14/07/2018

Que saudade de ver o Galão dentro de campo

Alisson Millo*

A novela Roger Guedes chegou ao fim nessa quinta-feira. Depois de tanta especulação sobre ir para o Porto, não querer ir para o futebol árabe, ser alvo de clube da Turquia, ele escolheu - foi seduzido - as cifras do futebol chinês. Melhor para o Shandong Luneng que vai contar com Roger Guedes e nosso ídolo Diego Tardelli no mesmo elenco. Mas, como ninguém aqui torce pelo Shandong, presumo, vamos à nossa realidade.


Vamos falar de Atlético. A começar pelo ótimo dinheiro que o Galo lucrou com um jogador que nem nosso era. Em uma jogada que envolveu um pouco de sorte, é verdade, nosso presida se aproveitou da urgência do Palmeiras em vendê-lo e manter Dudu, do interesse do Criciúma na negociação e das cláusulas do contrato de empréstimo para faturar mais de R$ 10 milhões com um jogador que, um dia, ninguém queria ver nem pintado de ouro. Acabou que, no final das contas, ele rendeu e valeu como ouro.


Atlético fechou o pré-Copa em alta
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Outro que está de saída é Cazares. Se no último jogo antes da pausa para a Copa Roger Guedes foi para os vestiários com a massa praticamente implorando para que ele ficasse, o camisa 10 saiu no meio do jogo sob muitas vaias e não parece haver muita comoção para que o equatoriano não se vá. Irregular desde sua chegada, que já foi bastante conturbada, com um histórico extra-campo, digamos, não ideal e sem as características de armador que o elenco carece e o número às costas pressupõe, Juani nunca chegou a, de fato, conquistar a Massa atleticana.

Beque vendido, volante se lesiona

Se o assunto são as perdas, as de Bremer e Gustavo Blanco precisam ser lamentadas. Argumentos podem ser apresentados sobre a venda de um zagueiro tão jovem e promissor, talvez as cifras pudessem ser maiores, mas, por se tratar de um atleta que ainda não havia se firmado entre os titulares, ficou de bom tamanho financeiramente. Tecnicamente, o elenco perde. Unanimidade é a tristeza pela lesão do camisa 30. Motorzinho no meio-campo, o volante é líder de roubadas de bola no Brasileirão e havia desbancado o medalhão Elias por uma vaga entre os 11.

Blanco retorna somente em 2019
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Terra arrasada? Brasileirão ameaçado? Perdas irreparáveis na qualidade técnica do elenco? Nem de time. Para o ataque chegaram muitos - muitos mesmo - jogadores. Leandrinho, Terans, Chará, Denilson e Edinho devem dar conta do recado. José Welison vem com a missão de qualificar o meio-campo defensivo do time, então a esperança é que ele pressione a titularidade de Elias, tal como Gustavo Blanco fez quando chegou do América, e crie uma dúvida agradável para Thiago Larghi.

Em busca de reforços para a zaga

Na defesa, permanece a incógnita. Com a lesão do capitão Léo Silva e a saída de Bremer, Gabriel e Juninho vêm treinando como titulares. O treinador já declarou que o clube precisa de um zagueiro pronto, e o nome que surgiu foi de Dória, ex-Botafogo e São Paulo, que atualmente está encostado na França. Experiente, com passagens por seleção de base, grandes clubes brasileiros e carreira internacional, poderia chegar para, supõe-se, assumir a zaga e se tornar um dos pilares defensivos do time.

Capitão Léo Silva teve nova lesão
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Felizmente, são tempos distantes aqueles em que olhávamos para o time e temíamos pelo pior. Atualmente, até pela posição favorável na classificação, temos fé em uma boa campanha e sonhar com o título brasileiro não soa tão exagerado. Não acabe não, Copa do Mundo! Mas volte a jogar logo, Atlético. Que saudade de ver o Galão em campo.

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
Goleiro titular e atual capitão da seção Fala, Atleticano!

13/07/2018

Otero e CR7: o elo entre as negociações

Vinícius Dias

No fim de maio, o meia Otero deixou o Atlético rumo ao Al-Wehda, da Arábia Saudita, por empréstimo. Na última terça-feira, foi a vez de Cristiano Ronaldo anunciar a saída do Real Madrid após nove temporadas, acertando com a Juventus, em operação que envolveu € 112 milhões - cerca de R$ 505 milhões. As negociações, seladas em um intervalo de 41 dias, tiveram um ponto em comum: a atuação do português João Camacho.

Camacho, à esquerda, em vinda a BH
(Créditos: Reprodução/Instagram)

Camacho representa a Gestifute, empresa liderada por Jorge Mendes, agente de Cristiano Ronaldo, na região do Porto. O português, que esteve na Arena Independência para assistir ao clássico entre Atlético e Cruzeiro, válido pela 6ª rodada do Brasileirão, intermediou a ida do venezuelano Otero para o clube comandado por Fabio Carille. O negócio também contou com a participação do empresário Giba Brasil, da DG Assessoria Esportiva.

Do Marítimo a parceiro de Mendes

No caso de Cristiano Ronaldo, além de braço-direito de seu agente, João Camacho é figura destacada no círculo de amizades. O português, que inclusive já representou o compatriota em premiações, apareceu ao lado do camisa 7 e do presidente da Juventus, Andrea Agnelli, em brinde logo após o acerto com o clube italiano. Antes de ingressar na Gestifute, em 2008, o empresário foi dirigente do Marítimo por 17 anos.

12/07/2018


Levantamento a partir da análise de 60 lances, de 41 duelos, indica
23 erros graves do apito até a 11ª rodada do Campeonato Brasileiro

Vinícius Dias

Roger é lançado por Danilo Avelar, cai ao disputar a bola com Fábio e, para revolta dos jogadores celestes, o árbitro assinala pênalti. Em meio à Copa do Mundo e à promessa de novos tempos com o uso do VAR, o amistoso entre Corinthians e Cruzeiro, na noite dessa quarta-feira, relembrou aos torcedores a incômoda rotina de erros de arbitragem. Entre a rodada inicial e a 11ª, a penúltima antes da pausa para o Mundial na Rússia, o Campeonato Brasileiro registrou 23 erros graves de arbitragem. Nove deles contra equipes mineiras, que recusaram o formato de VAR proposto pela CBF


O número é resultado de levantamento feito pelo Blog Toque Di Letra a partir das análises divulgadas rodada a rodada pela CBF. Considerando os 60 lances apresentados, de 41 jogos, América, Atlético e Cruzeiro são os clubes contra os quais os árbitros mais erraram: três vezes contra cada. Além das não expulsões, o levantamento classificou como graves os casos de gol/não foi gol e pênalti/não foi pênalti, cujas marcações, a princípio, poderiam ser revisadas com o auxílio da tecnologia. Com base neste critério, 23 dos 24 erros listados pela CBF foram contabilizados.

Atlético e Cruzeiro: três erros contra
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Os erros das primeiras 11 rodadas do Campeonato Brasileiro foram divididos a favor de 11 equipes e contra 14 - apenas Bahia, Botafogo e Sport não aparecem em nenhuma das duas contagens. A lista reúne nove penalidades não marcadas e quatro inexistentes assinaladas, quatro situações em que deveria ter sido aplicado cartão vermelho, quatro gols irregulares validados e dois mal anulados. Se o trio mineiro lidera o ranking de erros contra, Ceará e Flamengo estão no topo quando o assunto são erros a favor, com quatro lances mal assinalados pela arbitragem cada.

Erros em partidas do trio mineiro

Entre os 60 lances destacados nas análises da CBF, cinco aconteceram em partidas do América. O time alviverde foi prejudicado em três oportunidades: diante do Vitória, na 3ª rodada, com a não marcação de um pênalti, e contra o Ceará, na 5ª rodada, com a validação de um gol irregular e a marcação de uma penalidade inexistente para o adversário. Por outro lado, duas decisões da arbitragem beneficiaram o Coelho no Campeonato Brasileiro: a não aplicação de cartões vermelhos nos confrontos contra Corinthians, na 8ª rodada, e Atlético, na 10ª, na Arena Independência.

América: três erros contra, dois pró
(Créditos: Mourão Panda/América)

O Galo ainda foi prejudicado com a não expulsão de um atleta do Vasco, na estreia, e a não marcação de penalidade contra a Chapecoense, na 9ª rodada. A Raposa também teve motivos para reclamar: dois pênaltis não marcados no duelo com o cruzmaltino, na 10ª, e gol irregular da Chape validado na 11ª. Na classificação por erros, elaborada pela reportagem considerando as decisões que beneficiaram ou prejudicaram os 20 clubes e tendo como critérios de desempate número e tipo - lances de gol, pênalti e expulsão, nesta ordem - de equívocos a favor, os arquirrivais são lanternas.

Classificação por erros de arbitragem - Série A:

Ceará - quatro a favor, nenhum contra / saldo = quatro a favor
Flamengo - quatro a favor, um contra / saldo = três a favor
Chapecoense - três a favor, nenhum contra / três a favor
Vasco - três a favor, um contra / saldo = dois a favor
Vitória - dois a favor, um contra / saldo = um a favor
São Paulo - um a favor, nenhum contra / saldo = um a favor
Palmeiras - um a favor, um contra / saldo = zero
Paraná - um a favor, um contra / saldo = zero
Santos - um a favor, um contra / saldo = zero
Bahia - nenhum a favor, nenhum contra / saldo = zero
Botafogo - nenhum a favor, nenhum contra / saldo = zero
Sport - nenhum a favor, nenhum contra / saldo = zero
Grêmio - nenhum a favor, um contra / saldo = um contra
Atlético/PR - nenhum a favor, um contra / saldo = um contra
Internacional - um a favor, dois contra / saldo = um contra
América - dois a favor, três contra / saldo = um contra
Fluminense - nenhum a favor, dois contra / saldo = dois contra
Corinthians - nenhum a favor, dois contra / saldo = dois contra
Atlético/MG - nenhum a favor, três contra / saldo = três contra
Cruzeiro - nenhum a favor, três contra / saldo = três contra

11/07/2018

Felipão negocia com Egito e Coreia do Sul

Da Redação

Desempregado desde que deixou o Guangzhou Evergrande, da China, em novembro, Felipão pode iniciar, em breve, seu terceiro trabalho à frente de uma seleção. O treinador negocia com as federações de Egito e Coreia do Sul. Ambas caíram logo na primeira fase da Copa do Mundo da Rússia - o Egito terminou como lanterna do grupo A, enquanto a Coreia do Sul, algoz da atual campeã Alemanha, ficou em terceiro no grupo F.

Felipão: do penta ao 7 a 1 na seleção
(Créditos: Rafael Ribeiro/CBF)

"O técnico Luiz Felipe Scolari segue conversando com as federações do Egito e Coreia do Sul sobre projeto e planos para os próximos anos. Ainda não foi falado em valores. Definição até a próxima semana", confirmou na tarde dessa terça-feira a assessoria de imprensa de Felipão. Nos bastidores, a princípio, a avaliação é de que não há favorita entre as duas seleções que têm mantido contatos com o staff do gaúcho, de 69 anos.

Busca por sucessor e indefinição

O Egito está sem comandante há 15 dias, uma vez que o argentino Héctor Cúper deixou o cargo logo após a eliminação na Rússia. No caso dos sul-coreanos, a situação de Shin Tae-Yong está indefinida. Com três Copas no currículo, Felipão levou o Brasil ao pentacampeonato, em 2002, 12 anos antes do quarto lugar marcado pela goleada por 7 a 1 para a Alemanha. O treinador também foi às semifinais, em 2006, com Portugal.