15/04/2017


Com folha modesta e técnico mais jovem do Mineiro, URT chega ao
bi do interior e amplia a invencibilidade contra Cruzeiro e América

Vinícius Dias

O desfile em carro do Corpo de Bombeiros diante de centenas de torcedores pelas ruas de Patos de Minas, na última segunda-feira, marcou o último capítulo da comemoração que teve início ainda no domingo, logo após a vitória sobre o Tombense. Bicampeã mineira do interior, a URT assegurou vagas na Copa do Brasil e na Série D de 2018. Mais do que isso: o clube superou a campanha da edição passada - no critério saldo de gols - e emplacou a segunda presença seguida na fase semifinal, feito inédito em seus quase 78 anos de história.


Um dos trunfos do Trovão Azul foi o planejamento antecipado. O elenco foi apresentado no dia 1º de dezembro, enquanto o Atlético, adversário deste domingo, ainda se preparava para a final da Copa do Brasil. "No início, tivemos a ajuda do (empresário) Márcio Malamud, de Uberlândia. Ele foi parceiro na montagem, junto com a diretoria e a comissão técnica", lembra o presidente do clube, Roberto Miranda, ao Blog Toque Di Letra. Nos bastidores, o discurso é de comemoração. "Todo presidente de clube, quando monta o elenco, tem a intenção de chegar".

Rodrigo Santana comanda a URT
(Créditos: URT/Instagram/Divulgação)

O comandante do time que somou 71% dos pontos contra rivais do interior e ainda empatou com Cruzeiro e América é Rodrigo Santana, de 34 anos. "Foi difícil. A gente reformulou tudo. (Do elenco campeão em 2016), permaneceu apenas o Fabinho (lateral-esquerdo). Nosso orçamento é um dos menores, não tinha como eu contratar muito", enumera o treinador mais jovem do estadual. "A gente até tentou (a volta de) alguns jogadores, mas eles já tinham propostas maiores", revela. A folha da URT é de cerca de R$ 200 mil mensais, inferior aos salários das estrelas do torneio.

Sonho e recomeço em Patos

Após o título do interior, até mesmo os mais experientes se permitem sonhar com voos mais altos. "Chegou um momento em que alguns que não conheciam o trabalho diário pensaram que não daria mais (para a URT se classificar). Mas o trabalho foi tão bem feito que a gente tem a possibilidade de chegar ao título estadual", resume o massagista Tita, com passagens por Cruzeiro e seleção brasileira, que disputa seu 26º Campeonato Mineiro. "Nossa, você não imagina. Seria a coroação, uma das melhores coisas dessa minha carreira de mais de 30 anos", acrescenta.

Tita e Juninho compartilham sonhos
(Créditos: URT/Divulgação/Arquivo Pessoal)

No caso do goleiro Juninho, ex-América, Atlético e Cruzeiro, a URT marca o recomeço. "Quando Deus me deu essa segunda chance, eu não esperava que fosse voltar tão bem. Só tenho a agradecer", afirma o camisa 1, que, devido a problemas pessoais agora superados, chegou a se afastar dos gramados e a trabalhar como motorista de Uber em 2016. "Particularmente, tentei ajudar da melhor forma. Fomos bem preparados. Todos obedeceram cada posição, cada indicação do Rodrigo. Ele se preocupa muito em estudar o adversário para que a gente não seja surpreendido", avalia.

Melhor trabalho da carreira

Para o treinador, um dos segredos é, justamente, a boa relação com o elenco. "Eles entenderam a nossa filosofia de trabalho, compraram a ideia. Hoje, não basta jogar por jogar. Nosso esquema tem que ser definido em cima do ponto forte e do ponto fraco do adversário", destaca. "O primeiro objetivo era não cair. Na 3ª rodada, já tínhamos pontuação. Classificamos para a Série D com antecedência, depois Copa do Brasil. Tive um acesso com o Juventus (à Série A2 do Paulista), fui campeão catarinense sub-20 invicto. Mas esse é o melhor trabalho da carreira", emenda.

Allan Dias: de volante a centroavante
(Créditos: URT/Instagram/Divulgação)

Em campo, Allan Dias é um dos símbolos da proposta do treinador. O meio-campista, formado na base do São Paulo, foi utilizado como volante e meia, até ganhar a vaga no ataque. O objetivo: aproveitar, mais perto da área adversária, a capacidade de roubada de bola. "O Rodrigo me perguntou se eu ajudaria e deu certo. Saíram gols em alguns jogos, assistências em outros", lembra. Artilheiro da URT, com três gols, Allan exalta a boa fase. "Ele até brincou que me deixaria com a camisa 5 para ninguém entender. Acham que estou de volante, mas estou lá no meio dos zagueiros".

Reuniões familiares no clube

Palavra quase unânime nos discursos, a união transcendeu os gramados. Ao longo da primeira fase, o clube promoveu vários churrascos. "A iniciativa é da diretoria. De 15 em 15 dias, chamamos os jogadores, esposas, filhos, a diretoria também traz seus familiares. Sentamos na URT para confraternizar, é muito bom", comenta o presidente Roberto Miranda, revelando um detalhe curioso. "Tem refrigerante, suco, uma cervejinha que eu levo. Não bebo, mas não sou contra beber. A gente tem um relacionamento muito bom. Não devemos proibir nada, devemos ensinar o limite das coisas".

Título do interior: festa em Patos
(Créditos: URT/Instagram/Divulgação)

Ainda mais frequentes têm sido as reuniões da diretoria. Para isso, no entanto, é preciso superar as agendas apertadas. "Praticamente todos os dias conversamos, discutimos coisas da URT. O principal de tudo é a humildade, levar a coisa a sério. Aqui, toda a diretoria é operária", ressalta o presidente, que concilia o mandato com a jornada de trabalho em uma empresa do ramo de torrefação de café. Desde domingo, o que não tem faltado é tempo para comemorar o bicampeonato do interior e sonhar. Afinal, a União Recreativa dos Trabalhadores faz a força.

Um comentário:

  1. Vínícius parabéns pelo seu belo trabalho frente ao Blog ToqDiLetra.

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