17/08/2018

Quarta de cinema de Fábio: Cruzeiro na semi

Vinícius Dias

Lucas Silva na bola para abrir o placar. Cobrança de Bruno Henrique, herói do Santos nos 90 minutos, para defesa de Fábio. Raniel converte e amplia. Rodrygo, o futuro craque do Real Madrid, para no camisa 1 celeste. David marca. Jean Mota parte e, segundos depois, o terceiro grande ato de Fábio faz o Mineirão explodir. Cruzeiro classificado às semifinais da Copa do Brasil pela terceira edição consecutiva sob o comando de Mano Menezes. Eliminando o time de Cuca nas quartas, como no ano passado.


A partida começou com o Cruzeiro tendo posse, mas sem ameaçar. Até os 12 minutos, quando Thiago Neves recebeu, cortou para o meio e estufou as redes de Vanderlei. O empate quase saiu aos 14', com Gustavo Henrique completando falta cobrada por Arthur Gomes. Após sofrer o gol, o Peixe passou a ficar com a bola e via a Raposa levar perigo explorando o lado esquerdo de sua defesa. Aos 25', Arrascaeta acertou a trave. Mas foi o Santos quem marcou, aos 42', em chute certeiro de Gabigol.

Mineirão se curvou à noite de Fábio
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

Na etapa final, o Cruzeiro levou perigo primeiro. Dedé carimbou o travessão, aos 9', após escanteio cobrado por Robinho. Aos 11', a jogada entre Arrascaeta, Barcos e Edilson terminou com Lucas Veríssimo salvando quase em cima da linha. Depois dos 20', no entanto, o time celeste abriu mão do jogo. Embora os espaços fossem negados, o Santos teve tempo para trabalhar a bola. Como no cruzamento de Rodrigo, que encontrou a cabeça de Bruno Henrique: virada, pênaltis e festa paulista.

Até o início das cobranças na noite cinematográfica de Fábio.
Cruzeiro na semi pelo terceiro ano seguido. De olho no hexa.

15/08/2018

Cruzeiro, Flamengo e o calendário da distorção

Vinícius Dias

Renato Gaúcho fechou o domingo afirmando que "quem muito quer, nada tem" e "uma hora a conta, no futebol, chega também", após a goleada do time reserva do Grêmio sobre o Vitória, em Porto Alegre, por 4 a 0. Dia que Mano Menezes abriu repetindo apenas três titulares da escalação do Cruzeiro que havia vencido o mesmo Flamengo, por 2 a 0, pelas oitavas de final da Libertadores - e perdeu por 1 a 0, quatro dias depois, pelo Campeonato Brasileiro. Porque vivemos o calendário da distorção.


De janeiro a abril, tomando Minas Gerais como exemplo, foram 82 dias reservados quase exclusivamente para os 16 jogos do estadual. Tempo demais para, quase sempre, se chegar ao mesmo resultado: dos últimos dez, Atlético e Cruzeiro venceram nove. Quando, enfim, o Brasileiro começou, 12 rodadas em 61 dias - intervalo inferior ao do estadual -, pausa para a Copa do Mundo e mais 26 partidas em 138 dias. Com Libertadores e Copa do Brasil chegando, simultaneamente, às fases decisivas.

Flamengo bateu a Raposa no domingo
(Créditos: Bruno Haddad/Cruzeiro E.C.)

A opção por mata-matas e curto prazo é óbvia no Brasil que valoriza mais resultados do que processos. Se o quarta-domingo-quarta significa menos qualidade no jogo, diante da pré-temporada de 14 dias, se aposta no risco - a premiação milionária da Copa do Brasil, o simbolismo e as consequências da conquista da Libertadores - pela possibilidade de lucro iminente. Mesmo quando o sucesso tem preço, como abrir mão do início da temporada seguinte ou da competição mais importante do país.

Dois times em um, Campeonato Brasileiro em terceiro plano.
A realidade no país do mata-mata e do calendário distorcido.

13/08/2018

André Figueiredo, ex-Galo, acerta com a Chape

Da Redação

Fora do mercado desde a saída do Atlético, em dezembro passado, André Figueiredo acertou nesse domingo com a Chapecoense. O ex-dirigente alvinegro assumirá a diretoria executiva de futebol do Verdão do Oeste catarinense, substituindo o recém-demitido Rui Costa. Com a vitória por 2 a 1 diante do Corinthians, na Arena Condá, a equipe subiu da 16ª para a 13ª colocação no Campeonato Brasileiro.

André Figueiredo: 13 anos de Atlético
(Créditos: Pedro Souza/Atlético-MG)

Zagueiro revelado pelo Atlético e com passagens por clubes como América, Villa Nova e Beira-Mar, de Portugal, André Figueiredo encerrou a carreira em 2002. Com a camisa do Galo, conquistou o estadual em 1991 e a Copa Conmebol em 1992. Fora das quatro linhas, iniciou a trajetória em 2004 como coordenador do departamento de observação, sendo responsável pela captação de atletas para as categorias de base.

Trajetória na Cidade do Galo

No Atlético, o dirigente também ocupou os cargos de gerente geral da base, diretor de futebol da base e auxiliar técnico do time profissional, além de superintendente de futebol profissional, no ano passado. A passagem pela superintendência, após a morte do então diretor Eduardo Maluf, foi marcada pela pressão nos bastidores e críticas da torcida. Com isso, o ex-zagueiro retornou à base e, meses depois, foi demitido.

11/08/2018

As derrotas do Galo e a falta de continuidade

Alisson Millo*

Na segunda-feira, de cabeça quente pela derrota - e ensopada pelo temporal -, em vez de dormir, cometi o erro de checar as redes sociais. Victor não pôde ser responsabilizado, Patric e Gabriel não entraram, e Elias não foi mal. Os alvos de sempre saíram impunes, então pior para Thiago Larghi que teve que carregar a culpa sozinho. Entre as publicações, o rótulo de 'aprendiz de treinador' e até pedidos de 'fora, Larghi'.


Claro, mexeu mal. Tirou Matheus Galdezani e Elias, abriu o time e, em mais um vacilo da defesa, mais três pontos ficaram para trás. Mas, por muito tempo, senti um prazer até meio sádico em usar esse espaço para cair matando em treinadores que passaram pelo Atlético. Sobrou para Levir Culpi e Diego Aguirre, que, pensando hoje com mais maturidade, fizeram um bom trabalho à frente do Galo, principalmente Levir. 

Atlético voltou a perder no Horto
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Agora, pelo menos por enquanto, vou usar o espaço para defender o atual treinador. 'Vendido, cruzeirense disfarçado, Brasileiro é obrigação, etc'. Para não sofrer com tais argumentos irrefutáveis, já os antecipei para poupar quem pensou em usá-los. Mas, primeiro, vamos aos erros de Larghi. Não existe defesa e paciência que justifiquem tantos gols bobos e falhas, principalmente nos minutos finais e/ou na bola parada. Os pontos perdidos contra Vasco, Palmeiras, Bahia, Internacional e mais algum que eu possa ter esquecido nos deixariam mais próximos de São Paulo e Flamengo.

O 'bom e barato' que não se paga

Minha defesa vai além de resultados. Claro, gostaria de vir aqui a cada 15 dias celebrar vitórias, elogiar Deus e o mundo, apontar o Atlético como o melhor time do Brasil. Mas, para um dia chegarmos ou voltarmos a esse patamar, o primeiro passo precisa ser dado. Uma mudança na mentalidade precisa acontecer. E não sou eu tentando ditar regras - quem sou eu. É um convite a uma análise um pouco mais aprofundada.

Sucesso de Ricardo Oliveira é exceção
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

No começo, a proposta da diretoria era um time bom e barato, austeridade. Quem me acompanha sabe que não comprei essa ideia - e, provavelmente, você também não. Mas fato é que veio uma barca de jogadores, quase todos emprestados, a maioria para o já saturado setor ofensivo. O legado se resume a Ricardo Oliveira, que nem é unanimidade. Roger Guedes foi muito bem no Brasileirão, mas viu o Galo mais como vitrine que qualquer outra coisa. Samuel Xavier e Arouca também já se foram, e Erik segue no elenco - peço perdão por lembrá-lo. Iago Maidana só agora está sendo testado, então ainda não é possível avaliar o primeiro reforço para a zaga.

Velho problema sem nova solução

Depois chegou Juninho e, com ele, aquela atuação desastrosa no Allianz Parque. O criticado Gabriel foi titular em boa parte da temporada, alternando com o também jovem Bremer e um fisicamente inconstante Léo Silva. Mesmo aos 39 anos, nosso capitão ainda é o melhor zagueiro do elenco. E isso diz muito sobre as outras opções. Mas, desde o ano passado, Bremer era tratado com perspectiva de venda, Gabriel era irregular e era sabido que não seria possível contar com Léo Silva em todos os jogos. Quem a diretoria esperava que fosse resolver o problema? Felipe Santana?

Galdezani ganha espaço no elenco
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

No início do ano, saíram Marcos Rocha e Carlos César. Chegaram Samuel Xavier e Emerson, que perderam na bola para Patric: encerrado o assunto lateral-direita. No lado esquerdo, a reserva de Fábio Santos ficou com Danilo Barcelos, que era nosso, foi emprestado, retornou por falta de opção e já saiu de novo por ter ido mal. Atualmente, contamos com os improvisados Juninho e Lucas Cândido, além de Hulk que, em sua segunda partida como profissional, foi vaiado quando se lesionou. Há duas semanas, destaquei a mudança de atitude necessária para a base revelar mais. Mas passava pelos torcedores e, pelo visto, tive pouco sucesso.

Entre o céu e o inferno, o 5º lugar

No meio-campo, Adilson e Gustavo Blanco se machucaram e não têm previsão de retorno. José Welison vem sendo uma grata surpresa, Matheus Galdezani está progredindo, mas os dois entregues ao DM eram titulares e pilares na solidez que o time tinha antes da parada para a Copa do Mundo. Mais à frente, Roger Guedes se foi, Otero também, e Cazares ficou por muito tempo em um limbo sem saber se sairia ou não.

Larghi manteve dois titulares pós-Copa
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Do jogo com o Ceará, o último pré-Copa, à derrota para o Internacional, sobraram Victor e Ricardo Oliveira. As duas extremidades do time titular. A queda de rendimento é inegável, mas passa muito pela falta de continuidade. Trocar o comando significaria ampliar o problema. Basta olhar o mercado. O América acertou na loteria com Adilson Batista, mas nada garante que o Atlético terá a mesma sorte. Larghi, que já foi tratado como grande achado, está longe de ser um Telê Santana, mas é preciso ter calma. O quinto lugar não é a liderança que experimentamos no início do Brasileirão, mas nem se aproxima dos prognósticos catastróficos de janeiro.

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
@amillo01 no Twitter, capitão da seção Fala, Atleticano!