26/07/2016

A convicção da falta de convicção

Vinícius Dias

Uma diretoria pouco convicta e um técnico com cada vez menos apoio. A equação da queda do português Paulo Bento, 75 dias após o anúncio do acerto, pode ser resumida pelas duas variáveis. Na quinta-feira passada, horas após a vitória na Copa do Brasil, as palavras do vice-presidente de futebol Bruno Vicintin sugeriam sequência. "O treinador está prestigiado, vem de classificação", afirmou. Depois de quatro dias, uma derrota e uma reunião, ponto final: roteiro de avaliação de resultados.


É verdade que Paulo Bento vinha perdendo apoio interna e externamente. Aquilo que antes parecia inovador passou a ser tratado, no mínimo, com ressalvas. A linha defensiva alta, sem o lastro dos três pontos, se tornou desenho da instabilidade. Dia a dia, e com menos brasileiros por perto na comissão técnica, o técnico ganhava voz, mas se aproximava de perder a vez. Também pelos próprios erros, mas principalmente por se tornar um escudo cada vez mais frágil para a diretoria.

Paulo Bento: 75 dias de Cruzeiro
(Créditos: Pedro Vilela/Light Press)

Diretoria que retrata, de maneira fiel, uma administração capaz de realizar cinco trocas - quatro motivadas por demissão - de técnico, propostas de jogo e treino em apenas 13 meses. Capaz ainda de contratar um time no primeiro semestre - dos 11 reforços, apenas um chegará a agosto como titular absoluto -, investir em mais seis jogadores recentemente e, antes mesmo de todos estarem à disposição, ter certeza sobre o insucesso do trabalho de um técnico prestigiado dias antes.

Trocas movidas por resultados, nomes ao ritmo da pressão.
No momento, uma rara convicção é a de que falta convicção.

2 comentários:

  1. "A linha defensiva alta, sem o lastro dos três pontos". Sabe qual o problema principal disto, no Cruzeiro? O goleiro que não sabe jogar como líbero, fato corriqueiro na Europa. Ou seja, o pobre portuga tomou uma(s) rasteira(s) do grande Fábio.

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  2. Acho que insistir com novatos e deixar os mais experientes no banco pesou contra ele, alem da omissão dele, dizendo que não se sentia cobrado, que a mala dele tava pronta e toda derrota a mesma ladainha.

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