Cruzeiro inicia reformulação, e aliados de Itair caem

Vinícius Dias
Publicada em 07/12/2019, às 18h

Se dentro de campo o Cruzeiro definirá seu destino diante do Palmeiras, neste domingo, no Mineirão, fora das quatro linhas o Conselho Gestor criado em outubro para conduzir a área administrativa do clube já deu início à reformulação. A expressão de ordem é cortar gastos. Cerca de 10 funcionários foram desligados nas últimas semanas.

Itair deixou o Cruzeiro em outubro
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

Conforme o Blog Toque Di Letra apurou, entre os recém-saídos estão pelo menos quatro aliados do ex-vice de futebol Itair Machado. Os profissionais ocupavam cargos nos departamentos de futebol, marketing, sócio-torcedor e gestão de arena. A tendência, independentemente do destino no Brasileirão, é de novos desligamentos a partir de segunda-feira.

Sem sofrimento não é Galo! Devolvam meu time!

Alisson Millo*
Publicada em 04/12/2019, às 11h25

Comemore, torcedor atleticano! Solte foguete, buzine pela cidade, rode a camisa e cante o hino. O Galo não vai cair. E a garantia veio com incríveis duas rodadas de antecedência. Devolvam meu time: sem o sofrimento de deixar para o último jogo não tem graça. Esse Atlético está ficando muito Nutella. A diretoria está tirando a essência dessa instituição tão tradicional de deixar tudo para os 45' do segundo tempo. Se você não entendeu a ironia, tenho péssimas notícias. Mas vamos voltar ao ritmo normal, afinal de contas a realidade do Atlético não tem graça nenhuma.


Vamos começar do começo. O jogo contra o Corinthians foi muito bom. Cazares, Jair e Marquinhos comeram a bola e foram os grandes responsáveis pelo placar de 2 a 1, que garantiu a permanência na primeira divisão. É preciso enaltecer o desempenho deles, a boa vitória e a excelente participação da Massa. Mas há muito tempo se foi o tempo de ficar feliz apenas por se livrar do rebaixamento. Embora, diante de todo o esforço feito pelo atual comando do clube, não cair é uma conquista.

Galo garantiu permanência na Série A
(Créditos: Bruno Cantini/Agência Galo/Atlético)

Não é por ter atingido o mínimo do mínimo que podemos ficar com a sensação de dever cumprido. Na verdade, longe disso. Ainda há chance de disputar a Sul-Americana na próxima temporada e, após chegar perto com um elenco tão limitado neste ano, é possível projetar uma boa campanha em 2020 também. Esse passa a ser o objetivo agora. Pensando, claro, em curto prazo. Em um espectro maior de tempo, as ambições precisam ser muito maiores e o trabalho precisa ser muito melhor. Mas muito mesmo.

No que se propôs a fazer, que foi austeridade financeira, o presidente está mandando mal. No seu sonho de ter o nome gritado pela torcida, o tiro saiu pela culatra. Em relação aos escolhidos para gerir nosso Galo, dentro e fora das quatro linhas, o critério parece ser compartilhar da incompetência de quem os contrata. No discurso, um monte de palavras vazias. O reflexo disso é sentido em campo e na sensação de barco à deriva que eu tenho - e, acredito, muita gente tem - em relação ao clube.

À la Flamengo... da pior forma possível

Há alguns dias, Guga caiu em desgraça por comemorar o título do Flamengo, e agora é minha vez de enaltecer o trabalho lá. Não o de hoje, muito bem feito por razões óbvias. Mas o anterior, do ex-presidente. Claro, as cotas deles são muito maiores do que as nossas, mas a dívida foi reduzida em milhões e está equalizada, permitindo os investimentos que formaram o elenco que dominou o futebol brasileiro em 2019. Quanto Sette Câmara assumiu, imaginei que ele seria o Bandeira de Mello do Atlético. Justiça seja feita, há semelhanças nos elencos sofríveis e que se livraram do rebaixamento em cima da hora. Na gestão, os caminhos são opostos.

Elenco precisa evoluir muito em 2020
(Créditos: Bruno Cantini/Agência Galo/Atlético)

Nossa dívida não diminui. Nosso pouco dinheiro é mal gasto. Nosso time é frágil. Nosso treinador é constantemente criticado e, talvez - apenas talvez - eu endosse o coro. Nosso diretor de futebol segue pelo mesmo caminho. Nossos atacantes não fazem gol. Nossos laterais não acertam cruzamento e não marcam direito. Nossa esperança está em um menino de 20 anos e em um craque que nunca sabemos quando realmente quer jogar.

Em um cenário normal, já passou da hora de planejar a próxima temporada. Mas seja sincero. O que te leva a crer que esse trabalho está sendo feito? Com todos os indícios dados pela atual gestão, qual é a esperança em ver uma mudança de realidade? No auge do meu pessimismo, a expectativa é de que 2020 seja, pelo menos, uma repetição deste ano. Poucas vezes na minha vida eu torci tanto para estar errado.

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
@amillo01 no Twitter, capitão da seção Fala, Atleticano!

De fracasso em fracasso... Galo vai se salvando

Alisson Millo*
Publicada em 22/11/2019, às 11h25

De empate em empate, de tropeço alheio em tropeço alheio, de fracasso em fracasso, de algum jeito, o Atlético vai se salvando. Na conta milagrosa dos 45 pontos, a matemática joga a favor, muito mais do que o próprio time. No planejamento para o próximo ano, a tabela joga muito mais a favor que a diretoria. Na realidade de hoje, os infortúnios de outros são os nossos melhores amigos. Há quem se contente, ache engraçado e bata palma. Há outros que ainda tentam dar um voto de confiança.


Longe de mim querer pautar milhões de atleticanos, mas me parece apequenar demais a instituição torcer apenas para que os outros se deem mal, especialmente quando a gente não está tão bem assim. O Atlético depende apenas de si para sobreviver graças a um início surpreendentemente positivo. Hoje, nem o discurso de 'só não cai porque tem gente pior' se aplica mais. Nosso futebol é um dos piores, senão o pior entre as 20 equipes da Série A e, muito possivelmente, entre algumas da B.

Time não tem vencido nem convencido
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

No último sábado, muita gente torceu contra e pediu para facilitar para o Fluminense e prejudicar o rival. Vamos abrir bem nossos olhos e avaliar melhor a situação em que nos encontramos. O Atlético não pode, de forma alguma, cogitar entregar uma partida, ainda mais frente a um concorrente direto na luta contra o rebaixamento. E ao colocar a mãozinha na consciência você vai ver que esse time aí não precisa fazer um pingo de força para jogar mal e deixar o adversário dominar a partida.

Entre imaturidade e irresponsabilidade

O Atlético tem remontado aos tempos mais obscuros. Um amontoado de experientes que não chamam a responsabilidade e se escoram em garotos que estão longe de estarem prontos para ser solução, mas que são os que mostram alma suficiente para vestir essa camisa. Contra o Goiás, Marquinhos e Bruninho salvaram. Contra o Fluminense, de novo Marquinhos foi decisivo. Na ausência de Victor, Cleiton tomou conta do gol. Guga, embora irregular, é superior a Patric. Se não estivesse no DM, Alerrandro possivelmente seria titular, visto a escassez de gols dos centroavantes.

Base é boa notícia em meio a fracassos
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Lindo, maravilhoso. Os jovens estão ocupando lugar de destaque, o que era cobrado há muito tempo. Mas vale recair apenas neles? A responsabilidade maior deveria recair sobre os medalhões, mas muitos deles já são tratados como carta fora do baralho, escancarando os problemas de gestão e planejamento. Elias provavelmente sairá. Ricardo Oliveira tem sido nulo quando entra em campo. Cazares, eternamente tratado como joia, perdeu a cadeira cativa no time titular. Léo Silva deve se aposentar. Os maiores salários do elenco são incógnitas ou dispensáveis.

O treinador chegou outro dia e só tem contrato até dezembro. Presidente e diretor de futebol pouco explicam. O barco afundando, os marujos não têm força para remar, o capitão não sabe o que faz e os donos do barco há muito tempo largaram para lá. Se não fossem os mais novos se matando para tampar buraco e jogar água fora, talvez o Atlético hoje estivesse na Série B. A 'base que não revela ninguém' é a salvação do clube.

Se não é o cenário ideal, que sirva de lição adiante. Não se faz um time com estrelas de brilho fosco. É preciso espaço para que os jovens se desenvolvam e assumam o protagonismo quando realmente estiverem prontos. Enquanto a preferência for por renomados que não produzem, empates e fracassos alheios serão tudo que teremos para comemorar.

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
@amillo01 no Twitter, capitão da seção Fala, Atleticano!

Das glórias ao bagaço: o pior Cruzeiro que vi

Vinícius Dias
Publicada em 19/11/2019, às 10h55

Vi Gladstone e Bruno Simões serem expulsos, Marcinho marcar o terceiro do Atlético, de pênalti, e Fábio, de costas para o gol, sofrer o quarto no clássico da decisão do Campeonato Mineiro de 2007. Vi a eliminação diante do São Paulo na Libertadores de 2010 com o volante Fábio Santos, depois de ser vaiado, anunciar a aposentadoria ainda no gramado do Mineirão. Vi Neymar, com três gols e uma assistência, humilhar o time de Celso Roth e ser aplaudido na Arena Independência, em 2012.


Vi a derrota por 3 a 0 para o River Plate, nas quartas de final, dar um choque de realidade e por fim ao sonho do tri na Libertadores de 2015. Vi o Fluminense de Abel Braga fazer 6 a 2 em pleno Mineirão, em 2005, com Petkovic e Tuta sobrando diante da zaga formada por Marcelo Batatais e Moisés. Vi a derrota por 3 a 0 para o Vasco, no Campeonato Brasileiro de 2001, com Edmundo, contratado a peso de ouro, demitido após perder pênalti e dizer que não comemoraria gol contra o ex-clube.

Cruzeiro tropeçou no rebaixado Avaí
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

Em 2011, vi o Once Caldas eliminar o que parecia Barcelona das Américas, mas era quase um time de Série B. Mas aquele time tinha alma de elite. O de hoje envergonha o cruzeirense. Sem técnica, sem tática, sem coração. Com ídolo que nunca foi ídolo nem deveria ser titular recordando saída que bateu na trave, homenageando dirigente questionado pela torcida e chancelando queda de treinador que tentou mudar os rumos da história. Com a peça mais cara do elenco apresentando futebol digno de dó.

Nesses 26 anos de futebol, o atual Cruzeiro é o pior que vi.
Com a assinatura de quem transformou glórias em bagaço.