Vitória da seleção diante de 52,6 mil torcedores no Gigante da
Pampulha, na sexta-feira, contrasta com a realidade dos clubes

Vinícius Dias

Com o apoio de 52.660 vozes, que registraram na sexta-feira passada o recorde de público da temporada no Mineirão, o Brasil superou a Austrália por 7 a 6, nos pênaltis, alcançando a fase semifinal do torneio de futebol feminino dos Jogos Olímpicos. Uma noite de festa justa, mas distante da realidade da modalidade no estado. No dia a dia, à margem do Gigante da Pampulha, as atletas convivem com apoio escasso, públicos ínfimos e, em diversos casos, precisam utilizar os próprios recursos para manter vivo o sonho de jogar futebol.


"Infelizmente, a rotina não é igual à do futebol masculino profissional. Não vivemos somente de futebol. Temos que conciliar com estudos, trabalho", pontua Aline Guedes, do América, ao Blog Toque Di Letra. Graduada em Educação Física, a camisa 10 divide-se entre a o dia a dia do Coelho, que assinou sua carteira profissional há seis meses, e a função de assistente técnica das categorias de base no Olympico Club. "Quando preciso viajar, meu trabalho me libera e me apoia", revela.

Aline Guedes em treino do Coelho
(Créditos: América FC/Divulgação)

Único clube mineiro a manter um time profissional feminino atualmente, o América reúne um mosaico em seu elenco: entre as 26 jogadoras, há de empresária a cabeleireira. "Nos desdobramos para fazer tudo com amor e dedicação", afirma Guedes, como é conhecida a meio-campista. A força de vontade é um artifício para encarar as dificuldades que pontuam a rotina. "Não posso dizer que seja totalmente preconceito da sociedade, mas isso ainda existe, infelizmente", diz a atleta, de 26 anos.

Amadorismo e pouco apoio

A falta de apoio do mercado, somada ao amadorismo da maior parte dos clubes, afeta também o Campeonato Mineiro. O principal torneio feminino em nível estadual, cujo campeão ganha vaga na Copa do Brasil, terá início em setembro. Para essa edição, não foi fechado um acordo de patrocínio. "Diferentemente do ano passado (houve aporte de empresa do ramo de laticínios), nós vamos arcar com arbitragens e quadro móvel", confirma o diretor de competições da FMF, Paulo Bracks.

Conselho técnico do torneio feminino
(Créditos: Site Oficial da FMF/Divulgação)

A competição terá apenas seis equipes - duas a menos do que no último ano - e calendário com 16 jogos. Um sétimo clube chegou a se inscrever, desistindo no conselho técnico. Outro manifestou interesse após o prazo legal. Dos 12 da elite masculina, somente o América disputará. "Tentamos fomentar, mas há dificuldade e, às vezes, não é nem financeira. É cultural, mesmo", analisa Bracks, lamentando o fato de os jogos, apesar de terem entrada franca, registrarem média de público baixa.

No interior de Minas Gerais

No interior, a situação é ainda mais difícil. Dos seis inscritos no estadual, somente o Ipatinga, atual campeão, não pertence ao eixo capital-Região Metropolitana. Em Itabirito, por exemplo, uma equipe de futsal chegou a almejar a transição para o campo nos últimos anos. A falta de apoio, no entanto, resultou no fim das atividades. "Não tínhamos condições de arcar com as despesas de campeonatos, uniformes e materiais para os treinos. Tirávamos do bolso o dinheiro da gasolina (da técnica)", rememora Luana Chaves, de 22 anos, que atuava como goleira.

Duelo entre Prointer e Ipatinga, em BH
(Créditos: Cinthya Santos/FMF/Divulgação)

Daquele elenco, seis atletas agora atuam em times femininos de futebol, futsal ou society no estado, enquanto a ex-treinadora integra a comissão técnica do América. Para as demais, como Luana, que hoje trabalha como monitora de estacionamento em Itabirito, ficaram a saudade e o plano de futuramente retomar as atividades. "Nosso maior sonho é ver o nome de nossa cidade como referência. Temos excelentes atletas e meninas novas chegando", garante. O que falta, então? Apoio.


Alagoano, de 32 anos, deixou Belo Horizonte no último mês e
pretende somar R$ 45 mil nas Olimpíadas; foto custa até R$ 50

Vinícius Dias

De volta ao Rio de Janeiro, José Róbson Batista de Oliveira vem faturando alto nesses dias de Olimpíadas na cidade. A semelhança física com o ídolo Ronaldinho Gaúcho é o grande trunfo do alagoano, de 32 anos. Presença constante nas partidas do Atlético em Belo Horizonte a partir de 2012, o sósia tem chamado a atenção dos turistas estrangeiros nos arredores da tradicional Praia de Copacabana.


Por foto, o alagoano tem cobrado até R$ 50. "Os hermanos ficam doidos, me chamam de Dinho", afirma Róbson ao Blog Toque Di Letra. Entre os grandes interessados em um registro ao lado do sósia estão argentinos e mexicanos, país em que o craque atuou na temporada 2014/2015. Antes dos Jogos, José Róbson havia traçado uma meta de faturamento na faixa de R$ 25 mil até o dia 22 de agosto.

Róbson, a caráter, no Rio de Janeiro
(Créditos: Arquivo Pessoal/Róbson Oliveira)

Diante do sucesso que teve nos primeiros dias, agora já fala em atingir R$ 45 mil. "Depois vi que poderia aumentar", confirma. Caso bata a meta, ele planeja doar uma parte do dinheiro para um projeto social voltado para o público infantil. Os próximos passos do alagoano, entretanto, devem ser dados bem longe de estádios e arenas. "Vou pegar pesado em um curso técnico de teatro", diz.

No ritmo de Robinho, Galo avança

Alisson Millo*

O ano era 2002, o técnico era Celso Roth e, depois de um longo período nas categorias de base, o habilidoso jovem Róbson fazia sua estreia pelo profissional do Santos na histórica Vila Belmiro. Neste domingo, 14 anos depois, o atacante volta mais uma vez ao palco de suas maiores alegrias, mas pronto para viver uma sensação diferente. Pela primeira vez, o agora craque atleticano vai enfrentar seu clube de formação - e do coração. E a recepção promete ser nada calorosa.


Tudo porque, no início deste ano, Robinho negociava com Santos e Galo, mas escolheu não retornar pela terceira vez ao Peixe. A torcida da equipe praiana viu a recusa como ofensa e deve protestar, chamando o atleta de mercenário. Detalhes à parte, melhor para nós. O camisa 7 foi o artilheiro atleticano no Campeonato Mineiro e, no Brasileiro, é o goleador e líder em assistências. Em campo, Robinho tem sido o principal nome de um elenco recheado de estrelas.

Talento em campo e alegria fora dele
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Além da qualidade técnica - bem acima da média -, mostra versatilidade e bastante aplicação tática. Aberto na esquerda, onde rende mais, Robinho também volta para ajudar na marcação perto do lateral e dos volantes e é uma excelente válvula de escape nos contra-ataques. Quando foi preciso, mesmo como armador, contribuiu com bons passes. Mas o destaque é o entrosamento com Fred e as trocas de posição que, às vezes, colocam o camisa 7 como centroavante, confundindo a marcação.

De artilheiro a garçom

Ex-Real Madrid, Manchester City e Milan, Robinho vive, hoje, talvez a sua melhor fase desde o segundo título brasileiro com o Santos, em 2004. Já bem adaptado ao esquema de Marcelo Oliveira, é peça-chave, chamando a responsabilidade mesmo em momentos difíceis, como quando o alvinegro convivia com vários desfalques. Com equipe quase completa, o ex-18º se tornou vice-líder. Muito graças às ótimas atuações de Robinho. Tomando como exemplo o triunfo sobre a Chapecoense, fez um gol e participou de outros dois: no fim, 3 a 1 para o Atlético.

Robinho comemora gol pelo Atlético
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Seja na Vila Belmiro ou na Arena Independência, que a boa fase continue, que a fila acabe e o título venha no final do ano. O time tem qualidade, o treinador já mostrou que é capaz e a massa merece. Das arquibancadas, seguiremos conjugando o verbo acreditar. Afinal, no ritmo de Robinho, o Galo avança rumo ao caneco. 

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
Goleiro titular e atual capitão da seção Fala, Atleticano!


Nationalelf e atacante Nils Petersen, que marcou cinco gols
em 11 a 0 ante Fiji, alcançaram marcas históricas no estádio

Vinícius Dias

Algoz da seleção brasileira na semifinal da Copa do Mundo de 2014, duelo que marcou o maior revés da história canarinho e o maior público pagante registrado no Mineirão desde a reabertura, em 2013, a Alemanha voltou a fazer história no Gigante da Pampulha nessa quarta-feira. Com o triunfo diante de Fiji, por 10 a 0, em confronto válido pelo grupo C do torneio de futebol dos Jogos Olímpicos, a Nationalelf escreveu mais dois recordes no gramado do novo Mineirão.

Petersen: cinco gols no triunfo
(Créditos: Agência i7/Mineirão)

O placar final de 10 a 0 diante da seleção do país da Oceania, lanterna da chave, garantiu à seleção comandada por Horst Hrubesch a maior goleada do estádio no período pós-reabertura, por exemplo. Considerados os 51 anos de história, o recorde pertence ao Cruzeiro. Em 1980, o time celeste venceu o Flamengo, de Varginha, por 11 a 0, em jogo válido pela primeira fase do Campeonato Mineiro.

Tarde de Nils Petersen

Ao balançar as redes por cinco vezes nessa quarta-feira, o camisa 18 Nils Petersen também fez história. O centroavante, que atualmente defende o Freiburg, da Alemanha, foi o primeiro jogador a marcar cinco gols em uma partida no novo Mineirão e, ainda, o primeiro estrangeiro a registrar esse feito na história do estádio.