20/05/2016

Quando a exceção derrota a regra

Vinícius Dias

Da coletiva pós-eliminação na Libertadores, sublinhando a importância de "olhar para frente" quando questionado sobre o Campeonato Brasileiro, à despedida na tarde seguinte, citando pedido de demissão que teria sido feito há 20 dias, a saída de Diego Aguirre do comando do Atlético deixou várias perguntas sem respostas. Em meio a incógnitas, a equação aponta uma certeza renovada rodada a rodada: a fragilidade dos laços que unem técnicos e clubes no futebol brasileiro.


Apenas nos primeiros cinco meses de temporada, os clubes da Série A já realizaram dez trocas de técnico. Além do alvinegro mineiro, Figueirense, Fluminense, Palmeiras, Atlético/PR, Santa Cruz, Sport, Cruzeiro e a Ponte Preta - por duas vezes - se renderam à ciranda. Em um mercado em que normalmente a convicção depende de resultados e se aposta em nomes, não em projetos, a troca deixou de ser um recurso de exceção para se transformar em regra pós-reveses.

Aguirre se despede: 10ª troca na elite
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Mas, na prática, qual a eficácia da regra? Fugindo do clichê, o histórico do Campeonato Brasileiro dos pontos corridos e da regularidade rascunha o longo prazo como atalho para o sucesso. Nesses 13 anos, somente três campeões trocaram o treinador no percurso da competição. Desde 2003, nenhum clube brasileiro conquistou o nacional e a Libertadores no mesmo ano. Nove dos campeões nacionais tiveram de superar fracassos em seus estaduais rumo ao título.

A regra dos campeões

Os exemplos são diversos e bons. Muricy Ramalho levou o São Paulo ao tricampeonato entre 2006 e 2008 reunindo forças depois de três quedas consecutivas na Libertadores no Paulista. Em 2011, o Corinthians caiu na pré-Libertadores e foi vice estadual, mas manteve Tite para conquistar o nacional. No ano seguinte, o Fluminense de Abel Braga caiu em casa nas quartas de final da Libertadores e, a seguir, festejou o Brasileirão. Mesmo roteiro do Cruzeiro, em 2014, com Marcelo Oliveira.

Trocar de técnico ao sabor dos resultados é a regra nacional.
Mas o Brasileirão, quase sempre, vem coroando as exceções.

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