21/02/2017

As lições do primeiro tropeço do Cruzeiro

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul!

Eis que aconteceu o primeiro tropeço do Cruzeiro na temporada. Nada de absurdo, nada de desesperador, mas um fato novo no ano que, até o empate contra a URT, vinha sendo somente de vitórias da equipe celeste. A verdade é que o resultado diante do time de Patos de Minas foi justo e, mais do que isso, de certa forma puniu a Raposa pelo conjunto da obra. O time já vinha demonstrando problemas defensivos há alguns jogos e, mais hora, menos hora, os primeiros pontos fatalmente ficariam pelo caminho.


Vejam bem: não quero, de maneira alguma, colocar lenha na fogueira e criticar o trabalho feito na Toca da Raposa de cabo a rabo. Tenho certeza de que é o início de temporada mais promissor desde 2014 e tenho tranquilidade quanto ao futuro da equipe neste ano. E é justamente por isso que achei 'saudável' o empate do último sábado. A hora de corrigir o que não vêm dando certo é agora, o quanto antes. As atuações da defesa, exceto no clássico da Primeira Liga, têm me deixado um pouco apreensivo.

Time celeste tropeçou no Zama Maciel
(Créditos: Jhereh Patos/Light Press/Cruzeiro)

Talvez as dificuldades apresentadas nesse início de trabalho se devam à mudança no estilo da equipe. Uma coisa é se defender praticando o jogo reativo e outra, bem diferente, é você manter a defesa e os volantes prontos para defender quando seu time pratica o futebol propositivo. No segundo caso, que é a situação da equipe que Mano Menezes vem ensaiando, volantes e laterais têm papéis fundamentais na construção de jogadas, uma vez que o time ataca de maneira incisiva e quase constante. É preciso muito ensaio, muito treino e alguns resultados negativos, que irão mostrar onde estão os problemas.

Ainda em busca do equilíbrio

Algo que ficou claro para mim, até agora, é que o entrosamento dos 11 jogadores que estiverem em campo será tão ou mais importante que a qualidade técnica individual. Tenho certeza de que, por muitas vezes, veremos no banco um ou outro atleta que achamos que merece estar no time, mas que, por causa do estilo e da fluidez do jogo, serão preteridos. E, enquanto o ataque vem produzindo chances acima da média, apesar de pecar demais nas finalizações, o setor defensivo ainda me parece que não encontrou a melhor maneira de se portar.

Ataque produz, defesa segue instável
(Créditos: Jhereh Patos/Light Press/Cruzeiro)

Mano Menezes precisa encontrar o equilíbrio entre marcação e criação, entre velocidade e cadência. Peças para tal, tenho convicção de que não será o problema. Com todas as opções disponíveis, é possível montar um time sólido defensivamente e que ainda consiga agregar apoio e profundidade na hora de atacar. Romero, Henrique e Hudson possuem poder de marcação notável. Lucas Silva, Cabral e até Robinho têm totais condições de contribuir na armação de jogadas a partir da cabeça de área.

Enfim, apesar de não gostar de empatar, muito menos de perder, nem em competição de arremesso de pedrinhas na água, sei que o momento é de transição e que as oscilações irão ocorrer. O mais importante agora é trabalhar para adquirir corpo, criar mecânicas de jogo, variações táticas e tudo mais que será imprescindível para que esse grupo alcance conquistas muito mais altas neste ano.

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!

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