Presidente do clube entre 1991 e 1994, ítalo-brasileiro César Masci
não se vê como opositor de Gilvan: 'aceito uma composição', revela

Vinícius Dias

Ainda sem data marcada, as eleições do Cruzeiro acontecerão apenas no segundo semestre. Nos bastidores, no entanto, as articulações já tiveram início. A possibilidade de alteração do estatuto visando ao surgimento de novas lideranças coexiste com as prováveis candidaturas de duas figuras históricas: Zezé Perrella e César Masci. Presidente do clube entre 1991 e 1994, Masci revelou ao Blog Toque Di Letra a intenção de voltar à cena política do clube celeste.


"Vou disputar. Já falei com vários conselheiros", disse Masci, que esteve na missa de aniversário, na segunda-feira. "Já tenho outros nomes que estão comigo, mas ainda não é hora (de anunciar)", completou. O ex-presidente ressaltou que não se vê como opositor de Gilvan de Pinho Tavares. "É um bom presidente, eu o apoio. Estou pronto para um diálogo com ele, aceito até uma composição (para a eleição), desde que ele também atenda às reivindicações dos italianos".

Masci, à esquerda, durante homenagem
(Créditos: Washington Alves/Light Press/Cruzeiro)

A provável candidatura é trabalhada em um contexto de insatisfação de representantes da bancada italiana do Conselho com o que tratam como "enfraquecimento dos laços" por parte da atual gestão. Antes da última eleição, por exemplo, Masci chegou a sugerir que Gilvan incluísse um vice ítalo-brasileiro em sua chapa. O desejo não foi atendido, mas a bancada manteve o apoio ao candidato eleito.

Italianos em todas as chapas

De forma paralela, integrantes do grupo esboçam uma articulação para garantir representatividade independentemente do resultado do pleito de 2017. "Estamos com um movimento para tentar que todos os candidatos tenham um conselheiro com sobrenome italiano na chapa", destaca Anísio Ciscotto, ex-presidente do Conselho Fiscal da Raposa. As primeiras ações devem ocorrer nos próximos meses.


Empresa do ramo de laticínios pode aumentar presença nas camisas
dos clubes de BH; conversas com o Coelho tiveram início há um mês

Vinícius Dias

Depois de acertar a renovação do contrato com o Cruzeiro por mais duas temporadas, a Cemil pode, em breve, aumentar sua presença nas camisas dos clubes de Belo Horizonte. Conforme o Blog Toque Di Letra apurou, a empresa do ramo de laticínios, cuja sede está situada em Patos de Minas, conversa há cerca de um mês com o América e também trabalha com a possibilidade de voltar a patrocinar o Atlético em 2017.


As tratativas com os dois clubes são conduzidas pelo diretor de vendas e marketing da Cemil, Warlei Tana. "Estamos negociando com o Atlético e também com o América. Mas, por enquanto, ainda não há nada definido", confirma. Nos bastidores, a informação é de que, no caso do Cruzeiro, a renovação significa um aporte total de quase R$ 3 milhões por dois anos. Oficialmente, as partes não detalham valores.

Empresa patrocinou rivais em 2015
(Créditos: Washington Alves/Light Press)

Quanto ao América, a reportagem apurou que, ainda em 2016, circularam prévias da aplicação da logomarca em camisas da coleção atual. Renan Soares, diretor de marketing do Coelho, nega que tenham sido feitas pelo clube, embora confirme as conversas. "Estamos negociando tanto com as atuais para renovação como com novas empresas. Mas ainda não temos definição. A Cemil é uma delas".

A preferência da empresa patense é a clavícula. O América, contudo, não descarta a renovação com os Supermercados BH, que ocuparam o local na camisa de 2016. "Também estamos negociando com o BH. Pode ser nesse espaço, pode ser em outro", pontua Ronan.

Chance de volta ao Atlético

No caso do Atlético, as conversas estão em estágio inicial. "Não sei (qual seria o espaço). Vamos ter que ver, porque MRV e Caixa estão lá", afirma Tana. Em 2015, a Cemil estampou a região da clavícula, que hoje cabe à MRV. O acordo foi rescindido no último ano, porém as partes mantêm boa relação e têm interesse na volta. "Somos parceiros do Atlético, fazemos a marca deles no leite", acrescenta. 

Afinal, o que é ser cruzeirense?

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul!

Dia 02 de janeiro. De qualquer ano. Todo cruzeirense já passa a virada esperando pelo aniversário do Cruzeiro Esporte Clube. Dia do Cruzeiro. Dia do cruzeirense. Dia que marca o começo de mais um ano e reafirma nossa caminhada e nosso compromisso junto ao maior de Minas. Amigo torcedor cruzeirense, não perca tempo tentando explicar aos outros o que é ser parte desse universo.


Eu já parei e tentei colocar em verso e em prosa o que significa ser cruzeirense e falhei. É impossível. É uma carga enorme de sentimento e de emoção que eu, do alto da minha insignificância, ainda não consegui traduzir em palavras. O sentir, o saber, o ser e o viver esse contexto só são possíveis para quem nele está inserido. Você não vira cruzeirense. Você não nasce cruzeirense. Você é cruzeirense. Está impresso em sua alma. Não digo nem no sangue. Na alma. No seu espírito.

Entre tantas outras coisas, ser cruzeirense é nunca se contentar com pouco. Mesmo que o tempo seja de crise, de fazer das tripas coração para manter a dignidade, o torcedor do Cruzeiro sempre quer mais. Cruzeirense é chato por natureza. Chato no bom sentido. Não deve nunca se contentar com pouco ou se espelhar na vizinhança para aí querer arrumar sua casa. Quem faz parte da imensa família de milhões de torcedores da Raposa é chato assumido e não pega leve na hora da corneta, porque sabe que comodismo não combina com vitória.

O torcedor do clube celeste não se contenta em vencer. Tem que vencer e fazer por merecer. Eu seria capaz de dizer que o cruzeirense prefere perder jogando bem a vencer jogando mal. Evidente que existem situações nas quais isso foge das nossas preferências, porém está no DNA do palestrino querer deixar a melhor impressão possível. Com um jogo bonito, ofensivo, agressivo, insinuante. Não me lembro de ter resenhado com irmão de time que gostasse de retranca. Que simpatizasse com treinador que, tendo o placar a favor, recuasse para garantir o resultado.

China Azul em festa: gigante faz 96 anos
(Créditos: Fred Magno/Light Press/Cruzeiro)

Ser cruzeirense transcende o mundo do futebol. Afeta nossas vidas. Ser cruzeirense é ficar possesso se algo dá errado no domingo, mas já começar a contar as horas para voltar a ver o time em campo. Nunca é tarde ou cedo demais para vestir a camisa e apoiar quem estiver carregando as mais famosas cinco estrelas deste mundo.

Não nos importamos com nomes. E não é que nós não sabemos dar valor aos nossos ídolos. Muito pelo contrário. O que não adianta é você querer chegar e ser mais que os outros apenas pela história que, por ventura, tiver construído fora daqui. Se você não provar seu valor dentro de campo, de nada vale sua fama. Nós valorizamos muito mais a vontade, a entrega, a identificação. Se houver uma mistura disso tudo com técnica, habilidade, melhor. Mas ninguém é ídolo do Cruzeiro só com o nome. É preciso fazer por merecer. Pode parecer arrogância, prepotência, o que for, mas o cruzeirense não se deixa levar na conversa. Ele quer ver acontecer.

Somos vitoriosos. Sabemos perder e sabemos reconhecer nossos erros. Isso é fundamental para que continuemos crescendo como clube, como time, como torcida. Estamos todos no mesmo barco e remando com o mesmo objetivo. Nada nos desanima, ao mesmo tempo em que nada nos ilude. Somos mineiros na mais pura concepção da palavra. Sabemos comer pelas beiradas, nunca nos colocamos como favoritos, mas sempre confiamos no nosso taco.

Nós somos Cruzeiro. Somos loucos da cabeça. Somos mais de oito milhões. Somos Jairzinho. Somos Elivélton. Somos Sorín, Nonato, Clebão, Nelinho e Alex. Somos Éverton Ribeiro, Adilson Batista, Ramires, Marcelo Moreno e Marcelo Ramos. Somos Aristizábal, Alex Alves, Fabrício, Dida, Fábio. Eu sou Dirceu Lopes, Piazza, Tostão, Raul. Você, amigo, carrega um pedaço dessa história vencedora, e é sua obrigação repassar ela para seus filhos, netos e bisnetos. Você respira o mesmo ar que Zé Carlos, Palhinha, Niginho, Bengala, Natal, Douglas, e Revétria. Nós somos o Cruzeiro. A torcida é o clube. Nossos ídolos são nossos estandartes. Nosso pavilhão foi construído com batalhas difíceis. Com guerras vencidas.

Parabéns por mais um ano de vida, Cruzeiro Esporte Clube. Sim. De vida. És entidade viva e presente em nosso dia a dia. És instituição mineira, brasileira e mundial. Cruzeiro, Cruzeiro querido. És meu amor, minha loucura. Eu te amo. Nós te amamos. Teu povo te quer cada vez mais. Que seja um novo ano de vitórias e conquistas. Que tuas cinco estrelas resplandeçam ainda mais forte neste céu que nos cobre.

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!


Venda dos direitos de transmissão do torneio renderá R$ 36 milhões
nesta temporada; contrato garante aumento a cada edição até 2021

Vinícius Dias

Com cifras recordes, o novo contrato de TV do Campeonato Mineiro foi definido nos últimos dias de dezembro, conforme o Blog Toque Di Letra havia antecipado. O acordo tem validade por cinco temporadas - 2017 a 2021, com reajuste automático a cada ano. Embora a pedida inicial não tenha sido atingida, o discurso nos bastidores é positivo. "Maior valor da história do estadual", destaca um interlocutor.


A primeira oferta apresentada pela emissora girava em torno dos R$ 34 milhões. A expectativa dos clubes participantes era de que a cessão dos direitos de transmissão fosse acertada por 40 milhões anuais - o contrato anterior tinha base de R$ 23 milhões. A renovação foi fechada por R$ 36 milhões na primeira temporada.

TV pagará R$ 36 milhões por estadual
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Em 2017, Atlético e Cruzeiro receberão quase R$ 12 milhões cada. Atual campeão, o América vai embolsar R$ 2,8 milhões, enquanto cada um dos nove representantes do interior ficará com R$ 850 mil. A organizadora da competição também terá direito a um percentual. A primeira parcela será paga pela emissora aos clubes antes da rodada de abertura do estadual, agendada para o dia 29 de janeiro.

Publicidade alavanca receitas

As receitas com o Campeonato Mineiro serão alavancadas pelas placas de publicidade dos jogos. A exemplo do contrato anterior, que vigorou entre 2012 e 2016, ficará a cargo dos clubes a comercialização dos espaços nas próximas cinco edições.