24/11/2016


Professora de idiomas, de 40 anos, deixou o país natal e encontrou
em BH a grande paixão no futebol: 'minha família fica curiosa', diz

Vinícius Dias

História de amor à primeira vista, tendo o Coelhão como cupido. Foi assim que a guatemalteca Alicia Yoconda Gomez Sanchez iniciou seu caso com o América. "Quando o vi sorridente, com os dois dentinhos de fora, vindo em minha direção e me dando um abraço apertado, simplesmente amei", diz, citando a mascote alviverde como a mais linda do mundo. "Minha paixão surgiu pela simplicidade do clube, a proximidade dos torcedores com os jogadores no antigo estádio Independência, que deixou muita saudade", relembra ao Blog Toque Di Letra.


Microempresária e professora de idiomas, a segunda personagem da série especial 'Nos caminhos da paixão' chegou ao Brasil no começo de 2000. "Infelizmente, eu não conhecia nem tinha ouvido falar do glorioso América antes", revela. 16 anos depois, o clube é assunto até nas conversas com os familiares. "De um jeito ou de outro, eu acabaria torcendo por uma equipe local, então eles aceitaram tranquilamente a minha nova paixão e ficaram muito curiosos para saber mais sobre o América".

Alicia com os familiares na Guatemala
(Créditos: Arquivo Pessoal/Alicia Yoconda)

Nascida em Escuintla, na Região Centro-Sul da Guatemala - apesar de não ser considerado uma potência nos gramados, o país tem o futebol como esporte mais popular -, Alicia Yoconda sempre gostou de acompanhar a modalidade. Antes de se mudar para o Brasil, torcia pelo Comunicaciones Fútbol Club, maior campeão nacional. "Los Cremas (apelido do clube) têm como mascote o fantasminha camarada, sorridente tal como o Coelhão", brinca a torcedora americana, de 40 anos.

Assiduidade nas arquibancadas

Sócio-torcedora, ela tem acesso garantido a todas as partidas nas quais o clube é mandante. Uma prova da assiduidade foi a ida a Londrina, no mês passado, quando assistiu à derrota para o líder Palmeiras, no estádio do Café, por 2 a 0. "Faço parte da Torcida Feminina Batom Verde", emenda, orgulhosa do fato de o hino americano mencionar a presença feminina nos estádios. "Nossa atividade principal é mostrar a paixão pelo glorioso, dando um toque feminino e delicado à torcida", explica.

Torcedora ao lado de mascote do clube
(Créditos: Arquivo Pessoal/Alicia Yoconda)

Outra bandeira levantada, de acordo com a guatemalteca, é o apoio ao futebol feminino. Na última semana, por sinal, o Coelho conquistou pela primeira vez o Mineiro feminino. A trajetória invicta, com direito a 35 gols marcados e apenas quatro sofridos em oito partidas, deixou Alicia muito contente. "As coelhinhas brilharam. Mesmo com as dificuldades que elas enfrentam em questão de patrocínios, entre outras, jogaram um futebol bonito e admirável", comenta.

Perda de peso e alegria na final

Mas nada supera a emoção vivida no início de maio. Nervosismo, dias de alimentação e sono insuficientes. "Emagreci quatro quilos". O título ante o Atlético, quebrando jejum de 15 anos no estadual, foi um presente duplo. "Foi no Dia das Mães, e tive o privilégio de entrar em campo ao lado dos jogadores", conta. "Quando o Atlético fez o gol, me lembro da sensação de garganta seca. Estourou no meu ouvido o grito da torcida", pontua. O gol marcado por Danilo, aos 38' da etapa final, pôs fim à agonia e deu início à comemoração americana.

Guatemalteca se emocionou com título
(Créditos: Arquivo Pessoal/Alicia Yoconda)

Apontando os campeões João Ricardo e Tony como ídolos, Alicia ainda faz questão de destacar Givanildo Oliveira. "Nunca tinha gostado tanto de um técnico como gostei dele. Givamito foi parte da família América para mim", explica. A dois jogos do fim, a temporada não deixará apenas recordações positivas, no entanto. "Subir para a Série A não tem preço, mas tem seu valor. Não conseguimos dar conta desse valor. Temos de aprender a criar raízes", diz a mais alviverde das guatemaltecas.

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