Nas próximas horas, clube estrelado vai disponibilizar ingressos
do setor roxo inferior; setor vermelho está à venda para sócios

Vinícius Dias

Nas próximas horas, os sócios da modalidade Cruzeiro Sempre terão mais 4.795 ingressos à disposição, via internet, para a final da Copa do Brasil, contra o Atlético, no dia 26. O reforço na bilheteria é resultado de acordo firmado com a Minas Arena, no qual a Raposa assumiu a responsabilidade pela comercialização dos ingressos de dois setores que são administrados pela concessionária.


"Estamos somente aguardando a matriz do estádio, da Minas Arena, para disponibilizarmos setor o roxo inferior", afirmou o diretor de tecnologia da informação do Cruzeiro, Aristóteles Loredo, em entrevista ao Blog Toque Di Letra. No chamado setor roxo do estádio estão localizadas as cadeiras especiais oeste.

Mineirão: estádio recebe final no dia 26
(Créditos: Gualter Naves/Light Press/Textual)

Ingressos de cadeira especial leste, que compõe o setor vermelho inferior, também administrado pela Minas Arena, já estão disponíveis no site oficial do Cruzeiro ao preço de R$ 700. "É a primeira vez que estamos vendendo todos os setores", pontuou Aristóteles. 

Promoção para os sócios

Também a partir desta sexta-feira, dia 14, os sócios do futebol puderam comprar dois bilhetes para a final da Copa do Brasil, ambos com 30% de desconto, o que fez crescer a procura dos sócios. O setor laranja inferior, por exemplo, já está praticamente esgotado. "Estamos tendo um volume muito grande de acessos. Se bobear, esgota antes de abrir a bilheteria", disse o diretor.

Roxo e vermelho inferior

O desconto de 30% também será válido para setores administrados pela Minas Arena, que tradicionalmente têm preços 20% superiores em relação aos mais caros praticados pelo clube. "Com o acordo contratual, isso cai e entra no preço do ingresso mais alto do Cruzeiro, já que é o Cruzeiro que está comercializando", detalhou Loredo.

Caiu no Horto... tá morto?

Vinícius Dias

A disposição do Atlético era a de quem se sentia bem próximo de colocar um ponto final no (incômodo) jejum de conquistas em âmbito nacional. O repertório, regido pelos quase 20 mil presentes na Arena Independência, associava rápidas trocas de passes, marcação sob pressão e a tradicional inspiração do setor ofensivo.


O Cruzeiro, por sua vez, entrou em campo para mais uma partida - a de número 68 na desgastante temporada brasileira. A aposta celeste era no jogo coletivo e na imposição técnica, insuficientes ante a precisão do time comandado por Levir Culpi, que foi a campo disposto a encaminhar oiio título no caldeirão do Horto.

Luan e Dátolo: vitória alvinegra no Horto
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Luan, em posição irregular, abriu o placar aos oito minutos, completando cruzamento de Marcos Rocha. O gol logo cedo não mudou o panorama do duelo. Do lado da Raposa, tudo passava pelos pés de Mayke, que insistia em acionar os pouco inspirados Éverton Ribeiro e Ricardo Goulart. O Galo seguia apostando na velocidade.

De corpo e alma...

Com enorme apetite, o clube alvinegro ainda chegou ao segundo gol, aos 13 minutos da etapa final, com o camisa 23 Dátolo, que escorou para as redes de Fábio quase na pequena área. Festa da torcida do Atlético. E do time que disputou a final de corpo e alma.

O Cruzeiro, com pouco apetite, caiu no Horto...
Mas saiu com a certeza de que não está morto!


Alex, Gladstone e Zezé Perrella revelam detalhes da preleção
que antecedeu o título do Cruzeiro na Copa do Brasil em 2003

Vinícius Dias

Dia 11 de junho de 2003. Na preleção, na Toca II, cada atleta cruzeirense recebe um pacote. O jovem zagueiro Gladstone, de 18 anos, recebe dois. "Abram os pacotes... Menos você, Gladstone", ordena o técnico Vanderlei Luxemburgo. Horas depois, o sorriso do estreante da noite estampava a satisfação. Ao lado de figuras como o meia Alex e o vice-presidente Zezé Perrella, ele festejava o título da Copa do Brasil, conquistado com a vitória ante o Flamengo, por 3 a 1, no Mineirão. Após 11 anos, aquele dia segue vivo nas memórias do trio.


"Não podemos falar da partida final sem falar da primeira partida, três dias antes, no Maracanã", pontua Alex, autor de um golaço de letra no empate por 1 a 1. "Fizemos uma partida equilibrada, porém tivemos várias perdas (para o jogo decisivo)", recorda. Os zagueiros Edu Dracena e Thiago, que haviam recebido o terceiro amarelo, desfalcariam a equipe na volta. Ao fim do jogo, Vanderlei entra em cena: invade o gramado e protesta contra o árbitro Carlos Eugênio Simon.

No Maracanã, Alex marcou gol de letra
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Arquivo)

"No vestiário, Luxa reuniu o time e falou que começamos a ganhar o título ali", conta Alex. "Voltando para Minas, ninguém falava da falta dos nossos zagueiros. O que ele queria, tirar o foco dos atletas e passar para ele, foi alcançado", acrescenta. Com o retorno de Luisão confirmado, era hora de definir o substituto de Dracena. No papo com Aristizábal, Alex e Luisão, o técnico revelou a dúvida: improvisar o volante Jardel ou escalar Gladstone, recém-promovido da base. "Chamamos o Gladstone e perguntamos como ele estava", revela Alex.

Gladstone: estreia na final

A segunda opção foi a escolhida. O zagueiro, aos 18 anos, mal conseguia esconder o nervosismo. A estreia na equipe profissional tinha data e hora marcadas: 11 de junho, às 21h45, diante de um Mineirão com mais de 80 mil pessoas. "O momento era tenso para mim, que, com tão pouca idade, iria estrear em um jogo daquela importância", reconhece Gladstone. Havia chegado a hora da preleção, e Luxemburgo tentaria acalmar os ânimos do mais novo titular.

Cruzeiro é tetra: Gladstone comemora
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Arquivo)

Deu certo. "Vanderlei gostava muito de usar a psicologia. Foi fundamental para deixar o garoto bem mais tranquilo. Mexeu com os nervos dele e ele acabou indo muito bem", destaca Zezé Perrella, vice-presidente do clube à época. Os misteriosos pacotes surgiram durante o discurso motivacional. "Abrimos e tinham aquelas faixas vendidas pelos camelôs antes de jogos decisivos", diz Alex. "Coloquem no pescoço, porque seremos campeões". Foram as palavras de Luxemburgo.

'Sai campeão ou sai cag...'

Gladstone, então, abriu os dois pacotes. No primeiro, a faixa de campeão. No outro, uma fralda. "Agora, você escolhe: 'sai do Mineirão campeão ou sai cag...'", disse Vanderlei ao defensor. "O Aristizábal pegou a fralda das mãos do Glad, jogou no chão e gritou: 'ele vai ser campeão junto com a gente'", recorda Alex. Dali, a delegação partiu para o Mineirão. No minuto inicial, 1 a 0. Aos 28', o Cruzeiro já vencia por 3 a 0. Na segunda etapa, o Flamengo descontou aos 16'.

Alex: maestro celeste de sorriso largo
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Arquivo)

"Aquela preleção foi de suma importância para poder quebrar o gelo", fala Gladstone. "E depois que entrei em campo, não senti mais peso nenhum, somente muita confiança", revela o zagueiro. "Confesso que os bastidores desse jogo foram mais emocionantes que a própria partida. Os bastidores foram cinco dias. A partida nós decidimos em 25 minutos", completa Alex. Nesta quarta, o meia do Coritiba e o zagueiro do Gil Vicente, de Portugal, reforçam o time dos telespectadores.


Conterrâneo de Telê Santana, Nilson Cardoso defendeu o Galo
entre 1958 e 1966, marcando 125 gols pelo clube; 49 no Horto

Vinícius Dias

Enquanto o time de Victor e Ronaldinho escrevia, em campo, algumas das estrofes mais emocionantes da história do Atlético, nas arquibancadas, a torcida alvinegra cunhava o temido refrão "caiu no Horto, tá morto". Para Nilson Batista Cardoso, aquele grito inspirava um retorno no tempo. Com vasto repertório, o ex-atacante, hoje aos 75 anos, marcou 125 gols pelo Atlético entre 1958 e 1966. 11º atleta que mais balançou as redes com a camisa atleticana, o itabiritense é, também, o maior artilheiro do clube no Independência, com 49 gols.


"Naquela época, não tínhamos a preocupação de contar os gols. Eu fiquei sabendo (deste recorde) por meio de um recorte de jornal que chegou às minhas mãos, e fiquei muito satisfeito", conta. Uma das vítimas preferidas do centroavante era, justamente, o Cruzeiro, adversário do Atlético nesta quarta: foram oito gols entre 1958 e 1963. "Uma lembrança maravilhosa", pontua Nilson, que, na lista de artilheiros, supera ídolos como Éder Aleixo, com 122 gols, e Diego Tardelli, 107.

Nilson: um artilheiro de alma alvinegra
(Créditos: Arquivo Pessoal/Nilson Cardoso)

Ao mencionar o Independência, estádio-símbolo da ótima fase do clube, o ex-camisa 9 adota o tom saudosista. "Às vezes, passávamos dois meses sem jogar, mas os 49 gols saíram com muita disposição. Nada melhor do que ouvir seu nome gritado lá na arquibancada", afirma. Os ex-atacantes Gérson e Ubaldo marcaram 39 gols com a camisa atleticana no Horto. Do atual elenco, Jô, com 27 gols, e Diego Tardelli, 18, possuem as melhores marcas. "Pode ser que daqui um, dois anos, eles cheguem", opina Nilson, assinalando o recorde.

'Hoje eu ganharia dinheiro'

Além de gols, ele também empilhou amizades. "Brincam comigo que se eu estivesse jogando hoje, eu estaria na Europa ganhando dinheiro. Porém, uma coisa boa é lembrar dos amigos que marcaram minha vida", destaca. Na lista estão nomes como o ex-meia Ilton Chaves e o ex-goleiro Marcial, além de Procópio Cardozo e do lendário Dadá Maravilha, campeão mundial em 1970 com a seleção.

Em Itabirito, ex-jogador exibe memórias
(Créditos: Vinícius Dias/Blog Toque Di Letra)

No caso de Procópio, nem mesmo a distância enfraqueceu a amizade. Pelo contrário, cultivou a saudade. "(Nilson) é uma pessoa que sempre admirei. Além de um amigo de verdade, um atacante que jamais se omitia, muito participativo e que jogava para o time. Era uma referência", recorda o ex-zagueiro. "Nós jogamos juntos várias vezes no Atlético, fomos campeões mineiros (em 1962 e 1963) e saíamos juntos nas horas vagas. Era muito bom", acrescenta Procópio.

Dadá: da amizade à idolatria

"Se eu sou o 'Rei Dadá', hoje, eu tenho que agradecer muito ao Nilson". Segundo maior artilheiro do time alvinegro, com 211 gols, Dadá Maravilha também faz questão de reverenciar o itabiritense. "Além do grande atleta que foi, é uma pessoa nota dez, e falar dele é uma honra. O Atlético me contratou muito pela opinião dele", argumenta. Companheiro de Dario no Campo Grande/RJ, no início de 1967, Nilson foi o responsável por, meses depois, indicá-lo ao clube do coração durante uma conversa informal com diretores atleticanos.

Atlético, em 1962: time campeão mineiro
(Créditos: Arquivo Pessoal/Nilson Cardoso)

A trajetória de Nilson Cardoso no futebol foi iniciada logo aos 13 anos, no União Sport Club, de Itabirito. Membro da geração que sucedeu a de Telê Santana nos gramados da cidade natal, o jogador chegou ao Galo aos 18 anos, e foi campeão mineiro em 1958, 1962 e 1963. Quando perguntado sobre o duelo desta quarta, mede as palavras. "A gente fica preocupado, mas, com certeza, vou torcer para o Atlético", pontua, rejeitando qualquer palpite sobre o resultado.