Desde 1978, clube disputou nove duelos contra hermanos pelo
torneio; histórico indica quatro vitórias por país e um empate

Vinícius Dias

Em meio à oitava participação na Copa Libertadores, o Atlético entra em campo nesta quarta-feira, ante o Racing, para sua 10ª partida contra um clube argentino na competição. Com quatro vitórias para cada lado e um empate nos embates anteriores, o retrospecto aponta equilíbrio. Em Belo Horizonte, palco do capítulo da noite, no entanto, a equipe alvinegra está em vantagem diante dos hermanos.


Os quatro primeiros confrontos aconteceram no torneio de 1978. Depois liderar seu grupo na primeira fase, o Galo teve Boca Juniors e River Plate como oponentes no triangular das semifinais. Futura campeã, a equipe xeneize levou a melhor no Mineirão, por 2 a 1, e em La Bombonera fez 3 a 1. Nos embates com os millonarios, derrota alvinegra no Monumental de Nuñez, por 1 a 0, e vitória pelo mesmo placar no Mineirão.

Retrospecto recente é favorável ao alvinegro
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG/Montagem)

Após um hiato de 35 anos, o Atlético voltou a encarar times hermanos na edição de 2013. Contra o Arsenal de Sarandí, vitórias por 5 a 2 no Julio Grondona e na Arena Independência. Na fase semifinal, diante do Newell's Old Boys, derrota por 2 a 0 no Coloso del Parque, resultado devolvido em BH, com direito a vaga nos pênaltis. No duelo mais recente, quarta-feira passada, 0 a 0 com o Racing no El Cilindro.

Histórico na Copa Libertadores:

24/09/1978 - Atlético 1x2 Boca Juniors
28/09/1978 - River Plate 1x0 Atlético
05/10/1978 - Boca Juniors 3x1 Atlético
08/10/1978 - Atlético 1x0 River Plate
26/02/2013 - Arsenal de Sarandí 2x5 Atlético
03/04/2013 - Atlético 5x2 Arsenal de Sarandí
03/07/2013 - Newell's Old Boys 2x0 Atlético
10/07/2013 - Atlético 2x0 Newell's Old Boys
27/04/2016 - Racing 0x0 Atlético


Gerardo Pelusso tem no currículo títulos em quatro países do
continente; diretor evita comentários sobre técnico uruguaio

Vinícius Dias

Sem sucesso nas tratativas com os preferidos no mercado brasileiro, a cúpula cruzeirense ampliou o leque, passando a considerar a possibilidade de trazer um estrangeiro para ocupar o cargo deixado por Deivid. Vários contatos com agentes ligados ao mercado sul-americano foram realizados nos últimos dias. Um dos nomes apresentados ao clube, segundo o Blog Toque Di Letra apurou, foi o do uruguaio Gerardo Pelusso, campeão da Copa Sul-Americana no ano passado.


Com passagens por clubes de seis países do continente, além da seleção paraguaia, o treinador, de 62 anos, deixou recentemente o Independiente Santa Fé, da Colômbia. No currículo, tem títulos uruguaios por Nacional e Danubio, peruano pelo Alianza Lima, e paraguaio pelo Olimpia. Pelusso foi, ainda, duas vezes semifinalista da Copa Libertadores: com o Nacional, do Uruguai, em 2009; e na temporada seguinte com a Universidad de Chile, dos ex-cruzeirenses Montillo e Victorino.

Pelusso: nome apresentado ao Cruzeiro
(Créditos: Independiente Santa Fé/Divulgação)

Conforme fontes ouvidas pela reportagem, embora o Cruzeiro não tenha aberto negociações a princípio, o nome não está descartado. Ao Blog, o diretor de futebol Thiago Scuro confirmou que vários técnicos têm sido oferecidos, mas evitou comentários específicos sobre o uruguaio. Ontem, durante a entrevista coletiva, o vice-presidente de futebol Bruno Vicintin falou em 50% de chances de trazer um estrangeiro.

Idioma, Telê e táticas

Embora nunca tenha trabalhado no país, de acordo com seu site oficial, o técnico domina a Língua Portuguesa e, no início dos anos 1990, chegou a realizar curso ministrado por Telê Santana. Em seus últimos trabalhos, ao lado do preparador físico Javier Carballo e do auxiliar Pablo Peirano, variou entre os esquemas 4-4-2, 4-3-1-2 e 4-4-1-1.

O milagre de Leicester City

Especial para o Toque Di Letra
Icaro Carvalho*

Dia 07 de agosto de 2015. Thomas, torcedor de um pequeno clube do interior da Inglaterra, estava há muitos meses com seu carnê comprado para a temporada 2015/2016 da Premier League. Em uma tarde nublada, como de costume no país, saiu do trabalho e foi em direção ao pub que tradicionalmente frequentava. Ele entrou devagar e logo pediu a Kate sua cerveja. Gostava de ir ali para pensar e, no dia, só pensava na estreia de seu time, que faria o primeiro jogo em casa. Ciente da situação, Thomas estava ansioso e ao mesmo tempo esperançoso com a nova temporada. Não se iludia: o clube havia subido na temporada 2013/2014 e conseguira se livrar da queda com dificuldade no ano anterior.


Thomas agradeceu a Kate e tomou sua cerveja lentamente. Sabia que em casa a solidão o esperava e a única coisa que teria a fazer era se preparar para o novo dia e ir dormir. Ele terminou o pint, se despediu das mesmas pessoas que sempre via lá e se dirigiu para casa.

A casa do torcedor era simples, nos modelos ingleses, com um carpete empoeirado, sofá, uma prateleira repleta de livros, um aquecedor perto da parede, que tinha um cachecol azul, símbolo de seu orgulho. Um quarto, banheiro e só. A cama estava bagunçada, metade de suas roupas estava sobre ela. Entre elas, uma de suas poucas paixões, a camisa azul, pronta para ser usada. Aquela camisa que o libertava da rotina e que, ao mesmo tempo, provocava alegria e tristeza.

'A camisa azul' do campeão Leicester
(Créditos: Leicester City F.C./Divulgação)

Thomas andou em direção ao chuveiro. Precisava se livrar daquele dia. No trabalho, problemas na mesma intensidade em que desejava ir para casa. No banho, tentava se controlar ao máximo, o nervosismo estava à flor da pele e não tinha onde mais colocar seu coração. Enxugou-se e foi direto para o quarto, vestiu o pijama e jogou tudo que estava sobre a cama no chão. Menos a camisa azul, que logo foi para o cabide de seu armário, ao lado das roupas bem passadas que usava para trabalhar. Tomou a pílula que o ajudava a dormir e pôs a cabeça no travesseiro.

Vitória por 4 a 2 na estreia

Ali começou a melhor noite da vida de Thomas. Ao abrir os olhos, ele já estava de saída do trabalho e, assustado, tentava entender o que estava ocorrendo. Fanático, o torcedor saiu sem pensar em direção ao ponto de ônibus. Na rua já desabotoava sua roupa social e por baixo dela estava a camisa azul. Entrou no ônibus e desembarcou no estádio. Apresentou o ingresso, comprou uma cerveja e chegou às arquibancadas. Radiante, ele cantava com muita vontade, cantava para deixar a alma ali, expulsar seus medos. A equipe retribuiu e, como se estendesse a mão àquele torcedor, venceu o Sunderland, por 4 a 2, na estreia.

As partidas iam passando e seu time seguia pontuando, vitórias magras, empates complicados, mas a equipe figurava entre as melhores na tabela. Na sétima rodada, veio a primeira derrota. Os pontos somados até então davam tranquilidade às arquibancadas e aos jogadores em campo, mas a incógnita em relação à temporada aparecia e a goleada diante do Arsenal, por 5 a 2, parecia trazer de volta a realidade.

Claudio Ranieri: arquiteto dos sonhos
(Créditos: Leicester City F.C./Reprodução)

No jogo seguinte, vitória. Tranquilidade fantasiosa. Mas o torcedor estava com os pés fincados no chão, suplicava para que seus representantes em campo chegassem ao número mágico, garantindo a permanência na elite. Uma a uma, as rodadas eram superadas, e a equipe seguia forte. O país, assustado, conhecia a paixão de Thomas. Mas ninguém duvidava: aquele time voltaria ao lugar de onde nunca deveria ter saído, e os adversários milionários, com cofres abastecidos pelos petrodólares, avançariam para a liderança da competição.

Mahrez: maestro do sonho

Thomas assistia àquilo da arquibancada e não acreditava. Era um sonho! Sonho que, a cada chute forte de Vardy em direção ao gol, parecia mais real. Mahrez, um argelino, que jogava em uma equipe da segunda divisão francesa, aparecia como maestro, criava as melhores chances da equipe e agraciava os torcedores com lances espetaculares. Kanté era um muro no meio-campo, impedindo os rivais de alcançarem a meta do goleiro Kasper, cujas mãos mantinham o sonho vivo.

Thomas a essa altura já sabia: estava livre do rebaixamento. Era possível sonhar com uma boa colocação. Quem sabe, com uma vaga em torneio continental. Na 23ª rodada, um fio de esperança: o time da camisa azul venceu o Stoke City, por 3 a 0, e o Arsenal foi derrotado em seu próprio estádio pelo Chelsea. Thomas festejava a liderança, e o mundo passava a saber que o Leicester era o líder da Premier League. Jogo após jogo, os torcedores, de pé, gritavam forte, com orgulho, saudando os jogadores: "Blue Army". E incentivando: "come on, Leicester Boys".

Milagreiros de Leicester City no vestiário
(Créditos: Christian Fuchs/Instagram/Reprodução)

O arquiteto dos sonhos era Claudio Ranieri, o italiano que nunca vingou. Aos olhos daquele torcedor, nada parecia real, era tudo fantasia. Mas eles faziam o impossível juntos. Thomas não desejava acordar. Suplicava aos deuses que não tivesse de trabalhar no dia seguinte e que vivesse para assistir, no King Power Stadium, à conquista do título inglês pelo time. O Leicester, que jogava do seu modo, sem a bola, sem os jogadores mais renomados e sem uma filosofia inovadora. Mas um time com vontade de sobra, que construía uma história, um sonho, um milagre. O milagre da cidade Leicester. Faltava pouco.

O capítulo final do sonho

No sábado, empate com o Manchester United. O título não veio no Teatro dos Sonhos, o palco ideal. O capítulo final passaria pelo Chelsea, de novo ele. Enquanto a bola rolava no Stamford Bridge e o Tottenham buscava adiar a festa, Thomas estava naquele pub. Tomando seu pint no lugar de sempre, mas diante do pub lotado, o sentimento era confuso: queria ser campeão, mas não desejava se despedir de um sonho pelo qual havia se apaixonado. Na etapa inicial, o Chelsea não ofereceu resistência aos Spurs, que marcaram duas vezes. No segundo tempo, os deuses do futebol não falharam: pressão e empate dos donos da casa.

Apito final. Aqueles olhos, que viam um título que jamais imaginaram, se encheram de lágrimas. Mas era preciso dar adeus ao sonho e retornar à realidade. De repente, Thomas abriu os olhos. Havia perdido a hora, mas ainda teve tempo de mirar o manto azul e abraçá-lo com orgulho. Tomou banho, vestiu-se como os Foxes, tomou café e entrou no ônibus. Olhava para todos, pensativo, com um sorriso rabiscado no rosto. No trabalho, desejava apenas que as horas passassem. Ainda precisava descansar e a cama estava à espera em casa. Dessa vez, o sonho era ainda maior. O Leicester entrava em campo no King Power Stadium ao som da música da Liga dos Campeões.

*Jornalista mineiro, ex-intercambista. Na Inglaterra, conheceu o Leicester City e a paixão dos torcedores pelos clubes, inspiração para a crônica.

A vitória do coletivo americano

Vinícius Dias

Pablo é acionado, deixa a lateral-direita, avança para o meio-campo e faz bom lançamento, quebrando as linhas defensivas projetadas por Aguirre. Danilo recebe nas costas de Marcos Rocha, aproveita os espaços e estufa as redes de Victor. A trama, que funcionou aos 33 minutos do primeiro tempo e aos 5' da etapa final, foi o símbolo da vitória do América. Já nos acréscimos, Pratto descontou para o Atlético. Empolgação freada, mas os alviverdes têm muito a comemorar.


63 dias após o primeiro grande teste da temporada, diante do Cruzeiro, na 5ª rodada do Mineiro, a evolução fica clara. Do domínio da posse de bola, mas sem pontaria em fevereiro, à proposta de jogo reativo bem executada nesse domingo, Givanildo Oliveira deu cara nova ao time. A receita tem compactação, mais eficiência no trabalho com a bola - aliada à menor necessidade de tê-la, tendência das últimas cinco exibições - e um melhor aproveitamento nas finalizações.

América inverteu a vantagem no Horto
(Créditos: Carlos Cruz/América FC/Divulgação)

Desde o revés para o Tombense, no dia 19 de março, são oito jogos de invencibilidade, 12 gols marcados, apenas cinco sofridos e classificação na Copa do Brasil diante do bom Red Bull Brasil. Some-se a isso o melhor aproveitamento em confrontos diretos entre os times de Belo Horizonte - um triunfo e dois empates contra o Cruzeiro, eliminado na fase semifinal; mesmo desempenho ante o Atlético, com direito a inversão da vantagem. Apesar de Pratto, que manteve a disputa aberta.

Campeão ou não, destaque para outro bom trabalho de Givanildo.
O reinventado América é, coletivamente, o melhor time do Mineiro.