A matemática catarinense

Vinícius Dias*

A reta final da temporada terá valor dobrado para Chapecoense, Avaí e Criciúma. Bem mais do que os tradicionais três pontos, jogo a jogo nas Séries A e B estará em questão a possibilidade de pontuar no ranking da CBF, critério que será utilizado para apontar os 12 participantes da Sul- Minas-Rio em 2016. Os dois catarinenses mais bem colocados na próxima edição farão companhia ao Figueirense.


Para detalhar o quadro atual e as mudanças possíveis na reta decisiva, o Blog Toque Di Letra fez um levantamento dos resultados obtidos pelos três clubes em competições nacionais a partir de 2011, período que será considerado para a elaboração do ranking atualizado. E, no somatório, o Criciúma foi quem teve melhor desempenho: 4.648 pontos. O Avaí somou 3.856 pontos. A Chapecoense fez 3.686 pontos.

TEMPORADA 2011 - peso 1

AVAÍ - Série A - 20º - 432 pontos
Copa do Brasil - Semifinal - 450 pontos
CRICIÚMA - Série B - 14º - 240 pontos
CHAPECOENSE - Série C - 5º - 138 pontos

TEMPORADA 2012 - peso 2

AVAÍ - Série B - 7º - 268 pontos
CRICIÚMA - Série B - 2º - 320 pontos
Copa do Brasil - 2ª fase - 100 pontos
CHAPECOENSE - Série C - 3º - 150 pontos
Copa do Brasil - 2ª fase - 100 pontos

TEMPORADA 2013 - peso 3

AVAÍ - Série B - 10º - 256 pontos
Copa do Brasil - 2ª fase - 50 pontos
CRICIÚMA - Série A - 14º - 480 pontos
Copa do Brasil - 3ª fase - 100 pontos
CHAPECOENSE - Série B - 2º - 320 pontos

TEMPORADA 2014 - peso 4

AVAÍ - Série B - 4º - 280 pontos
Copa do Brasil - 3ª fase - 100 pontos
CRICIÚMA - Série A - 20º - 432 pontos
Copa do Brasil - 1ª fase - 25 pontos
CHAPECOENSE - Série A - 15º - 472 pontos
Copa do Brasil - 2ª fase - 50 pontos

Pelos critérios definidos pela CBF, a temporada vigente tem peso cinco na formação do ranking (ver quadro abaixo). Portanto, Avaí e Chapecoense, eliminados na segunda fase da Copa do Brasil, conquistaram 250 pontos. Por avançar à etapa seguinte, o Criciúma somou 500 pontos.

(Créditos: Convenção de pontos/CBF/Reprodução)

Quando o assunto é o Brasileiro, Chapecoense e Avaí estão em vantagem em relação ao Criciúma, visto que a Série A tem pontuação superior à da Série B. O quadro atual indica 2.400 pontos para a Chapecoense e 2.360 pontos para Avaí, 14º e 15º colocados, respectivamente. Em 15º na Série B, o Criciúma somaria 1.180 pontos. Mantidas as posições, Avaí e Chape, nesta ordem, ficariam com as vagas.

PROJEÇÃO - RANKING/2016

AVAÍ - 6.466 pontos
CHAPECOENSE - 6.336 pontos
CRICIÚMA - 6.328 pontos

A diferença mínima sintetiza uma disputa em aberto. A Chapecoense, que deixa de ter chances em caso de rebaixamento, pode se classificar como segundo melhor catarinense desde que conclua a Série A cinco posições à frente do Avaí. Para superar o Leão no cenário atual, o Criciúma teria de conquistar sete posições na Série B. Para ultrapassar a Chapecoense, no entanto, precisaria apenas subir para o 14º lugar. E há pelo menos cinco cenários em que o Avaí perderia a vaga.

Os jogos da reta final valerão mais do que três pontos.

*Com colaboração de Christiano Candian

Sul-Minas-Rio: o capítulo final

Vinícius Dias

O último passo para selar a disputa da Liga Sul-Minas-Rio no próximo ano deve ser dado nos próximos dias. Segundo apurou o Blog, a expectativa nos bastidores é de que ainda nesta semana sejam divulgadas a tabela e uma prévia da composição dos grupos - três dos participantes, por ora, ainda não estão oficialmente definidos. A única certeza, hoje, é de que a dupla Grenal ficará no mesmo grupo, conforme o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Júnior, adiantou.


Com o aval dado pela CBF ao CEO Alexandre Kalil na última sexta-feira, o torneio deve seguir a lógica convencional, utilizando arbitragem do quadro principal da entidade e reservando ao STJD o julgamento das infrações de ordem disciplinar. Ainda assim, a Liga trabalha com a hipótese de manter um diretor de arbitragem particular.

Dirigentes reunidos na Cidade do Galo
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

A intenção das equipes é de que as questões técnicas sejam equalizadas antes do novo encontro entre os fundadores, agendado para o fim deste mês, em Minas Gerais. Nessa reunião, a pauta deve ser dominada pelos aspectos comerciais. Há quatro emissoras de TV, incluindo a Rede Globo, interessadas em exibir o torneio. Uma empresa fez proposta pelo naming rights da Liga Sul-Minas-Rio, que, inicialmente, foi batizada com o nome genérico de Primeira Liga.


Oficializada há um mês, Liga conquista aval da CBF; com datas
e formato esboçados, equipes vão debater os últimos detalhes

Vinícius Dias*

Do pontapé inicial em Curitiba, em 16 de julho, ao gol de placa marcado ontem, no Rio de Janeiro, onde o CEO Alexandre Kalil recebeu o aval da CBF, a Liga Sul-Minas-Rio tem conquistado apoio semana a semana. Nos bastidores, os clubes discutem os ajustes finais antes da oficialização da volta do torneio ao calendário do país. Para traçar um panorama do atual cenário do debate, que deve ser concluído no fim deste mês, na capital mineira, o Blog Toque Di Letra consultou dirigentes e interlocutores de clubes participantes da Liga.


Pela proposta definida na reunião de quinta-feira, a competição reunirá 12 clubes, que serão divididos em três grupos de quatro, classificando-se os líderes e o melhor segundo colocado para a semifinal e, depois, final, que serão realizadas em jogos únicos. O calendário traçado prevê cinco datas entre os dias 28 de janeiro e 30 de março. "Acredito que seja um grande avanço. Uma oportunidade de você ter uma receita extra para o clube em uma competição enxuta", observou o supervisor de futebol do Cruzeiro, Benecy Queiroz.

Reunião da Liga Sul-Minas Rio em agosto
(Créditos: Rodrigo Fatturi/Flickr/Grêmio FBPA)

O critério usado para apontar os participantes será a edição de 2016 do ranking da CBF, que vai ser divulgada em dezembro. Os dois clubes mais bem colocados de cada estado do eixo Sul-Minas se unirão a Flamengo e Fluminense. As duas vagas restantes, contabilizando o limite de três por estado, serão preenchidas pelos clubes de maior pontuação entre os que não se classificarem no rateio anterior.

Clubes participantes

Pela pontuação acumulada, há mais sete clubes assegurados: Atlético/PR, Atlético/MG, Coxa, Cruzeiro, Figueirense, Grêmio e Internacional. A julgar pelo ranking vigente, as vagas-extra ficarão com catarinenses e mineiros. Nesse cenário, Avaí, Criciúma e Chapecoense brigam por duas vagas - o Tigre disputa a Série B, que tem peso menor. O América/MG é favorito à outra. Apenas uma ascensão improvável do Paraná na Série B, fechando como campeão ou vice, aliada a uma queda brusca do Coelho, mudaria a composição citada.

América anuncia presença no torneio
(Créditos: Carlos Cruz/América FC/Divulgação)

Ciente desse quadro, a cúpula alviverde anunciou ontem a participação na Liga de 2016. Representante do clube na reunião desta semana, Marcus Salum destacou o feito ao Blog. "O América vai ganhar muito com essa participação. Estou muito feliz". Ele foi o responsável por articular junto a Gilvan de Pinho Tavares, atual presidente da Liga, e aos mandatários de Atlético/MG e Atlético/PR a inclusão do Coelho entre os fundadores. "Não achava justo que o América ficasse fora", disse. A aprovação ocorreu em encontro no dia 24 de setembro.

Cotas de transmissão

Nos bastidores, os clubes demonstram otimismo em relação à previsão de receitas com a Liga Sul-Minas-Rio. No Cruzeiro, acredita-se que o torneio será o mais rentável do primeiro semestre. "Nós ainda não fechamos as negociações em termos de valores das cotas de televisão, das placas (de publicidade). Mas imaginamos que ele vá render mais do que o estadual", projetou fonte ligada ao clube. No Atlético, a reestruturação do futebol é bandeira desde a gestão passada.

Romildo e Piffero: união entre gaúchos
(Créditos: Lucas Uebel/Flickr/Grêmio FBPA)

Nessa sexta-feira, o CEO Alexandre Kalil se reuniu com a cúpula da Globo no Rio de Janeiro. A emissora é uma das quatro interessadas em exibir a competição. "Foi elaborado um preâmbulo baseado nos principais torneios internacionais. As cotas não serão todas iguais", revelou um interlocutor ao Blog. Os valores ainda não foram definidos. Porém, a expectativa é de que pelo menos metade das receitas seja partilhada de forma homogênea entre os clubes participantes.

Grenal de seis pontos

Presidente do Grêmio e entusiasta da Liga, Romildo Bolzan Júnior comemorou o sucesso do debate. "Estamos criando um marco no futebol brasileiro". O dirigente adiantou que o tricolor ficará na mesma chave do rival colorado. "Isso nos dá condição de equalizar o calendário... Conversei com o Vitorio Piffero, presidente do Inter. Estamos juntos nessa posição". A ideia é de que o dérbi do Gaúcho tenha resultado contabilizado também na Liga. As questões comerciais, porém, seguiriam a cargo da FGF.

*Atualizada em 12/10, às 16h10

Mais trocas, menos confiança

Vinícius Dias

Em dez dias, Milton Mendes foi despedido do Atlético/PR, Osório aceitou o convite da Federação Mexicana, deixando o São Paulo, e seu substituto, Doriva, teve a mesma decisão em relação à Ponte Preta. A nove jogos do fim do Brasileirão, o número de trocas de técnico já supera o dos últimos quatro anos: já são 26 - o recorde, 31 trocas, é de 2010. E 17 equipes tiveram pelo menos dois comandantes ao longo do torneio, igualando a marca daquela edição.


Apenas o líder Corinthians, o vice-líder Atlético e a exceção Avaí, hoje 15º colocado, não se renderam à ciranda. Com Doriva, o São Paulo soma três técnicos em 29 rodadas, assim como o Flamengo, seu adversário na briga por vaga na Libertadores. Os quatro últimos, Goiás, Figueirense, Vasco e Joinville, também trocaram duas vezes. A relação ainda tem Fluminense, o bicampeão Cruzeiro, e terá a Ponte Preta tão logo seja anunciado o nome do substituto de Doriva.

Mano: terceiro técnico celeste em 2015
(Créditos: Washington Alves/Light Press)

Há casos e casos. Em maio, Doriva treinava o Vasco e rejeitou o Grêmio. Um mês depois foi demitido. Em agosto, foi contratado pela Ponte Preta. Ontem, acertou a saída para ir ao São Paulo. Eduardo Baptista deixou o Sport rumo ao Fluminense. Se resolvesse esperar, talvez fosse demitido. Marcelo Oliveira foi de herói a vítima na Raposa. De cima a baixo da tabela do Brasileirão, analisar os números significa visualizar o círculo vicioso que vitima o futebol nacional.

A relação entre clubes e técnicos é cada vez menos duradoura.
De ambos os lados, há cada vez menos identidade e confiança.