27/11/2016

O papel do Cruzeiro no calvário do Inter

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul!

O Cruzeiro falhou miseravelmente em todas as chances que teve de ser protagonista nesta temporada. Não conseguiu avançar à segunda fase da Primeira Liga; não conseguiu passar das semifinais de estadual e Copa do Brasil; e penou até agora no Campeonato Brasileiro, não aparecendo na primeira metade da tabela em nenhuma rodada. Mas quis o destino - ou chamem como melhor lhes parecer - que, quase no apagar das luzes do teatro, a Raposa possa, uma vez que não se saiu bem como personagem principal, assumir o papel de coadjuvante de uma tragédia.


Que fique claro, de antemão, que sou totalmente contra o comodismo de achar que o fato de não ser rebaixado deva ser festejado e, também, que não é do meu feitio comemorar a derrocada dos outros. O Cruzeiro é bem maior do que isso e nós, torcedores, devemos pensar assim. Porém, o ano está no fim e o que nos resta é fechar essa participação da melhor forma possível, sabendo que precisamos melhorar muito, mas muito mesmo, se pretendemos almejar posições de destaque, e não somente alguns poucos momentos de destaque.

Rafael Sóbis: de ídolo a algoz colorado?
(Créditos: Pedro Vilela/Light Press/Cruzeiro)

Nesta cena, o Cruzeiro pode assumir a condição de algoz do Internacional, caso o derrote neste domingo, no Beira-Rio. Essa situação, é claro, reflete outras tantas que levaram o clube gaúcho à nada agradável posição. No entanto, será a última chance de o time buscar diante de sua torcida um fôlego que parece não existir. Caso o pior - para eles - aconteça, a camisa azul será lembrada como veste do coveiro que jogou a última pá de cal na cova em que será sepultado um dos seus estandartes: a insígnia de ser um dos poucos jamais rebaixados.

Jogar pela própria história

Sou da modesta e, talvez polêmica, opinião de que chegará o dia em que todos os clubes, sem exceção, terão o orgulho ferido com a dor da queda. Espero estar errado. Se antes de começar o Campeonato Brasileiro há 12 candidatos ao título, ao longo da disputa é formada quase outra dúzia de ameaçados. Só neste ano, além do Inter, São Paulo e Cruzeiro correram riscos. Ou seja, dos cinco jamais rebaixados - Flamengo e Santos fecham a lista -, três conviveram ou convivem com a ameaça.

No 1º turno, vitória do Cruzeiro: 4 a 2
(Créditos: Pedro Vilela/Light Press/Cruzeiro)

Então, sem que haja algo pessoal - apesar de 1975 seguir entalado na garganta dos cruzeirenses - contra o colorado ou qualquer outro clube, espero que, estando ao alcance, o Cruzeiro faça seu melhor e não meça esforços para minguar esse rol de clubes que continuam sem conhecer a divisão inferior e reafirmar a própria história.

Já é hora de planejar 2017

Mas vale lembrar: ficar ano após ano disputando o torneio apenas com a preocupação de não ser rebaixado é inadmissível. Sei que não passa pela cabeça do amigo leitor se acostumar com essa situação e que a diretoria também não se satisfaz com esse prêmio de consolação. Portanto, foco em 2017, mas não sem antes terminar da melhor maneira possível esse nosso confuso 2016.

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!

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