08/11/2016

Obrigação cumprida, e nada mais!

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul!

Caso as projeções se confirmem nas próximas rodadas, o ano terminará de maneira melancolicamente 'ok' para o Cruzeiro. Nada a comemorar, a não ser aquilo que não é mais do que obrigação moral com o torcedor de um clube dessa grandeza e tradição: a permanência na Série A. Muito pouco, pouquíssimo, quase nada. Com toda a infraestrutura e todo o investimento disponível, o mínimo que se espera é um desempenho, se não perfeito, pelo menos condizente com a realidade do clube.

Muitos atribuem a má fase - que já dura pelo menos duas temporadas inteiras - ao terrível e paradoxal destino de quem se destaca no futebol brasileiro. Quanto melhor o time, maior a chance de ele ser desmanchado sem dó nem piedade pelos diversos mercados futebolísticos ao redor do mundo, com ou sem a conivência da diretoria, já que, como sabemos, só o clube querer não basta para segurar jogador algum. A meu ver, analisar a situação dessa forma é ser superficial demais.

Raposa encaminhou permanência na elite
(Créditos: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

Concordo que seria muito difícil manter as principais peças que ajudaram a conquistar o bicampeonato em 2013/2014. Entretanto, por todos saberem que o assédio fatalmente iria ocorrer, esperava que o clube aproveitasse melhor a imagem e as receitas que as conquistas acarretaram. Qual jogador não gostaria de atuar em uma equipe com o potencial daquele Cruzeiro avassalador? As opções eram muitas, mas as escolhas foram, em maioria, equivocadas ou precipitadas.

Na prática, só dois reforços

Sem ser muito exigente, dá para dizer tranquilamente que, dos jogadores contratados logo após o desmanche do time bicampeão, somente Cabral e Arrascaeta vingaram. Pouco material humano para reforçar um elenco hoje desfigurado, mas que ganhou praticamente tudo por dois anos seguidos - e esteve perto de conquistar mais. Se eu listasse aqui os jogadores que não emplacaram, você, leitor, passaria raiva. Então prefiro me ater ao fato de que quase nenhum investimento deu retorno.

Mano comandará o Cruzeiro em 2017
(Créditos: Pedro Vilela/Light Press/Cruzeiro)

É muita falta de aptidão na hora de analisar desempenho e de montar um planejamento. Nem a transição base-profissional foi feita com clareza - e vários atletas não tiveram as devidas chances ou foram 'queimados'. Tudo isso aliado ao entra e sai de treinadores e à incrível diferença de discursos entre os próprios membros do departamento de futebol, na minha opinião, são os grandes responsáveis por essa insossa realidade na qual a equipe celeste se encontra.

Ano novo, nova realidade?

Tenho certeza de que o trabalho a ser realizado agora é mais difícil e mais delicado do que aquele que haveria de ser feito ao final de 2014, mas de maneira alguma é impossível. Porém, do mesmo modo, tenho convicção de que a diretoria tem plena capacidade para não cometer os mesmos erros. Assim, poderemos ter um 2017 condizente com a grandeza e a história do Cruzeiro Esporte Clube.

Agora, o jeito é terminar o ano da melhor maneira possível e começar o quanto antes a trabalhar por um futuro mais brilhante.

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!

Um comentário:

  1. Gastou quase a metade do Brasileirão para contratar um centroavante.
    Ábila teve um pequeno período de adaptação. Teve em seguida uma boa média de Gol. Quando mais precisávamos dele, não jogou. O ESQUEMA MONTADO CONTRA O Grêmio era favorável a ele.

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