26/03/2014

A força (negativa) do apito

Vinícius Dias

Na segunda-feira, a ótima noite de Lionel Messi e o fracasso de Cristiano Ronaldo estiveram lado a lado com a (desastrosa) arbitragem de Undiano Mallenco nas páginas dos jornais da Espanha. A marcação de três pênaltis duvidosos e, após um dos lances, a expulsão de Sérgio Ramos tornaram Mallenco personagem-chave na vitória do Barcelona ante o Real, por 4 a 3, no último domingo.

Na edição de terça-feira, o diário Marca destacou: "Cuatro errores de bulto de Ayza". A manchete fez referência à péssima arbitragem de Ayza Gámez na vitória do Almería frente à Real Sociedad, por 4 a 3, na 29ª rodada do Campeonato Espanhol. Uma falta "transformada" em pênalti. Dois outros, inexistentes, assinalados. E um gol, válido, anulado. Clara interferência no placar final.

Abaixo, zagueiro dá condição ao ataque
(Créditos: Canal Youtube/Reprodução)

Com menor destaque, é verdade, a imprensa inglesa estampou, ainda no sábado, um erro indefensável de Andre Marriner em Chelsea x Arsenal. Ao marcar o pênalti (existente, diga-se) que deu aos Blues o segundo gol na histórica goleada por 6 a 0, Marriner expulsou o lateral Gibbs. Porém, no lance, é Chamberlain quem usa a mão para evitar o gol e, portanto, quem deveria receber o vermelho.

Erros aqui... e acolá!

Mais uma rodada de erros. De liderança perdida na Espanha, de inocente-culpado na Inglaterra - que fala em introduzir mais um árbitro, dedicado à análise de replays - e de reclamações em Minas, onde a cúpula do América reclama da arbitragem de Cleisson Veloso no clássico contra o Atlético. Os erros são humanos e, ao contrário do pensamento de muitos, não afetam somente os brasileiros.

Gibbs faz pênalti, Chamberlain é expulso
(Créditos: Canal Youtube/Reprodução)

Profissionalizar pode ser meio de melhorar o planejamento e aumentar as receitas dos árbitros - no Brasil, por exemplo, paga-se até R$ 3,5 mil por jogo -, mas não é solução. Na Espanha, a atividade prevê um salário-fixo estimado em 15 mil euros, pagamento de direitos de imagem, além de 3,5 mil euros por duelo. E eles erram. Na Inglaterra, exemplo de gestão, entre salários, bônus por jogo/performance, o árbitro pode faturar 20 mil euros por mês. E somam-se os erros.

Tecnologia: a solução

Como bem afirmou o presidente da Liga de Clubes de Portugal - por lá, os árbitros recebem até 5 mil euros/mês -, em outubro, o problema não está na não profissionalização, mas na gestão. No lugar de comentar os erros, é possível, a reboque de outros esportes, pensar em tecnologia no futebol. Em replays, chips. Nesse caso, os jogadores poderão, enfim, reassumir o protagonismo.

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