28/02/2014

Raça, fé, amor... e vitória!

Alisson Millo

Reza a lenda que "o Galo é o time da virada, o time do amor". Nenhum atleticano vai discordar. Várias vezes ouvi torcedores dizendo que não há problema no fato de um jogador ser ruim, desde que ele mostre raça no campo. E a máxima de que se não for sofrido, não é Atlético? Mas, tudo isso no mesmo jogo, não é assim tão comum.

Diante do Santa Fé, no Horto, ninguém esperava jogo fácil antes da bola rolar. Porém, quando Wilder Medina foi expulso, o cenário festivo parecia desenhado. Só parecia! Porque, aos 14 do segundo tempo, Omar Pérez acertou um belo chute, abrindo o placar depois de um erro cometido por Diego Tardelli.

Galo e Horto: parceria rumo ao bi
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Parecia que a 'vaca ia para o brejo', mas há jogador que tem estrela. Em seu primeiro toque na bola, Guilherme acertou passe primoroso para Jô, que marcou o gol de empate. Com o tento, o camisa 7 igualou-se a Guilherme - atacante que fez dupla com Marques - na condição de maior artilheiro da história do Atlético na Libertadores.

Com fome de vitória

Em busca da vitória, a postura era outra. Com uma raça incomum para quem acompanhou os jogos desse ano. Ronaldinho dando carrinho para tentar recuperar a bola no meio campo era a prova cabal disso. A equipe seguiu atacando, pressionando, até os 41' da etapa final. Marcos Rocha cobrou o famoso lateral direto na área - que, diga-se, nunca tinha dado resultado. Novamente não deu, porque ninguém cabeceou a bola. Mas ela quicou e sobrou para Neto Berola, tão criticado, mas também tão querido pela massa.

Neto Berola: herói ante o Santa Fé
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

O camisa 26 acertou um belo voleio que estufou as redes colombianas e garantiu a liderança isolada do Galo no grupo 4. Para os mais otimistas, coisa de campeão. Prefiro esperar, torcer. Mas é bem verdade que, desde São Victor, não duvido de mais nada.

27/02/2014

Supremacia dos visitantes

Gilvan Meireles

Com boas vitórias fora de casa do Real sobre o Schalke e do Borussia Dortmund sobre o Zenit, as partidas das oitavas de final da Liga dos Campeões trouxeram, dessa vez, resultados mais surpreendentes. Além do primeiro triunfo de um mandante, o Olympiacos, que bateu o Manchester United, houve ainda o primeiro empate, entre Galatasaray e Chelsea, no 'inferno' de Istambul.

LEIA MAIS: Sem surpresas, com goleada!

O clube merengue, comandado por Carlo Ancelloti, brilhou com seu trio ofensivo. Bale, Benzema, e ele, o melhor do "planeta", Cristiano Ronaldo, fizeram dois gols cada, gols grandiosos, diga-se de passagem. O Real foi melhor durante os 90 minutos e garantiu, sem ressalvas, uma vaga nas quartas-de-final. Líder do Espanhol, o time tem o segundo melhor ataque do mundo na temporada, e é favorito à conquista da Liga dos Campeões. Azar do Schalke, goleado em casa. O time alemão fez, ao menos, um belo gol de honra, com Huntelaar.

Real bateu o Schalke, na Alemanha
(Créditos: Club Schalke 04/Reprodução)

Virando a página, o embate entre Galatasaray e Chelsea, na Turquia, foi o mais equilibrado dessa fase. Os ingleses eram melhores desde o início do duelo e, logo aos 8 minutos, Fernando Torres anotou 1 a 0. O time azul criava boas oportunidades, porém pecava na hora de finalizar e perdia a chance de ampliar o placar. Bom para os turcos, que foram ao ataque e chegaram a marcar um gol ainda na etapa inicial. No entanto, o tento foi anulado pela arbitragem.

Empate em Istambul

Na segunda etapa, as equipes fizeram uma partida equilibrada. O Chelsea tentou pressionar, mas o time turco respondia aos ataques. Até que, em escanteio, aos 20 minutos, gol do zagueiro Chedjou. Seguiu assim até o último minuto. O clube de Londres joga em casa na volta, e é favorito. O confronto marcará o retorno de Drogba a Stamford Bridge, estádio onde marcou história pelo Chelsea.

Desfalcado, time alemão saiu à frente
(Créditos: Borussia Dortmund/Reprodução)

Na terça-feira houve dois embates. O Borussia Dortmund foi à Rússia enfrentar o Zenit, de Hulk. Apesar dos cinco desfalques no time titular, o clube alemão tinha Reus e Lewandowski. O que foi suficiente para fazer quatro gols nos azuis. O camisa 11 fez um, deu assistência para outros dois. Já o matador Lewandowski fez dois gols. Shatov e Hulk, de penâlti, descontaram para os russos.

'Presente' de grego

E a única vitória de um mandante na rodada veio justamente diante do (apático) Manchester United. Em Atenas, o Olympiacos fez um excelente resultado contra os Reds. 2 a 0, que mostraram bem o jogo. O time de David Moyes acertou apenas um chute no alvo durante a partida, e não conseguiu criar. Lento e preguiçoso o United se tornou presa fácil para o time grego na pífia temporada.

Olympiacos surpreendeu o United
(Créditos: Olympiacos CFP/Reprodução)

O time de Manchester aposta todas as fichas no torneio internacional, já que foi eliminado das duas copas locais, e na Premier League, está a 11 pontos da fase classificatória para a próxima Liga dos Campeões. Por isso, se for eliminado, não terá muito a fazer. O treinador leva a culpa, uma vez que, recém-chegado ao "dourado" posto de Ferguson, Moyes comanda a pior temporada do time em duas décadas.

A última cartada...

A partida de volta será a oportunidade de Moyes e sua trupe mostrarem serviço. A propósito, meu palpite é de que os clubes que saíram à frente vão avançar para as quartas de final. E, no desempate, o Chelsea vai se classificar ante o Galatasary, em Londres. De fato, certeza só assistindo. Que prossiga a Liga dos Campeões!

Goleada cinco estrelas

Douglas Zimmer

Salve, China Azul!

Com o gosto amargo da derrota e da presepada que ocorreu no Peru, no jogo válido pela primeira rodada da fase de grupos da Copa Libertadores, fomos todos ao Mineirão com sede de vitória para encarar os chilenos da Universidad. "Fomos todos" é um modo de dizer, porque, graças à TV, a partida acabou sendo marcada para o horário - no mínimo peculiar - das 17h30min.


Muitos gostariam de ter ido, mas ficaram impossibilitados por conta de compromissos adicionais - que para a grande maioria dos trabalhadores brasileiros, mineiros e belorizontinos ainda não terminariam nesse céu de meio de tarde. Contudo, quem não pôde ir ou assistir pela TV teve um prejuízo ainda maior, uma vez que esta foi a melhor exibição do Cruzeiro até então na temporada.

Ricardo Goulart: 'herói' ante a La U
(Créditos: Washington Alves/Light Press)

Mesmo com uns deslizes aqui, uma ou outra cochilada e desacelerada ali, a equipe celeste soube se impôr e ditou o ritmo (frenético e neurótico, por sinal) desde o começo do confronto. Entre os mais inspirados estiveram Dagoberto, Egídio e Ricardo Goulart. E foi por meio desses três jogadores que o Cruzeiro foi encontrando o caminho do gol.

Demorou... mas saiu

O primeiro gol demorou um tanto considerável para sair. Quando saiu, fez com que o torcedor tirasse dezenas de quilos de tensão dos ombros. Em bela jogada de Dagoberto, Goulart se esticou todo e mostrou a raça e o oportunismo que vinham lhe faltando no jogo e na temporada. Parecia ter acordado para a vida, e resolveu decidir a parada.

Willian marcou em vitória do Cruzeiro
(Créditos: Gualter Naves/Light Press/Textual)

Sem medo de ser feliz, o time de Marcelo Oliveira continuou fazendo o que mais sabe: atacar. E atacava como se precisasse de mais gols para virar uma partida já dada como perdida, e os encontrou com naturalidade. Fez mais dois ainda no primeiro tempo, e o placar já nos dava três tentos de vantagem quando o árbitro apitou o fim da etapa inicial. Festa, festa e a certeza de que os três pontos e a liderança do embolado grupo 6 seriam nossos.

Goleada no Mineirão

Mesmo assim, o Cruzeiro tirou o pé no segundo tempo, e deixou a La U descontar com Lorenzetti, o próprio. Mexida aqui e mexida ali, e a Raposa voltou à carga com mais dois gols antes do apito final. Ricardo Goulart, coroando o fim de noite com o triplete, e Willian deram números finais ao duelo de estreia do Cruzeiro no novo Mineirão nesta Libertadores. Bom presságio e bela apresentação da equipe que nos acostumamos a ver no último ano.

Vamos que vamos! É deixar o favoritismo de lado e ter, cada vez mais, a certeza de que o jogo do time celeste é para frente e sempre buscando a vitória.

Força, Cruzeiro!

22/02/2014

Os cinco artilheiros do milésimo

Vinícius Dias

Dia 08 de fevereiro, no estádio Fausto Alvim, em Araxá. Aos 27 minutos da etapa inicial, o árbitro assinala pênalti para o time da casa. Na cobrança feita por Túlio Maravilha, bola de um lado, goleiro do outro. Na sequência, festa. No placar, Araxá 1 x 0 Mamoré. Duas semanas após anotar o tento que diz ter sido o milésimo da carreira, Túlio, de 44 anos, volta a campo neste sábado. Às 17h, o Ganso vai receber o Nacional, de Uberaba, no Fausto Alvim.

Depois de atingir a sonhada marca, o goleador agora tenta superar o ex-vascaíno Romário, que marcou 1.003 vezes entre 1985 e 2009. Atinja este objetivo ou não, o folclórico jogador do Araxá já registrou seu nome no seleto - e não menos controverso - clube dos artilheiros que chegaram à marca dos 1.000 gols.

Túlio: pelo Araxá, seu 29º clube, o gol 1.000
(Créditos: Willian Tardelli/Fotojornalismo em Araxá)

Além de Túlio e Romário, a lista ainda tem os brasileiros Pelé e Arthur Friedenreich, dono da trajetória mais polêmica, e o húngaro Férenc Puskas, que atuou entre 1940 e 1960.

Friedenreich - 1.329 gols

De modo extraoficial, Arthur 'El Tigre' Friedenreich é o maior artilheiro da história do futebol. Reza a lenda que o centroavante, com passagens por clubes como Flamengo, Santos e Internacional, teria marcado 1.329 gols entre as décadas de 1910 e 1930. O número, que chegou a ser tratado como oficial no século XIX, é marcado por polêmicas. Hoje, as estatísticas limitam seus feitos a 568 gols.

Pelé - 1.282 gols

Foi na noite de 19 de novembro de 1969 que Pelé balançou as redes pela milésima vez. O adversário era o Vasco, no Maracanã, em jogo válido pelo Torneio Roberto Gomes Pedrosa. Considerado 'Rei' do futebol, o santista marcou de pênalti, aos 33 minutos do segundo tempo. No currículo, ele registra, além dos 1.281 gols, três conquistas de Copa do Mundo e dois títulos mundiais pelo Santos.

Férenc Puskas - 1.176 gols

Principal nome da história do futebol húngaro, o atacante foi também um dos grandes ídolos do Real Madrid. Na carreira, o major Puskas carrega a curiosidade de ter disputado duas Copas do Mundo por países diferentes. Pela Hungria, em 1954, e pela Espanha, em 1962. Embora oficialmente sejam reconhecidos somente 766 gols, ele teria, na prática, marcado 1.176 tentos entre 1943 e 1966.

Romário - 1.003 gols

Assim como Túlio e Pelé, Romário chegou ao sonhado gol 1.000 em uma cobrança de pênalti. O camisa 11, que atuou de 1985 a 2009, alcançou o feito em 2007, diante do Sport, em São Januário. A comemoração levou o artilheiro, ícone do tetra em 1994, às lágrimas. Ele ainda teve direito a volta olímpica, abraço na mãe, e foi aplaudido de pé ao ser substituído, aos 40 minutos da etapa final.

20/02/2014

Sem surpresas, com goleada

Gilvan Meireles

A Liga dos Campeões voltou. E já nos quatro primeiros jogos, três dos confrontos mais esperados da fase de oitavas de final. O embate entre Manchester City e Barcelona prometia ser o mais equilibrado da rodada. O time de Manchester, dono do melhor ataque da Inglaterra, demonstrava bom futebol e parecia capaz de surpreender o time catalão. Na prática, o clubes adotou proposta pouco ameaçadora e muito recuada, deixando os visitantes darem as cartas.

O Barça agradeceu. Teve maior posse de bola, como gosta. Atacou com mais perigo, e jogou grande parte do segundo tempo com um homem a mais. Um prato cheio para Lionel Messi e companhia. De pênalti, o gênio argentino fez 1 a 0, aos nove minutos da etapa final. Ao fim da noite, com o City cansado e já desacreditado, Daniel Alves, após jogada com Neymar, carimbou mais um, colocando sua equipe mais próxima da vaga para as quartas de final.

Em Manchester, Barça bateu o City
(Créditos: Miguel Ruiz/FCB/Divulgação)

O segundo embate mais aguardado também aconteceu na Inglaterra. O Arsenal recebeu o Bayern de Munique, atual campeão. Antes da partida, falava-se da boa temporada do Arsenal, que segue na disputa do título inglês desta temporada. Mas foi realmente pouco perante a força alemã. Ainda mais após o pênalti perdido por Mesut Ozil e a expulsão do goleiro Szczensy. Tony Kroos e Thomas Muller fizeram 2 a 0 para o time alemão, que, assim como o Barcelona, praticamente confirmou a passagem para a próxima fase do torneio.

Atlético vence o Milan

Dos outros embates, o que previa maior equilíbrio era Milan x Atlético de Madrid. Mesmo em casa, e com Kaká e Balotelli, o clube italiano não teve forças para abrir o marcador. O rubro negro não contava com jogadores importantes como El Shaarawy e Honda, e não conseguiu fazer frente ao Atlético, que vive excelente fase. Diego Costa, o homem-gol do clube de Madrid, marcou, garantindo o placar de 1 a 0. O Atlético encaminha bem, mas o Milan segue com chances.

Em Milão, o Atlético levou a melhor
(Créditos: Ángel Gutiérrez/Atlético de Madrid)

Após comentar os três jogos mais equilibrados da semana, agora falo do, acredito, duelo mais desigual das oitavas. O PSG, de Ibrahimovic e Lucas, era favoritíssimo diante do Bayer Leverkusen, embora a partida fosse na Alemanha. Não podíamos cravar que seria tão fácil. 4 a 0, isso mesmo. E com dois de Ibra, o artilheiro da Liga dos Campeões - que já marcou dez gols até o momento.

Próximos confrontos

Na próxima semana, outros quatro duelos fecham a rodada de ida das oitavas de final. Na terça-feira tem sessão dupla, com Zenit x Borussia Dortmund e Olympiacos x Manchester United. Na quarta, Galatasaray x Chelsea, no reencontro de Drogba com o ex-time, e, para fechar, Schalke 04 x Real Madrid.

17/02/2014

Muitas faltas, pouco futebol

Vinícius Dias

De um lado, o atual campeão da Libertadores. Do outro, o tricampeão brasileiro. A expectativa tratava de um clássico em alto nível - e balizado pela técnica de Ronaldinho Gaúcho e Éverton Ribeiro. Os mais de 18 mil presentes no estádio assistiram, contudo, a um embate em que sobrou vontade, mas faltaram gols. Nas três vezes em que a bola balançou as redes - duas com Ricardo Goulart e outra com Jô - os lances foram bem anulados.

De resto, uma arbitragem fraca. Igor Benevenuto distribuiu oito cartões amarelos, anotou 56 faltas, travou o jogo. Que começou com a Raposa, sem se intimidar com a torcida do rival, dando as primeiras cartadas. Pelo lado esquerdo, com Ceará e Dagoberto, a equipe celeste buscava o dois contra um, para explorar as costas do argentino Dátolo, improvisado na lateral-esquerda.

Clássico mineiro terminou em 0 a 0
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

O Atlético respondia. Ora na bola parada de Ronaldinho Gaúcho. Ora na agilidade de Fernandinho, que tinha em sua companhia o pouco inspirado Diego Tardelli. O duelo, no entanto, se concentrava no meio-campo e, de lado a lado, as defesas se impunham aos ataques. Reflexo das mudanças táticas promovidas por Marcelo Oliveira no Cruzeiro, e do Galo 2014 - de cara e comando novos.

Galo de cara nova...

Ao contrário de Cuca, Autuori aposta nas trocas de passes, na transição defesa-meio-ataque, sem as ligações zaga-Jô, marca (de sucesso) da era Cuca. A mudança requer treinamentos, adaptação, uma nova cultura. Os laterais avançam menos. Os volantes, que antes apenas destruíam, agora iniciam a etapa de criação. Josué, por exemplo, tem sentido dificuldades. Maus resultados são naturais. E, talvez, o estadual seja a única hora em que é possível errar.

Rodrigo Souza: a 'sombra' de R10
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Do lado celeste, sem Lucas Silva e Nilton, Marcelo Oliveira teve um meio-campo de maior marcação. Rodrigo Souza foi a surpresa, muito bem na marcação de Ronaldinho. No ataque, Marcelo Moreno, mal diante do Real Garcilaso, acabou barrado. Com Ricardo Goulart, sobrou movimentação e posse de bola, mas faltou presença na área do rival, facilitando o trabalho da zaga atleticana.

Lições de lado a lado

Aquém das expectativas, o confronto teve mais faltas que futebol. Para o Cruzeiro, vale o alento de ter, com a bola nos pés - 55% contra 45% -, segurado o rival, que costuma ser letal no Horto. Para o time alvinegro, o empate contra o atual campeão brasileiro é prova, ainda que mínima, de adaptação ao estilo Autuori.

16/02/2014


Na segunda temporada como profissional, volante sonha com
sucesso no Galo e visa seleção brasileira e carreira na Europa

Vinícius Dias

O belo gol marcado frente ao Flamengo, na quarta partida como titular do Atlético, era o cartão de visitas do volante Lucas Cândido com a camisa alvinegra. Coroado com o título da Taça Libertadores, o ano de 2013 foi especial para o jogador, que, apesar de improvisado na lateral-esquerda, terminou a temporada como titular. "Com a ajuda dos companheiros de elenco e do técnico Cuca, eu consegui me adaptar tranquilamente", diz a promessa atleticana.

Lucas: sucesso no Galo, por seleção
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Para este ano, seus planos tratam da evolução sob o comando de Paulo Autuori. Não importa se no meio-campo ou na lateral, ele se diz pronto. "Minha preferência é sempre estar entre os titulares do Atlético", pontua. Ciente da pressão e da responsabilidade, ele projeta um 2014 de títulos e afirmação para, depois, seguir em busca de seus dois maiores objetivos: "chegar à seleção brasileira e um dia jogar em um grande clube europeu", revela o camisa 14.

Você fez 17 jogos em 2013 e, ao fim da temporada, emplacou uma sequência de nove partidas como titular. Qual é a sua avaliação do ano de estreia nos profissionais? Qual você considera ter sido sua principal dificuldade?

Foi um ótimo ano, graças a Deus, por ter subido ao elenco profissional e ter tido a chance de ser campeão da Libertadores e disputado o Mundial de Clubes como titular. A minha maior dificuldade foi a adaptação ao time profissional, mas com a ajuda dos companheiros de elenco e do técnico Cuca eu consegui me adaptar tranquilamente.

A saída do Cuca, dando lugar ao Paulo Autuori, traz para o clube uma nova filosofia de trabalho. Em que medida você acredita que essa mudança possa beneficiar (ou atrapalhar) sua evolução como profissional?

Acredito que só tem a melhorar a minha evolução dentro do clube. O professor Autuori é um grande treinador, com experiência dentro e fora do país, e muitos títulos importantes no currículo. Tenho certeza de que ele vai passar sua experiência para nós, atletas.

Na base, você chamou a atenção como volante. Na seleção sub-20, você foi convocado como lateral-esquerdo, setor em que concluiu a temporada passada. Qual é, de fato, a sua preferência? De alguma forma, você pensa que a indefinição te prejudica? Ou a polivalência representa uma vantagem?

Minha preferência é sempre estar entre os titulares do Atlético. Eu fui criado como volante, e gostaria de atuar mais nessa posição, mas, se o professor pedir, eu atuo na lateral-esquerda sem problema nenhum. A indefinição não atrapalha, pois treino todos os dias para estar pronto para qualquer hora e momento que precisar. Ser polivalente ajuda muito, hoje, no futebol moderno. Saber jogar em várias posições é muito bom, para sempre estar entre os titulares.

Neymar e Oscar são atletas que, depois de 'brilharem' pela seleção sub-20, fazem sucesso na Europa e na seleção principal. De algum modo, a carreira desses jogadores e, mesmo, do Bernard, seu ex-companheiro, te influencia?

Com certeza, sim. São grandes jogadores, que hoje brilham na seleção brasileira e devem estar na Copa do Mundo neste ano. Eles tiveram a oportunidade de serem campeões pelas divisões de base da seleção e, hoje, são titulares de suas equipes na Europa. Se Deus quiser, vou me firmar com a camisa do Atlético, ganhar títulos, chegar à seleção brasileira e um dia jogar em um grande clube europeu.

Da equipe que encerrou o último ano como titular, apenas você e Marcos Rocha foram criados nas categorias de base do clube. Até que ponto isso traz um peso maior, e até que ponto já conhecer a estrutura facilita o trabalho?

Nós, que viemos da base do Atlético, sofremos uma pressão muito grande por parte dos torcedores, pois fomos criados desde pequenos aqui no Galo. Ajuda muito conhecer a estrutura do clube, os profissionais e estar bem adaptado ao ambiente. Quanto à pressão da torcida, temos que aprender a conviver com ela.

Ainda aos 19 anos, você viveu emoções muito distintas durante o Mundial. Primeiro, com a confirmação de que seria titular, embora fora da posição de origem e, a seguir, com a eliminação prematura frente ao Raja Casablanca. Qual a grande lição que pode ser tirada daquela derrota?

Entramos em todos os jogos para vencer e conquistar títulos, mas nem sempre é possível. Mas, quando perdemos, temos que refletir no que erramos e consertar para as partidas futuras. Nesse ano temos a chance de novo de conquistar a Libertadores e, consequentemente, chegar ao Mundial de Clubes no final da temporada. Então vamos trabalhar duro e consciente para evitar os erros do ano passado.

Clássico dos campeões...

Alexandre Oliveira

Já dizia o sábio: "clássico é clássico e vice-versa". Esse ditado, apesar de antigo, descreve bem o duelo de hoje, entre Atlético e Cruzeiro. Com as atenções voltadas para a disputa da Libertadores da América, os rivais se enfrentam pela 5ª rodada do Campeonato Mineiro, a partir das 16h, no Independência. Afinal, no reencontro entre os atuais campeões da Copa Libertadores e do Brasileiro, a partida vale muito mais que os pontos em disputa no gramado.


A equipe celeste vem de derrota para o Real Garcilaso, em jogo bastante polêmico, por conta de atos racistas da torcida peruana contra o volante Tinga. Os atos provocaram uma grande comoção em defesa do jogador cruzeirense, que se disse bastante chateado pela atitude dos peruanos. Mas, por hora, é melhor para o time celeste esquecer esse episódio e se concentrar no clássico. Afinal, uma vitória pode reacender a confiança da equipe e do torcedor.

Em 2013, Atlético levou a melhor
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Parte da torcida celeste esperava uma vitória relativamente fácil contra o Real Garcilaso, que, de fato, não tem uma equipe muito forte. Contudo, devemos respeitar a altitude de 3.200 metros, que prejudicou, de forma visível, o desempenho dos atletas.

Ausência no meio-campo

A altitude ainda incomoda a equipe do técnico Marcelo Oliveira. Além de Borges e Nilton, que seguem fora, o Cruzeiro deve perder o jovem meio-campista Lucas Silva, que sentiu o desgaste do duelo de quarta-feira. O volante Rodrigo Souza é o mais cotado para iniciar a partida como titular. Com boa estatura, ele pode ajudar a conter a bola aérea, um dos pontos fortes do time adversário.

Rodrigo Souza pode ser a novidade
(
Créditos: Washington Alves/Light Press)

Já para o Atlético, o jogo pode servir para o time reconquistar a confiança dos torcedores. Mesmo após a vitória frente ao Zamora, da Venezuela, os atleticanos não se convenceram com o futebol apresentado pela equipe do treinador Paulo Autuori, que tem somado maus resultados e desconfiança neste início de trabalho.

Argentino faz estreia...

Paulo Autuori vai com força máxima para o clássico deste domingo, a não ser pela ausência do capitão Réver, ainda sem condição de jogo. Por isso, Otamendi ganha a sua primeira chance com a camisa alvinegra, e poderá mostrar à torcida o bom futebol que o levou à seleção argentina e o fez titular do Porto, de Portugal. O clássico também marcará o reencontro de R10 com a massa atleticana. 

R10 reencontra a massa no Horto
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Ronaldinho Gaúcho teve noite apagada contra o Zamora, mas foi decisivo no final, ao cobrar escanteio para o gol de cabeça de Jô. Nesta tarde, os atleticanos terão a chance de rever o ídolo, já que apenas os torcedores mandantes estarão na Arena.

Maior de Minas - do país

Além dos três pontos, esse clássico vale, sobretudo, a superação. Mesmo sem um objetivo "maior" em jogo, os dois times vão buscar a vitória, a qualquer custo. Afinal, esse é o maior clássico de Minas Gerais e, por que não, do Brasil!

15/02/2014


Além das 32 seleções que disputam a Copa de 2014, jogo tem
novidades, como o Mineirão, representado pela primeira vez

Alexandre Oliveira

Já vivendo o clima de Copa do Mundo, a EA Sports confirmou na última semana que lançará o game oficial da edição de 2014. De acordo com a previsão, Fifa World Cup 2014 será disponibilizado para as plataformas Playstation 3 e Xbox 360, a partir de abril.


Com todas as 32 seleções classificadas para a Copa, além dos países que disputaram as Eliminatórias mundo afora, o jogo oficial tem, ao todo, 203 equipes. São mais de sete mil atletas, 19 técnicos e 21 novos estádios, incluindo as 12 arenas brasileiras que vão sediar as partidas da Copa do Mundo.

Mineirão: estádio será novidade no game
(Créditos: Fifa World Cup 2014/Reprodução)

Palco do título da Libertadores do Atlético e da trajetória vencedora do Cruzeiro no Brasileiro de 2013, o Mineirão foi registrado na franquia pela primeira vez. Fato que animou os aficionados pelo game, em especial os torcedores mineiros. A narração das partidas será de Tiago Leifert, com comentários de Caio Ribeiro.

Jogabilidade mantida

A produtora divulgou trailer confirmando a versão especial do jogo para a Copa do Mundo, o que acontece desde França/1998. As opções online de jogabilidade permaneceram nessa versão do game. Outro modo de jogo que se destaca é o "Road to Fifa World Cup". Por meio dele, o jogador pode levar sua seleção desde as Eliminatórias, até a decisão da Copa do Mundo, no Maracanã.

Mantendo a base de jogabilidade do Fifa 14, Fifa World Cup 2014 não será lançado para Playstation 4, Xbox One e PC. A EA Sports objetiva atingir o maior número possível de jogadores durante o Mundial, principalmente no Brasil, onde a maior parte do público utiliza as plataformas Playstation 3 e Xbox 360.

Confira o trailler:

14/02/2014

Caso de altitude... e atitude!

Vinícius Dias

A mensagem da presidente Dilma Rousseff, aliada às manifestações de craques como Sorín e Alex, e ao apoio do "rival" Alexandre Kalil deram a certeza de que o enredo da estreia celeste na Libertadores ultrapassou as quatro linhas. Bem mais que a boa atuação do Real Garcilaso e o fato de o Cruzeiro ter sucumbido à altitude, o racismo traduzido a cada vez que a bola encontrava os pés do volante Tinga ganhou o mundo.

Ainda no século passado, o sul-africano Nelson Mandela, ícone da luta contra o preconceito racial, afirmava depositar as últimas esperanças nos esportes. "Eles têm poder para mudar o mundo. Poder para unir as pessoas como poucas coisas conseguem", afirmou. De fato, sob a bandeira da inclusão, o futebol - em especial - confirma a cada dia sua capacidade de congregar povos e classes sociais.


No Brasil, onde se tornou marca da identidade nacional, o esporte tem representado, mesmo além dos 90 minutos, uma rara oportunidade de ascensão social, um raro círculo em que o diferente tem vez (e voz) para tentar a própria sorte. Os signos, assim representados, se confundem com a trajetória do gaúcho Paulo César Fonseca do Nascimento.

No currículo, os títulos

Duas Copas do Brasil, duas Taças Libertadores e um título brasileiro. As várias batalhas superadas e as gotas de suor derramadas nos gramados credenciam Tinga a ser o grato exemplo do homem, de família humilde, que transformou obstáculos em degraus para o sucesso. 

Tinga: volante foi vítima de racismo
(Créditos: Washington Alves/Vipcomm)

Na contramão, as cenas de racismo levam à indignação. O preconceito, que agora vitima o meia cruzeirense, ora mirou Vagner Love, Roberto Carlos, Robinho, Júlio Baptista, Dedé. E, de forma velada, acomete dezenas de cidadãos a cada minuto, nos mais longínquos cenários. O comportamento asqueroso, herdado dos anais da escravidão, torna o diferente indigno de respeito.

Desrespeito à história!

Que, além de punido, o exemplo peruano seja combatido. O desrespeito a Tinga foi ainda um golpe - duro, diga-se - contra a história do Brasil. De Pelé, Dida, Lêonidas da Silva e tantos Paulos, Cézares, negros que nem mesmo na tentativa de bradar por piedade contaram com o olhar generoso da história, a serviço dos vitoriosos.

Que a noite de derrota na altitude tenha, na linha do tempo, a marca da vitória da atitude na batalha diante do preconceito. Caso contrário, Tinga terá motivo para manter a triste proposta de trocar seus diversos títulos pelo "simples" direito (que já deveria ter) de ser respeitado enquanto faz seu trabalho.

12/02/2014

Libertadores, ser tricampeão!

Douglas Zimmer

Salve, China Azul!

Estou nervoso. Nervoso pra caramba. Apesar de não estar aparentando muito, a ansiedade dentro de mim, somada à proximidade da partida de estreia do Cruzeiro na Libertadores da América de 2014, ao mesmo tempo em que parece que a hora não chega nunca, me deixa nervoso. Muito nervoso. Mas não é um nervosismo temerário. Não estou preocupado com o desempenho da equipe, por ora.


O nervosismo que toma conta de mim é justamente por eu, assim como todos os outros cruzeirenses, saber como é bom e quanto respeito essa competição merece. Chegar dizendo que somos favoritos ou que a nossa história e camisa bastam não é do nosso feitio. Tal qual um apaixonado rapaz fica com as mãos úmidas e a barriga fria ao reencontrar sua amada depois de um tempo, o desejo de sentir as emoções às quais já estamos acostumados torna a Libertadores especial.

Exército celeste inicia a busca pelo tri
(Créditos: Gualter Naves/Light Press/Textual)

Parte desse nervosismo vai me deixar nesta quarta-feira, quando o 'Maior de Minas' entrar em campo pela rodada de abertura da fase de grupos da LA'14. Os guerreiros e a comissão técnica já estão no Peru, onde vamos enfrentar o Real Garcilaso, às 22h, na cidade de Huancayo.

Aposta no entrosamento

Sem que haja grandes mudanças se compararmos com a equipe campeã nacional há dois meses, o Cruzeiro é o favorito para o confronto e precisa fazer valer essa condição, independente da altitude que vai enfrentar. As únicas peças efetivamente diferentes serão Souza no lugar de Nilton e, possivelmente, Willian ou Marcelo Moreno na vaga de Borges, lesionado. Nas demais posições, o time se manteve e ainda ganhou boas opções para a reposição - já que os reservas, quando solicitados, têm mostrado muita competência.

Entrosamento é a arma do Cruzeiro
(Créditos: Washington Alves/Light Press)

Nosso adversário é o clube mais jovem dessa edição, com apenas quatro anos de fundação, e ainda não atuou na temporada. Seu desempenho é, para muitos, uma incógnita. Como todo clube que manda seus jogos na altitude, o ar rarefeito é o principal trunfo. Além disso, os mandantes não são, de fato, os donos da casa. O Real Garcilaso vem mandando os jogos em Huancayo devido às reformas que estão sendo feitas em seu estádio, em Cuzco, capital do país.

Aguenta coração!
Boa Libertadores para todos nós!

11/02/2014

Lutar, lutar, lutar... pelo bi

Ricardo Diniz

Na noite desta terça-feira, dia 11 de fevereiro, o Atlético inicia diante do Zamora, na Venezuela, sua campanha na Copa Libertadores em 2014. O time alvinegro sonha em manter a hegemonia continental, iniciada com a conquista do título de 2013.


Com a base do grupo mantida, o Galo ainda tenta reencontrar o futebol apresentado durante o torneio sul-americano passado, mas que faltou no segundo semestre e, em especial, no Mundial de Clubes, quando o clube sequer foi à final do torneio. Após a saída de Cuca, o comando do Galo passou a ser de Paulo Autuori, que coincidentemente também substituiu Cuca no São Paulo em 2005, quando comemorou as conquistas da Copa Libertadores e do Mundial.

Cuca por Autuori: déjà vu de títulos?
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Sem o zagueiro Emerson, lesionado, e ainda sem poder contar com os recém-contratados Edcarlos e Nicolás Otamendi, o treinador comemora o retorno do capitão Réver, que se recuperou de uma lesão no tornozelo e está confirmado ao lado de Leonardo Silva. Além do camisa 4, a volta do craque Ronaldinho Gaúcho, que fará sua estreia nesta temporada, será a novidade na Venezuela.

Turnê pela América

Atual campeão do torneio, o Atlético está no grupo 4, que também conta com Zamora, da Venezuela, Nacional, do Paraguai, e Independente Santa Fé, da Colômbia, equipe que enfrentou o Galo na Copa Sul-Americana em 2010. Os colombianos chegaram às semifinais da Libertadores de 2013, e foram eliminados pelo Olimpia, do Paraguai.

Galo sonha reviver alegrias de 2013
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

A tendência é de que o Galo entre em campo com a mesma formação do duelo contra o Tombense pelo Campeonato Mineiro, com a modificação na zaga e a volta de R10. O jogo, que dá inicio ao sonho do bi continental, será disputado em Barinas, às 22h15.