21/10/2018

O novo 6x1: maior de Minas e da Copa do Brasil

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul!

Salve! Seis vezes salve. Confesso que a ficha ainda não caiu completamente. Conforme o Cruzeiro ia avançando as fases, eu sempre ia alimentando mais um pouquinho a esperança de ser campeão mais uma vez. Cada minuto de bola rolando nessa Copa do Brasil foi se transformando em um minuto de sonho que eu ia agregando às minhas noites, às vezes mal dormidas. Até os acréscimos do jogo de quarta-feira eu ainda estava perplexo, quase que atônito diante da iminência de levantar pela sexta vez, a segunda seguida, essa taça que tanto tem a cara do maior de Minas. Agora, isoladamente, o Cruzeiro é o maior campeão da Copa do Brasil e, de quebra, o time brasileiro com mais títulos nacionais no século XXI.


E se a Copa do Brasil tem o jeito do Cruzeiro, a recíproca é verdadeira. O Cruzeiro deste ano parece que foi forjado milimetricamente para essa conquista. Como quase tudo nessa vida, o resultado não é fruto de apenas uma variável. Muitos são os responsáveis pelo título, cada um com seu grau de importância em tempos e situações distintas. Como corneteiro assumindo que sou, não posso deixar de reconhecer o trabalho de cada um. A direção, por exemplo, que não raramente é alvo de críticas por minha parte quando da montagem dos elencos e do planejamento para as temporadas, acertou na medida certa em pontos cruciais. A manutenção de praticamente toda a equipe que havia sido penta no ano passado e de seu comandante, bem como a chegada de reforços pontuais como Edilson, Egídio e Barcos, especialmente, foi de suma importância. Ponto para essa nova gestão, que começa seu trabalho muito bem - pelo menos em termos de resultados.

Por falar em comandante, é preciso tirar o chapéu para Mano Menezes. Soube levar o elenco quase que ao limite em todas as fases do torneio, dando uma identidade única à equipe, unindo seu estilo defensivo a um aproveitamento muito bom das chances dadas pelos adversários. O time estava em sintonia perfeita com os pensamentos do treinador, muito obediente taticamente e surpreendentemente efetivo, em especial nas partidas fora de Belo Horizonte. A Raposa venceu todos os seus adversários longe de Minas Gerais e, apesar de alguns sustos desnecessários, segurou a barra em casa e foi eliminando-os um a um. Por fim, quando precisou dar início a um confronto como mandante, justamente na grande decisão, Mano foi mais uma vez perfeito em seu esquema e montou uma estratégia que nos permitiu um domínio quase que absoluto dos 180 minutos de batalha.

Seis vezes Cruzeiro: torcida festejou em SP
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

O grupo de jogadores esteve, como diriam os mais antigos, mais frio que o outro lado do travesseiro. Não consigo me recordar de nenhum momento em que os jogadores tenham aparentado nervosismo além do natural e falta de concentração. Seria injusto de minha parte escolher um ou dois nomes para realçar, mas é inevitável lembrar algumas situações. Fábio foi novamente fantástico. Os três pênaltis defendidos contra o Santos já seriam motivo suficiente para dar a ele boa parte dos créditos. Mas ele foi além. Leo e Dedé se mostraram muito sólidos. Uma dupla que está cada vez mais afinada e evolui constantemente. Egídio e Edilson, ainda que não jogando seu melhor futebol, deram a tranquilidade que faltava à defesa. Barcos foi fantástico nos jogos contra o Palmeiras. Queimou minha língua, inclusive. Arrascaeta saiu do Japão para encerrar o último ato da conquista em Itaquera. Enfim, é injusto de minha parte falar só de alguns nomes, mas saibam que todos estão de parabéns e fizeram um trabalho incrível. Todos. Sem exceção.

A torcida, nossa apaixonada torcida, deu seu já tradicional show dentro e fora de campo. Apoio e festa tanto em casa como em terreno adversário. A esperança de se tornar o maior campeão da Copa do Brasil estampada em cada rosto, resumida em cada gesto de fé, em cada grito de gol, transformada em realidade na explosão do apito final e da festa que tomou conta de Belo Horizonte e de Minas Gerais toda. Onde houver um cruzeirense nesse mundão, haverá um incurável sonhador, um inesgotável guerreiro, um inabalável torcedor. Durante esta conquista não foi diferente. Essa taça é para cada um dos milhões de cruzeirenses espalhados pelo planeta. Eu, ainda que more longe do centro desse universo tão maravilhoso, me sinto muito honrado, agradecido e feliz por fazer parte de mais essa página.

Força, Cruzeiro!

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!

17/10/2018

Cruzeiro: pela sexta página heroica e imortal

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul!

Meus amigos, estamos há um passo de levantar pela sexta vez a Copa do Brasil. Encontramo-nos literalmente a 90 minutos de segurar a taça com as duas mãos e podermos dizer: é nossa. É nossa não só porque, caso aconteça, seremos os campeões de 2018, mas também porque somos, sem sombra de dúvidas, o clube que mais se identifica com essa competição que sabe ser emocionante como poucas. A Copa já está em casa, tendo em vista que somos os atuais campeões. Temos a nobre e muito difícil tarefa de manter o caneco por mais um ano na Toca da Raposa.


Como o Cruzeiro e o cruzeirense amam essa competição! E não é só por agora estarmos em vias de disputar mais uma decisão. O torcedor celeste vive e transpira a Copa do Brasil sempre que as cores de nosso amado clube estão envolvidas na disputa. Todo cruzeirense apaixonado tem pelo menos uma boa história para contar sobre as memórias do torneio. Talvez alguns se lembrem, com sabor amargo nas palavras, dos insucessos, das conquistas que bateram na trave e das eliminações doloridas. Tudo isso faz parte da vida e não teria como ser diferente na trajetória de um clube.

Cruzeiro mira o hexa da Copa do Brasil
(Créditos: Cristiane Mattos/Light Press/Cruzeiro)

Tenho certeza, no entanto, de que os olhos do torcedor brilharão para falar sobre as nossas conquistas. Os mais vividos contarão sobre como Roberto Gaúcho foi buscar uma bola quase perdida na linha de fundo para, depois, mandar um cruzamento na cabeça de Cleison, que desempatou uma final encardida contra o Grêmio, em 1993, arrancando o grito de campeão da torcida que lotava o Mineirão e acompanhava o jogo nos quatro cantos do Brasil, acabando com 27 anos de jejum de títulos nacionais. Um fato memorável depois da terrível década de 1980.

Do Parque Antártica ao Mineirão

Com o primeiro título, o cruzeirense tomou gosto pela Copa e passou a desejá-la cada vez mais. Com o passar dos anos, vieram novas conquistas. Em 1996, veio o primeiro e único título comemorado fora de casa. Derrotamos o poderoso Palmeiras na grande final, com direito a virada no Parque Antártica depois de um empate no primeiro jogo. Em 2000, foi a vez de conquistarmos o nosso título mais sofrido. Pelo menos em termos de final. É praticamente impossível que algum dos amigos leitores ou dos demais milhões de felizardos em torcer pelo Maior de Minas não se lembre do gol de falta de Giovanni já no apagar das luzes, virando a partida contra o São Paulo, em Belo Horizonte, e garantindo o tricampeonato.

Raposa comemorou bi em São Paulo
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Arquivo)

Três anos depois, um dos maiores times que o futebol brasileiro já produziu deixou a vitória no primeiro jogo escapar aos 48' do segundo tempo, no Maracanã, mas não tomou conhecimento do Flamengo no confronto de volta. Em uma das partidas mais emblemáticas dos comandados de Vanderlei Luxemburgo, com três gols de cabeça ainda no primeiro tempo, o Cruzeiro não tomou conhecimento do adversário e os mais de 80 mil presentes no Gigante de Pampulha comemoraram nosso quarto troféu.

Do fim do jejum à luta pelo hexa

Passaram-se longos 14 anos. Nesse intervalo, tivemos grandes times. Vivemos o sonho em 2013 e 2014. Brigamos no topo em quase tudo o que disputamos. Mas a nossa tão íntima amiga se mostrava distante e insistia em não voltar aos nossos braços. No ano passado, contrariando quase todos os prognósticos, superamos excelentes equipes durante a campanha e, na decisão, vencemos o drama das penalidades máximas depois de dois empates com a bola rolando e conquistamos nosso penta diante do Flamengo. Agora, outra vez estamos na grande final, com uma pequena, mas importantíssima vantagem conquistada na semana passada.

Na ida, Cruzeiro fez a festa em casa
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

Tudo o que narrei até aqui, amigos, é história! Se, pela idade, tenho poucas memórias das primeiras conquistas, as mais recentes estão absolutamente vivas nas recordações e, em dias como hoje, vêm à tona a cada momento, me tiram o sono e me fazem ansiar quase que desesperadamente pelo novo título. Evidentemente, não será apenas mais um jogo. Um dia, se tudo der certo, a quarta-feira também será parte dessa pesquisa e estará junto com as demais vitórias. Por ora, guerreiros, é a história sendo escrita. É o futebol vivo, o Cruzeiro em toda a sua essência, corpo e alma em campo em busca de mais uma página heroica, imortal e inesquecível.

Força, Cruzeiro!
Nossos corações estarão todos em Itaquera, lutando com você.

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!

13/10/2018

Clássicos: Adilson tem 81% diante do Atlético

Vinícius Dias

Depois de 3.157 dias, Adilson Batista voltará à área técnica em um clássico mineiro. Neste domingo, o paranaense comandará o América diante do Atlético, na Arena Independência. E, no que depender do retrospecto diante do Galo, os torcedores alviverdes já têm motivos para comemorar. Nos 12 confrontos entre 2008 e 2010, sempre dirigindo o Cruzeiro, o treinador registrou 80,55% de aproveitamento.

Técnico perdeu apenas um de 12 jogos
(Créditos: Mourão Panda/América)

Sob o comando de Adilson Batista, o time celeste teve nove vitórias, dois empates e apenas uma derrota contra o Atlético. O retrospecto inclui a conquista dos estaduais de 2008 e 2009 - em ambos, a Raposa venceu o jogo de ida por 5 a 0, no Mineirão - e do Torneio de Verão, disputado no Uruguai. O único revés aconteceu às vésperas da final da Libertadores de 2009, com o Cruzeiro escalando reservas no Brasileirão.

Clássicos de Adilson Batista em Minas Gerais:

2008 - Atlético 0x0 Cruzeiro - Campeonato Mineiro
2008 - Atlético 0x5 Cruzeiro - Campeonato Mineiro
2008 - Cruzeiro 1x0 Atlético - Campeonato Mineiro
2008 - Cruzeiro 2x1 Atlético - Campeonato Brasileiro
2008 - Atlético 0x2 Cruzeiro - Campeonato Brasileiro
2009 - Cruzeiro 4x2 Atlético - Torneio de Verão/Uruguai
2009 - Cruzeiro 2x1 Atlético - Campeonato Mineiro
2009 - Cruzeiro 5x0 Atlético - Campeonato Mineiro
2009 - Atlético 1x1 Cruzeiro - Campeonato Mineiro
2009 - Cruzeiro 0x3 Atlético - Campeonato Brasileiro
2009 - Atlético 0x1 Cruzeiro - Campeonato Brasileiro
2010 - Atlético 1x3 Cruzeiro - Campeonato Mineiro

12/10/2018

Cruzeiro de TN30 convence, mas só vence

Vinícius Dias

Finalização de perna esquerda, cabeceando para fora no rebote de Cássio aos 18 minutos. Chute de direita, de fora da área, acertando a trave do Corinthians aos 34'. Gol de cabeça já nos acréscimos, completando cruzamento de Egídio - desfalque para a volta, mas mais uma vez muito bem na ida. Um resumo da noite perfeita de Thiago Neves, o dono do jogo no Mineirão. Placar mínimo com atuação máxima do Cruzeiro de Mano Menezes, negando espaços, produzindo muito e voltando a vencer em casa.


De volta a campo seis dias depois da eliminação na Libertadores diante do Boca Juniors, a Raposa começou buscando o ataque - quase sempre pela esquerda, embora a presença de Fagner transformasse o lado direito em ponto forte da defesa alvinegra - e pressionando, mas pecando na falta de velocidade. Acuado e sem que a transição funcionasse, o Corinthians se limitava a defender. Aos 39', antes de Thiago Neves explodir o Mineirão, Cássio ainda fez defesa milagrosa na cabeçada de Henrique.

Camisa 30 decidiu o duelo de ida
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

Na etapa final, o Cruzeiro voltou a levar perigo e a desperdiçar chances de ampliar o placar. Aos 17 minutos, Robinho cruzou, Barcos cabeceou e a bola morreu perto do gol de Cássio. Aos 29', foi a vez de Thiago Neves cruzar, Dedé ganhar pelo alto e quase marcar. À medida que o tempo passava, o time de Mano Menezes corria cada vez menos riscos, mas ainda assim ameaçava, enquanto os comandados de Jair Ventura ampliavam a posse, trocavam passes, mas não incomodavam o espectador Fábio.

Cruzeiro convenceu, mas só venceu na noite de Thiago Neves.
Favoritismo ampliado na decisão que já poderia ter terminado.