Presidente do Cruzeiro entre 1991 e 1994, ítalo-brasileiro anunciou
intenção de disputar eleições no fim deste ano e já traça propostas

Vinícius Dias

Uma semana após confirmar que pretende se candidatar à presidência do Cruzeiro nas eleições deste ano, César Masci já tem articulado propostas. Com o discurso de "devolver o Cruzeiro para o torcedor", o ítalo-brasileiro, que esteve à frente do clube celeste entre 1991 e 1994, revelou ao Blog Toque Di Letra algumas de suas ideias. Defensor de alterações em vários pontos do estatuto, Masci também garantiu ser favorável à diminuição dos requisitos para disputa das eleições presidenciais.


"Eu sou a favor de mudar o estatuto do Cruzeiro, ele é muito restritivo. Na minha época, precisava de apenas dois anos de Conselho (para disputar) e, para ser conselheiro, dois anos como associado", ponderou. Embora ainda não haja uma proposta fechada, a possibilidade de flexibilização também agrada a conselheiros próximos ao presidente Gilvan de Pinho Tavares e a lideranças da bancada italiana, por exemplo.

Masci e Anísio Ciscotto: ítalo-brasileiros
(Créditos: Vinícius Dias/Blog Toque Di Letra)

Conforme o texto atual, os cargos de presidente e vice são privativos de conselheiros beneméritos - atuais e ex-presidentes do clube e Conselho - e natos - vitalícios. Há eleição de natos somente em caso de vacância, com disputa restrita aos associados conselheiros que já tiverem cumprido pelo menos três mandatos consecutivos ou cinco alternados. Trienalmente, há eleição de associados conselheiros, permitida a candidatura de associados admitidos há, no mínimo, dois anos.

Sócio-torcedor protagonista

Outro ponto defendido por César Masci é o aumento do colégio eleitoral. Atualmente, apenas membros do Conselho Deliberativo votam em eleições presidenciais. O ex-presidente defende a participação de sócios-torcedores. "Não há ninguém melhor do que o torcedor para saber se a administração está sendo eficiente ou não. O Cruzeiro hoje tem 76 mil sócios-torcedores, que dão uma contribuição muito grande", afirmou, citando os exemplos de clubes como Internacional e Grêmio.

Eleição de conselheiros natos em 2013
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Arquivo)

"A verdadeira razão, origem da instituição Cruzeiro é o futebol. No sistema atual, em que o presidente tem direito a uma reeleição, ele tem apoio do Conselho e é reeleito por aclamação. Se for pela torcida, se não fizer boa administração, não tem reeleição", completou o pré-candidato, assinalando como alternativa o apoio a candidaturas de sócios-torcedores que também sejam associados do clube nas eleições do Conselho.

Descentralização do futebol

César Masci também trabalha com a ideia de descentralização das decisões ligadas à política de contratações. A aplicação partiria da definição de um teto salarial. "(Hoje), compra, repatria jogadores com contratos acima da realidade", justificou. "Vou fazer uma proposta de que o Conselho seja um órgão fiscalizador e que esses contratos acima de uma tal importância, de jogadores que estão retornando (ao futebol brasileiro), tenham de passar pelo crivo do Conselho", revelou.

4 comentários:

  1. Muito boa essa proposta de maior participação do sócio-torcedor, teríamos ganhos em vários pontos dentre eles uma maior adesão ao programa.

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  2. Seria excelente o sócio torcedor poder opinar mas o mesmo deveria a ser sócio a no minimo 4 anos pra evitar um pico de sócios em anos de eleição e depois sumirem, agora avanço mesmo seria uma lei de responsabilidade sobre as ações dos agentes tipo a lei de responsabilide existente no Flamengo, isso sim seria modernizar a gestão.

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    1. Com certeza!!! Tem que haver controle senão viraria bagunça.

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  3. Vai virar bagunça! Futebol hoje em dia é praticamente uma empresa e enfiar eleição, o jogo político, no meio de gestão é para tumultuar de vez o ambiente. Ainda mais hoje em dia com essas verdadeiras hordas berrando por qualquer coisa nas redes sociais, como se já não bastassem as tais "torcidas" organizadas, verdadeiros grupos de interesse. O corpo diretivo tem que ser técnico, competente e transparente. É disso que o Maior de Minas precisa, acima de tudo, transparência !!!

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