25/11/2016


Engenheiro de telecomunicações, de 40 anos, se surpreendeu com a
rivalidade no país: 'o futebol aqui é praticamente uma religião', diz

Vinícius Dias

"A família é grande e tem torcedores dos três principais clubes de Belo Horizonte. Cada um estava tentando me puxar para o seu lado. Eu não estava entendendo nada, mas os cruzeirenses me pareciam mais felizes", recorda Vitalii Afanasiev. Em meio a uma disputa entre os familiares da esposa, à época namorada, o clube celeste ganhou o coração do ucraniano. "Com o tempo, me convenço de que fiz a escolha certa. Me identifico muito com a filosofia: queremos ver o time jogar bola, ganhar jogando feio não é suficiente", comenta ao Blog Toque Di Letra.


Engenheiro de telecomunicações, o terceiro personagem da série especial 'Nos caminhos da paixão' é natural da província de Donetsk, no Leste da Ucrânia. Aficionado por futebol desde a infância, quando jogava na rua, se surpreendeu ao chegar ao Brasil. "O jeito de torcer é totalmente diferente. Aqui é muito mais do que paixão, é praticamente uma religião. Quase não temos rivalidade lá. Quando o Shakhtar conquistou a Copa da Uefa (2009), todo o país ficou orgulhoso, algo impensável no Brasil", diz.

Vitalii ao lado da esposa e de Pyatov
(Créditos: Arquivo Pessoal/Vitalii Afanisiev)

Curiosamente, no último ano, o Shakhtar fez parte de um dos capítulos da paixão de Vitalii pela Raposa. "Qual a probabilidade de os meus dois times, de continentes diferentes, jogarem na cidade em que eu morava e nada tinha a ver com os dois?", pontua o torcedor, de 31 anos, que residia em Brasília antes de se mudar para a capital mineira. "Estava há muito tempo sem ver o Shakhtar e com saudade de ver o bicampeão Cruzeiro. Bati um papo com o goleiro Pyatov e até ganhei uma camisa".

Namorada de coração dividido

Ele chegou ao Brasil no fim de 2008. "Antes, só ouvia a minha namorada falar do Cruzeiro. Fiquei sabendo que o coração dela não era só meu e já havia um grande clube morando nele. Não gostei disso na época", brinca. Passados oito anos, garante já ter convertido os familiares que vivem na Europa. "No início, acharam a ideia um pouco exótica. Agora, também são cruzeirenses. Meu sobrinho Illya, de oito anos, é o torcedor mais fanático. Vou trazê-lo ao Mineirão um dia", promete.

Illya, de oito anos, torce pelo Cruzeiro
(Créditos: Arquivo Pessoal/Vitalii Afanasiev)

Acostumado à realidade da terra natal, com rivalidades menos intensas, Vitalii conheceu o Mineirão em dia de jogo do arquirrival. "Curiosamente, a primeira partida à qual assisti foi Atlético x Botafogo. Estava de férias no Brasil e queria ir ao estádio. Não haveria nenhum jogo do Cruzeiro naqueles dias. Meio sem querer, minha namorada me levou na torcida do Botafogo", revela. "O Atlético acabou eliminado (Copa Sul-Americana de 2008, ao que tudo indica). Foi lindo", afirma, adaptado ao dérbi.

Feijão tropeiro, bife e ovo frito

Meses depois, já morando no Brasil, o ucraniano viveu o lado oposto: viu o time celeste, também no Gigante da Pampulha, ficar com o vice da Copa Libertadores. Ainda assim, ele leva na esportiva. "Tive a sorte de assistir à final no Mineirão antigo, com direito a churrasco no estacionamento, feijão tropeiro com bife e ovo frito por cima", elenca. "É uma sensação única, a energia é incrível. Por pouco não levamos a taça, mas futebol é isso. O melhor nem sempre ganha".

Vitalii nasceu na cidade de Ienakievo
(Créditos: Arquivo Pessoal/Vitalii Afanasiev)

Exigente, Vitalii afirma ainda não ter ídolos relacionados ao Cruzeiro. "Não basta jogar bem, gostar do clube. É preciso algo mais. A boa notícia é que vejo alguns candidatos". Descontente com o desempenho, define este ano como sabático. "O grande problema foi a quantidade de apostas feitas nos últimos dois anos", explica. Apesar disso, crê que a situação melhorará na próxima temporada: desde que cheguem reforços pontuais ao clube que, agora, também mora no coração dele.

5 comentários:

  1. bacana! cruzeirão cabuloso

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  2. Cara inteligente,escolheu o Cruzeiro,Maior e Melhor de Minas.

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  3. Maneiro e já mineiro.
    Não escolheu time pequeno que tá 45 anos na seca...

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  4. Escolheu certo, o cruzeiro e' mesmo um time de rapazes alegres.

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  5. Falou tudo, Cruzeirense é mais feliz, ganha mais títulos, nunca foi rebaixado..

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