Oferecido ao Galo, Donizete reforça o América

Vinícius Dias

Pouco mais de um ano depois de se despedir do Atlético, Leandro Donizete está de volta a Belo Horizonte. O volante, de 35 anos, deve ser anunciado como reforço do América ainda nesta semana. Emprestado pelo Santos, clube com o qual tem contrato até dezembro de 2019, o ex-atleticano assinará com o alviverde até o fim da temporada, ficando à disposição de Enderson Moreira para o Campeonato Brasileiro e a Copa do Brasil.

Volante fez apenas um jogo neste ano
(Créditos: Ivan Storti/Flickr/Santos FC)

Leandro Donizete já havia sido alvo de sondagem do Coelho no início do ano. À época, no entanto, o patamar salarial - superior a R$ 250 mil - impediu que as tratativas avançassem. A seguir, o staff do volante recebeu a sinalização de que o Peixe arcaria com metade dos vencimentos em caso de empréstimo. O Atlético chegou a ser consultado, mas o nome dividiu opiniões na cúpula, que trabalha para reduzir a média de idade do elenco.

Retorno teria aprovação de Kalil

Nos bastidores alvinegros, um dos entusiastas do retorno era o ex-presidente Alexandre Kalil, que o contratou em 2012, por indicação do técnico Cuca, para se tornar um dos maiores ídolos da história do clube. Naquela ocasião, o acordo envolveu a ida do meia-atacante Renan Oliveira, por empréstimo, para o Coritiba. No CT Lanna Drumond, Leandro Donizete reencontrará o meia Serginho, também cedido pelo Santos ao América.

Atlético trava saída de Danilo para o Sport

Vinícius Dias

Acionado em apenas duas partidas desde que Thiago Larghi assumiu o comando do Atlético, o lateral-esquerdo Danilo é alvo do Sport para a disputa do Campeonato Brasileiro. Embora as bases entre o staff do camisa 14 e os pernambucanos já estejam praticamente definidas, a transferência esbarra na falta de entendimento entre os clubes. A proposta do Leão da Ilha do Retiro é de empréstimo até o fim da temporada.


Nos bastidores, duas fontes ouvidas pelo Blog Toque Di Letra apontaram a dificuldade de acerto como reflexo de episódios anteriores, como o envolvendo o volante Rithely, negociado pelo Sport com o Internacional quando a cúpula alvinegra já dava a contratação como certa. Além disso, o Atlético acionou o clube na Justiça no mês passado por dívida referente à venda de parte dos direitos econômicos do atacante André.

Lateral-esquerdo está na mira do Sport
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Revelado pelo América, Danilo defendeu o rubro-negro entre 2014 e 2015 e foi contratado pelo Galo no ano passado. O lateral-esquerdo tem vínculo até dezembro de 2019 e, em meio a um empréstimo para a Ponte Preta no segundo semestre, já disputou 23 partidas, somando quatro gols e quatro assistências. Antes disposto a liberá-lo novamente, o Atlético agora pede uma compensação considerada alta na Ilha do Retiro.

Paraná volta à carga por atacante

Sem entrar em campo há um mês, Carlos também está cotado para deixar a Cidade do Galo. Duas semanas depois de o presidente Leonardo Oliveira revelar o interesse, mas afirmar que o Atlético havia descartado a saída, o Paraná voltou à carga pelo atacante. A expectativa é de que o empréstimo seja definido ainda nesta semana, com o camisa 13 voltando a ser comandado por Rogério Micale, com quem se destacou na base.

Quando tá valendo, o Cruzeiro é campeão!

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul! Salve, salve, campeões mineiros!

Apesar dos pesares e do tropeço de 1º de abril, o Cruzeiro soube se impor técnica, física e psicologicamente diante de seu adversário e confirmou aquilo que a primeira fase da competição já havia deixado claro: somos o melhor time do futebol mineiro neste começo de temporada. Todos sabem que o comportamento da equipe no primeiro confronto da decisão, na Arena Independência, foi lamentável e que, muito mais do que mudanças de peças e de táticas, o mais importante para reverter o quadro que se apresentava perigoso seria a mudança de postura.


Pois bem, diante de nossa imensa e apaixonada torcida, que não liga títulos, viradas e vitórias a milagres, mas sim ao trabalho e à dedicação de todos os envolvidos, o Cruzeiro começou o clássico de volta em alta rotação e já colocando fogo na partida logo de cara. De saída, Edílson mostrou que é dono incontestável da posição e que sempre fará falta quando ausente, assim como fez no duelo de ida. Com uma jogada que misturou calma, bom posicionamento e técnica, o lateral colocou a bola na cabeça de Arrascaeta para dar números iniciais ao confronto. O uruguaio, sempre muito participativo em decisões, outra vez mostrou que gosta de jogo grande.

Decisivo, Thiago Neves festeja título
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro)

Daí para frente, com as arquibancadas inflamadas e o time ciente do que tinha em mãos, coube ao rival o passo seguinte para nosso triunfo. Com menos de 30 minutos, toda aquela certeza de título estampada no rosto alvinegro depois do terceiro gol na primeira partida sucumbia simultaneamente à calma dos jogadores em campo. Com a tensão quase que palpável que se instalara no Mineirão pulsante, alguns dos destaques do outro lado não conseguiam disfarçar o nervosismo e, seja lá como e por que for, caíram na pilha e deixaram seu time em maus lençóis. Com um jogador a mais, a Raposa teve cancha para dominar ainda mais a partida.

Gol de Thiago Neves sela título

Mas não foi tão simples como parecia. Com um a mais, o Cruzeiro diminuiu o ritmo e chegamos ao intervalo com mais posse, evidentemente, mas com a sensação de que o time tinha dificuldades para fazer valer a vantagem numérica. Eu, particularmente, estava tranquilo. Tinha quase certeza de que mais hora, menos hora, faríamos o gol. Meu receio era o comportamento do time após o tento. Mal começou a etapa final e meu receio foi desfeito. Thiago Neves, outro que não foge à batalha, mas estranhamente foi tão apagado quanto a equipe nos dois últimos jogos, tornou a ser decisivo e empurrou a bola para o fundo do barbante.

Arrascaeta abriu o placar no Mineirão
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro)

Daí para frente, só não aumentamos o placar porque o time preferiu não correr riscos e administrou o tempo que lhe separava do título com exímia paciência e domínio quase total das ações. Sinceramente, acho muito perigoso passar tanto tempo trabalhando pela manutenção de um resultado tão apertado. Mas, dadas as circunstâncias, só me resta parabenizar a comissão técnica e os atletas que souberam se impor e não sofreram pressão em momento algum. Claro que a vantagem numérica contribuiu, mas convenhamos: ninguém falou em reviravolta histórica ou qualquer outra expressão que pudesse dar ao título aspecto de surpresa.

O Cruzeiro fez por merecer o título. Da mesma forma, faria por merecer perdê-lo se não tivesse mudado a tempo de colocar as coisas em seu devido lugar. Nosso time é, por ora, superior aos demais. É hora de curtir o título, de dar aquela zoada básica no rival, mas sem esquecer que teremos batalhas muito maiores e mais difíceis ao longo do ano. O tropeço de 1º de abril não poderia significar terra arrasada na Toca II. Seria injustiça diante dos resultados já conquistados. Por outro lado, o título não pode mascarar as deficiências que a equipe ainda apresenta. Seria perigoso, visto que estamos muito longe de termos sido devidamente testados.

Força, Cruzeiro! Que venham mais taças. Tá valendo!

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!

Cruzeiro: o título do melhor em tudo no Mineiro

Vinícius Dias

Cruzamento de Egídio, finalização de primeira de Arrascaeta para defesa de Victor, rebote com Edilson levantando na área e cabeçada certeira do camisa 10 aos três minutos da etapa inicial. Cruzamento rasteiro de Robinho pela direita, com Thiago Neves escorando para as redes e vendo o Mineirão explodir aos 7' do segundo tempo. 2 a 0 para o Cruzeiro diante do Atlético, justamente o placar que o time celeste precisava para conquistar o título mineiro pela 37ª vez. Com a melhor campanha da primeira fase, o melhor ataque e a melhor defesa do estadual.


Mano Menezes acertou com Arrascaeta titular, e a Raposa começou arriscando. Postura retratada no primeiro gol: começa na direita, termina na esquerda, laterais avançando simultaneamente. Com o rival com mais de 60% de posse, o time alvinegro levou perigo pela primeira vez aos 19'. Boa cobrança de Cazares na falta cometida por Dedé, o melhor em campo, anulando Ricardo Oliveira. O duelo ganhou novos ares aos 24', com o cartão vermelho para Otero - não seria exagero se Edilson, injustamente expulso no clássico da primeira fase, tivesse o mesmo destino.

Thiago Neves e Arrascaeta: decisivos
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro)

O Cruzeiro repetiu o roteiro na etapa final. De novo, deu certo. Mancuello ameaçou em cabeçada no primeiro minuto, Robinho parou em Victor aos 3', Thiago Neves fez aos 7'. O Atlético, com Gustavo Blanco e Erik nas vagas de Luan e Ricardo Oliveira, tentou qualificar o passe no meio-campo para atacar em velocidade. Faltou poder de fogo para chegar ao gol, mas o time buscou os toques curtos e valorizou a posse - terminou com 48%, de acordo com o Footstats, mesmo com nove -, sinal da evolução com Thiago Larghi, que inexplicavelmente segue como interino.

Seis gols, emoção, polêmicas e embates à altura da tradição.
O título é do Cruzeiro, que foi o melhor em tudo no estadual.