21/04/2018

Cruzeiro FA: o que esperar depois da goleada?

Alexandre Oliveira*

O Cruzeiro Imperadores começou o Campeonato Mineiro de Futebol Americano com uma big play daquelas. O time celeste venceu o Pouso Alegre Gladiadores por 81 a 0, sem dar chances ao adversário. Se fôssemos traduzir o placar para o futebol, poderíamos considerar um 12 a 0. Recém-chegado, o kicker Amilcar Neto, mais conhecido como Ozil, vê o Cruzeiro como um dos favoritos aos principais títulos. "Com toda a estrutura que está sendo montada, com o projeto, a dedicação e entrosamento que vem treino após treino, temos chances reais de taça", destaca ao Blog Toque Di Letra.


Fundado no início de 2017, os Imperadores já levaram a Conferência Sudeste da Liga Nacional no ano passado, garantindo vaga na BFA em 2018. A equipe azul quer se manter no topo e, para isso, conta com comissão técnica e plantel experientes no esporte americano. Além do técnico Joe Daniels, que treinou times universitários nos Estados Unidos, a diretoria celeste trouxe reforços de peso como Lenin Albuquerque, offensive linebacker (OLB) da seleção brasileira e ex-João Pessoa Espectros.

Ozil converteu sete extra points na estreia
(Créditos: Dan Costa/Cruzeiro Imperadores)

"A qualidade técnica, os treinos diários, a dedicação, competência, excelência no que fazemos. Estamos muito motivados para levantar essa taça", exalta Ozil, enumerando os pontos fortes dos Imperadores. O kicker, ex-Santos Tsunami, estreou pelo Cruzeiro contra a equipe de Pouso Alegre já convertendo sete das dez tentativas de extra points.

Time em busca de entrosamento

Mesmo com o placar elástico alcançado no confronto de estreia, o defensive back (DB) Lucas Teodoro pontua que o time ainda tem a crescer em alguns aspectos. "Foi uma junção muito benéfica (entre Cruzeiro e Imperadores), mas estamos pecando um pouco pela falta de entrosamento. A gente está em busca desse entrosamento, da comunicação, saber o que o outro pensa. Isso que vai ser a chave para a gente fazer um bom campeonato e chegar com o pé direito ao BFA (Brasil Futebol Americano)".

Time celeste foi apresentado no Mineirão
(Créditos: Dan Costa/Cruzeiro Imperadores)

Para o quarterback titular Ramon Martire, da seleção brasileira, a evolução depende de o time acertar seu playbook - repertório de jogadas. "Neste momento, estamos mais focados em acertar o playbook, pegar entrosamento e implementar muita coisa nova para o ataque inteiro. Os resultados vêm naturalmente, junto com os jogos", comenta.

Focado no Campeonato Mineiro

O Cruzeiro volta a campo no dia 05 de maio, diante do Inconfidentes Futebol Americano, no Sesc Venda Nova. Perguntado sobre a expectativa para a sequência da temporada, o quarterback diz estar focado no estadual. "Agora, o nosso foco é no Mineiro. Não estamos pensando em BFA ainda. Temos um bom time aqui com todos os contratados e a boa base dos Imperadores para brigar pelo título mineiro. Para o BFA, ainda devemos ter alterações no elenco e já estaremos com um ritmo bem melhor".

*Jornalista. Fã de Futebol Americano. Siga: @alexolivertos.

20/04/2018

América fez 2ª melhor estreia no Brasileirão

Vinícius Dias

A vitória por 3 a 0 sobre o Sport, com dois gols de Serginho e um de Carlinhos, no último domingo, na Arena Independência, representou a segunda melhor estreia do América no Campeonato Brasileiro da Série A. O alviverde conseguiu resultado mais expressivo apenas na edição de 1976, quando derrotou o Goiânia por 6 a 0. Em 16 participações, o time soma seis vitórias, sete derrotas e três empates na 1ª rodada.

Serginho marcou dois gols no triunfo
(Créditos: Mourão Panda/América)

O confronto com os pernambucanos foi, também, o 24º na elite com Enderson Moreira à frente do Coelho. O treinador belorizontino, que fez sua estreia pelo clube alviverde na 16ª rodada do Campeonato Brasileiro de 2016, no revés por 2 a 1 diante do Flamengo, em Cariacica, tem 31,9% de aproveitamento. São seis vitórias, cinco empates e 13 derrotas, com o América marcando 17 gols e sendo vazado 31 vezes no período.

19/04/2018

Atlético deve € 13 milhões a clubes do exterior

Vinícius Dias

Na reunião que marcou a aprovação das contas de 2017, na última segunda-feira, o Atlético também detalhou ao Conselho Deliberativo os débitos com clubes estrangeiros. Conforme o Blog Toque Di Letra apurou, os dados apresentados aos conselheiros apontaram sete dívidas vencidas, que significam € 11,3 milhões - cinco desses casos já resultaram em ações contra o alvinegro na Fifa. Somando € 2 milhões em impostos, as cifras chegam a € 13,3 milhões, cerca de R$ 55,8 milhões.

Contas foram aprovadas na 2ª feira
(Créditos: Site Oficial do Atlético/Divulgação)

Nos bastidores, o financeiro do Atlético busca alternativas para solucionar os imbróglios. "(Os casos) estão sendo devidamente analisados, discutidos e parcelados", afirmou o departamento, por meio da assessoria de comunicação do clube. Em dezembro, logo após a eleição do presidente Sérgio Sette Câmara, o diretor Carlos Fabel esteve na Suíça, onde se localiza a sede da Fifa, para tratar do tema. O dirigente tem trabalhado em conjunto com o advogado alvinegro para assuntos internacionais.

Pendência por Elias perto do fim

Da lista, que inclui débitos referentes às compras de Diego Tardelli, junto ao Al-Gharafa, do Catar, e Douglas Santos, à Udinese, da Itália, o caso mais próximo de ser encerrado é o de Elias. A pendência, superior a € 2 milhões, poderia resultar em problemas na Fifa em breve. O acordo com o Sporting, noticiado nessa quarta-feira pela Rádio 98 FM, envolve a ida do meia-atacante Marco Túlio para o clube português. À reportagem, a assessoria confirmou que, concluindo o negócio, o venda será descontada.

18/04/2018

Atlético, Gallo, Larghi: ajudem-nos a ajudá-los!

Alisson Millo*

Sabe aquela história de que no Brasileirão todo jogo é decisão? Então. Pior para o Atlético, que começou perdendo - terceira derrota seguida, em três jogos decisivos, em três competições. Nesta quarta-feira, temos mais uma. Com todo respeito ao Ferroviário, mas nessa decisão a preocupação passa longe. A vitória por 4 a 0 no confronto de ida e a fragilidade do adversário devem assegurar a classificação. Foco na palavra devem.


Não dá para cravar porque é futebol, e você, meu caro leitor, já deve ter ouvido milhões de vezes que ele é uma caixinha de surpresas. Mas, mais do que isso, o Atlético vem jogando alguma coisa que até se assemelha ao futebol, porém é bem feinho. Isso tudo depois de o diretor de futebol Alexandre Gallo, em algumas ocasiões, ter afirmado que considerava o elenco desta temporada melhor do que o de 2017.

Sette Câmara ao lado de Alexandre Gallo
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Quando Gallo menciona que o grupo atual é mais qualificado, ressaltando a economia, cabe a nós, torcedores, interpretar. E não é difícil ir muito longe para imaginar que ele se refere, especialmente, às saídas de Fred e Robinho. De fato, essas duas estrelas andavam com o brilho bem fosco e a saída de ambos gerou um importante alívio nas contas do clube. Mas daí dizer que o time melhorou? O campo prova justamente o contrário.

Melhor que 2017? Tem certeza?

Análise simples de resultado e desempenho: no ano passado, uma hora dessas, o Atlético tinha uma das melhores campanhas da fase de grupos da Libertadores e o título estadual. Em 2018, tem o vice-campeonato em um Mineiro em que jamais mostrou grande futebol - talvez nas semis contra o América - e uma derrota que pode ser decisiva já na primeira fase da Copa Sul-Americana. Jornalista, por natureza, não costuma ser muito bom de contas, mas contra números não há argumentos.

Elias ainda não emplacou no Atlético
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Agora, vamos à parte que, particularmente, mais me chama a atenção. Se Fred e Robinho perderam espaço por altos salários e pouco rendimento, por que jogadores que, desde que chegaram ao clube jamais justificaram o investimento, têm presença constante entre os titulares? Se você pensou no camisa 7, é dele mesmo que estou falando. Contratado a peso de ouro, Elias nunca foi aquilo que se esperava dele, mas aí está, prestigiado, mesmo com as boas apresentações de Gustavo Blanco.

Treinador ou interino? Por quê?

Por falar em escalações, Thiago Larghi segue como interino, mesmo estando à frente do time há mais de dois meses. Larghi que deve, sim, ser criticado por escolhas, no mínimo, questionáveis principalmente quando o assunto são as substituições. Mas por que ele segue no cargo se não está pronto para tal? E, se está, por que ainda não foi efetivado pela diretoria? Já que ainda não foi oficialmente confirmado que ele é o homem de confiança da diretoria, por que estão trazendo jogadores indicações por ele? O discurso de austeridade ficou pra trás? Ou só dizia respeito a Fred e Robinho?

Larghi: bom início, mas já questionado
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Nada contra Matheus Galdezani, por exemplo. Nada a favor também, para ser honesto, mas as circunstâncias transformam a chegada dele em dúvida. Puxando pela memória, as indicações do último treinador mais inflaram o elenco de peças medianas do que resolveram, de fato, os problemas que tínhamos. Ricardo Oliveira é titular, ok! Mas Samuel Xavier, Arouca, Roger Guedes e Erik nunca caíram nas graças da torcida e, hoje, são reservas de jogadores que aqui já estavam, como Patric, que até recentemente era tratado como dispensável e estava emprestado.

Um calcanhar rumo ao insucesso

Se vamos dar nomes aos bois, Roger Guedes merece menção especial. Você sabe bem os porquês, mas vamos relembrar. A gota d'água foi o fatídico passe de calcanhar que custou, no mínimo, o empate com o Vasco. Digo no mínimo porque, nos pés de alguém competente, o lance poderia resultar no gol da vitória do Galo. Mas o imbróglio vem desde aquele show de horrores que ele protagonizou ao ser substituído contra o Figueirense. No CT, discussão com Tomás Andrade. Contra o San Lorenzo, ficou fora e se tornou 'assunto interno'. No domingo, protagonizou o lance icônico.

Roger Guedes: vexame diante do Vasco
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Nas redes sociais, logo após a derrota para o Vasco, Sette Câmara disse ter ficado triste. Tristes estamos nós, desde o início da temporada, com a perspectiva negativa em relação ao time. E o que deixa o torcedor mais descontente é saber que pouco pode fazer a não ser ir ao campo e apoiar. O presidente pode fazer muita coisa - inclusive, deve. Porque o 'patinho feio' realmente chegou à final, mas perdeu e não tem convencido. E a maioria das críticas, pelo menos, é justa. Ajudem-nos a ajudá-los!

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
Goleiro titular e atual capitão da seção Fala, Atleticano!