21/10/2016


Média de lesões nos duelos entre mulheres supera a de confrontos
entre homens; maioria dos casos ocorre no fim do primeiro tempo

Vinícius Dias

Em que momento do jogo acontece a maior parte das lesões? Quais são os locais do corpo mais afetados? Em relação ao diagnóstico e à gravidade, há grandes diferenças entre o futebol masculino e o feminino? Um levantamento realizado pela comissão médica e pelo departamento de desenvolvimento de futebol feminino da Conmebol, em parceria com a Faculdade de Medicina da Universidad CEU San Pablo, de Madrid, ajuda a responder perguntas como as citadas acima.


Entre 2015 e 2016, foram analisadas 106 partidas de quatro competições organizadas pela Confederação Sul-Americana - Copa Libertadores feminina, Copa América sub-20 feminina e as masculinas Copa América de 2015 e Copa América Centenário. Em um cenário com 1.150 atletas envolvidos, ocorreram 266 lesões, média superior a 2,5 por jogo. O torneio com maior número de casos foi a Copa América sub-20, disputada entre novembro e dezembro do ano passado: 99 registros.

Média de lesões entre homens é menor
(Créditos: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

Chama a atenção o fato de que, tanto no futebol masculino - 58 partidas analisadas - como no feminino - 48 partidas -, os 15 minutos finais do primeiro tempo representaram o período do jogo com maior ocorrência de lesões. De acordo com o levantamento, nos duelos entre homens, um em cada quatro casos foi registrado nessa faixa. O índice é ainda maior entre mulheres: 29%. Por outro lado, em ambos os gêneros, o intervalo entre o apito inicial e o 15º minuto teve o menor número de lesões.

Características das lesões

No futebol masculino aconteceram, em média, duas lesões por confronto. As regiões do corpo mais afetadas foram coxa (25,2%), cabeça e rosto (14,6%), panturrilha (11,2%) e pé (10,3%). Apesar do menor número de casos - 115 contra 151 - na comparação com o feminino, as lesões entre homens foram mais graves: 34% exigiram afastamento das atividades por pelo menos dois dias. Curiosamente, porém, em 70% dos casos de maior gravidade sequer foram marcadas faltas durante as partidas.

(Arte: Vinícius Dias/Blog Toque Di Letra)

A média de lesões superou a marca de 3,1 por jogo no futebol feminino. As áreas mais afetadas foram cabeça e rosto (22,5%), joelho (15,9%), tornozelo (15,2%) e panturrilha (11,2%). A maior incidência de lesões entre mulheres, segundo especialistas, se deve a fatores biomecânicos. Chama a atenção, no entanto, o fato de que em apenas 10% dos casos registrados as jogadoras precisaram restringir as atividades nos dias seguintes às lesões, o que indica menor gravidade nos diagnósticos.

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