07/02/2016

Bolo x fatias: Leicester e cotas de TV

Vinícius Dias

Dia 06 de fevereiro de 2016. Fora de casa, o Leicester bate o Manchester City e fecha o sábado na ponta da Premier League, com cinco pontos de vantagem sobre o segundo colocado, 47 gols marcados - ataque mais eficiente, ao lado do City - e apenas duas derrotas em 25 partidas. Há um ano, na 23ª rodada da temporada 2014/2015, as Raposas britânicas ocupavam a lanterna da competição, com apenas 17 pontos, menos de um terço dos atuais 53 conquistados.


A ótima fase é explicada, sobretudo, pelo planejamento e pelo encaixe do 4-2-3-1 do treinador italiano Claudio Ranieri, tendo o zagueiro Huth como peça-chave em lances de bola parada na área dos adversários e a dupla Mahrez e Jamie Vardy cada vez mais decisiva no ataque. Mas passa pelo equilíbrio da rica liga inglesa, ancorado em seu modelo de distribuição das cotas de TV: 50% igualmente, 25% pela exposição na TV e outros 25% a título de premiação.

Leicester festeja vitória em Manchester
(Créditos: Leicester City F.C./Reprodução)

Conforme levantamento da Deloitte, registrado na 19ª edição do Football Money League, nove dos 20 clubes de maior arrecadação no ano passado são ingleses - sete tiveram direitos de transmissão como principal fonte. Considerando apenas a Premier League, o campeão Chelsea faturou £ 99 milhões em 2014/2015. Fora do top 20 mundial, o Leicester registrou um saldo de £ 71,6 milhões com o 14º lugar na liga. O lanterna QPR somou £ 64,9 milhões - 65% do montante do Chelsea.

Da Premier League ao Brasileirão

A receita inglesa é 'dar munição' ao conjunto. A título de comparação, no Brasil, o América/MG deve receber cerca de R$ 25 milhões neste ano que marca sua volta à elite, conforme o Blog revelou. O valor corresponde a menos de 15% das cotas de Flamengo e Corinthians - considerando os números apresentados no Blog de Cassio Zirpoli. O campeão vai faturar quase o triplo do Atlético/MG, atual vice, e do Cruzeiro, que conquistou o troféu em duas das últimas três edições.

Mais decisivo que o tamanho do bolo é o tamanho das fatias.
Na Inglaterra, a do ex-lanterna pode ter o título como cereja.

2 comentários:

  1. Infelizmente isso aqui no Brasil não vai acontecer já que os presidentes dos clubes "prejudicados" não provocam mudança. Se não me engano, o presidente do Cruzeiro, recentemente, assinou com a globo até 2020, o que é um absurdo já que seu mandato vai só até 2017.

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