15/03/2017

O Atlético de 2017 além dos números

Alisson Millo*

Goleadas e liderança isolada depois de sete rodadas, com Fred inspirado e 100% de aproveitamento. Assim podemos resumir o início de Campeonato Mineiro do Atlético sob o comando de Roger Machado. Até mesmo o setor defensivo, ponto fraco na temporada passada, começa 2017 com bons números - a equipe alvinegra é a menos vazada da competição, ao lado do rival Cruzeiro. Mas nem só de comemoração vive o torcedor. Por trás dos números e do estadual, surge a necessidade de ajustes.


A começar pelo esquema tático: a estreia na Libertadores mostrou que o time não está totalmente adaptado ao 4-1-4-1. Empate fora de casa não costuma ser um resultado ruim, mas a atuação, principalmente na etapa inicial, foi. Os espaços no meio de campo precisam ser fechados para dar mais segurança à zaga e força ao ataque. Mesmo com um jogador a mais por vários minutos, o Atlético criou poucas chances concretas diante do Godoy Cruz, no estádio Malvinas Argentinas.

Galo empatou na estreia na Libertadores
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Atuação ruim, a exemplo da derrota no clássico válido pela Copa da Primeira Liga, em 1º de fevereiro. É bem verdade que o resultado daquela partida foi determinado por um erro individual do então estreante Felipe Santana, mas a pressão sofrida e o pouco que o Atlético criou demonstravam que ainda tinha muito a ser melhorado. Ceticismo à parte, é fato que a equipe vem evoluindo aos poucos.

Danilo e Otero: duas peças-chave

A principal surpresa desse início de temporada é Danilo. Escalado no meio-campo, o lateral-esquerdo chega bem ao ataque e ainda auxilia Fábio Santos na marcação. O treinador, inclusive, chegou a dizer que Danilo não tem o direito de se machucar, devido à versatilidade e à importância que tem no elenco. Outro ponto positivo é Otero. Gigante de 1,66 metro, o camisa 11 é forte, rápido, muito raçudo e uma arma importante nas bolas paradas, algo que o Galo não tinha desde a saída de Ronaldinho.

Otero: gigante de 1,66 metro no Atlético
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Lá atrás, Gabriel cresce a cada dia. Falhou na Libertadores, sim. Mas, com a experiência que vem adquirindo, a tendência é de que os erros sejam cada vez mais raros. Aos 22 anos, o camisa 30 é titular indiscutível e deve ser mantido mesmo com a recuperação de Erazo. Jesiel é outra promessa que, com a inconstância de Felipe Santana, pode ganhar mais chances. No meio, Rafael Carioca, aos poucos, retoma o futebol que o levou à seleção e se entrosa com Elias, aumentando a qualidade do time.

He-Man: atleticano nos gramados

Na última partida, Cazares mostrou novamente a bola que tem e, com foco na carreira em vez de polêmicas, tem tudo para voltar a ser inquestionável entre os titulares. E o que dizer de Rafael Moura? Atleticano confesso, o centroavante usa a camisa 13, comemora gols à la Reinaldo e sempre entra com sangue nos olhos para ajudar o time. Nunca é bom rotular um jogador como 'bom reserva', mas Fred é o artilheiro do Atlético e, felizmente, temos no banco uma opção que não deixa a desejar.

Fred e He-Man: artilharia e bom humor
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

O elenco é bom, o time é bem treinado e o caminho trilhado parece ser o correto. Com uns ajustes aqui e outros ali, o Galo tem tudo para bicar todo mundo em 2017 e, assim, conquistar os títulos que tanto fizeram falta para a torcida no ano passado.

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
Goleiro titular e atual capitão da seção Fala, Atleticano!

3 comentários:

  1. Falta mais um zagueiro confiavel e um meia de criação ja que o Cazares é inconstante.

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  2. O Galo não jogou a libertadores com um a mais por bastante tempo, foram nos minutos finais foi jogo.

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  3. Bom essa bolinha que o Galo está jogando, o time não irá muito longe esse ano... Até ano passado era possível, ao menos em tese, dizer que o time do Galo era melhor ou, no mínimo, igual, em termos de força, ao time do Palmeiras, do Santos e do Flamengo, seus principais rivais pela luta pelo título brasileiro. Esse ano, porém, a meu ver, a distância técnica e tática entre os times citados e o Galo é IMENSA! O Galo apresenta, hoje, futebol claramente inferior aos principais times brasileiros. Enfim, quem viver, verá!

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