12/07/2016


Massagista que empilhou títulos no Cruzeiro relembra apoio
de Felipão e revela um sonho: concluir curso de Fisioterapia

Vinícius Dias

Manhã de sábado. O telefone que toca interrompe a caminhada de Edmar Antônio da Silva. Ele ouve o pedido de entrevista, aceita, mas pede que o Blog Toque Di Letra retorne à tarde. Às 13h, de memórias a sonhos no retorno à URT, o papo com Tita toma forma. Nos últimos 34 anos, muita coisa mudou na vida desse massagista que empilhou títulos, conheceu 25 países e foi a quase todos os estados do Brasil, exceto o bom humor e a sede de vitórias. "Mantenho a forma porque, às vezes, tenho que dar uns piques em campo", brinca, justificando a caminhada.


Na infância difícil, ele chegou a morar na rua e trabalhou como engraxate, integrou a guarda mirim e, já na adolescência, foi camelô. Em meio à dura rotina, o futebol sempre marcou presença. Tita, inclusive, tentou carreira profissional no Juventus, em Divinópolis, porém foi uma oportunidade no Venda Nova, em 1982, que mudou sua vida. "Assim que terminou a Copa Itatiaia, me convidaram. O clube pagou o curso de massagista e comecei minha carreira lá", destaca o belorizontino, de 58 anos. "Eu passei muitas dificuldades, mas superei graças a Deus".

Tita, em 2003, na Tríplice Coroa celeste
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Arquivo)

18 anos e oito clubes depois, o grande desafio. "Estava no América e fui contratado para trabalhar na base do Cruzeiro. Fiquei três meses no time júnior e, após a Taça BH, fui promovido". Tita, que chegou com 5ª série, concluiu o Ensino Médio no clube. "Estudei (na escola da Toca I), à noite, sem suplência", pontua. Em alta, foi aprovado na sequência em vestibular para o curso de Fisioterapia, mas trancou a matrícula no terceiro período, após perder o aporte de dois patrocinadores - um deles, ex-dirigente do clube. "É caro... Mas tenho o sonho de concluir", diz.

Felipão: casa nova e seleção

Ao longo da trajetória na Toca, o massagista somou 15 títulos e dezenas de amigos ilustres. Um dos mais especiais foi Felipão, grande responsável pela saída do barracão na Vila São José rumo a um apartamento na Nova Pampulha. "(Após o título da Copa Sul-Minas de 2001), ele deu 90% e os jogadores inteiraram o restante (do valor)", relembra. Anos mais tarde, o então funcionário estrelado vendeu o primeiro imóvel e adquiriu outro no bairro Santa Mônica.

Massagista ao lado de Neymar em voo
(Créditos: Arquivo Pessoal/Edmar Antônio)

A relação com o atual treinador do Guangzhou Evergrande, da China, teve novos capítulos no segundo semestre de 2013. À época, Scolari buscava um massagista para fazer companhia a Deni, funcionário do Flamengo, no departamento médico da seleção. "Quando trabalhou no Cruzeiro, Felipão gostou do meu trabalho. Para mim, a convocação foi ótima, foi o ápice da minha carreira, a coroação do meu esforço, da minha dedicação. Qualquer um, em qualquer função no futebol, sonha em chegar à seleção", diz Tita, comemorando o aprendizado.

Após o Cruzeiro, a escolinha

O retorno da seleção após o amistoso contra Zâmbia, na China, coincidiu com a saída do Cruzeiro após quase 14 anos. Assunto que o massagista evita. Boas memórias, como as da conquista da Copa Sul-Minas de 2002, têm preferência. "Sorín teve um corte no supercílio. Eu e doutor Ronaldo (Nazaré) fomos lá, fizemos a bandagem. Ele prometeu que faria um gol e comemoraria comigo". A profecia foi cumprida. "Eu tenho a fita e, sempre que vejo, aquilo me emociona muito", comenta.

Tita: tutor do jovem roupeiro Henrique
(Créditos: Assessoria de Imprensa/URT)

Tão logo deixou a Toca, a primeira experiência de Tita foi na escolinha do Clube Lareira, no bairro Santa Mônica, ao lado do ex-centroavante Marcos Vinícius, que defendeu clubes como Atlético e Flamengo nos anos 1980 e 1990. Uma nova chance no futebol profissional surgiu no último semestre de 2015. "Trabalhei seis meses (no Formiga), voltei para Belo Horizonte e estava na escolinha até junho", afirma. O convite da URT, 24 anos após a primeira passagem, significou alegria e surpresa. "Visibilidade grande, é o trabalho que gosto de fazer".

'Tutoria' em Patos de Minas

No 16º clube da carreira, conforme as próprias contas, a expectativa é a melhor possível. "Um trabalho de longo prazo, que pode ter sequência no próximo ano. URT tem uma estrutura muito boa, cidade boa, as pessoas gostam da gente", avalia. Carinho que retribui. Além de massagista, Tita tem sido uma espécie de tutor do jovem roupeiro Henrique Micias, de 18 anos. "Quando cheguei, ele já estava aqui. Pediram para eu dar apoio. Um menino inteligente, obediente, tem condições de ir longe". Com a palavra, quem saiu das ruas rumo à seleção.

Um comentário:

  1. FALA MEU AMIGO TITA , GRANDE PROFISSIONAL, A URT ESTÁ DE PARABÉNS, FELICIDADES MEU AMIGO.
    ABRAÇOS ASSIS

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