03/09/2015

Grito hoje, silêncio amanhã!

Vinícius Dias

Os pontepretanos fecharam a noite questionando a atuação de Emerson Sobral. O Atlético, reclamando de Marcelo de Lima Henrique. Mais tarde, já na madrugada, os palmeirenses se voltaram contra Leandro Vuaden, e os tricolores do Rio contra Sandro Meira Ricci. Os quatro árbitros erraram. E não há quem tire do prejudicado o direito de reclamar. Como não há, em meio à calorosa discussão, quem avance além de acusações baseadas em simples suposições.


Durante o Campeonato Brasileiro, um erro - nesse caso, uma sequência, diga-se - a favor de paulistas ou cariocas é tido como motivo para se pôr em xeque os interesses envolvidos e se associar a sigla da entidade que comanda - sem êxito - o futebol brasileiro ao nome do beneficiado. Outro erro de arbitragem, seis meses depois, no estadual, passa quase batido quando o prejudicado é um clube do interior, que, dali a cinco jogos, vai encerrar seu calendário.

No Brasil, buscamos culpados, e não soluções.

Em 2005, a anulação de 11 jogos apitados por Edilson Pereira de Carvalho no Brasileiro, sob a suspeita de manipulação de resultados, soava como caminho. Mas não pôs fim ao debate. Na 40ª rodada, Márcio Rezende de Freitas deixou de assinalar pênalti claro de Fábio Costa em Tinga e ainda expulsou o atleta colorado. Após 14 dias, o Corinthians foi campeão com três pontos de vantagem sobre o Internacional. E os erros de arbitragem seguiram na pauta.

Arbitragem em xeque no Brasileirão
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Cinco anos depois, Sandro Meira Ricci assinalou pênalti do celeste Gil em Ronaldo. O Corinthians venceu por 1 a 0, superou a Raposa e assumiu a ponta. No senso comum, dizia-se que o título seria conquistado no apito, deixando uma interrogação. Na prática, a equipe paulista tropeçou duas vezes - empates contra Vitória e Goiás - nas três últimas rodadas e viu o Fluminense comemorar, com o Cruzeiro a seguir.

Pouco se fala em tecnologias, profissionalização e soluções.
O grito do derrotado hoje é o silêncio do vitorioso amanhã.

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