Time volta ao mata-mata da Libertadores após 18 anos, com 100%
em casa; Galo tem boa recordação de duelos pela Copa Conmebol

Vinícius Dias

De volta às oitavas de final da Copa Libertadores após 18 anos, o Jorge Wisltermann receberá o Atlético, nesta quarta-feira, no estádio Félix Capriles. Na Bolívia, a expectativa é de casa cheia: até segunda-feira, mais de 18 mil dos 27 mil ingressos para o confronto já haviam sido vendidos de forma antecipada. O mando de campo tem sido, justamente, um dos pontos fortes da equipe na competição. Dono do sexto melhor ataque da fase de grupos, o Aviador venceu os três jogos em casa, marcando 11 gols.


Algoz nas quartas de final da Copa Conmebol de 1998, o Atlético será o segundo clube brasileiro no caminho dos bolivianos nesta edição da Copa Libertadores. No grupo 5, o Jorge Wilstermann venceu o Palmeiras por 3 a 2 em casa e perdeu fora por 1 a 0. O time de Roger Machado, por sua vez, teve o Sport Boys como adversário no grupo 6 e venceu os dois duelos: 5 a 2 em Belo Horizonte, 5 a 1 em Santa Cruz de la Sierra. Na história, são sete triunfos em oito confrontos contra bolivianos.

No Mineiro: duelo Robinho x Carlinhos
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Almejando surpreender o Atlético, a equipe comandada pelo peruano Roberto Mosquera aposta em três brasileiros, todos com passagem pelo futebol mineiro. Em Cochabamba há seis meses, o zagueiro Alex Silva, ex-Cruzeiro e Boa Esporte, é um dos principais nomes do elenco. O meio-campista Carlinhos, que vestiu a camisa da URT no estadual deste ano, e o atacante Serginho, campeão da Taça Minas Gerais pelo Boa Esporte em 2012 e ex-Araxá, foram contratados nas últimas semanas.

Zagueiro põe nome na história

Titular em toda a fase de grupos, Alex Silva comemora os resultados no torneio sul-americano. "Experiência muito positiva. Eu não esperava entrar tão rápido na história do clube. Trabalhamos para classificar e o primeiro passo foi dado", destaca ao Blog Toque Di Letra. Com 19 partidas e um gol pelo Jorge Wilstermann, o camisa 2 ressalta a diferença de estilos entre Bolívia e Brasil. "Aqui, é um futebol que busca o gol e marca sob pressão o tempo todo. No Brasil, é um jogo mais estudado".

Alex recebe familiares em vinda ao Brasil
(Créditos: Club Wilstermann/Facebook/Reprodução)

Segundo o agente Paulo Ricart, as atuações do zagueiro chamaram a atenção de clubes brasileiros. As ofertas, no entanto, foram recusadas. Focado no jogo desta quarta-feira, Alex Silva vê a equipe pronta para superar o dono do melhor ataque da Copa Libertadores. "Uma competição desse nível não tem favoritismo. O Atlético já mostrou seu poder, e o Wilstermann também", diz. "Jogamos contra o grande Peñarol, Palmeiras, com humildade e respeito, e não será diferente contra o grande Atlético", completa.


Reserva no Real Madrid, mineiro interessa a italianos e ingleses;
Coelho já somou quase R$ 2 mi com vendas de Danilo desde 2011

Vinícius Dias

Depois de terminar a temporada como reserva no Real Madrid, o lateral-direito Danilo tem sido apontado como um dos principais alvos de Juventus e Chelsea nesta janela. Caso seja concretizada, a negociação renderá cifras milionárias ao América. Clube formador, o alviverde tem direito a receber cerca de 1,32% dos valores de transferências internacionais envolvendo o atleta, conforme cálculos do portal Rede do Futebol.

Danilo soma 15 jogos pela seleção
(Créditos: Rafael Ribeiro/CBF/Divulgação)

Na manhã dessa segunda-feira, o periódico espanhol As noticiou que o clube italiano pagará ao Real Madrid € 20 milhões, cerca de R$ 75 milhões - neste formato, o Coelho ficaria com quase R$ 995 mil. No Brasil, à tarde, o Uol Esporte publicou que os londrinos também estão na disputa pelo camisa 23 merengue, que custaria pelo menos € 29 milhões, cerca de R$ 108,8 milhões - caberia ao América R$ 1,44 milhão.

Lateral já rendeu quase R$ 2 mi

O clube já faturou duas vezes com Danilo por meio do mecanismo de solidariedade da Fifa. A primeira, em 2011, na transação do Santos para o Porto por € 13 milhões, cerca de R$ 28,8 milhões na cotação de época: 1,32% significou mais de R$ 380 mil. A segunda, em 2015, na chegada ao Real Madrid por € 31,5 milhões, o equivalente a R$ 108,5 milhões: o percentual representou cerca de R$ 1,44 milhão.

Atlético vence e evolui, Cruzeiro regride

Vinícius Dias

Aos 33 minutos da etapa final, Cazares bate a marcação de Léo e encontra Fred livre na área para estufar as redes de Fábio: 3 a 1 para o Atlético, confirmando a virada contra um Cruzeiro sem forças para reagir na Arena Independência. Segunda vitória seguida em clássico do time de Roger Machado, que viaja em alta para o confronto diante do Jorge Wilstermann, na Bolívia. Mais uma derrota da equipe de Mano Menezes, escancarando a necessidade de repensar as estratégias que renderam apenas uma vitória nas últimas cinco exibições, com dez gols sofridos.


No Horto, a Raposa começou melhor e abriu o placar aos 5': trama no meio-campo, com a bola roubada por Romero passando por Cabral e Alisson até chegar a Thiago Neves. O time estrelado tinha a posse e era mais presente no ataque. Panorama mudado após os 25 minutos. Com a perda de intensidade do adversário, o Galo passou a trabalhar melhor a bola e a encontrar mais espaços. Antes de Cazares marcar, em bela cobrança de falta, Fred já havia ameaçado, completando cruzamento de Yago pela esquerda. O mesmo Fred que desempatou nos acréscimos da etapa inicial.

Fred e Cazares: melhores em campo
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

No segundo tempo, o Cruzeiro voltou a ter a bola nos pés, mas produzia pouco diante de um Atlético que negava espaços. Desorganizada, a equipe celeste deixava explícitas as limitações individuais do setor defensivo e, ofensivamente, tentava encaixar as jogadas tendo Ramón Ábila e Sassá próximos à área, mas sem que a bola chegasse. Distante dos primeiros minutos do clássico, quando teve dificuldades para superar a intermediária, o time alvinegro passou a controlar as ações e ainda teve tempo e organização suficientes para chegar ao terceiro gol.

No domingo de apagão, venceu quem brilhou por mais tempo.
Enquanto o Galo evolui com Roger, a Raposa de Mano regride.

Não pode manter isso aí, viu, Cruzeiro?

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul!

O Cruzeiro precisa parar com isso. Com o quê? Com isso de deixar o torcedor sem saber qual é o verdadeiro time que está em ação pelos gramados Brasil afora. Tem que parar de ser bipolar e definir de uma vez por todas por qual time a torcida deve esperar. Ninguém consegue dizer com 100% de certeza se o Cruzeiro de 2017 é o do primeiro ou o do segundo tempo do jogo contra o Palmeiras, por exemplo. Se é o do 0 a 2 ou o do 3 a 3 contra o Grêmio. É o que sofre contra a Chapecoense, em casa, ou o que bate o Santos na Vila Belmiro? Para mim, não é nenhum deles.


É evidente que eu prefiro que seja assim a ver sempre o lado ruim da história acontecendo. Mas o problema é que, com essa inconstância, o time acaba prejudicando qualquer análise mais profunda sobre o desempenho coletivo. Como no futebol o resultado é muitas vezes o parâmetro escolhido para a avaliação de um trabalho, posso afirmar que, até agora, o saldo é negativo. Muitos jogos horríveis, sem a menor inspiração técnica e sem desenvoltura tática, enfim, mais dor de cabeça do que motivos para sorrir.

Cruzeiro fez 3 a 0, mas Verdão empatou
(Créditos: Marcello Zambrana/Light Press/Cruzeiro)

Sei que é difícil de aceitar esse tipo de análise, mas o melhor para o Cruzeiro seria começar a pensar em 2018 agora. Aí, talvez, possamos ter resultados à altura daquilo que a torcida espera e cobra. Não acho que seja hora de mexer no comando técnico ou de fazer grandes reformulações no elenco. O que eu gostaria de ver, por exemplo, são contratações pontuais para posições em que há carência comprovada - leia-se setor defensivo - devido ao baixo rendimento quando os titulares absolutos não estão à disposição.

Tendência de evolução no ano

Se der pra ajeitar a casa ainda neste ano, melhor ainda. Inclusive acho que a tendência é, sim, de evolução. Os recém-chegados já estão mais à vontade, as jogadas estão começando a sair, mas parece que às vezes o time começa a pensar em tudo, menos no que está acontecendo no gramado e desanda. Além disso, há horas em que parece que é só um setor ir se arrumando que o outro começa a dar sinais de que vai entrar em pane. A bola da vez é a zaga, mas nem sempre foi assim. É aí que entra o planejamento. A falta de homogeneidade na defesa é gritante, o que faz com que o time sofra a cada vez que um dos principais nomes fica de fora.

Time de Mano ainda não engrenou
(Créditos: Betto Jr/Light Press/Cruzeiro)

Não dá pra manter essa loucura de jogar bem 30 minutos por jogo, 15 minutos por tempo, um jogo por semana. Não tem quem aguente. Está na hora de fazer a leitura e a interpretação desses momentos bons e ver o motivo de terem sido tão proveitosos. Da mesma maneira, é dever e salvação desse grupo ver, rever e ver mais uma vez a quantidade de erros de postura, posicionamento, estratégia, animosidade, entre outros tantos, que, muitas vezes, acabam ofuscando os pontos positivos.

Defesa passa em branco, ataque também. Se o ataque voa e faz chover na área adversária, a defesa bate cabeça e frustra todo mundo. Não pode manter isso aí, viu, Cruzeiro? Tem que colocar o time todo em um grande acordo, com defesa, meio, ataque, com tudo, aí parava essa loucura que é a bipolaridade do time em campo.

Força, Cruzeiro!

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!