11/06/2019

TV assegura compra do Mineiro até 2021

Vinícius Dias

Depois de semanas de incerteza nos bastidores, a FMF já dá como garantida a venda dos direitos de transmissão do Campeonato Mineiro - principal fonte de receita do estadual - para as próximas duas temporadas. Conforme o Blog Toque Di Letra apurou, passados mais de 15 dias do prazo para rescisão sem multa sem que a emissora tenha se manifestado, o entendimento é de que o contrato está mantido até 2021.

Estadual terá valores recordes em 2020
(Créditos: Federação Mineira de Futebol/Divulgação)

De acordo com as bases fixadas na última renovação, a TV tinha até 23 de maio para acionar a cláusula que abria a possibilidade de rescisão em relação às temporadas de 2020 e 2021, as duas últimas do acordo vigente desde 2017. Internamente, desde o fim do ano passado, dirigentes de vários estados chegaram a adotar tom de incerteza sobre a venda dos direitos a partir de 2020, o que não se confirmou em Minas Gerais

Cifras recordes no próximo ano

Com contrato mantido, a próxima edição terá valores recordes. Nesta temporada, os clubes do módulo I e a FMF receberam, somados, quase R$ 38,5 milhões - o acordo, com valor inicial de R$ 36 milhões, prevê reajuste a cada ano. O campeão Cruzeiro e o rival Atlético receberam cerca de R$ 12,7 milhões cada. O América embolsou quase R$ 3 milhões, enquanto cada uma das equipes do interior faturou cerca de R$ 900 mil.

08/06/2019

Lucas Silva com futuro indefinido no Cruzeiro

Vinícius Dias

Peça-chave nos títulos brasileiros de 2013 e 2014 e no inédito bicampeonato da Copa do Brasil, Lucas Silva vive dias de indefinição no Cruzeiro. Embora o volante já tenha sinalizado a intenção de permanecer na Toca da Raposa II em conversas preliminares, a diretoria celeste ainda não manteve contatos com o Real Madrid para discutir a renovação. Emprestado apenas até o próximo dia 30, o camisa 16 está fora da equipe titular há quase um mês e já é alvo de sondagens da Europa e do futebol mexicano.

Cruzeiro paga 50% dos salários de Lucas
(Créditos: Bruno Haddad/Cruzeiro E.C.)

Conforme o Blog Toque Di Letra apurou junto a um emissário com bom trânsito no clube merengue, pelo menos três equipes do Velho Continente buscaram informações sobre o volante: Atalanta, da Itália, e o atual campeão português Benfica, ambos classificados à próxima edição da Liga dos Campeões, além do Espanyol, da Espanha. No México, o Tigres sonha em ter o cruzeirense formando dupla com o ex-atleticano Rafael Carioca, um dos pilares da equipe da recente conquista do Clausura.

Venda ou renovação e empréstimo

Com o retorno ao elenco comandado pelo francês Zidane tratado como improvável, o Real Madrid trabalha nos bastidores com duas alternativas para Lucas Silva. A prioridade é uma negociação em definitivo. Ainda assim, os espanhóis não descartam a possibilidade de um novo empréstimo, desde que haja a ampliação do vínculo, que inicialmente se encerra em junho de 2020. Nesta temporada, o volante foi acionado por Mano Menezes em 18 partidas, sendo dez como titular, e ainda não balançou as redes.

01/06/2019

Corrente pró-transparência em alta no Cruzeiro

Vinícius Dias

Uma das protagonistas dos bastidores em meio às investigações da Polícia Civil sobre denúncias de irregularidades no Cruzeiro, a corrente Pró-Cruzeiro Transparente tem, cada vez mais, ganhado força no Barro Preto. Conforme o Blog Toque Di Letra apurou junto a lideranças do Conselho Deliberativo celeste, o movimento, que iniciou a semana reunindo cerca de 40 conselheiros, já conta com cerca de 200 apoiadores, incluindo conselheiros beneméritos, natos e efetivos, além de suplentes.

Corrente pede afastamento de dirigentes
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

Com o discurso de busca por transparência, a corrente foi criada na última quarta-feira. "Não somos situação nem oposição. Somos Cruzeiro", destacou o documento assinado por 111 membros, sendo 84 com poder de voto no Conselho, adesão que surpreendeu a diretoria. Nessa sexta-feira, a Pró-Cruzeiro Transparente encaminhou ao presidente do Conselho, Zezé Perrella, pedido de afastamento do presidente Wagner Pires de Sá, do vice de futebol Itair Machado e do diretor-geral Sérgio Nonato.

30/05/2019

Cruzeiro: os números da divisão no Conselho

Vinícius Dias

Na segunda-feira, cerca de 40 conselheiros reuniram para articular cobrança por transferência após as denúncias exibidas pela TV Globo. Nessa quarta, 84 assinaram o manifesto Pró Cruzeiro Transparente, que ainda conta com suplentes. Não são 111 com poder de voto no Conselho, como à primeira vista se interpreta, mas o número surpreendeu à diretoria, que até domingo falava em 14 conselheiros de oposição. Seis vezes menos.

Surpreendente mesmo quando o documento frisa: "não somos situação nem oposição, somos Cruzeiro". Porque, na avaliação de situacionistas ouvidos pelo Blog Toque Di Letra, o discurso é crescente. Não à toa entre os signatários da corrente estão um dos atuais vice-presidentes, ex-presidente, três ex-vices, ex-presidente do Conselho Fiscal e vários ex-diretores.

A reação da situação, que começou a ser articulada às 12h, saiu do papel à noite. Reunião no Barro Preto. Expectativa: 220 conselheiros. Realidade: no grupo ligado a Wagner Pires de Sá, a informação é de que, ao fim, 256 assinaram manifesto de apoio à diretoria. Nas estimativas de conselheiros que a presidência vê como oposicionistas, menos de 100 presentes - sendo metade conselheiros com cargos ou ligados a funcionários.

Manifesto x reunião: Conselho dividido
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

Pelo estatuto, o Cruzeiro deveria ter 500 conselheiros, além dos beneméritos - ex-presidentes do clube e do Conselho. Como há vacância no quadro, internamente fala-se em 410 a 430. No cenário mais positivo para a situação, pelo menos 70 não se manifestaram.

O número inclui o núcleo duro da ala Perrella. "Muitos ligados ao Zezé não se manifestaram e não vão", pontuou conselheiro de longa data que compareceu à reunião no Barro Preto. A projeção é de que, apesar do alinhamento sinalizado nos últimos meses, o ex-senador, hoje presidente do Conselho Deliberativo, evitará se posicionar politicamente.

Em meio a dúvidas sobre o tamanho do que se entende por oposição e sobre a força da ala do silêncio - a maior, se considerada a contagem da, digamos, oposição sobre a reunião dessa quarta-feira -, há duas certezas. O Conselho do Cruzeiro está bem mais dividido do que a diretoria acreditava. E a eleição para o centenário já começou no Barro Preto.

28/05/2019

Mais Cruzeiro e menos política! Respeitem-nos!

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul!

O futebol tem dessas coisas. Hesitei em escrever sobre o momento do Cruzeiro na semana passada, pois pensei que poderia ser leviano e julgar uma situação com a cabeça quente por causa da sequência de maus resultados no Campeonato Brasileiro, desconsiderando as demais competições. Pensei que jogando em casa, contra um adversário teoricamente frágil, as coisas voltariam ao normal e retomaríamos o rumo, o que nos daria ainda mais confiança para buscar outros objetivos bem maiores. Bem, nessa segunda-feira o cruzeirense acordou de mal consigo mesmo.


Quem dera o motivo fosse mais uma inexplicável derrota. Quem dera o cruzeirense tivesse ido dormir de cabeça inchada por ter visto seu amado clube sair derrotado em casa em um jogo tido como ganho, apesar do fraco futebol que vinha sendo apresentado. Aposto que pela manhã a última coisa que incomodava o cruzeirense era a derrota pra Chapecoense. Ao acordar, o torcedor celeste lembrou que seu antes imaculado clube havia sido exposto em mídia nacional como exemplo de, na melhor das hipóteses, má gestão. Na melhor das hipóteses o clube tem na praça uma dívida astronômica e quase impagável, dada a realidade do futebol brasileiro.

Denúncias foram pauta de coletiva
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

Quero muito que a melhor das hipóteses seja a verdadeira. Entretanto, se mais e mais acusações levantadas contra o Cruzeiro Esporte Clube forem comprovadas, o cruzeirense sangrará na alma. Falo do clube porque, no fim, é o nome dele que aparece nos noticiários esportivos e, agora, talvez nos policiais. O torcedor celeste sempre bateu no peito com orgulho da história conquistada em campo e construída fora dele e nunca precisou se preocupar em ver sua camisa associada a denúncias de irregularidades. Antes de tudo, é o nome de um dos maiores clubes de futebol do Brasil que está em jogo. O cruzeirense jamais vai aceitar e colaborar com esse tipo de situação porque isso não faz parte da realidade à qual nos acostumamos.

Novos tempos e mais transparência?

Espero, do fundo do coração, que a torcida não se volte contra o dedo que aponta. A reportagem, as denúncias, as acusações precisam ser encaradas como oportunidade de esclarecer a política do Cruzeiro. Resultado positivo ou negativo nenhum pode servir de motivo para que roam nosso clube. Você, amigo leitor, está aqui muito provavelmente por nutrir uma paixão em comum comigo. Faça um exercício e tente imaginar o que você estaria achando dessa situação se ocorresse com outra agremiação. Você provavelmente estaria torcendo pelas mais severas punições, caso comprovadas as denúncias, tendo em vista que isso enfraqueceria um rival.

Em campo, Cruzeiro caiu no Horto
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

Pois é! Creio que é isso que os demais torcedores do país estão fazendo agora. Só me resta me unir a eles. Porém, ao contrário deles, não quero enfraquecer o Cruzeiro. Quero que a ordem e a honra sejam mantidas, custe o que custar. Se tudo o que assistimos for mera especulação e não houver irregularidades suficientes para que o clube e os responsáveis sejam punidos, que ao menos a política cruzeirense passe por uma bela reforma e seja o início de tempos mais transparentes na gestão. Agora, caso tudo se confirme, que todos respondam pelos seus atos, e nós, torcedores, nos unamos ainda mais em nome da instituição Cruzeiro Esporte Clube.

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!

27/05/2019

TV não rescinde, mas Mineiro mantém incerteza

Vinícius Dias

Mesmo com contrato assinado por mais duas temporadas e com o prazo para rescisão sem multa encerrado na última quinta-feira, a venda dos direitos de transmissão - principal fonte de receita do Campeonato Mineiro - da próxima edição do estadual ainda não é dada como certa. Conforme o Blog Toque Di Letra apurou, a cautela dos principais interlocutores se deve ao fato de ainda não ter havido uma manifestação oficial da TV.

Galo e Raposa fizeram final neste ano
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

De acordo com as bases fixadas na renovação do contrato, inicialmente válido até 2021, a emissora tinha até dia 23 para acionar a cláusula que abria a possibilidade de rescisão sem multa, o que não ocorreu. Ainda assim, clubes e federação evitam garantir a manutenção do acordo. Nos bastidores, desde o fim de 2018, dirigentes de vários estados têm adotado tom de incerteza sobre a venda dos direitos a partir do próximo ano.

R$ 38,5 milhões na temporada

Nesta edição, os clubes do módulo I e a Federação Mineira receberam, somados, quase R$ 38,5 milhões pela cessão dos direitos dos estadual - o acordo, com valor inicial de R$ 36 milhões, prevê reajuste a cada edição. O campeão Cruzeiro e o arquirrival Atlético receberam cerca de R$ 12,7 milhões cada. O América embolsou quase R$ 3 milhões, enquanto cada uma das equipes do interior faturou cerca de R$ 900 mil.

24/05/2019

O Galo entre a condescendência e a hipocrisia

Alisson Millo*

Falar sobre o Atlético não anda sendo tarefa fácil. Os problemas e carências não mudam, e martelar em cima disso fica repetitivo. As vitórias estão vindo todas na raça - sempre por 2 a 1 -, mas as deficiências de time e do elenco ficam expostas quando o treinador precisa mexer. E em campo as atuações são contrastantes, então não dá para avaliar a grande vitória sobre o Flamengo e a derrota pro Unión La Calera da mesma forma. Inclusive foi a primeira vitória do time chileno em competições internacionais, então parabéns a eles. E ao Atlético por entrar para a história alheia.


Mas vamos lá. O sangue corneteiro não morrerá jamais, então precisamos falar. Torcedores mais maldosos dirão que foi só saírem Fábio Santos, Elias e Ricardo Oliveira que o Galo jogou muito bem e saiu com a vitória no sábado. Outros igualmente perversos dirão que o bom desempenho após a expulsão do camisa 7 foi porque o time já está acostumado a jogar com um a menos. Da minha parte, não digo que concordo com nenhuma dessas afirmativas. Nem posso, verdadeiramente, dizer que discordo.

Galo perdeu para o La Calera, no Chile
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Fato é que a vice-liderança do Brasileirão, ainda que prematuramente, mostra uma organização tática que há muito não se via no time. A maior parte das vitórias veio contra equipes 'menores', mas valeu os mesmos três pontos, então precisam ser comemoradas. Além disso, batemos o multimilionário Flamengaço classificadaço e fizemos frente ao ainda mais rico Palmeiras, que infelizmente tinha o Bruno Henrique. Na próxima partida, contra o Grêmio, lá no Sul, expectativa de boa atuação, visto que a equipe gaúcha, apesar de muito boa, vive uma fase ruim.

Nos mata-matas, nenhuma vítima

Na Sul-Americana e na Copa do Brasil, muitas ressalvas. O empate em casa contra o Santos não foi uma tragédia, mas está longe de ser um bom resultado. A derrota da última terça-feira, no Chile, não tem perdão. Não tem essa de time reserva, de adversário desconhecido ou qualquer outra desculpa que queiram dar. É um resultado totalmente reversível dentro de casa, na semana que vem, mas convenhamos que não precisaríamos ter de reverter nada se tivéssemos jogado direito.

Elogiar a vitória contra o Flamengo perto da derrota contra o Unión La Calera pode parecer condescendência. Criticar muito o revés no Chile perto do bom resultado de sábado pode parecer hipocrisia. Então fiquemos no meio termo, com uma crônica irregular, igual às atuações do Galo neste ano.

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
@amillo01 no Twitter, capitão da seção Fala, Atleticano!

20/05/2019

Cruzeiro x Palmeiras agita mercado europeu

Vinícius Dias

A final da Copa do Brasil sub-20 entre Cruzeiro e Palmeiras, na última quinta-feira, trouxe a Belo Horizonte uma série de emissários europeus. Conforme o Blog Toque Di Letra apurou, foram à Arena Independência representantes de clubes de Inglaterra, França, Portugal e Itália, com destaque para a presença de um scouting ligado a Roma e Lazio. O Verdão foi campeão nos pênaltis após a derrota por 4 a 3 no tempo normal.

Vinícius Popó em ação no Horto
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

De acordo com agentes consultados pela reportagem, dois dos nomes da pauta de observações eram os zagueiros Edu, do Cruzeiro, e Vitão, do Palmeiras, titular da seleção sub-20. A decisão também reuniu em campo joias como os celestes Vinícius Popó, autor de mais de 100 gols na base; e Marco Antônio, que recentemente foi alvo do Porto, de Portugal; além do artilheiro alviverde Anibal Vega, da seleção paraguaia.

16/05/2019

Cruzeiro monitora Ramires, de saída da China

Vinícius Dias

A rescisão de Ramires com o Jiangsu Suning, da China, noticiada nesta quinta-feira pelo Globoesporte.com, já é pauta nos bastidores do Cruzeiro. Em meio à saída de Rafinha, que acertou com o Coritiba, e à incerteza sobre o futuro de Lucas Silva, que já sinalizou ao staff o desejo de permanecer na Toca II, mas aguarda as conversas entre a Raposa e o Real Madrid, o nome do ex-camisa 8, de 32 anos, agrada à diretoria celeste.

Ramires: 111 jogos e 27 gols na Toca
(Créditos: Washington Alves/Vipcomm)

Conforme o Blog Toque Di Letra apurou, o Cruzeiro monitora o volante desde janeiro. Embora inicialmente Ramires já pudesse assinar pré-contrato no segundo semestre, uma vez que tinha vínculo com o Jiangsu até dezembro, o tema estava em compasso de espera. Isso porque, além de a operação ser considerada cara, a princípio, mesmo uma saída antecipada ocorreria somente após o fechamento da janela, em 20 de julho.

A quarta-feira de tapa na cara do cruzeirense

Vinícius Dias

Mais de 24 mil presentes no Mineirão, na quarta-feira passada, atendendo à convocação do presidente para o duelo que valia o 1º lugar geral da Libertadores, com pontuação histórica: 2 a 1 para o Emelec e tapa na cara do cruzeirense. Duas vitórias com claras dificuldades e duas derrotas sem oferecer resistência nas quatro primeiras rodadas do Brasileiro: tapa na cara do cruzeirense. Empate com o Fluminense abdicando do futebol e sofrendo o gol no último lance na Copa do Brasil: tapa na cara do cruzeirense.


Porque a quarta-feira de apenas um chute a gol em 90 minutos e menos de 35% de posse de bola diante de um Fluminense técnica e taticamente em estágio inferior não foi exceção, mas sim a confirmação da regra do Cruzeiro pós-Mineiro. Ainda mais quando a equipe que troca menos passes tem mais passes errados e quando a equipe superior permite ao adversário finalizar 20 vezes - sete delas em direção ao gol. Se o ataque não funcionou no Maracanã, tampouco a defesa teve a solidez dos melhores dias.

Cruzeiro de Mano abdicou do jogo
(Créditos: Bruno Haddad/Cruzeiro E.C.)

Se o segredo do estadual é duvidar das qualidades e acreditar nos defeitos, há pouco mais de um mês o Cruzeiro campeão invicto na casa do rival Atlético apresentava qualidades demais para se duvidar de todas. Hoje, apresenta defeitos demais para se acreditar e repensar. Com elenco, estrutura e tempo raros não apenas na história do clube, mas também no futebol brasileiro, Mano Menezes entrega um time, no máximo, comum. Que pouco venceu nos principais jogos e convenceu ainda menos.

Da euforia à preocupação, as dúvidas surgem e crescem.
A quarta-feira teve mais um tapa na cara do cruzeirense.

10/05/2019

Sul-Americana: oi, sumida, aqui é o Atlético!

Alisson Millo*

Oi, Sul-Americana, tudo bem? Vem cá, sumida, precisamos conversar. O que passou, passou. Não vamos guardar mágoas um do outro por causa de uma declaração idiota que deram na temporada passada, fechado? A relação entre você e o Atlético é muito maior do que isso.


Você lembra? Em 1992 e 1997, quando você tinha apelido de Conmebol, conquistamos seu amor. Foi uma relação muito boa, e tenho certeza que você guarda saudades dessa época. Temos tudo para retomá-la neste ano, afinal nos reencontraremos. A vaga conquistada na última terça-feira pode ser o início de uma bela história a ser escrita até o fim de 2019.

Alerrandro deu vida nova ao Atlético
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Declarações à parte, claro que a Sul-Americana não era o sonho de consumo do atleticano no início da temporada. Entretanto, as circunstâncias colocaram o Galo nessa situação. Dos males o menor, porque perder para o Zamora seria vergonhoso. Sofrer três gols já foi triste o suficiente.

Porque segunda divisão é a p...

Agora a obrigação é encarar a competição com seriedade. Não é segunda divisão. Não é prêmio de consolação para nada. Muito menos caminho mais curto para porcaria nenhuma. É um campeonato importante, que vale vaga e muito dinheiro. Ganhar ou não é consequência de vários fatores, mas honrar a camisa e lutar pelo título é o mínimo que esperamos.

Invicto, Galo é líder do Brasileirão
(Créditos: Pedro Souza/Atlético-MG)

Falar em obrigação no Atlético não é legal. Virou quase uma palavra de ordem para quando a vaca foi para o brejo. Mas suar sangue sempre foi uma qualidade muito apreciada pela Massa. E é isso que queremos ver do time nesta sequência de temporada.

Aparentemente houve uma mudança de atitude. Ainda é cedo para analisar, mas o primeiro indício é positivo. Futebol bonito é secundário, agora é a hora de mostrar do que o Galo é feito

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
@amillo01 no Twitter, capitão da seção Fala, Atleticano!

03/05/2019

Venda à TV: Mineiro vive incerteza sobre 2020

Vinícius Dias

Passadas quase duas semanas da decisão do Campeonato Mineiro, os clubes do módulo I e a FMF ainda não têm a garantia da venda dos direitos de transmissão - principal fonte de renda do estadual - para a próxima edição. De acordo com as bases fixadas no contrato, a TV tem até dia 23 para apresentar uma posição definitiva sobre a manutenção do acordo, inicialmente válido até 2021, para as duas próximas temporadas.

Cruzeiro comemorou bi há 13 dias
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

Conforme o Blog Toque Di Letra apurou, uma cláusula abre a possibilidade de rescisão sem multa no prazo. A incerteza se estende a outras regiões. No fim de 2018, o presidente do Conselho Deliberativo do Athletico/PR, Mário Celso Petraglia, já havia colocado em xeque a venda dos direitos dos estaduais, exceto o Paulista, a partir de 2020. Ainda assim, entre os principais interlocutores mineiros, o tom é de otimismo.

R$ 38,5 milhões nesta edição

Nesta temporada, os clubes do módulo I e a organizadora do Campeonato Mineiro receberam, somados, quase R$ 38,5 milhões pela cessão dos direitos - o acordo, com valor inicial de R$ 36 milhões, prevê reajuste a cada edição. O campeão Cruzeiro e o arquirrival Atlético receberam cerca de R$ 12,7 milhões cada. O América embolsou quase R$ 3 milhões, enquanto cada uma das equipes do interior faturou cerca de R$ 900 mil.

30/04/2019

Do êxtase ao revés: lições da estreia do Cruzeiro

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul!

Em certos momentos na vida precisamos deixar de lado o deslumbramento com metas que ainda estão distantes de serem alcançadas, voltando nossa atenção para o que está a nossa volta e em nós mesmos. O Cruzeiro vem fazendo um início de temporada excelente. Em termos de números e resultados, a Raposa é uma das equipes mais promissoras deste ano que, ainda que estejamos praticamente em maio, apenas começou. E digo mais: além de resultados, o maior de Minas tem um dos elencos mais fortes e, o que é tão importante quanto, homogêneos do país.


Acontece que no sábado, no Rio de Janeiro, conhecemos nossa primeira derrota e, de quebra, as primeiras desconfianças começaram a sondar de maneira mais séria a Toca II. Essas desconfianças, as cornetas exageradas, a indignação com a derrota, todas as reações negativas que a torcida celeste teve com o primeiro revés são absolutamente naturais, visto que os objetivos de todos são muito, mas muito, mais do que ganhar jogos somente com sorte ou sem saber como. No sábado, infelizmente, erramos quando não podíamos, onde não podíamos e contra quem não podíamos.

Raposa saiu do Maracanã derrotada
(Créditos: Bruno Haddad/Cruzeiro E.C.)

Enfrentamos uma das equipes mais bem montadas e um dos elencos mais robustos entre aqueles que teremos que encarar ao longo desta temporada, em seus domínios, diante de seu torcedor, impaciente e que cobrava uma resposta após o tropeço que colocou em risco a sequência na Libertadores. Tudo isso não pode servir como desculpa para a derrota. Claro que não. Um time maduro e cascudo como o nosso sabe que vai precisar passar por cima de empecilhos muito maiores que os de sábado para alcançar suas metas. Mas, como falei anteriormente, às vezes é preciso deixar os sonhos de lado por um momento para focar no agora.

No azul a partir desta quarta-feira

E agora? O agora do Cruzeiro exige concentração e erro mínimo, zero se possível. Contra os cariocas começamos muito bem, segurando a pressão e cozinhando o jogo na temperatura que nos era favorável. Quando conseguimos inaugurar o placar no Maracanã - talvez a tarefa mais difícil daquela noite -, faltou foco para prolongar e, quiçá, aumentar a vantagem. Sofrendo o gol de empate quase imediatamente após o reinicio de jogo, o time entrou em estado de torpor. O adversário impôs seu ritmo e, mais uma vez se aproveitando de falhas técnicas e de concentração, fez o necessário para sair de campo com os três pontos.

Pedro Rocha marcou o gol estrelado
(Créditos: Bruno Haddad/Cruzeiro E.C.)

São três pontos na conta deles que, haja o que houver, não poderão ser mais recuperados pela Raposa. A única alternativa que resta é absorver o amargo gosto da derrota - fato ao qual o cruzeirense definitivamente não está acostumado - e corrigir os problemas para que os pontos passem a cair na conta celeste já a partir desta quarta-feira e que aí passem a se multiplicar. Temos um longo e próspero ano pela frente e não podemos nos abalar com a primeira batalha perdida. Procurar nos precaver e nos fortalecer, sim, sempre. Vida que segue. Luta que continua.

Força, Cruzeiro!

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!

26/04/2019

Time x clube: o Cruzeiro entre campo e gestão

Vinícius Dias

Bicampeão inédito da Copa do Brasil, bicampeão estadual invicto e classificado às oitavas de final da Libertadores com duas rodadas de antecedência, o segundo melhor ataque e a melhor defesa - ao lado do San Lorenzo. Dentro das quatro linhas, o sucesso do Cruzeiro é indiscutível. Porque, na contramão da ciranda de treinadores que assola o futebol brasileiro, há uma filosofia de trabalho bem definida e um elenco cada vez mais qualificado, que indica que é possível sonhar ainda mais alto. Mas as finanças pontuam a contradição entre time e clube, entre campo e gestão.


Afinal, se o tão propalado discurso exaltava o pagamento de parte das dívidas - de fato, há movimentos nos bastidores que apontam a busca do clube por soluções, como o empréstimo aprovado pelo Conselho Deliberativo em fevereiro -, a realidade, até o momento, apresenta aumento dos débitos e custos, mesmo com arrecadação crescente. E qualquer análise racional do balanço de 2018, que novamente será apreciado pelos conselheiros após o prazo definido no estatuto - mês de abril -, sugere, no mínimo, preocupação em relação às finanças celestes.

Em campo, Cruzeiro de Mano convence
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Reprodução)

O argumento do senso comum, não raro evocado por dirigentes Brasil afora, é de que ser campeão custa caro. E é natural que as maiores folhas salariais atraiam os melhores jogadores, que, na lógica do mercado, são também os mais caros. Mas também é natural que maiores investimentos e os melhores jogadores se traduzam em casa cheia para impulsionar bilheteria, valorização da marca e premiações por conquistas. Como no caso do Cruzeiro, hexa da Copa do Brasil em temporada de cotas recordes - R$ 61,9 milhões entre as oitavas de final e a decisão -, mas deficitário.

Bi estadual e candidato a tudo, o time do Cruzeiro convence.
Mas o balanço ainda não aprovado deixa um alerta ao clube.

24/04/2019

Ê Galo! Caímos no Horto, morremos no Mineirão!

Alisson Millo*

Eu me sinto traído. Não pelo VAR na final do Campeonato Mineiro, embora tenha sido bastante descarado. Mas traído pelo meu clube. Pelo valor dos ingressos frente ao futebol apresentado. Pelo pacote que deu direito às três partidas em casa na fase de grupos da Libertadores. Pelo elenco e pela diretoria que, de uma vez por todas, têm me tirado o prazer de acompanhar o Atlético pelo qual torço desde sempre.


Em 2005 eu estava lá no Mineirão, pistola da cara por causa do rebaixamento, mas nem isso me tirou tanto a alegria de acompanhar o Atlético quanto o que vem acontecendo de uns tempos para cá. Naquela época ainda existia a esperança de que no ano seguinte seria melhor. Aquele time pelo menos revelou alguns - poucos, é verdade - bons talentos ao fim, quando os medalhões foram embora, que deram resultado e voltaram o Galo para onde ele nunca deveria ter saído: a elite nacional.

Passaram-se os anos, o patamar do Atlético mudou e a esperança deixou de ser se salvar - ou, como em 2005, subir. Passou a ser ganhar, brigar por títulos, ocupar o espaço de gigante do futebol brasileiro, espaço esse que sempre foi do Atlético por direito. Mas hoje, bem, hoje temos visto a mentalidade novamente se apequenar e, nem de longe, fazer jus à instituição enorme e ao que representa o Clube Atlético Mineiro.

E aqui não se trata de um ou outro jogador, um ou outro dirigente. É uma crítica geral a pessoas que poderiam e, principalmente, deveriam entregar muito - mas muito - mais ao clube. É uma crítica a dirigentes inexperientes, cujas recordações serão sempre as piores possíveis. É uma crítica a jogadores que se acham maiores e mais importantes do que o clube.

Mesmo no caos, torcida não decepciona
(Créditos: Pedro Souza/Atlético-MG)

É direcionada a quem preside o discurso de austeridade, que, somado ao despreparo, destrói o time e, ainda assim, aumenta a dívida. É para ex-diretor de futebol que não conseguiu realizar um negócio produtivo sequer. É direcionada ao volante que sempre foi sonho, virou realidade, tem um dos maiores salário do elenco, mas não entrega futebol. É direcionada à maior transferência - ou, pelo menos, a mais cara - da história do clube, que é incapaz de mudar os rumos de uma partida.

É direcionada ao suposto craque que, pelo extracampo, é praticamente tratado como carta fora do baralho por ter, mais uma vez, deixado o Galo na mão. É ao 'santo' cuja santidade tem aparecido, no máximo, em milagres para os adversários. É ao artilheiro que não faz gol, não ajuda na criação e não tem velocidade. Sobra também para os dirigentes do passado, que trouxeram peças como essas e muitas outras - à exceção do goleiro, que já provou seu valor em outros tempos, embora distantes.

Por esse conjunto de fatores, caímos para a 'segunda divisão das competições sul-americanas'. E até dela podemos ficar fora. Por esse conjunto de fatores, perdemos o estadual. Por esse conjunto de fatores, as perspectivas para a sequência da temporada são tenebrosas.

Caímos no Horto. Morremos no Mineirão. Mas fica aqui a torcida para que, em um futuro próximo, isso tudo seja mudado. Porque a verdade é que torcer para o Atlético nesta era vai ser muito difícil.

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
@amillo01 no Twitter, capitão da seção Fala, Atleticano!

20/04/2019

O bi do Cruzeiro: planejamento derrota o acaso

Vinícius Dias

Aos 31 minutos da etapa final, Pedro Rocha invade a área e passa por Leonardo Silva, que disputa de carrinho, tocando a bola com a mão direita. Após a consulta ao VAR, pênalti bem assinalado por Leandro Bizzio Marinho, o árbitro que praticamente trocou o apito pelo sistema de rádio no jogo que teve apenas 50 minutos de bola rolando na Arena Independência. Na cobrança, gol de Fred para igualar o marcador - Elias havia marcado para o Atlético aos 29' do primeiro tempo - e iniciar a contagem regressiva para a comemoração do Cruzeiro. Título do favorito.


Porque coroa o melhor ataque e a melhor defesa - 36 gols marcados e apenas nove sofridos em 16 jogos -, a invencibilidade na temporada - a Raposa conquista o estadual sem ser derrotada pela 12ª vez - e o renascimento do artilheiro Fred - de 15 jogos em 2018 a 15 gols nas primeiras 16 partidas de 2019. Mas também porque premia a exceção que deveria ser regra: a filosofia de trabalho consolidada por Mano Menezes com um elenco cada vez mais qualificado. Ainda que o Atlético das decisões por acaso, nas mãos de Rodrigo Santana, tenha dado mais trabalho do que o imaginado.

Fred: herói celeste no Independência
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

Emoções e exageros à parte, a final decepcionante dentro dos gramados também coroa o VAR. Se soa, e realmente é, exagero um jogo ter 40 minutos de bola parada, é indiscutível que a presença do VAR amplia o senso de justiça. Ainda que, por ora, menos como prática - porque, cabia, por exemplo, a análise do tão questionado lance entre Dedé e Igor Rabello, no duelo de ida - e mais como sistema - anulando o gol de Fred no Mineirão, acertadamente, com o critério também utilizado para assinalar no Horto o pênalti que, no passado, provavelmente seria ignorado.

Invicto, o Cruzeiro sai do Horto campeão pela primeira vez.
De novo, o planejamento celeste derrota o acaso alvinegro.

18/04/2019

Cruzeiro contrata revelação da Caldense

Vinícius Dias

Revelação da base da Caldense, Henrique é o novo reforço do sub-17 do Cruzeiro. O zagueiro, que tem contrato com o clube de Poços de Caldas até março de 2022, conforme o Blog Toque Di Letra apurou, defenderá a equipe celeste por um ano. O poços-caldense já se apresentou na Toca I. Ao fim do empréstimo, a Raposa terá prioridade de compra dos direitos econômicos, com a Veterana faturando 25% do valor.

Canhoto Henrique reforçará a Raposa
(Créditos: Renan Muniz/Caldense)

Com passagem pela base do Grêmio, Henrique foi promovido ao elenco profissional da Caldense neste ano, sendo relacionado para os duelos contra Tupynambás, Cruzeiro e América pelo Campeonato Mineiro. No sub-17 celeste, o zagueiro disputará o Campeonato Brasileiro - a Raposa estreia nesta quinta-feira, diante do Atlético - e o estadual da categoria - após três rodadas, o Cruzeiro é quarto colocado, com seis pontos.

15/04/2019

Destaques do Boa Esporte em pauta no Atlético

Vinícius Dias

Destaques do Boa Esporte na campanha do título mineiro do interior, o lateral-esquerdo Wenderson Tsunami e o atacante Gustavo Henrique, ambos de 23 anos, chamaram a atenção do Atlético. Conforme o Blog Toque Di Letra apurou, ainda durante a primeira fase, um emissário com bom trânsito junto à cúpula alvinegra manteve contatos na tentativa de viabilizar um acordo que desse ao Galo a preferência de compra da dupla.

Tsunami e Gustavo: em alta no Boa
(Créditos: Boa Esporte/Reprodução)

A sinalização inicial do Boa Esporte, no entanto, foi negativa. As conversas, iniciadas nos tempos de Marques como diretor de futebol e Levir Culpi à frente da comissão técnica, ainda não foram retomadas após a reformulação do departamento. Tsunami e Gustavo têm contrato até outubro com o clube de Varginha, que prioriza, em caso de saída, uma negociação definitiva. O atacante tem direitos econômicos ligados ao Atibaia.

Boa deve faturar com gremistas

Enquanto faz jogo duro em relação aos destaques, a diretoria do Boa Esporte vislumbra, nos bastidores, a possibilidade de lucrar com transações envolvendo duas revelações recentes. Com 30% dos direitos econômicos ainda ligados ao clube, o lateral-direito Leonardo, do Grêmio, é alvo de sondagens do exterior. Paralelamente, o tricolor gaúcho formalizou proposta para aquisição do atacante Thaciano, hoje emprestado.

14/04/2019

Jogai por nós, Galo! Cantaremos por você!

Alisson Millo*

Por um momento, dias depois do aniversário de 111 anos, tive a impressão de que assistiríamos à morte do Atlético. Eliminação na Libertadores com derrota para o Zamora dentro do Mineirão seria uma mancha impossível de ser retirada, seja do time, seja da instituição. Sem desrespeito à equipe venezuelana, que mostrou um futebol muito competente naquela noite, mas a disparidade técnica, histórica e, principalmente, financeira transformaria uma eventual derrota em algo altamente vexatório.


Fato é que, depois daquela partida, o futebol do Atlético acabou. Deu sinais de vida contra o Boa Esporte, mas, em retrospecto, tem mais se assemelhado a um último suspiro antes da morte anunciada do que a uma reação. Até porque ganhar de um time de terceira divisão, e com relativa facilidade, é o que se espera de um grande clube. O que não se espera é o desempenho patético que o Atlético voltou a apresentar na última quarta-feira.

Time vive situação difícil na Libertadores
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Na verdade, justiça seja feita. O desempenho patético vem desde a pausa para a Copa do Mundo de 2018. O treinador, mesmo sem peças de qualidade, era chamado de estagiário, aprendiz, eterno auxiliar. Foi pego como bode expiatório, porque não se sentia confortável em inovar na formação. Diziam os mais críticos que ele não tinha vivência e, por isso, era mais um técnico de sala de aula do que de 'beirada de campo'.

Outro técnico, mesmo problema

Saiu Thiago Larghi com o time em sexto lugar no Campeonato Brasileiro. Chegou Levir, o salvador da pátria, o treinador cascudo que sabia lidar com o grupo. O time ficou na sexta colocação até o fim, se classificando pra Libertadores na bacia das almas, graças a um gol perdido de forma inacreditável pelo Botafogo na última rodada.

Levir foi demitido depois de nova derrota
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Virou o ano e continuou a mesma coisa. O elenco, que já era velho, ficou mais velho ainda. O desempenho que era ruim continuou ou até piorou. As peças mais criticadas ainda estão aí, inclusive sendo titulares em partidas decisivas. A impressão de time mal treinado - para não dizer que não é treinado de jeito nenhum - se mantém. O presidente é o mesmo. A diretoria é, essencialmente, a mesma. O discurso, claro, não mudou. Nem a mentalidade. E, por isso, as deficiências do elenco também não.

Mas agora é clássico. Final. Quando tá valendo, tá valendo. Antes valia também, e muito, mas o resultado todo mundo viu. Falar que o rival treme para o Galo é legal, muito bonito no discurso de torcedor. Mas, seja sincero, você espera um bom resultado, uma vitória convincente? Apesar de tudo, a receita é acreditar até o fim. Porque agora é com a torcida. Jogai por nós! Como sempre, cantaremos por você, Galo!

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
@amillo01 no Twitter, capitão da seção Fala, Atleticano!