10/11/2016


856 dias após vexame, seleção retorna ao Mineirão como líder das
Eliminatórias; clássico terá homenagem a capitão da Copa de 1970

Vinícius Dias

Com mais de 50 mil ingressos vendidos antecipadamente, Brasil e Argentina fazem nesta quinta-feira, no Mineirão, um confronto chave na caminhada rumo à Copa do Mundo de 2018. Após 856 dias, a seleção volta ao palco da maior derrota de sua história na condição de líder das Eliminatórias - a albiceleste está em quinto lugar. O enredo do clássico inclui homenagem ao ex-capitão Carlos Alberto Torres, atacante atleticano em noite de visitante e goleiro reencontrando a própria história.


Depois de igualar contra a Venezuela, em outubro, a série inicial de quatro vitórias alcançada por Telê Santana nas Eliminatórias para o Mundial de 1982, Tite comandará a equipe pela quinta vez. Um resultado positivo também significará a ampliação da invencibilidade da seleção em duelos contra a Argentina no Gigante da Pampulha. Desde 1968, o retrospecto indica três vitórias brasileiras e um empate, registrado no confronto mais recente: 0x0 nas Eliminatórias para a Copa de 2010.

Quatro convocados atuaram no 7 a 1
(Créditos: Jefferson Bernardes/Vipcomm)

Entre os convocados, o estádio inspira recordações distintas. Dos 23 nomes da lista de Tite, quatro atuaram no 7 a 1: Marcelo e Fernandinho como titulares, enquanto Paulinho e William foram acionados na segunda etapa. Daniel Alves ficou no banco de reservas. Para o goleiro Weverton, o jogo desta quinta-feira marca a volta ao estádio que serviu como atalho para as Olimpíadas. Nos discursos, entretanto, a semelhança aparece: a missão é esquecer o passado e focar o presente.

Atleticanos e argentinos

Quando o assunto é a torcida, nem mesmo o fato de atuar como mandante garante apoio unânime à seleção brasileira. Um dos motivos é a presença do atacante Lucas Pratto, do Atlético, no time adversário. "Argentina virá forte para cima do Brasil. Pratto é o sinônimo de raça e vontade que o jogador argentino tem de diferente do brasileiro", afirma o auxiliar administrativo Renato Vital, de 35 anos. "Messi é um gênio do futebol. Espero muito dele e do Pratto", completa o atleticano.

Cristiam Araújo é fã de Lucas Pratto
(Créditos: Arquivo Pessoal/Cristiam Araújo)

Cristiam Araújo, de 40 anos, é mais um exemplo. Embora afirme que a paixão pela Argentina é antiga, o analista de crédito reconhece que as convocações do camisa 9 alvinegro têm ajudado a alimentá-la. "Torço desde a época de Maradona, Pumpido, Burruchaga e companhia. Tem algo me dizendo que o Pratto irá balançar as redes", pontua. Na Copa de 2014, Cristiam viajou para Brasília ao lado do filho para assistir a uma partida da albiceleste. "Fico ansioso em dias de jogos", revela.

Toque celeste na estreia

Se neste capítulo é a Argentina que terá um jogador de clube local, no primeiro clássico disputado no Mineirão, o cenário foi muito diferente. Em 1968, a Seleção Mineira representou o Brasil, vencendo por 3 a 2. Os gols foram dos cruzeirenses Evaldo, Rodrigues e Dirceu Lopes. "Sempre foi um jogo empolgante, que todo mundo quer assistir e jogar. Brasil x Argentina representa o melhor futebol da América do Sul", afirma Procópio Cardozo, capitão da equipe naquela oportunidade.

Procópio, nos anos 1960, no Cruzeiro
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Arquivo)

Primeiro atleta mineiro a vestir amarelinha no estádio, em 1965, o ex-zagueiro agora exerce o lado torcedor. "Tite me telefonou (na terça-feira) convidando para ir ao treino, ver o jogo. Fiquei muito feliz... Não pude ir, porque tinha compromisso, mas estou torcendo muito para que ele consiga não só a classificação, mas também o título em 2018", comenta. Cardozo ainda espera que a invencibilidade que teve início com ele em campo seja ampliada. "Tomara que essa escrita prevaleça".

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