez ao Boca Juniors, clube que o criou e onde despontou como craque. Mas o atacante, apresentado ontem, não é um caso único. O Apache é um notável membro de uma tendência que se desenha nos clubes argentinos: a de convencer seus jogadores de peso a retornarem para o clube em que nasceram futebolisticamente.


Um exemplo recente que teve destaque ocorreu no Newell's Old Boys. Em 2011, o treinador Gerardo Martino deixou a seleção paraguaia, após levar os guaranis às quartas de final do Mundial de 2010 e de alcançar o vice- campeonato da Copa América daquele ano. Tinha boas ofertas, incluindo uma para assumir a seleção da Colômbia, mas preferiu voltar ao clube do coração, o Newell's, onde foi ídolo como jogador - Martino, ainda hoje, é o atleta com maior número de jogos na história leprosa.

Tevez: de volta ao Boca nessa terça-feira
(Créditos: Club Atlético Boca Juniors/Divulgação)

A situação do clube era ruim. Em má fase técnica e financeira, o Newell's corria sério risco de rebaixamento. Mesmo assim, 'Tata' assumiu o clube, conquistou um título nacional e chegou às semifinais da Libertadores em 2013, sendo eliminado pelo Atlético. Fundamentais para essa recuperação leprosa foram Gabriel Heinze e Maxi Rodríguez, ambos com mais de uma Copa pela seleção da Argentina, além de passagens por grandes equipes europeias e que foram convencidos por Martino a encerrar a carreira no clube do coração.

Retornos sem sucesso

Bem diferentes foram os casos de Mauro Camoranesi e David Trezeguét. Ambos iniciaram a trajetória em times pequenos da Argentina - Aldosivi e Platense, respectivamente -, mas construíram suas carreiras no exterior. Como também possuíam nacionalidades estrangeiras - italiana e francesa, respectivamente -, se enfrentaram na decisão da Copa de 2006. Depois, retornaram ao país sem sucesso. Camoranesi passou por Lanús e Racing. Trezeguet defendeu River Plate e Newell's, antes de encerrar a carreira no futebol indiano.

Diego Milito: caso de amor ao Racing
(Créditos: Racing Club/Divulgação)

Sucesso teve a história do retorno de Diego Milito ao Racing. Revelado na Academia, onde foi campeão nacional em 2001, o atacante retornou para ajudar a equipe a pôr fim à seca de títulos. E conseguiu levar um plantel desacreditado ao título argentino em 2014. O que significa que possui a façanha de ter estado presente nas duas taças nacionais levantadas pelo clube desde 1966. Muito menos digna de nota foi a volta de seu irmão, Gabriel Milito, ao Independiente. Em um time fraco e dividido, e sofrendo com contínuas lesões, o ex-zagueiro do Barcelona pouco pôde fazer pelo clube do coração.

O fator River Plate

O River Plate também tem histórico interessante no quesito, em especial envolvendo a vitoriosa geração revelada no fim do século XX. Na década passada, Ortega e Gallardo haviam retornado para encerrar a carreira em casa. No início da temporada foi a vez de Pablo Aimar. Na atual janela de transferências, o clube apresentou Saviola e Lucho González. Lucho é cria do Huracán, mas já vestiu a camisa do River. Os demais foram revelados pelo brasileiro Delém na base do time millonário e burilados por Pékerman nas seleções nacionais de base.

River apresenta Aimar e Lucho González
(Créditos: Club Atlético River Plate/Divulgação)

O Boca também tem uma trajetória com os 'retornados', ainda que com outras características. Normalmente prefere trazer de volta atletas ainda com muito mercado fora do país e por altas cifras. Exemplos, ainda na década passada, foram os retornos de Palermo e Riquelme, patrocinados por Mauricio Macri, então candidato à prefeitura de Buenos Aires. Ele não economizou e trouxe os ídolos de volta, com altos salários. A dupla foi, definitivamente, eternizada na história, conquistando a Copa Libertadores de 2007, mas também endividando o clube.

De Riquelme a Tevez

Coincidência ou não, Maurício Macri quer se eleger presidente nas eleições deste ano. O atual mandatário é Daniel Angelici, seu aliado. No início deste ano, os auriazuis trouxeram Daniel Osvaldo, criado no Huracán, mas que nunca escondeu o sonho de atuar no Boca, clube do coração. Já haviam repatriado Fernando Gago, também da seleção. Agora é a vez de Tevez, grande ídolo xeneize. O salário é alto - fala-se em US$ 450 mil mensais, cifras elevadas mesmo para os padrões brasileiros, por exemplo -, mas a expectativa também: neste ano, o mínimo que se espera de Carlitos é o título argentino, já que o Boca está entre os primeiros.

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