12/12/2014


Há mais de duas décadas na política, o ex-goleiro falou sobre
CBF, Atlético e Seleção: 'Camisa 1 deveria ser de um mineiro'

Vinícius Dias

Há duas décadas, João Leite trocava as quatro linhas pelos corredores da política. Atleta que mais vezes vestiu a camisa do Atlético - 684 partidas -, ele encerrou a carreira em dezembro de 1992, dias antes de tomar posse como vereador em Belo Horizonte. O sucesso na política, no entanto, não significa distância do futebol. Ele ainda dá palpites. "A camisa 1 da seleção deveria ter um mineiro como titular". E atualmente também propõe. "CBF sediada no Rio de Janeiro perde a isenção". Ele defende a transferência da sede da entidade para Brasília.

João Leite: 684 partidas pelo Atlético
(Créditos: Gilson de Souza/Divulgação)

Aos 59 anos e reeleito para seu quinto mandato como deputado estadual, João Leite falou ao Blog Toque Di Letra sobre Atlético, futebol mineiro, categorias de base e sobre o bom momento vivido pelo filho Helton Leite, camisa 12 do Botafogo. "Profissional muito bem preparado tecnicamente e emocionalmente", pontuou. Também não poderiam faltar elogios a Victor, atual dono da meta atleticana. "É um dos jogadores mais importantes da história do Galo", destacou.

Em 1977, como atleta, você integrou um dos melhores elencos da história do Atlético/MG. Aquela equipe, no entanto, embora tenha terminado o Brasileirão de maneira invicta, perdeu o título para o São Paulo, que somou dez pontos a menos. Você concorda com a afirmação de que os torneios por pontos corridos são, realmente, mais justos?

Sim. Os torneios de pontos corridos premiam a regularidade, valorizam o time que se apresenta melhor ao longo da competição, portanto, são mais justos.
           
Você é o jogador que mais vezes vestiu a camisa do Atlético e, por isso, um dos principais ídolos da história. Como torcedor, você viu outro camisa 1, Victor, ser alçado a essa condição antes mesmo de completar dois anos de clube, devido às atuações na Libertadores. Na sua visão, qual é, de fato, o lugar ocupado por ele na centenária história do Atlético?

Victor é, com toda certeza, um dos jogadores mais importantes da história do Galo. Participou de forma decisiva das conquistas de importantes títulos (pelo clube, o goleiro foi campeão estadual e da Libertadores, em 2013, e da Recopa e da Copa do Brasil neste ano), especialmente da Libertadores da América, e também é um exemplo de atleta, sempre dedicado aos treinamentos e disciplinado.

Embora fosse apontado como um dos principais goleiros do Brasil nas décadas de 1970 e 1980, você recebeu poucas oportunidades na seleção. Semelhante ao que ocorre hoje com Fábio, do Cruzeiro, e Victor, do Atlético. Você considera que, historicamente, goleiros de clubes mineiros são injustiçados?

Eu diria que os atletas de São Paulo e Rio de Janeiro são tratados de forma diferente dos atletas dos demais estados. Tradicionalmente, nesses dois estados estavam os melhores times, os melhores salários, a melhor gestão esportiva, e o fato da CBF estar sediada no Rio contribuiu muito para privilegiá-los. Mas, vendo o desempenho dos times mineiros e gaúchos, constatamos que essa realidade mudou. Eu não tenho a menor dúvida de que a camisa 1 da seleção brasileira deveria ter um mineiro como titular. Eles (Fábio e Victor) são os melhores na atualidade.

Desde a reinauguração do Independência, em 2012, o Atlético tem números impressionantes no estádio, com 79% de aproveitamento. Curiosamente, no entanto, quatro dos cinco títulos do clube nesse mesmo período foram conquistados no Mineirão. Para você, qual é, de fato, a casa do Atlético?

O Atlético possui um time muito forte e competitivo. Ele está preparado para conquistar títulos em qualquer estádio, a despeito da torcida adversária.

Há algum tempo, você tem sido um dos principais personagens de um debate que defende a mudança da sede da CBF - entidade que rege o futebol brasileiro - do Rio de Janeiro para Brasília. Qual é o principal argumento dessa proposta?

A CBF sediada no Rio de Janeiro perde a isenção para contrariar interesses dos times cariocas. O mesmo acontece com os árbitros. Em 1980, o Atlético disputou com o Flamengo, em Goiânia, uma vaga para a na fase final da Libertadores. A CBF escalou um árbitro carioca (José Roberto Wright) que viajou junto com a delegação do Flamengo e expulsou cinco jogadores atleticanos. A CBF deveria estar sediada em Brasília.

Seu filho, Helton, foi um dos heróis da vitória do Botafogo sobre o Corinthians, por 1 a 0, na 28ª rodada da Série A. Instantes após a partida, você recebeu centenas de mensagens por meio das redes sociais. As comparações, obviamente, foram inevitáveis. De alguma forma, você acha que elas têm impacto sobre a carreira do Helton? Como minimizá-lo?

Certamente que, por nós dois termos muito em comum, vai haver sempre essa associação, mas, hoje, Helton é um profissional muito bem preparado tecnicamente e emocionalmente, está apto a trilhar sua vida profissional com muita segurança, sobretudo pela fé que ele tem em Jesus Cristo.

Nesses últimos anos, as falhas no processo de formação de atletas têm sido apontadas como uma das explicações para o insucesso do futebol nacional. Como você vê o trabalho realizado nas categorias de base do país, sobretudo, a partir das relações da tríade atletas, empresários e clubes?

O futebol brasileiro precisa de passar por uma mudança geral. Precisamos de aprimorar todos os profissionais envolvidos com o futebol: técnicos, atletas, dirigentes, árbitros. Pela importância socioeconômica que o futebol representa para o país, esse nosso amado esporte deveria ser ensinado em universidades para todos os profissionais, dando-lhes uma qualificação compatível com o um esporte de alto rendimento. Essa já é uma realidade no futebol europeu.

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