Cruzeiro gastou R$ 908 mil com festas em 2018

Vinícius Dias
Publicada em 12/12/2019, às 15h30

Em meio a críticas às finanças da gestão anterior, o Cruzeiro gastou mais de R$ 908 mil com eventos em 2018, de acordo com representação encaminhada ao Conselho contra o presidente Wagner Pires de Sá e seus vices. Esse é um dos argumentos de conselheiros e associados para embasar o pedido de convocação de reunião para votar o afastamento da chapa eleita em 2017. O Blog Toque Di Letra teve acesso à documentação, apresentada inicialmente em outubro e novamente protocolada nessa terça-feira.

Presidente após hexa da Copa do Brasil
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

Conforme apuração da reportagem, a informação entre lideranças do Conselho é de que apenas a comemoração do hexacampeonato da Copa do Brasil, o mais caro entre os eventos listados, respondeu por mais de 60% da quantia: custo superior a R$ 600 mil. A relação ainda inclui valores desembolsados com festa de confraternização, carnaval, aniversários de conselheiros, jantar da diretoria, entre outros. Na representação, os gastos foram qualificados como oferecimento de vantagens e benefícios a outrem.

Cotas de TV e cessão de ingressos

O documento protocolado também menciona questões como o desvio de finalidade na concessão de ingressos - 36.813 bilhetes foram cedidos gratuitamente nos oito jogos de mando celeste no Mineiro de 2018 - e a antecipação de receitas. A gestão Wagner Pires de Sá antecipou mais de R$ 70,2 milhões em cotas de TV que seriam pagas entre julho de 2019 e outubro de 2022. Na operação, viabilizada por meio de um fundo, no entanto, o Cruzeiro recebeu R$ 58 milhões como valor final.

Cruzeiro: Wagner e vices podem cair no dia 27

Vinícius Dias
Publicada em 10/12/2019, às 15h20

Com o nome marcado na história do Cruzeiro como presidente do inédito rebaixamento, Wagner Pires de Sá pode ter seu mandato encerrado bem antes do previsto. Nas últimas horas, lideranças do Conselho intensificaram articulações em prol da reconvocação de assembleia geral para definir o afastamento do mandatário e de seus vices por 120 dias.


Conforme o Blog Toque Di Letra apurou, a proposta é de que a reunião ocorra até o próximo dia 27. A sugestão passa pelo simbolismo de afastar o trio antes de 2 de janeiro, data em que o clube completará 99 anos. Após protocolar o pedido de reconvocação com 161 assinaturas, a articulação já reúne mais de 200 nomes, entre conselheiros e associados.

Reunião pode afastar trio neste mês
(Créditos: Chapa União/Divulgação)

A expectativa é de que, após optar pelo adiamento em outubro, Zezé Perrella oficialize a reconvocação em breve. O pedido teve adesão de figuras como o ex-presidente Gilvan Tavares; os ex-vices Biagio Peluso e Lidson Potsch; João Carlos Amorim, ex-presidente do Conselho; Anísio Ciscotto, ex-presidente do Conselho Fiscal; e o ex-diretor de futebol Dimas Fonseca.

Cruzeiro inicia reformulação, e aliados de Itair caem

Vinícius Dias
Publicada em 07/12/2019, às 18h

Se dentro de campo o Cruzeiro definirá seu destino diante do Palmeiras, neste domingo, no Mineirão, fora das quatro linhas o Conselho Gestor criado em outubro para conduzir a área administrativa do clube já deu início à reformulação. A expressão de ordem é cortar gastos. Cerca de 10 funcionários foram desligados nas últimas semanas.

Itair deixou o Cruzeiro em outubro
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

Conforme o Blog Toque Di Letra apurou, entre os recém-saídos estão pelo menos quatro aliados do ex-vice de futebol Itair Machado. Os profissionais ocupavam cargos nos departamentos de futebol, marketing, sócio-torcedor e gestão de arena. A tendência, independentemente do destino no Brasileirão, é de novos desligamentos a partir de segunda-feira.

Sem sofrimento não é Galo! Devolvam meu time!

Alisson Millo*
Publicada em 04/12/2019, às 11h25

Comemore, torcedor atleticano! Solte foguete, buzine pela cidade, rode a camisa e cante o hino. O Galo não vai cair. E a garantia veio com incríveis duas rodadas de antecedência. Devolvam meu time: sem o sofrimento de deixar para o último jogo não tem graça. Esse Atlético está ficando muito Nutella. A diretoria está tirando a essência dessa instituição tão tradicional de deixar tudo para os 45' do segundo tempo. Se você não entendeu a ironia, tenho péssimas notícias. Mas vamos voltar ao ritmo normal, afinal de contas a realidade do Atlético não tem graça nenhuma.


Vamos começar do começo. O jogo contra o Corinthians foi muito bom. Cazares, Jair e Marquinhos comeram a bola e foram os grandes responsáveis pelo placar de 2 a 1, que garantiu a permanência na primeira divisão. É preciso enaltecer o desempenho deles, a boa vitória e a excelente participação da Massa. Mas há muito tempo se foi o tempo de ficar feliz apenas por se livrar do rebaixamento. Embora, diante de todo o esforço feito pelo atual comando do clube, não cair é uma conquista.

Galo garantiu permanência na Série A
(Créditos: Bruno Cantini/Agência Galo/Atlético)

Não é por ter atingido o mínimo do mínimo que podemos ficar com a sensação de dever cumprido. Na verdade, longe disso. Ainda há chance de disputar a Sul-Americana na próxima temporada e, após chegar perto com um elenco tão limitado neste ano, é possível projetar uma boa campanha em 2020 também. Esse passa a ser o objetivo agora. Pensando, claro, em curto prazo. Em um espectro maior de tempo, as ambições precisam ser muito maiores e o trabalho precisa ser muito melhor. Mas muito mesmo.

No que se propôs a fazer, que foi austeridade financeira, o presidente está mandando mal. No seu sonho de ter o nome gritado pela torcida, o tiro saiu pela culatra. Em relação aos escolhidos para gerir nosso Galo, dentro e fora das quatro linhas, o critério parece ser compartilhar da incompetência de quem os contrata. No discurso, um monte de palavras vazias. O reflexo disso é sentido em campo e na sensação de barco à deriva que eu tenho - e, acredito, muita gente tem - em relação ao clube.

À la Flamengo... da pior forma possível

Há alguns dias, Guga caiu em desgraça por comemorar o título do Flamengo, e agora é minha vez de enaltecer o trabalho lá. Não o de hoje, muito bem feito por razões óbvias. Mas o anterior, do ex-presidente. Claro, as cotas deles são muito maiores do que as nossas, mas a dívida foi reduzida em milhões e está equalizada, permitindo os investimentos que formaram o elenco que dominou o futebol brasileiro em 2019. Quanto Sette Câmara assumiu, imaginei que ele seria o Bandeira de Mello do Atlético. Justiça seja feita, há semelhanças nos elencos sofríveis e que se livraram do rebaixamento em cima da hora. Na gestão, os caminhos são opostos.

Elenco precisa evoluir muito em 2020
(Créditos: Bruno Cantini/Agência Galo/Atlético)

Nossa dívida não diminui. Nosso pouco dinheiro é mal gasto. Nosso time é frágil. Nosso treinador é constantemente criticado e, talvez - apenas talvez - eu endosse o coro. Nosso diretor de futebol segue pelo mesmo caminho. Nossos atacantes não fazem gol. Nossos laterais não acertam cruzamento e não marcam direito. Nossa esperança está em um menino de 20 anos e em um craque que nunca sabemos quando realmente quer jogar.

Em um cenário normal, já passou da hora de planejar a próxima temporada. Mas seja sincero. O que te leva a crer que esse trabalho está sendo feito? Com todos os indícios dados pela atual gestão, qual é a esperança em ver uma mudança de realidade? No auge do meu pessimismo, a expectativa é de que 2020 seja, pelo menos, uma repetição deste ano. Poucas vezes na minha vida eu torci tanto para estar errado.

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
@amillo01 no Twitter, capitão da seção Fala, Atleticano!