23/10/2019

Vamos, Cruzeiro! Tão combatido, jamais vencido!

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul!

A luta, mais do que nunca, continua, amigo leitor. Depois de duas vitórias seguidas e contra adversários dificílimos, que brigam pelas posições mais nobres na tabela de classificação, o Cruzeiro deu seus passos mais firmes até aqui na corrida para deixar a zona mais temida do futebol brasileiro. Entretanto, como vínhamos cometendo erros atrás de erros, ainda não dependemos apenas de nossos esforços para colocar os pés fora do lamaçal que é a zona do rebaixamento.


Nessas horas precisamos nos apegar a tudo aquilo que nos remeta ao objetivo tão sonhado. Se por um lado as duas vitórias ainda não trazem o alívio que gostaríamos, pelo menos dão indícios fortíssimos de que o grupo está no caminho certo, de que a química time-torcedor pode voltar a funcionar e de que a confiança está de volta. Ainda não foi possível ver uma mudança drástica no que tange ao comportamento tático e técnico dos jogadores. Mas, como eu vinha falando nas rodas de discussão, a hora é de ganhar de qualquer jeito, nem que seja sem querer, para só aí recuperar um pouco do fôlego e criar novo ânimo para seguir em frente.

Ederson foi heroi celeste contra o Timão
(Créditos: Daniel Vorley/Light Press/Cruzeiro E.C.)

De maneira alguma é hora de começar a olhar os confrontos que nos restam e fazer projeções. Não podemos dar nenhum jogo por vencido, muito menos por perdido. Se algum dos amigos fez esse estressante exercício nos últimos tempos, dificilmente colocou na conta os seis pontos conquistados nas duas últimas rodadas. Precisamos nos unir e pensar jogo a jogo. Enfrentar o próximo adversário como se fosse ele o divisor de águas. Por mais clichê e superficial que isso possa parecer, temos uma final já no próximo sábado. Sem olhar camisa, sem olhar posição na tabela, deixando de lado histórico do confronto, possíveis bons ou maus sinais.

Em crise, sim! Mas aqui é Cruzeiro!

Confesso que o ambiente tóxico e nocivo que foi criado no Cruzeiro contaminou demais minha autoestima e, há algumas rodadas, eu dava o rebaixamento como inevitável. Partidas absolutamente horríveis; um clima de desespero quase palpável entre os jogadores e exalando da torcida; pontos e mais pontos deixados pelo caminho de forma dolorida e, algumas vezes, vergonhosa; uma crise política sem precedentes que parecia engolir o clube como um buraco negro que se abria sob nossos pés. Não tenho a pretensão de dizer que dois resultados positivos exorcizarão todas estas mazelas, mas é o começo daquilo que pode se tornar nossa salvação.

Na quarta, Raposa bateu o São Paulo
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

Se nós não lutarmos até o fim com todas as nossas forças para salvar o Cruzeiro Esporte Clube, ninguém o fará em nosso lugar. Essa guerra está longe de terminar. Não teremos um fim de semana sequer, uma noite de quarta-feira que seja, de paz enquanto não tivermos a certeza absoluta e matemática de que conseguimos içar o maior de Minas deste poço que parecia sem fim no Campeonato Brasileiro. Estejam preparados para muita luta, mas, acima de tudo, estejam preparados para vencer.

Força, Cruzeiro!

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!

18/10/2019

A ascensão de Perrella e o xeque em Wagner

Vinícius Dias

Da retirada da candidatura nas eleições presidenciais de 2017, quatro meses antes de ver o correligionário Sérgio Rodrigues sair derrotado, à volta ao dia a dia da Toca da Raposa II, Zezé Perrella teve, nas últimas semanas, meteórica ascensão no xadrez político do Cruzeiro. Mais do que acumular a presidência do Conselho Deliberativo e a gestão do futebol, que ganha independência no organograma, o ex-senador emplacou três aliados no Conselho Gestor que passará a responder pela parte administrativa.


Na avaliação de lideranças ouvidas pelo Blog Toque Di Letra, além da ascensão de Perrella, encabeçando o departamento mais importante do clube, a reconfiguração administrativa representa um xeque em Wagner Pires de Sá. Já enfraquecido pelas saídas do diretor-geral Sérgio Nonato e do vice de futebol Itair Machado, dois de seus principais aliados desde a campanha eleitoral de 2017, o presidente perde ainda mais autonomia na nova formatação, comparada ao parlamentarismo inglês.

Zezé já é cotado para o pleito de 2020
(Créditos: Bruno Haddad/Cruzeiro E.C.)

O Conselho Gestor reúne três nomes indicados pelo grupo de Wagner e outros três ligados à ala Perrella. Nos bastidores, o diagnóstico em relação às articulações indica ainda um isolamento do ex-presidente Gilvan de Pinho Tavares. Por outro lado, ressalta a afirmação política de Giovanni Baroni, um dos líderes da corrente Pró-Cruzeiro Transparente e cotado para suceder Zezé na presidência do Conselho Deliberativo a partir de 2021, e a manutenção do prestígio dos irmãos José Francisco e Hermínio Lemos.

Eleições do centenário em pauta

Diante da composição alinhavada nessa quinta-feira, a tendência é de que Wagner abra mão de tentar a reeleição. Nos primeiros movimentos visando à sucessão, importantes alas já têm defendido no Barro Preto a candidatura do próprio Perrella, que, inicialmente, descarta a participação no pleito. Um dos trunfos para convencê-lo seria a garantia de aporte do empresário Pedro Lourenço, cujo filho agora trabalhará ao lado do ex-senador e é apontado como potencial vice de futebol em uma futura gestão.

16/10/2019

Discursos de mais e futebol de menos no Galo

Alisson Millo*

A semana começou com um massacre. Em plena Arena Independência, o Galo levou 4x1 do Grêmio. Com a derrota vexatória, Rodrigo Santana foi demitido e, no dia seguinte, Vagner Mancini foi contratado. Aqui sempre faço um esforço para me conter e manter o bom senso, mas parece que está faltando bom senso a todos que gerem o Clube Atlético Mineiro.


O presidente sumiu. Desde o início de seu mandato, declarou que não falava de futebol e que o responsável por esse assunto seria o então diretor Alexandre Gallo. Essa carta branca dada custou muito caro em termos financeiros e em termos de montagem de time e elenco, com peças ruins que estão aí até hoje e que têm contrato pelos próximos anos. Sucessor de Gallo, Rui Costa goza de igual liberdade, mas parece sofrer das mesmas limitações de análise de seu antecessor.

Diretor alvinegro ainda não convenceu
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Por falar em Rui Costa, após a saída de Santana, ele foi para a entrevista coletiva pós-jogo. Apesar da boa oratória e das palavras bonitas, suas falas pouco disseram e, quando significaram alguma coisa, jogaram luz sobre um problema muito grave: a desorganização que hoje toma conta da instituição. Não exatamente com essas palavras, mas ele disse que o novo treinador do Atlético seria quem topasse vir, sem um plano claro, sem um perfil estabelecido, sem uma ideia planejada. Ou seja, seria o que desse.

O que deu foi Vagner Mancini. Para o treinador, provavelmente a mensagem não foi essa, mas o que deu a entender foi que ele era o que tinha. O problema é que 'o que tem' nunca pode servir. 'O que tem' nunca vai ser o suficiente para o Atlético. Esse pensamento raso e vazio custa o pouco dinheiro do clube, custa a sanidade do torcedor, afasta a Massa do estádio e leva à descrença em um futuro melhor.

A temporada começa agora?

Ainda sobre a coletiva de Rui Costa, ele disse que, agora, cada jogo terá importância transcendental para o Atlético. Aqui nem vou entrar no uso equivocado da palavra. O objetivo é analisar o contexto e, principalmente, o conteúdo escondido atrás dessa palavra difícil. Agora, e apenas agora, os jogos passam a ser de suma importância? Essa é a visão de quem comanda o Atlético. Todo o primeiro turno? Não valia de nada. Sul-Americana? Segunda divisão da Libertadores. Copa Libertadores no início da temporada? Deboche da cara do torcedor, só pode!

Os jogos não podem valer só a partir de outubro, quando a água já está batendo no pescoço. As competições oficiais começam em janeiro. Para time e diretoria com mentalidade campeã, a 'importância transcendental' começa no estadual. Um clube da grandeza do Atlético tem o dever de encarar com seriedade todas as competições e competir em pé de igualdade em todas elas. Ganhar é circunstancial, mas demonstrar raça e hombridade é requisito mínimo para vestir essa camisa. E se planejar decentemente é requisito básico para comandar essa instituição.

Atlético perdeu por 4 a 1 para o Grêmio
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Mas me diga, torcedor: qual futuro você projeta para o Atlético? Não é daqui muito tempo, é para 2020. Hoje, todos os clubes já estão - ou deveriam estar - pensando na próxima temporada. Hoje, metade de outubro, o Galo anunciou um treinador novo, com contrato apenas até dezembro. Rui Costa afirmou que o clube não trabalha com a possibilidade de disputar a Série B no ano que vem, apesar da queda vertiginosa e de contar com o 'rei dos rebaixamentos' na área técnica. Vamos pensar positivo, vai que não cai mesmo. É com Mancini que nós vamos em 2020? Não é pensar pequeno demais? Se não for com ele, por que não trouxe desde já o nome ideal?

As perguntas parecem não ter resposta. E não adiantam palavras difíceis utilizadas em contextos errados. O que adianta é fazer o trabalho bem feito, contratar jogadores capazes de agregar ao elenco e fazer o Atlético crescer. O fato de o atual diretor parecer superior ao antecessor apenas no discurso é preocupante. O fato de o presidente insistir no erro sem perceber o rumo que o barco está tomando é indicativo de tempos tenebrosos à frente. Vamos pegar firme na crença de que tem muito time pior, porque, se formos depender apenas do que o nosso vem jogando, o prognóstico é terrível.

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
@amillo01 no Twitter, capitão da seção Fala, Atleticano!

11/10/2019

Vicintin cogita volta ao Cruzeiro como investidor

Vinícius Dias

De vice-presidente de futebol do Cruzeiro na conquista do pentacampeonato da Copa do Brasil, em 2017, a excluído do Conselho Deliberativo em eleição anulada pela Justiça há menos de duas semanas, Bruno Vicintin tem acompanhado de forma discreta a dramática situação vivida pelo clube celeste no Campeonato Brasileiro. Nesta sexta-feira, no entanto, o ex-dirigente quebrou o silêncio em contato com o Blog Toque Di Letra.

Ex-vice pode retornar ao clube celeste
(Créditos: Washington Alves/Light Press)

A dez dias da reunião extraordinária convocada pelo presidente do Conselho Deliberativo, Zezé Perrella, para votar o afastamento do presidente Wagner Pires de Sá e de seus vices, Vicintin se mostrou disposto a voltar a contribuir com o clube, cogitando até mesmo a possibilidade de atuar como investidor. Confira, abaixo, os principais trechos do depoimento do empresário, que atualmente encabeça o fundo Dunkirk Esportes.

Possível retorno à Raposa

"Minha história de vida dentro do Cruzeiro mostra que eu posso acertar ou errar, mas nunca me misturo nem por um dia em uma gestão aonde eu jamais acreditei nos princípios morais de quem lidera esse grupo. O Cruzeiro sempre pode contar comigo, seja na condição de um conselheiro, seja ajudando ou até como investidor, desde que o clube volte a ser administrado por pessoas sérias e que amem o Cruzeiro como: o Pedro Lourenço, o Aquiles Diniz, o Emílio Brandi, o Gustavo Gatti e outros".

Em silêncio nos bastidores

"Este momento não é de dar entrevistas, aparecer, muito menos tumultuar ainda mais o clube. O momento é de dar paz e tentar a união dos verdadeiros cruzeirenses, em relação aos jogadores é dar total apoio para evitar os estragos que podem vir por um rebaixamento. Após eliminada está ameaça que tanto aflige a torcida, aí sim será o momento de discutir o futuro. Temos, todos os que querem bem ao Cruzeiro, uma obrigação, trabalhar para tirar o clube desse momento delicado".