22/01/2019

Cemil encerra patrocínios a Cruzeiro e América

Vinícius Dias

Uma das principais patrocinadoras do futebol mineiro nas últimas quatro temporadas, a Cemil não deve ter sua marca estampada na camisa de nenhum dos clubes de Belo Horizonte em 2019. Ausente da nova coleção do América, lançada na última quinta-feira, a empresa de Patos de Minas também ficou fora da estreia do Cruzeiro no estadual, nesse sábado, diante do Guarani. Conforme o Blog Toque Di Letra apurou, inicialmente, os contratos encerrados no ano passado não serão renovados.

Empresa estampou camisas na Série A
(Créditos: Cruzeiro/América/Twitter/Divulgação)

Parceira do Cruzeiro desde 2015, a empresa do ramo de laticínios chegou a abrir conversas sobre a possibilidade de prorrogação. Após dois títulos da Copa do Brasil e mais uma vez na Libertadores, no entanto, a diretoria celeste tem trabalhado com a expectativa de forte valorização das propriedades da camisa. A Cemil investiu cerca de R$ 2,7 milhões no acordo para ocupar a omoplata nas últimas duas temporadas - R$ 1,35 milhão por ano, cifras que o clube pretende reajustar em pelo menos 60%.

Espaço à disposição no Coelho

No caso do América, as partes sequer iniciaram negociações visando à renovação. Nesse cenário, a cúpula alviverde já tem prospectado parceiros para o espaço, apresentado como disponível em conversas com o mercado - entre 2017 e 2018, o contrato firmado com a empresa patense rendeu cerca de R$ 600 mil. Sonho antigo nos bastidores da Cemil, a retomada da parceria com o Atlético, que esteve no rol de clubes patrocinados em 2015, também não deve ser concretizado nesta temporada.

20/01/2019

Guarani x Cruzeiro: futebol entre negócio e social

Vinícius Dias

Quando o apito do árbitro trilou, 22 jogadores começaram a correr atrás da bola pela primeira vez na temporada. Com quintais e lajes virando arquibancada para quem não pôde ir ao estádio, muros virando fachadas para expor as bandeiras e a paixão das torcidas. De uma que sonha com o tri da América - e, em boa parte, despreza o estadual - e de outra, adversária nesse sábado, mas com grandes chances de se transformar em aliada depois de abril, quando seu clube não terá mais calendário.


Foi exatamente esse o cenário de Divinópolis, no duelo entre Cruzeiro e Guarani. Será também das visitas do rival Atlético e dos demais gigantes brasileiros ao interior de seus estados. Porque, hoje, o objetivo do interior é sobreviver - em Minas Gerais, faturando 14 vezes menos que Galo e Raposa - nos torneios que enchem os cofres da capital. Mas o estadual é, também, o momento de o futebol cumprir seu papel social. De os ídolos, que no passado iam às escolas, irem pelo menos às cidades dos fãs.

Lajes e casas cheias em Divinópolis
(Créditos: Bruno Haddad/Cruzeiro E.C.)

Pergunte ao garoto de oito anos que mora longe da capital o que ele prefere assistir pela TV. É possível que a resposta seja o futebol europeu, com uma constelação de nomes que o videogame o ajudou a decorar em campo, e não um jogo do clube pelo qual seu pai torce. Estadual significa aproximação, mas o sucesso passa por repensá-la. Mais datas para os menores, menos datas para os maiores e um calendário mais racional e menos produtor de crises para os clubes que, na prática, o sustentam.

O grande erro do estadual não é existir somente no Brasil.
Isso pode ser solução. Erro é pensá-lo como no século XX.

17/01/2019

Você se foi? Não importa! O Cruzeiro é maior!

Douglas Zimmer*

Quando uma criança sonha em ser jogador(a) de futebol profissional, o que ela mais deseja caso o sonho se torne realidade? Fama? Dinheiro? Ganhar a vida com aquilo que mais ama? Títulos? Reconhecimento? Ser ídolo de uma grande torcida? Defender a seleção do seu país? Acho que, entre outras coisas, todas essas perguntas podem ser respondidas com um sonoro 'sim'. Mas, para algumas crianças que crescem e atingem o tão desejado status, todos esses privilégios não são o suficiente.


Antes de tudo, para mim, não há comparação entre jogadores de futebol e as profissões tradicionais. O esporte mais praticado do mundo, apesar de assim parecer, não é só negócio. O futebol nosso de cada dia mexe com emoção, paixão, nos tira o sono, nos faz sonhar, mas, acima de tudo, envolve amor. O amor por seu clube, sua seleção, pelo time do bairro, enfim, tudo o que esteja relacionado ao esporte. Em contrapartida, apesar desses sentimentos, muitas vezes somos expostos a situações indigestas que transformam o que era uma bela história em ressentimentos e mágoas.

Camisa 10 deixou o clube celeste
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

Não cabe a mim julgar os motivos que levaram um dos principais nomes de nossa história recente a sair da Toca da Raposa II pela porta dos fundos. Certamente uma proposta de aumento salarial tão expressiva mexe com quase todo mundo. Às vezes, o profissional vê a oportunidade de atingir um patamar nunca antes imaginado e esquece rapidamente tudo o que foi construído de forma recíproca, honesta, suada e vitoriosa ao lado de outrem - no caso, milhões de cruzeirenses. Quando as cifras saltam aos olhos, tudo perde a importância e palavras viram apenas palavras.

Três despedidas e algumas lições

Vida que segue, evidentemente. Jogador nenhum é maior que o Cruzeiro. No fim, o que fica é sempre a imensa torcida, que jamais abandonará suas cores e aprenderá, dia após dia, a não venerar qualquer um que a encante com belas jogadas, gols importantes e palavras vazias. Vida que segue, inclusive, com as saídas de Sóbis e Mancuello. O primeiro, mesmo longe de ser unanimidade, sempre deixou seu máximo dentro de campo. O segundo, apesar de massivamente criticado pelo torcedor, inclusive este que vos fala, também deixou o clube sem arranhar sua imagem.

Mancuello se transferiu para o México
(Créditos: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

Espero que todos tenham aprendido um pouco com essas histórias, que, particularmente, me surpreenderam. Quanto a mim, vou procurar idolatrar quem demonstrar absoluto respeito com a instituição Cruzeiro Esporte Clube. Quanto às demais partes envolvidas, torço para que não cometam os mesmos erros daqui para frente. Não cabe bem a um profissional que um dia foi criança, sonhou em ser jogador de futebol, ser ídolo de um grande clube, negar a idolatria de tantas crianças que viam nele um exemplo. Vida que segue. Vidas que se separam. E o Cruzeiro segue maior.

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!

16/01/2019

Guia do interior: medalhões e apostas do Mineiro

Vinícius Dias

Apostar as fichas em medalhões com passagens por clubes da Série A e até pela seleção brasileira? Abrir espaço para talentos revelados por América, Atlético e Cruzeiro? Ou dar oportunidades para os pratas da casa? Com planejamentos e realidades distintas, os nove clubes do interior compartilham um sonho no Campeonato Mineiro: pôr fim à sequência de 13 anos de conquistas da capital. De Poços de Caldas a Tombos, passando por Juiz de Fora, a bola rola a partir deste sábado no estadual.


Campeão do interior em 2018, o Tupi será comandado por Ailton Ferraz. O elenco conta com o retorno do meia Leandro Brasília e ganhou reforços como Aislan, zagueiro ex-São Paulo e Vasco, e Hugo Ragelli, atacante ex-Cruzeiro. Vice-campeão do módulo II, o rival Tupynambás está de volta à elite. O volante Leandro Salino, tricampeão grego pelo Olympiakos, é o grande nome. O treinador Felipe Surian ainda terá à disposição os experientes Glaysson, goleiro de 39 anos, e Ademilson, atacante de 44 anos.

Ademilson vai defender o Tupynambás
(Créditos: Patrocínio Photo Studio/Tupynambás)

Surpresa de 2018, o Patrocinense será comandado por Wellington Fajardo e aposta no retorno de destaques do elenco que chegou às quartas de final, como o lateral-direito Angelo, o zagueiro Diego Borges e o volante Bruno Moreno. O Tombense investiu pesado. Entre os reforços estão dois nomes de padrão Série A: o goleiro Felipe, revelado pelo Santos, e o experiente lateral-esquerdo e meia Juan, ex-Flamengo, que defenderam o CSA/AL na campanha do acesso. O treinador será Ricardo Drubscky.

Alvirrubros terão perfis distintos

Maior campeão entre os clubes do interior, o Villa Nova sonha alto. Fred Pacheco terá à disposição o volante Roger Bernardo e o lateral-esquerdo Eron, ex-Atlético, o atacante Elias, ex-Botafogo, além de quatro ex-cruzeirenses: o goleiro Georgemy, o zagueiro Arthur, o volante Eurico e o meia Luiz Fernando. Campeão do módulo II, o Guarani manteve o meia-atacante Leomir, um dos destaques do acesso. Entre os reforços à disposição de Gian Rodrigues está o meia Ewerthon Maradona, ex-Caldense e URT.

Roger Bernardo: reforço do Villa Nova
(Créditos: AV Assessoria de Imprensa/Divulgação)

O Boa Esporte, comandado por Tuca Guimarães, terá o goleiro Renan Rocha, ex-Athletico/PR, e o volante Edenilson, de volta ao Brasil após oito anos na Europa. A URT, de Sidney Moraes, conta com o retorno do meia Cascata, um dos pilares da campanha de 2017, além do lateral-direito Alan Silva, ex-Democrata, e do zagueiro Gladstone, ex-Cruzeiro. A Caldense aposta na volta do zagueiro Robinho, que se junta ao goleiro Osmar, um dos destaques do elenco de 2018. O treinador será Ito Roque.