13/04/2012

PVC: jornalista, sim, com orgulho

De jovem tímido a profissional-modelo, Paulo Vinícius Coelho
exalta trajetória no jornalismo e descarta se tornar treinador

Vinícius Dias

Jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), o paulistano Paulo Vinícius de Mello Coelho, mais conhecido como PVC, é um dos principais expoentes da mídia esportiva do país. Ao longo da carreira, iniciada aos dezoito anos, cobriu quatro Copas do Mundo e publicou seis livros.

Classe e talento a serviço da ESPN
(Créditos: ESPN Brasil/Reprodução)

Foi repórter da Revista Placar, editor-executivo do Jornal Lance! e colunista da Folha de S. Paulo. Hoje, além de colunista de O Estado de S. Paulo, é comentarista dos canais ESPN e da Rádio Estadão/ESPN.

Quando você optou pela carreira de jornalista? Algum familiar ou profissional de sucesso lhe influenciou no gosto pela comunicação esportiva? 

Não tenho família e meu pai dizia que eu teria dificuldades, porque era tímido e não ganharia muito dinheiro. Queria ser jornalista esportivo com 14 anos. Adiei até os 16, quase 17, ano do vestibular, por causa disso.

Como - e quando - surgiu o apelido PVC?

Quem deu foi o jornalista Chico Silva, quando eu já estava no Lance, em 1997. Sempre fui Paulo Vinicius Coelho. O Chico juntou as iniciais e passou a me chamar de PVC. Eu já tinha até coberto Copa do Mundo, em 1994, quando o apelido apareceu. Um dia, o Juca Kfouri ligou para a redação do Lance, à minha procura. Alguém gritou: PVC, quando eu atendi, o Juca disse: PVC... Como eu nunca pensei nisso antes?

Você já participou das coberturas de diversos eventos esportivos, inclusive internacionais - como as duas últimas Copas do Mundo. Qual você considera ter sido o momento mais marcante?

A primeira Copa, 1994. Cobri quatro, 1994, 1998, 2006 e 2010. 2006 e 2010 são especiais também, porque eu trabalhei como comentarista em todos os jogos do Brasil e na final.

Reconhecido analista de dados técnicos e táticos, você já recebeu convites para dirigir clubes de futebol profissional? Tem interesse? Por quê?

Eu sou jornalista. Não quero fazer outra coisa e nem posso, porque minha profissão é o que me permite criar meus filhos. Recebi sondagem do Flamengo para ser uma espécie de analista de mercado. E no Cruzeiro, certa vez, falou-se que o Zezé (Perrella) cogitava que eu começasse como assistente. Nunca houve convite e eu não aceitaria.

Como você se posiciona no que se refere à atuação (em algumas ocasiões, violenta) das torcidas organizadas no país? É favorável à extinção?

Eu sou a favor de se acabar com a violência. Se for preciso acabar com as uniformizadas, está valendo. Mas acho que essa medida não leva a nada. O que acabará com a violência será prender os assassinos. Eu apoio todas as medidas, fim da bebida no estádio, fim das uniformizadas. Mas só apoio se isso vier acompanhado da medida fundamental: prender o assassino.

Indicado ao Prêmio de Melhor do Mundo em 2011 e cobiçado por grandes clubes europeus, Neymar acertou - há seis meses - sua renovação contratual com o Santos. Para você, é possível que o atacante alce voos mais altos, mesmo permanecendo no Brasil?

É possível! Mas o dilema é claro. Ele ficar melhora o futebol doméstico. Ele ir embora, jogar na Europa – mas jogar mesmo – dá mais certeza de estar no nível necessário para ganhar a Copa de 2014. O futebol brasileiro está numa encruzilhada, nesse sentido. Se ficar o bicho pega, se correr o bicho come. O jeito é ele ficar e agendar amistosos muito fortes para a seleção, para que ele enfrente os zagueiros mais fortes do mundo.

Há algum tempo, o nível da arbitragem nacional tem sido bastante questionado. Você acredita em benefício a determinadas equipes? Vislumbra no uso de tecnologias eletrônicas e/ou profissionalização dos árbitros, medidas eficazes na resolução deste quadro?

Eu sou a favor do olho eletrônico, especialmente no caso da linha do gol. Mas não acho que resolva tudo. Exemplos: o gol/não gol de Robinho contra o Catania e o pênalti de Nesta em Busquets em Milan x Barcelona.

Um dos principais eventos esportivos dos próximos anos, a Copa do Mundo de 2014 será sediada no país. O que você pensa a respeito? Vê como oportunidade de desenvolvimento, ou chance de mascarar os problemas existentes? 

O Brasil tem corrupção até para construir escola. A Copa é uma oportunidade até para prender corruptos. Claro que não é bom a corrupção andar solta, deixar de construir hospitais, mas no fundo a gente sabe que não se construiria mais hospitais mesmo sem Copa aqui. Eu era contra a Copa até ela vir. Hoje, ela é oportunidade de emprego para muita gente. E o mês da Copa vai ser uma festa no país.

Bate-pronto:

• Guardiola ou Mourinho?

Guardiola - mas ele é parte de uma engrenagem. Mourinho é só ele.

• Messi ou Cristiano Ronaldo? 

Messi.

2 comentários:

  1. Muito boa entrevista, PVC melhor comentarista brasileiro

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  2. Boa a entrevista, PVC é mostro nos comentarios, parabéns ao blog

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