Nas redes sociais, torcedores indicaram nove nomes, que se
juntaram a Nelinho e Reinaldo, recordistas e homenageados

Vinícius Dias

Cenário de títulos memoráveis de Atlético, América e Cruzeiro nos últimos 50 anos, o Mineirão ainda foi palco de um desfile de craques no período: dos gols iniciais de Ronaldo à genialidade de seu xará gaúcho, chegando à classe do camisa 10 Alex e ao gol histórico de Léo Silva. Mas, afinal, quais são os 11 principais jogadores da história do estádio? Nesta semana, os leitores indicaram nove nomes, que se juntaram aos recordistas Nelinho e Reinaldo, homenageados pelo Blog.

(Arte: Douglas Vogel Zimmer/Blog Toque Di Letra)

O camisa 1 é Raul Plassmann, que registra 12 títulos pelo Cruzeiro. Na lateral-direita, Nelinho, atleta que mais vezes atuou no estádio, com 348 jogos. Os beques são Procópio Cardozo, ídolo de Atlético e Cruzeiro, e Luizinho, nove vezes campeão do Mineiro pelo Galo e duas pela Raposa. Nonato, titular celeste na conquista da Copa Libertadores em 1997, é o dono da lateral-esquerda.

O ex-atleticano Toninho Cerezo e o ex-cruzeirense Piazza, campeão do mundo em 1970, formam a dupla de volantes. Dirceu Lopes, cérebro do esquadrão celeste de 1966, e Tostão, apelidado de 'Rei Branco', são os principais responsáveis pela construção das jogadas. No ataque, Marcelo Ramos, artilheiro nas três passagens pelo Cruzeiro, e Reinaldo, principal goleador da era Mineirão, com 152 gols.


Campeão como técnico e jogador, Procópio Cardozo relembrou
capítulos marcantes de sua história no aniversariante Mineirão

Vinícius Dias

Zagueiro multicampeão entre as décadas de 1950 e 1970, Procópio Cardozo também fez sucesso como técnico depois de pendurar as chuteiras. Separadas no tempo, essas duas trajetórias se unem, nas memórias, por um ponto: o Mineirão. Afinal, foi no Gigante da Pampulha que Cardozo escreveu alguns dos principais capítulos de sua vitoriosa história. A convite do Blog Toque Di Letra, o mineiro de Salinas, no Norte do estado, detalhou três momentos marcantes no agora cinquentenário estádio.

Procópio é homenageado pelo Atlético
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

O primeiro deles remonta a 06 de agosto de 1966. O defensor vestia a camisa do Atlético, que, naquela ocasião, enfrentava o Democrata de Sete Lagoas. "O jogo estava 0 a 0. Se empatássemos, perderíamos o primeiro lugar para o Cruzeiro", diz. A poucos minutos do fim, Procópio mudou os rumos da partida. "O lateral cruzou. De fora da área, eu peguei um sem-pulo de pé esquerdo. A bola entrou no ângulo... e um atleticano, emocionado nas arquibancadas, morreu. Chato, né?", completa.

Protagonista do 7 a 1

Aquele foi um de seus últimos jogos pelo clube alvinegro. Um mês depois, Cardozo voltou ao rival Cruzeiro, onde foi seis vezes campeão mineiro e ainda conquistou a Taça Brasil de 1966, em decisão diante do Santos, de Pelé. O embate marcante, no entanto, envolveu um adversário bem mais modesto: o Araxá Esporte Clube, em 04 de novembro de 1967. "Fiz três gols na vitória por 7 a 1", conta o primeiro zagueiro a alcançar tal feito no Gigante da Pampulha.

Zagueiro com a taça do Mineiro de 1967
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Arquivo)

Único técnico a festejar três mineiros consecutivos pelo Atlético, Procópio voltou a viver momentos especiais na campanha do bi, em 1979. "(Em 12 de setembro), o Mineirão estava lotado. Precisávamos vencer o Guarani, de Divinópolis, para ficar com o título. E o jogo estava 1 a 0 para eles até os 31 minutos do segundo tempo", afirma. O técnico recorreu a Heleno para mudar o panorama do jogo. "Por favor, acerte o passe". Foi o único pedido que fez ao meio-campista alvinegro.

Desmaio do campeão

Naquela partida, a equipe não contava com Reinaldo, principal artilheiro da história do Mineirão, que estava lesionado. Mas Heleno resolveu. Primeiro, ele encontrou Paulo Isidoro livre para empatar o jogo. Cinco minutos mais tarde, tabelou com Toninho Cerezo, que voltou a servir Isidoro. Virada do Atlético. "Eu desmaiei no túnel", recorda Cardozo, que ainda viu Adriano marcar o terceiro gol logo após entrar em campo.


Campeão do estadual em 1964, Esporte Clube Siderúrgica foi
primeiro time mineiro a disputar torneio nacional no estádio

Vinícius Dias

O triunfo sobre o América, por 3 a 1, em 13 de dezembro de 1964, selou um dos capítulos mais gloriosos da história do Esporte Clube Siderúrgica, de Sabará. Sob o comando do folclórico técnico Yustrich, a equipe azul e branca conquistou naquela ocasião seu segundo título estadual. "Quando tinha jogo do Siderúrgica, o estádio (Praia do Ó) ficava cheio. A torcida adorava o time", rememora com saudosismo o ex-ponta-direita Silvestre Martins, autor de um dos gols do jogo.


Embora a comemoração oficial, na sede do Cravo Vermelho, em Sabará, tenha ficado restrita a atletas, dirigentes e comissão técnica, a mobilização da cidade para o duelo decisivo - empate daria o título ao América - ainda mexe com as lembranças do público. "Quando acabou a partida, teve uma procissão no caminho em que o ônibus passaria. Estava escurecendo. Da entrada da cidade até o estádio, todas as casas tinham uma vela acesa", conta Anita Fernandes, esposa de Silvestre.

Silvestre: implacável frente ao goleiro
(Créditos: Arquivo Pessoal/Silvestre Martins)

Com o título, o Siderúrgica garantiu vaga na Taça Brasil de 1965, sendo o primeiro mineiro a disputar uma competição nacional no recém-inaugurado Mineirão. No dia 29 de setembro, o time sabarense venceu o Atlético/GO, por 3 a 1, diante de 3.577 torcedores, que proporcionaram uma renda de Cr$ 3.544.500,00 no Gigante da Pampulha. Com o resultado - somado à vitória na ida, em Goiânia, por 3 a 0 -, a equipe avançou para a final da Zona Sul da competição.

Dois períodos distintos

Lesionado, Silvestre não atuou na semifinal em Belo Horizonte e também desfalcou o time no duelo de ida ante o Grêmio, quando o Siderúrgica foi derrotado por 3 a 1, no estádio Olímpico, em Porto Alegre. "Meu primeiro jogo oficial no Mineirão (o ex-avante disputou o amistoso de inauguração do estádio) foi na volta, contra o Grêmio", destaca ao Blog. Na ocasião, 11.857 torcedores assistiram ao empate por 2 a 2, que selou a eliminação dos mineiros.

Ex-ponta, em 1964, em ritual pós-título
(Créditos: Arquivo Pessoal/Silvestre Martins)

Nos anos seguintes, o Siderúrgica entrou em declínio. Depois de perder o comandante Yustrich e alguns dos destaques do elenco campeão, o time conquistou apenas 12 pontos no Campeonato Mineiro de 1966 e acabou rebaixado ao Módulo II. Em 1967, sem o apoio do antigo patrocinador, o clube encerrou as atividades profissionais, que foram retomadas somente na década de 1990, mas sem o mesmo sucesso do passado. "Dá muita saudade", confessa Silvestre.

Grito hoje, silêncio amanhã!

Vinícius Dias

Os pontepretanos fecharam a noite questionando a atuação de Emerson Sobral. O Atlético, reclamando de Marcelo de Lima Henrique. Mais tarde, já na madrugada, os palmeirenses se voltaram contra Leandro Vuaden, e os tricolores do Rio contra Sandro Meira Ricci. Os quatro árbitros erraram. E não há quem tire do prejudicado o direito de reclamar. Como não há, em meio à calorosa discussão, quem avance além de acusações baseadas em simples suposições.


Durante o Campeonato Brasileiro, um erro - nesse caso, uma sequência, diga-se - a favor de paulistas ou cariocas é tido como motivo para se pôr em xeque os interesses envolvidos e se associar a sigla da entidade que comanda - sem êxito - o futebol brasileiro ao nome do beneficiado. Outro erro de arbitragem, seis meses depois, no estadual, passa quase batido quando o prejudicado é um clube do interior, que, dali a cinco jogos, vai encerrar seu calendário.

No Brasil, buscamos culpados, e não soluções.

Em 2005, a anulação de 11 jogos apitados por Edilson Pereira de Carvalho no Brasileiro, sob a suspeita de manipulação de resultados, soava como caminho. Mas não pôs fim ao debate. Na 40ª rodada, Márcio Rezende de Freitas deixou de assinalar pênalti claro de Fábio Costa em Tinga e ainda expulsou o atleta colorado. Após 14 dias, o Corinthians foi campeão com três pontos de vantagem sobre o Internacional. E os erros de arbitragem seguiram na pauta.

Arbitragem em xeque no Brasileirão
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Cinco anos depois, Sandro Meira Ricci assinalou pênalti do celeste Gil em Ronaldo. O Corinthians venceu por 1 a 0, superou a Raposa e assumiu a ponta. No senso comum, dizia-se que o título seria conquistado no apito, deixando uma interrogação. Na prática, a equipe paulista tropeçou duas vezes - empates contra Vitória e Goiás - nas três últimas rodadas e viu o Fluminense comemorar, com o Cruzeiro a seguir.

Pouco se fala em tecnologias, profissionalização e soluções.
O grito do derrotado hoje é o silêncio do vitorioso amanhã.