Cruzeiro segue 100%: ponto para Mano

Vinícius Dias

Constantes trocas de posição e agilidade na execução dos movimentos por parte de um ataque leve com alto poder de finalização foram as armas do Cruzeiro em seus melhores minutos contra o Volta Redonda, nessa quarta-feira. Classificação à segunda fase da Copa do Brasil e sexta vitória em seis jogos oficiais, confirmando o melhor início de temporada na década. E há margem para evolução: Thiago Neves à espera da estreia, Lucas Silva em busca da melhor condição e alguns ajustes defensivos a serem realizados, conclusão tirada nos piores minutos.


No primeiro tempo, diante de um Cruzeiro com mais posse de bola e mais eficiente nos desarmes, dois dos lances mais perigosos do Volta Redonda aconteceram após erros na saída de bola: primeiro com Léo, depois com Rafael. Com alterações, o time fluminense cresceu na etapa final, mas só balançou as redes após outro erro - dessa vez, de Ariel Cabral. Três gols sofridos em seis partidas não sustentam a tese de desastre defensivo, mas apontam lacunas: há espaços e também falta entrosamento em um setor com vários recém-chegados.

Robinho e Alisson comemoram gol celeste
(Créditos: Rudy Trindade/Light Press/Themapress/Cruzeiro)

Cabe a ponderação sobre o nível dos testes deste início de temporada - à exceção de Botafogo e Atlético/PR, envolvidos na Copa Libertadores -, mas sem se render ao reducionismo: da Série A, somente Cruzeiro e Flamengo seguem 100%, e o caminho é semelhante ao que o clube teve nos últimos anos sem alcançar o mesmo aproveitamento. A linha de três formada por Robinho, Arrascaeta e Alisson funcionando muito bem, Rafael Sóbis dando suporte e mobilidade mais à frente, alternativas fluindo para contemplar o objetivo de propor o jogo.

Se a primeira impressão é a que fica, ponto para Mano Menezes:
O Cruzeiro faz em 2017 o melhor início de temporada na década.


Diálogo cultural entre torcedores de Atlético e Raja Casablanca, no
Marrocos, inspira último curta de trilogia pós-Libertadores de 2013

Vinícius Dias

Do sonho do título mundial no Marrocos à eliminação na estreia diante do anfitrião Raja Casablanca: à primeira vista para ser esquecida, a cena será eternizada nos cinemas. "Certa vez, li de um aclamado cronista esportivo estrangeiro que suas melhores crônicas são sempre das piores derrotas. O autor não é argentino, mas semeou na minha cabeça que escrever bem é dançar um tango com as palavras", comenta o cineasta Mauro Reis, mais conhecido como Lobo Mauro. Atleticano, ele é o responsável pelo projeto, provisoriamente intitulado Raja Galo.


"O jogo em si foi dos mais frustrantes, pontualmente odioso, até. Porém, tivemos o azar benigno de perder para os anfitriões e poder se maravilhar com a convulsão em que se transformou Marrakech, não sem uma dose de inveja", reconhece ao Blog Toque Di Letra, ressaltando os laços criados entre os atleticanos e os torcedores do time marroquino. "Descobrir afetos sinônimos entre culturas tão díspares e entre pessoas separadas por um oceano é algo que ecoa por anos".

Lobo Mauro, ao centro, no Marrocos
(Créditos: Arquivo Pessoal/Lobo Mauro)

Raja Galo será o terceiro curta da trilogia baseada na conquista da Copa Libertadores de 2013. Os primeiros foram Quando se sonha tão grande, a realidade aprende e As crônicas de Riascos. "Cogitei fechar a trilogia com o mesmo tema, focando agora no Léo Silva, mas senti que a questão tinha saturado", pondera Lobo, justificando a escolha. "É mágico refletir que dez centímetros para cima ou para baixo do pé esquerdo de São Victor naquele pênalti apagariam o Raja da nossa história. Marrakech só foi possível pela ponte criada entre o pé santo de Victor e Marrocos".

Herança do pai e adeus na África

A ideia de transformar a experiência no Mundial de Clubes em filme surgiu antes mesmo da viagem, revela o cineasta. "Tinha saído a herança do meu pai e pensei: 'bom, finalmente vou trocar o piso de casa, o vaso sanitário', mas me dei um pedala, Robinho para sair do meu corpo e dialogar comigo mesmo: 'você quer mesmo, toda vez que olhar para o trono, imaginar que está ali materializado o que seu pai te deixou?'". A negativa foi seguida da decisão de ir ao Marrocos para se despedir de forma simbólica e, lá, gravar imagens para um futuro curta.

Curta reunirá imagens de bastidores
(Créditos: Arquivo Pessoal/Lobo Mauro)

Curiosamente, Lobo Mauro não trabalhará com imagens do estádio. "Fiquei receoso de que me barrassem com a câmera. O estádio era distante e não teria tempo de retornar", justifica. "Desnecessário citar o arrependimento, né?", emenda, recordando o delírio dos marroquinos com a vitória do Raja Casablanca, por 3 a 1. "Foi frustrantemente lindo. Era échange (troca, em francês) para cá, échange para lá de Marrakech. Só não me pediram para trocar minhas tranças porque elas estavam bem enraizadas no meu couro cabeludo. Fiz imagens das minhas andanças".

Trabalho concluído em 12 meses

Embora reconheça que o trabalho tem caminhado de forma descontínua, o cineasta garante que Raja Galo será finalizado em, no máximo, 12 meses. "Fevereiro de 2018 é o deadline que me dei. Mas o meu desejo é terminar ainda neste ano, nem que seja no fim", pontua. A etapa atual é de revisão do material gravado, projetando a montagem do que define como quebra-cabeça. "A solução que achei para as imagens dispersas que fiz foi costurar tudo com impressões de narração", detalha.

Marroquino exibe cartaz do Atlético
(Créditos: Arquivo Pessoal/Lobo Mauro)

Entre as principais imagens do curta estarão bastidores do encontro entre atleticanos e marroquinos. "Para isso ficar mais orgânico, vou convidar um torcedor do Raja para ser um narrador espontâneo das imagens que verá desfilar diante de si", revela. "Só tenho que ver se dará certo na prática, já que nem sempre a bela teoria carrega o dom da praticidade", pontua Lobo Mauro, outra vez conjugando o verbo acreditar.


Invicto nesta temporada e embalado pela vitória sobre Vasco, time
fluminense tem mando de campo e ex-goleiro celeste como trunfos

Vinícius Dias

Na noite desta quarta-feira, o Cruzeiro iniciará a caminhada em busca do pentacampeonato da Copa do Brasil encarando um adversário inédito em jogos oficiais: o Volta Redonda. Campeão brasileiro da Série D, de forma invicta, na temporada passada, o Voltaço voltou a ganhar holofotes após vencer o Vasco, no último domingo, por 1 a 0. Palco do triunfo, o estádio Raulino de Oliveira também receberá o duelo contra a equipe comandada pelo técnico Mano Menezes.


O mando de campo é, exatamente, um dos pontos fortes do time do Sul Fluminense, que precisa vencer para avançar à segunda fase - em caso de empate, o Cruzeiro se classificará. No ano passado, o Volta Redonda teve 73% de aproveitamento em casa. Em 21 confrontos disputados, somou 14 vitórias, quatro empates e apenas três reveses - os dois últimos pela Copa Rio, na qual utilizou reservas e atletas da base. A última derrota do time principal foi há dez meses: 0 a 2 ante o Fluminense.

Volta Redonda festeja título da Série D
(Créditos: Dalila Almeida/Volta Redonda FC)

Atual campeã mineira do interior e oponente celeste no próximo sábado, a URT foi uma das vítimas de 2016. Na trajetória que culminou no título da Série D com dez vitórias e seis empates em 16 jogos, o Voltaço encarou o Trovão Azul em quatro oportunidades - duas pelo grupo 12 e outras duas pela segunda fase. No estádio Zama Maciel, em Patos de Minas, ambos os duelos acabaram empatados. No Rio de Janeiro, a URT foi derrotada duas vezes, o que resultou na eliminação.

Tetracampeão x 5ª participação

Cruzeiro e Volta Redonda têm históricos bastante diferentes na Copa do Brasil. A partida desta quarta-feira marcará o início da 21ª participação da equipe celeste, seis vezes finalista e quatro vezes campeã da competição - em 1993, 1996, 2000 e 2003. Por outro lado, o time fluminense voltará a disputar após três edições ausente. Em quatro participações anteriores, a melhor campanha remonta a 2006, quando foi eliminado pelo futuro vice-campeão Vasco nas quartas de final.

Cairo, ex-Atlético, comanda o Voltaço
(Créditos: Wallace Feitosa/Volta Redonda FC)

Invicto nesta temporada, o Voltaço é comandado pelo mineiro Cairo Lima, que teve três passagens pelo rival Atlético nos tempos de meio-campista, conquistando as copas Conmebol e Centenário, em 1997, e três mineiros. Com dois gols em quatro jogos, o atacante David Batista é o artilheiro da equipe em 2017. No gol, um velho conhecido do torcedor celeste: Douglas Borges, formado na Toca da Raposa I e reserva de Rafael na conquista da Copa São Paulo de Futebol Júnior, em 2007.


123.452 torcedores foram aos estádios nas três primeiras semanas,
garantindo uma média superior a 10 mil por partida da competição

Vinícius Dias

Alinhavada com base no discurso de oposição aos campeonatos estaduais e suas desgastadas fórmulas, a Copa da Primeira Liga tem, na prática, sido preterida por boa parte de seus fundadores neste começo de temporada. Entretanto, em meio a partidas com equipes mescladas ou alternativas, a adesão do público às rodadas iniciais do torneio supera a média registrada nos estaduais do eixo Sul-Minas-Rio e também no Cearense, liderado pelo Ceará, um dos 19 membros da entidade.


De acordo com levantamento realizado pelo Blog Toque Di Letra a partir dos borderôs, as três primeiras semanas da Copa da Primeira Liga levaram 123.452 torcedores aos estádios, o que garante uma média de 10.288 por jogo. A título de comparação, Minas Gerais, que recebeu dois dos maiores públicos - 41.530 torcedores no clássico Cruzeiro 1x0 Atlético, e 13.248 em Atlético 2x0 Joinville - da competição, teve média de 4.397 por partida nas duas primeiras rodadas do estadual.

Clássico: maior público em três semanas
(Créditos: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

"A média de público está bem interessante e a gente ainda terá jogos com bastante interesse de público", avalia o CEO da Primeira Liga, José Sabino, citando como exemplo o duelo entre Ceará x Flamengo, que está marcado para o dia 22/02. Mesmo mandando fora do Rio de Janeiro e contra o time reserva do Grêmio, o rubro-negro teve o maior público da última semana: 20.224 torcedores no Mané Garrincha, em Brasília.

Reunião debaterá uso de reservas

O tricolor gaúcho não foi exceção: cinco dos oito clubes não utilizaram seus titulares na rodada - três foram comandados por técnicos alternativos. "O ideal é que todos jogassem com força máxima, mas entendemos que essa situação de calendário é incômoda não somente para a Liga, mas também para os estaduais, Copa do Brasil", comenta José Sabino, revelando que a escalação de times reservas será pautada ainda neste mês. "Teremos uma reunião e vamos discutir isso internamente".

Cruzeiro x Chape: titulares não atuaram
(Créditos: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

O diretor afirma que, a princípio, não havia previsão de conflitos de datas. "Quando fizemos a tabela da Liga, lá atrás, não conflitava com nada. Mas depois saíram algumas tabelas de estaduais". O maior entrave diz respeito aos clubes de Santa Catarina, cujo estadual tem 20 datas. Oficialmente, o calendário nacional reserva duas a menos. A expectativa é de que, a partir das quartas de final, todos os clubes escalem titulares. "Mais para frente, teremos jogos muito competitivos", garante.