Edição que marcará a volta das partidas à Belo Horizonte
promete equilíbrio; torcedores apontam favoritismo azul

Vinícius Dias

12 equipes. Seis delas, garantidas nas três principais divisões do futebol nacional. A 98ª edição do Campeonato Mineiro se inicia no domingo, em Patos de Minas, onde Caldense e Tupi vão duelar. Com a reabertura da Arena Independência, em março, Belo Horizonte voltará a receber jogos nesta edição.


Na opinião dos torcedores, a competição promete equilíbrio. Em enquete realizada pelo Blog Toque Di Letra, 49% dos participantes apontaram favoritismo cruzeirense. No segundo lugar fica o Atlético, com 41% dos votos. Terceira força da capital mineira, o América obteve 8%. Os times do interior, juntos, somaram 2%.

Hegemonia alvinegra

Com 40 conquistas (contra 36 de seu rival Cruzeiro) o Atlético é o maior ganhador desse torneio. Primeiro campeão estadual, na fase amadora, o alvinegro ainda acumula 35 vice-campeonatos. Em 2010, comandado por Vanderlei Luxemburgo, alcançou o último título.

A força do interior

Vinícius Dias

Com investimentos crescentes e cinco clubes das duas principais divisões do futebol brasileiro, o Campeonato Mineiro promete nesta temporada. Após conquistarem apenas um vice-campeonato nas últimas (cinco) edições, os clubes do interior se reforçaram, e planejam incomodar o trio da capital.

Confira, a seguir, como eles se prepararam:

América/TO - Campeão do interior em 2011, o Dragão do Corcovado deseja alçar voos mais altos nesta temporada. Para isso, manteve oito jogadores do elenco que fez campanha histórica, e anunciou alguns reforços. Destaque para o lateral-esquerdo Leandro Smith, que defendeu o Atlético em 2005.

Boa Esporte - Após surpreender no Campeonato Brasileiro da Série B em 2011, o clube de Varginha vem reforçado para o Mineiro. Entre as principais contratações, estão o atacante Jajá, que disputou o Brasileirão de 2008 pelo Cruzeiro, e o zagueiro Welton Felipe, emprestado pelo Atlético.

Caldense - Campeã estadual em 2002, a Veterana quer surpreender nesta temporada. O meia Renatinho, com passagens por Fluminense e São Paulo, segue como destaque do elenco. Entre os novos contratados, está o lateral-direito Felipe Cordeiro, campeão brasileiro da Série D pelo Tupi.

Democrata/GV - Para tentar apagar a má impressão deixada no último Campeonato Mineiro, quando terminou na décima posição, a Pantera aposta em um trio de gringos. Os uruguaios Jorge García (lateral-esquerdo) e Luís Oyarbide (meia-armador), além do argentino Adrián Malvarez (atacante), foram contratados em janeiro. 

Guarani - Oitavo colocado em 2011, o clube de Divinópolis investiu em atletas conhecidos do público mineiro. Campeões estaduais pelo Ipatinga em 2005, Luizinho (lateral-direito) e Léo Medeiros (volante), se juntam ao atacante Marinho, vice-artilheiro da Série B em 2006 pelo Atlético.

Nacional - Apostando numa parceria com o Cruzeiro, o Búfalo vem forte para o Estadual. Os jovens Gil Bahia, Gabriel Araújo e Sebá, que disputaram o Brasileiro de 2011 pela Raposa, se juntam ao meia Kerlon, contratado por empréstimo junto à Internazionale/ITA, e principal nome do elenco.  

Tupi - Após conquistar o Brasileiro da Série D, o alvinegro vem motivado para o Campeonato Mineiro. Com a base mantida, o Galo Carijó continua a apostar nos gols do experiente Ademílson, artilheiro do clube na última temporada. Entre os contratados, Jaílton, volante que defendeu a dupla Fla-Flu, é o mais conhecido.

Villa Nova - Maior vencedor entre os clubes do interior - foram cinco conquistas -, o alvirrubro apostou em atletas experientes. Destaque para o zagueiro Álvaro, campeão brasileiro pelo Flamengo/RJ em 2009, e o meia-atacante Francismar, com passagem pelo Cruzeiro.

Uberaba - Após decepcionar em 2011, o Zebu reforçou seu elenco para esta temporada. Entre os novos contratados, estão o atacante Clodoaldo, ex-Corinthians, e o armador Thiago Marín, destaque do clube em 2010, e que acumula passagens por Botafogo/RJ e futebol grego.

Batalha nos pampas: Inter

Douglas Zimmer

Dando continuidade à análise dos times da dupla Gre-Nal, é a vez de olhar mais de perto a equipe colorada. O time do Beira-Rio tem pela frente a Pré-Libertadores e precisará de um plantel forte se pretende brigar pelo Tri.

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Mantendo grande parte da base do time de 2011, o Inter fez contratações mais cirúrgicas que seu rival. Dagoberto vem para ser titular ao lado de Damião e dar novo gás ao ataque, setor que sofreu bastante depois da lesão do jovem atacante, titular absoluto. Marcos Aurélio, depois de ótima temporada no Coritiba, vem para aumentar o leque de opções de Dorival Júnior. A única perda significante para o plantel foi a saída de Andrezinho, que ainda pode ser suprida com a chegada de algum jogador.

Com o atual elenco, o esquema de jogo do Inter se assemelha muito com o de seu rival, excetuando-se o meio campo, onde os volantes têm muito mais poder de chegada (Bolatti, Tinga, Élton e Ilsinho), fazendo o jogo fluir mais rapidamente.

4-2-2-2: no esquema tradicional
(Arte: Douglas Vogel Zimmer/Toque Di Letra)

Mas, caso queira tornar o time ainda mais ofensivo, Dorival Júnior pode abrir mão de um meio-campista (provavelmente Oscar) e lançar Marcos Aurélio para jogar mais aberto pela esquerda, alimentando ainda mais Damião e Dagoberto. Caso mantenha Oscar no time, DJ pode optar pela entrada de Bolatti ou Ilsinho no lugar de Tinga (titular nos primeiros treinos da pré-temporada), para que não fique um ‘buraco’ entre o meio-campo e a defesa.

D´Alê e três atacantes
(Douglas Vogel/Toque Di Letra)

Além disso, ainda há a possibilidade do Inter jogar no 4-2-3-1, como fez em boa parte de 2011, mantendo apenas Damião como centroavante e povoando a meia-cancha com D’Alessandro, Oscar e Ilsinho na armação e Guiñazu e Tinga (Bolatti) na contenção.

Três meias e Damião
(Douglas Vogel/Toque Di Letra)

Observando o plantel colorado num plano mais geral, é fácil observar que do meio para frente Dorival Júnior terá aqueles problemas bons que todo treinador gosta de ter: fartura e bons nomes para escolher para colocar em campo. Já na defesa e nas laterais ele terá de perder algumas horas de sono para montar a equipe quando as suspensões e lesões começarem a acontecer.

Mas não há dúvidas de que a dupla Gre-Nal se reforçou bem para a temporada que se inicia. É perceptível o quanto estes dois times prometem para 2012. Dois ataques muito bons, rápidos e com grande poder de finalização. Resta saber se a teoria vai ser colocada em prática. No papel, são dois ótimos times.

Batalha nos pampas: Grêmio

Douglas Zimmer

Tal qual Ximangos e Maragatos, Imperialistas e Separatistas, brasileiros e paraguaios, colorados e gremistas prometem um 2012 de verdadeiras batalhas nos gramados do Rio Grande do Sul.

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Antes mesmo de a bola rolar oficialmente, azuis e vermelhos já traçam planos e imaginam como seus respectivos times vão se sair, depois de reforçarem, e bem, seus plantéis. Os tricolores estão ansiosos para ver a dupla Marcelo Moreno e Kléber em ação. Já os colorados apostam todas as suas fichas em Dagoberto, jogador veloz que deve ajudar bastante Leandro Damião, sobrecarregado pela falta de companheiros a altura no ano passado.

Comparando os dois elencos de 2011, era notável que, a direção tricolor precisava se mexer muito mais para dar corpo ao time. E o fez. Desde a saída de Jonas, o ataque da equipe vinha mal das pernas, alternando boas e péssimas atuações, dependendo de sopros de sorte com André Lima e, ainda mais raramente, Miralles. Brandão, que não teve o contrato renovado, fez alguns gols, mas ficou muito aquém do que se esperava (assim como foi no Cruzeiro).

Para tanto, a diretoria abriu os cofres e trouxe Kléber Giacomance de Souza Freitas, o Gladiador, e Marcelo Moreno. Além dos dois atacantes, o Grêmio contratou o meia-armador Marco Antônio (ex-Portuguesa), o volante Léo Gago (ex-Coritiba) e os zagueiros Douglas Grolli, Pablo e Naldo (ex-Cruzeiro). Este último vem por empréstimo, substituindo o experiente Sorondo, que se machucou nos primeiros dias de treinos e teve seu contrato rescindido.

Abaixo vemos a formação ideal, ou pelo menos teoricamente ideal, do time de Caio Júnior:

No 4-2-2-2, liberdade para os laterais
(Arte: Douglas Vogel Zimmer/Toque Di Letra)

Nesta formação, Kléber seria o atacante de movimentação, dando espaço para Marco Antônio chegar pela direita, e mantendo Moreno mais centralizado. Os atacantes ainda seriam abastecidos pelos dois laterais titulares, muito bons no apoio. Douglas faria a função que já vem exercendo a mais tempo, armando as jogadas pela esquerda e chegando com certa liberdade no ataque.

Em se tratando de ataque, poderíamos também imaginar um time mais ofensivo ainda, em uma formação 4-2-1-3. A equipe passaria a atuar com o jovem Leandro aberto pela direita, deixando Kléber e Moreno na área, contando com a chegada de Douglas. Leandro entraria no lugar de Marco Antônio e Léo Gago, mais rápido e com melhor poder de cobertura, no lugar de Gilberto Silva.

Um quarteto ofensivo
(Douglas Vogel/Toque Di Letra)
Marquinhos, que fez uma boa reta final no Brasileirão de 2011 e tem na bola parada seu principal trunfo pode ter papel interessante no meio-campo, sendo que, a meu ver, é reserva imediato de qualquer um que seja o meia-armador ausente.

Agora, analisando o elenco do Grêmio como um todo, acho que o principal problema a ser contornado é a falta de reservas para a zaga. Os recém contratados Douglas Grolli e Pablo são incógnitas e Vilson nunca inspirou confiança diante das suas atuações. Nas demais posições, Caio Jr. terá um bom material humano para trabalhar e buscar formações e variações.

Na próxima parte, breve estudo sobre o elenco do Inter!