27/01/2017


Pioneiro e consagrado no futebol ucraniano, atacante volta a Minas
Gerais almejando fazer história: 'Plenas chances de chegar às finais'

Vinícius Dias

Quarta-feira, 13 de fevereiro de 2002. Recém-chegado do Iraty, Brandão estreia como titular do São Caetano ante o Alianza Lima, do Peru. Em 70 minutos, o atacante, de 21 anos, anota dois gols na vitória por 4 a 0. "As recordações são as melhores possíveis", destaca ao Blog Toque Di Letra. "Foi a primeira Libertadores que disputei. Me orgulho de ter feito parte do grupo e conseguido números expressivos", acrescenta. O ótimo início, com seis gols em oito partidas no torneio, o levou a acompanhar da Europa as semifinais e a decisão continental.


"Mesmo de longe, torci muito para que fôssemos campeões", diz Brandão, que, embora negociado após as quartas de final ao Shakhtar Donetsk, da Ucrânia, acabou como artilheiro do vice-campeão. Rendimento mantido na Europa: primeiro brasileiro a atuar no país, ele marcou mais de 90 gols no decorrer de sete temporadas. "Acredito que minha passagem pelo futebol ucraniano ajudou a abrir as portas para outros brasileiros, uma vez que o campeonato local hoje conta com muitos brasileiros", avalia o desbravador, de volta ao Brasil para defender o Tricordiano.

Brandão em partida contra o Barcelona
(Créditos: F.C. Shakhtar Donetsk/Reprodução)

Tricampeão ucraniano e com quatro títulos de copas nacionais, o atacante deixou o clube na temporada 2008/2009 rumo ao Olympique de Marseille, que investiu cerca de € 6 milhões. No ano seguinte, com oito gols, foi vice-artilheiro da equipe que, sob o comando de Didier Deschamps, quebrou jejum de 18 anos na liga francesa. No país, também vestiu as camisas do Saint-Étienne, com direito a gol do título da Copa da Liga em 2012/2013, e, mais recentemente, do Bastia.

Seis jogos, nenhum gol na Toca

Embora estreante no estadual, residir em Minas Gerais não será novidade para Brandão. O brusquense foi anunciado pelo Cruzeiro em 2011: em seis jogos, nenhum gol. "O problema foi a adaptação. Depois de vários anos no futebol europeu, eu necessitava de um tempo para me adaptar novamente ao estilo de jogo dos clubes brasileiros. Mas, como tudo no Brasil é muito dinâmico, acabei não tendo esse tempo", justifica a rápida passagem, por empréstimo, entre março e agosto.

Atacante durante a pré-temporada
(Créditos: C.A. Tricordiano/Divulgação)

Neste ano, o atacante, de 36 anos, busca escrever uma nova história nos gramados mineiros. Um dos trunfos é a possibilidade de participar da pré-temporada no Brasil, o que não acontecia desde 2002. "Estou me sentindo muito à vontade, e as expectativas são as melhores possíveis", assegura, projetando a parceria com o filho do Rei Pelé em Três Corações. "Com os ensinamentos do nosso comandante Edinho e o potencial do nosso grupo, acredito que temos plenas chances de chegar às finais".

Da Europa para a 'terra do Rei'

Sem disputar uma partida oficial desde maio, Brandão revela detalhes da negociação com o clube mineiro. "Depois de sair do Bastia, decidi que não jogaria em 2016, pois tinha outras prioridades", comenta. "No fim do ano passado, recebi a proposta para jogar no Tricordiano e resolvi aceitar por acreditar no projeto, no potencial do elenco formado e também pela minha vontade de retornar ao Brasil". Neste sábado, a equipe estreia diante do Uberlândia, na cidade de Muriaé.

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