31/10/2013


Nas capas de setembro e novembro, revista dá destaque a
personagens do 2013 'mágico' para o futebol belorizontino

Vinícius Dias

Campeão estadual e da Copa Libertadores, o Atlético ainda sonha com o Mundial, no mês de dezembro, para completar a trinca em dois-mil-e-Galo. No lado azul da cidade, dez anos depois do inesquecível 2003, o Cruzeiro planeja confirmar a conquista do tri brasileiro em novembro. Sucesso nos gramados, a dupla de BH ainda tem sido destaque nas capas da Revista Placar, da Editora Abril.


Em novembro, o trio Dedé, Willian e Nilton, do Cruzeiro, ilustra a capa da publicação, que promete trazer os segredos do sucesso do time celeste, que superou o mau momento para se aproximar da conquista nacional. A revista ainda traz uma entrevista exclusiva com o meia Alex, do Coritiba, ídolo da Raposa.

Dedé, Nilton e Willian: trio azul
(Créditos: Divulgação/Revista Placar)

Dois meses antes, motivada pelo inédito título do Galo na Libertadores, a edição de setembro trouxe o goleiro Victor como personagem de capa. A proposta da revista era lembrar os milagres e o processo de 'canonização' do camisa 1. Foram, ao todo, cinco páginas dedicadas ao mais novo herói da massa alvinegra.

Produção caseira...

Os trabalhos são fruto de uma dobradinha mineira. As fotografias são de Eugênio Sávio, professor da PUC Minas. Breiller Pires é responsável pelas matérias. "Em 2012, o Atlético, pela boa campanha no Brasileiro, já havia ganhado destaque na revista", observa Breiller. Foram quatro capas, ao longo do ano. Agora, o sucesso é dividido com o Cruzeiro. "Naturalmente, isso gera um apelo maior na hora de escolhermos os personagens de capa regional", acrescenta.

Victor: um heroi das Américas
(Créditos: Divulgação/Revista Placar)

Outro fato apontado por Breiller Pires é a presença de atletas de sucesso internacional em Minas Gerais. "Casos de Ronaldinho Gaúcho (Atlético) e Júlio Baptista (Cruzeiro)", elenca. O bom momento se reflete também na Bola de Prata. No último ano, além de R10, Bola de Ouro, outros quatro alvinegros foram coroados. "Agora, pelo menos seis cruzeirenses brigam pelo prêmio", destaca.

Leitores aprovam...

A iniciativa teve a aprovação dos leitores. "Estava demorando eles darem um foco maior para o Cruzeiro, que faz um excelente campeonato", fala Priscila Ribeiro, que é assinante da revista. "Agora é esperar a edição do Brasileiro", pontua. Opinião que é compartilhada pelo atleticano Frederico Paco. "O foco dado pela revista, em suas capas, aos clubes mineiros foi proporcional e justo", fala.

Ainda mais sucesso

Pelo menos até dezembro, Breiller garante um olhar atento. "Com o Atlético às vésperas de disputar o Mundial e o Cruzeiro a poucos passos do título brasileiro, os grandes de Minas vão continuar em evidência na revista até o fim do ano", conclui.

CHARGE - Diego de la España

(Créditos: Renato Peters/Reprodução)

28/10/2013

Azul, de raça e superação

Vinícius Dias

Faltava uma pitada de emoção? Já não falta mais. Faltavam três pontos forjados na raça, na superação? Já não faltam mais. Da festa, traduzida pelo bom início celeste, ao silêncio (quase) ensurdecedor, motivado pela inacreditável virada do Criciúma, os mais de 40 mil presentes no Mineirão viveram uma noite mágica. Oito gols, duas viradas no placar, vibração e alegria incontida.

LEIA MAIS: Matemática do título!

O futebol completava 150 anos, e a Raposa, com o apoio da China Azul, parecia brindá-lo. De marcação sob pressão, intensidade e precisão nas troca de passes se criava o ode azul. Em menos de 20 minutos, o placar marcava 2 a 0. Mas, como se tivesse cometido algum impropério, viria o castigo. Foi tão rápido quanto duro. Com João Victor, Lins e Ricardinho: Criciúma 3 a 2.

Éverton Ribeiro: olhar para o céu
(Créditos: Juliana Flister/Textual)

O torcedor, ao fechar os olhos, tinha a dimensão do golpe, do pesadelo. Que convertia a impaciência num único grito. "Raça!". O quarto revés em cinco duelos parecia colocar em xeque a boa campanha. Até Sueliton ser expulso. De novo, sorrisos se acumulavam nas faces dos cerca de 40 mil cruzeirenses.

O sorriso do torcedor...

O time celeste voltara a atuar como na primeira metade da etapa inicial. Vontade, ocupação de espaços, força. E a velocidade do garoto Mayke, que encontrou Borges livre para marcar, festejar... e, novamente, adotar uma expressão sisuda. Entre o 12º e o 31º minuto, um Mineirão dividido, em dúvida. Voltaria a sorte a bater à porta? Teria o Cruzeiro fôlego para buscar a virada?

5 a 3: a duas vitórias do 'paraíso'
(Créditos: Juliana Flister/Textual)

Sim, sim, afirmou Borges! De novo ela, a velocidade. Agora de Élber, re-encontrando o camisa 9. Que brindaria com as redes, iria aos braços dos torcedores e às lágrimas. A epopeia havia sido concluída. Restavam detalhes. E o quinto gol. Dos pés de Dagoberto, abraçado por Borges, o heroi. O homem que chorou!

... lágrimas do goleador

O choro de Borges foi também a alegria, a certeza do título próximo e do trabalho premiado. Faltam dois passos - ou seis pontos - para o paraíso. Poderia ter sido mais fácil. Não foi! Poderia ter sido uma partida. Foi uma batalha! Tão longe, tão perto, o Cruzeiro sabe onde quer chegar. Neste sábado, foi a hora de conhecer caminhos alternativos. Que atendem por raça e superação.

26/10/2013

Prato do dia: três pontos

Alexandre Oliveira

Para tentar voltar ao caminho das vitórias no Brasileirão, o Cruzeiro sobe ao gramado do Mineirão às 18h30, para encarar o Criciúma em duelo da 31ª rodada da competição. Nas últimas quatro rodadas, a equipe celeste perdeu três vezes, venceu apenas uma. Seria motivo de desespero para qualquer equipe, mas não para o Cruzeiro, que ainda tem boa vantagem sobre os rivais. Porém, o alerta deve estar ligado para o jogo contra os catarinenses.


Mesmo na zona de rebaixamento, o Tigre tem dado trabalho para clubes que disputam posições na parte de cima da tabela. O Criciúma chegou a bater o Grêmio, em Porto Alegre, e ainda empatou com o Goiás, no Serra Dourada. Por isso, o Cruzeiro deve saber que, nessa noite, terá um rival disposto a surpreendê-lo.

Borges comanda ataque estrelado
(Créditos: Washington Alves/Textual)

Sem Bruno Rodrigo, Nilton e Ricardo Goulart, a missão de "reencontrar" o caminho das vitórias deve ser um pouco mais difícil. O zagueiro Léo, que deve ser o substituto de Bruno Rodrigo, não foi bem diante do Coritiba. Apesar disso, o defensor já mostrou a qualidade, e vai formar a zaga ao lado de Dedé.

Dupla de qualidade

Henrique e Dagoberto entram em campo nos lugares de Nilton e Ricardo Goulart, respectivamente. No confronto com o Inter, em Porto Alegre, a dupla foi escalada, e substituiu à altura os desfalques do técnico Marcelo Oliveira. A expectativa na Toca é de que eles repitam a boa atuação na partida deste sábado.

Mineirão é trunfo do time celeste
(Créditos: Bernardo Salce/Textual)

As atenções celestes devem se concentrar no lado direito do ataque do Tigre. O lateral Sueliton apóia bastante o ataque, e é um jogador muito veloz, que chega com frequência à linha de fundo. Outro perigo do clube catarinense é o atacante Lins. Por força de contrato, Wellington Paulista não entra em campo hoje. Marcel, centroavante de boa estatura, será a aposta de Argel.

A força do povo...

Com mais de 30 mil bilhetes já vendidos para o confronto no Mineirão, o clube celeste tem tudo para voltar a mostrar a bola de algumas rodadas atrás, quando encantou o Brasil com a sua facilidade extrema de chegar ao gol adversário. Por isso, os recentes reveses do time azul não devem abalar a equipe. Vamos torcer apenas para que as baixas tenham ficado para trás.

A 'bancada da bola'

Vinícius Dias

A ótima fase dos clubes da capital em 2013 trouxe consigo o desejo dos partidos políticos por nomes de apelo junto ao eleitorado para as eleições do próximo ano. Depois de os mandatários de Atlético, Alexandre Kalil, e Cruzeiro, Gilvan de Pinho, se filiarem ao PSB e PV, respectivamente, foi a vez de o goleiro e capitão da Raposa, Fábio, recusar um convite para se filiar ao PC do B.

A proposta do partido era de que o craque azul disputasse uma vaga de deputado estadual. Ao Blog Toque Di Letra, o empresário do camisa 1, João Sérgio, confirmou o convite e destacou os motivos da recusa. "Ele ficou muito feliz pela lembrança, mas ainda é muito cedo", observou. "Ele está focado na carreira, e isso é uma coisa para a gente pensar quando ele parar", disse.

'Muito feliz' no clube

No Cruzeiro desde 2005, Fábio já realizou 528 partidas com a camisa do clube. A intenção, segundo João Sérgio, é dar continuidade à história. "Ele adora a instituição e está muito feliz aqui em todos os aspectos", disse. Depois da renovação em 2011, Fábio tem contrato com o time celeste até maio de 2016.

20/10/2013

A volta de quem não foi

Douglas Zimmer

Depois de uma semana muito atípica, na qual a torcida cruzeirense passou pelo que ainda não havia vivenciado em 2013, com a equipe perdendo duas partidas seguidas, eis que a Raposa voltou ao Mineirão e venceu a equipe do Fluminense pelo placar mínimo. A desconfiança que já tratavam de tentar plantar no subconsciente do torcedor celeste foi logo mandada de volta para o lugar de onde pretendia vir.

LEIA MAIS: Matemática do título!

Jogando em casa e com o apoio da torcida que, logicamente, continua acreditando no título e no potencial do time que defende suas cores, o Cruzeiro não precisou de muito tempo para abrir o placar. Borges, aproveitando jogada individual de Ricardo Goulart, foi mais rápido e inteligente que o defensor tricolor e mandou no canto esquerdo de Kléver. Uma espécie de redenção para o camisa 9, cujo nome foi anunciado sob uma quantidade significativa de vaias, que em seguida, foram substituídas por aplausos e apoio.

Na quarta, Cruzeiro bateu o Flu
(Créditos: Bernardo Salce/Textual)

No restante do jogo, brilhou mais forte a estrela da defesa cruzeirense que, se não contava com as intervenções precisas e decisivas de Fábio, contava com a falta de pontaria dos atacantes tricolores. Especialmente de Samuel, que perdeu pelo menos duas chances claras de gol para os cariocas. O Cruzeiro também criou belas oportunidades de ampliar o marcador, mas quase sempre esbarrava na pressa e no excesso de capricho por parte dos avançados.

Duelo com o ídolo!

E é com esse retorno da confiança, que nem sequer chegou a ir embora, que os comandados de Marcelo Oliveira vão até Curitiba enfrentar o Coxa, primeiro time acima da zona de rebaixamento e que convive com o medo de entrar nela a qualquer momento. A equipe paranaense é a lanterna do returno com apenas uma vitória em onze jogos. A ausência do sempre diferenciado Alex é um dos motivos para que a equipe tenha deixado de brigar pela liderança, para amargar uma posição muito incômoda na tábua de classificação.

Em agosto: Cruzeiro 1 x 0 Coxa
(Créditos: Washington Alves/Vipcomm)

O Cruzeiro, que nada tem a ver com essa situação, vai pro confronto reforçado de Dedé, que retorna de excursão com a Seleção Brasileira. O zagueiro volta a formar a dupla de zaga com Bruno Rodrigo depois de dois jogos ausente. Outro que deve retornar ao time titular é Ceará, que volta à lateral direita, mantendo aquele esquema de rodízio que Marcelo Oliveira já vem fazendo há algum tempo. A terceira e última mudança da equipe com relação ao último jogo é a promoção de Henrique no lugar de Lucas Silva, suspenso pelo acúmulo de cartões amarelos.

Dá-lhe, Cruzeiro!

Vivendo realidades distintas, Coritiba e Cruzeiro se enfrentam neste domingo às 18h30 buscando fôlego para a reta final do Brasileirão. Vejamos o que o Cruzeiro pode trazer consigo do Sul.

Matemática do título

Kessler Cotta*

Com o final do Campeonato Brasileiro se aproximando e o provável título celeste em curso, tornou-se possível fazer previsões e analisar a tabela. Creio que a maioria está ciente de que o título pode vir, mas não tem a noção de quando.

A equipe da Toca da Raposa enfrenta Coritiba (fora), Criciúma (casa) e Santos (fora) nas próximas três rodadas. Enquanto o Grêmio, vice-líder, tem Inter (fora), Coritiba (fora) e Bahia (casa). No domingo seguinte, na 33ª rodada, os dois clubes se enfrentam em Minas. A partida pode dar o título ao Cruzeiro.

Jogo do título...

Para ser campeão contra o Grêmio, o Cruzeiro deve chegar ao dia 10 de novembro tendo uma vantagem mínima de 12 pontos. Nessa situação, a equipe estrelada precisaria de uma vitória para abrir 15 pontos. Faltando cinco jogos, os gaúchos ainda poderiam igualar a pontuação e o total de vitórias azuis. Mas teriam que tirar a desvantagem no saldo, hoje em 19 gols pró-Cruzeiro.

As contas são simples. A Raposa precisa somar dois pontos a mais que o Grêmio nas três rodadas. Exemplo: se o Cruzeiro vencer duas e empatar uma, o Grêmio poderia ganhar uma e empatar duas, no máximo. Em outro cenário, se o Cruzeiro ganhar duas e perder uma, o time gaúcho poderia ter, no máximo, uma vitória, um empate e uma derrota - ou seja, somar quatro pontos.

O fator 'Furacão'

Se o Cruzeiro ganhar as três, o único cenário que impede o clube mineiro de conquistar o título na "final" diante do Grêmio seriam três vitórias da equipe gaúcha frente Inter, Coritiba e Bahia. Claro, esta previsão é feita assumindo que o Atlético/PR não vai vencer seus três jogos, adiando um possível título.

Portanto, se tudo correr conforme o planejado, a campanha do Cruzeiro pode ter como "clímax" e talvez episódio definitivo, o confronto contra o Grêmio, no Mineirão.

*No Twitter, @MrKesz

Para quebrar o tabu

Alexandre Oliveira

Tentando quebrar o tabu contra o Flamengo, o Atlético entra em campo pela 30ª rodada do Campeonato Brasileiro. O Galo não vence a equipe carioca há três anos e, para o jogo desta tarde, o treinador Cuca terá novos problemas para escalar o time titular.

Além dos seis jogadores que receberam cartão na última rodada e vão cumprir suspensão diante do Flamengo - Marcos Rocha, Josué, Leandro Donizete, Luan, Diego Tardelli e Alecsandro -, há também seis desfalques importantes por conta de contusão - Réver, Richarlyson, Michel, Dátolo, Gilberto Silva e Ronaldinho -, além do lateral-esquerdo Júnior César, fora por questão de contrato.

No domingo, Galo bateu a Raposa
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

O Galo é um dos times que mais sofreu com as baixas no elenco nesse Brasileirão. Porém, mesmo assim consegue manter a regularidade, o que mostra a qualidade do elenco atleticano. O alvinegro é atualmente o oitavo colocado e pode retomar a quinta posição, perdida após a derrota na última rodada.

Adversário desfalcado

Por outro lado, tendo mais baixos que altos no Campeonato Brasileiro, o time carioca tenta repetir o desempenho do turno, quando bateu o Galo por 3 a 0, no Mané Garrincha. Para o jogo de hoje, o técnico Jayme de Almeida deve poupar atletas titulares, como Léo Moura, Elias e Paulinho visando ao jogo do meio de semana, ante o Botafogo, pelas quartas de final da Copa do Brasil.

Victor retorna ao gol do Atlético
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Porém, não é por isso que o time atleticano deve relaxar. Os atacantes Hernane e Rafinha são responsáveis pela maioria dos gols marcados pela equipe carioca, e devem estar presentes no gramado do Independência nesta tarde.

À moda Libertadores...
                  
Mesmo com metade do time titular fora das quatro linhas, o torcedor do alvinegro deve acreditar. O Galo parece ter "reencontrado" a maneira de atuar que nos acostumamos a ver durante a Libertadores. Somando ao fato de o goleiro Victor e o camisa 7 Jô estarem de volta à equipe, o Atlético tem tudo para quebrar o tabu diante do Flamengo, hoje. Aliás, esse seria apenas mais um tabu quebrado pelo time atleticano em 2013. Vamos ao jogo!

18/10/2013

Futebol à moda italiana

Tiago de Melo

Há algumas semanas, de férias na Itália, tive a oportunidade de assistir a duas partidas da liga local de dentro do estádio. O que me moveu não foi apenas a paixão pelo futebol. Também queria uma amostra de como é a experiência de vivenciar in-loco uma partida de um importante campeonato europeu. E, claro, ver em que medida essa experiência seria diferente de assistir a uma partida no Brasil.

A primeira das partidas foi entre o Torino e o Verona, no Olímpico de Turim. A partida ocorreu numa chuvosa noite de quarta-feira, de modo que as arquibancadas não receberam um grande público. Dentro de campo, a partida tampouco encantou, e o nível técnico foi semelhante ao de inúmeras partidas que vemos no Brasil. Deve-se dar o desconto devido ao fato de a temporada estar no início, mas se poderia esperar mais de equipes que não estão mal colocadas em uma importante liga européia - no momento, o Verona é o quinto colocado, e o Torino o décimo.

Torino e Verona: empate por 2 a 2
(Créditos: Arquivo Pessoal/Tiago de Melo)

O que realmente impressiona é a organização. O sistema de transporte público de Turim é muito bom, a chegada ao estádio foi tranquila, retirei minha credencial de jornalista e ocupei o espaço a mim designado em apenas alguns minutos. O estádio Olímpico não tem nada de excepcional, estando no nível de vários estádios brasileiros, claramente abaixo das arenas da Copa, mas é muito bem cuidado e o gramado é excelente.

Jornalista ou torcedor?

Chamou a atenção o comportamento dos jornalistas. Os profissionais na tribuna da imprensa se comportavam como torcedores, de forma explícita. Do meu lado, por diversas vezes um radialista fechava seu microfone para xingar o árbitro com todos os palavrões imagináveis. E, a despeito dos inúmeros avisos de que era proibido fumar, o tabaco corria solto. E não poucos consumiam bebidas alcoólicas.

Juventus levou a melhor em dérbi
(Créditos: Arquivo Pessoal/Tiago de Melo)

A segunda partida foi o clássico local, entre Torino e Juventus, no mesmo estádio. Havia uma maratona na cidade, os ônibus tinham seu itinerário modificado, e a chegada ao Olímpico não foi tão eficiente. Mas a partir do momento em que se chegava aos arredores do estádio, tudo ficava simples. Poucos minutos se passaram entre eu terminar um sanduíche de pernil em uma barraca do lado de fora até o momento em que sentei no lugar designado. Quis sentir o clima das arquibancadas e não utilizei minha credencial, sem ter nenhum problema para comprar meu ingresso com alguns dias de antecedência.

Respeito aos lugares

Nas arquibancadas o clima era de clássico, mas o comportamento dos torcedores não era essencialmente distinto do que vemos no Brasil, exceto por alguns detalhes, como o respeito aos lugares marcados. A torcida do Torino fez valer o mando de campo, e ocupou algo como três quartos das arquibancadas, fazendo uma bonita festa grená. Menos numerosa, a torcida da Juve parecia também menos animada. Talvez porque o clássico seja mais importante para o Toro, que há tempos deixou de ser protagonista no futebol local.

Torcida do Toro animou o estádio
(Créditos: Arquivo Pessoal/Tiago de Melo)

Dentro de campo as coisas correram melhores que na partida anterior, mas nem tanto assim. Ainda que desfalcada (Pirlo, por exemplo, não jogou), a Juventus tinha jogadores de qualidade suficiente para se impor ao medíocre Torino, tais como Buffon, Tevez e Pogba. Mas territorialmente a partida foi equilibrada, e a vitória da Juve pela contagem mínima se deveu basicamente à melhor qualidade individual dos jogadores e à ineficácia dos locais em criar qualquer situação de perigo.

Melhor? Nem tanto...

A curta experiência me levou a duas conclusões. A primeira é de que por vezes o futebol europeu é superestimado por aqui. Há mais dinheiro e jogadores de alto nível, mas ficou a impressão de que a maioria dos clubes de lá não se destacaria por aqui. Os confrontos de gigantes que vemos na Liga dos Campeões estão muito mais para exceção do que para regra por lá.

Mas também ficou um certo gosto amargo, ao constatar que várias das vantagens do futebol europeu só não existem aqui por pura incompetência nossa. Venda antecipada de ingressos pela internet com lugares marcados, transporte público eficiente, acesso fácil ao interior do estádio, arquibancadas limpas, gramados bem cuidados, nada disso demanda cofres abarrotados de dinheiro. Poderíamos ter tudo isso com uma organização decente. Mas definitivamente não temos.

14/10/2013

Caiu... mas segue vivo!

Vinícius Dias

Clássico! O quinto do ano, segundo no Horto... Em disputa, bem mais que três pontos. Para o Cruzeiro, chance de reafirmar o bom momento e abrir 13 pontos de vantagem no Brasileirão, com o benefício do empate entre Grêmio e Fluminense, no sábado. Para o Atlético, a chance de derrotar o rival, novamente testar a nova formação e caminhar em ritmo acelerado rumo ao Mundial.

Com o apoio dos torcedores, em bom número na Arena Independência, o Atlético dominou o confronto desde os primeiros minutos. Diego Tardelli, flutuando entre o meio-campo e as laterais, e Fernandinho, explorando (e vencendo) os choques com Ceará, eram os destaques. Melhor, a equipe alvinegra encontrava um adversário sólido em seu principal objetivo: não sofrer gols.

Fernandinho foi o nome do clássico
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

A 'aposta' (sem êxito) de Marcelo Oliveira era na velocidade dos contra-ataques. A tarde apagada de Nilton e dos meias, entretanto, facilitava a marcação do rival e deixava Borges, também mal, isolado. Foi dos pés de Ricardo Goulart, no início da etapa final, que surgiu a principal chance do Cruzeiro. Giovanni fez ótima defesa. Daí adiante prevaleceu o ímpeto do time de Cuca.

O último golpe...

Aos 41 minutos, Fernandinho, o nome da partida, fez o gol que deu três pontos ao Atlético. Festa justa de quem buscou a vitória o jogo todo e, agora, vai ao Marrocos em busca de fazer a história. O sucesso alvinegro passou por fazer o Cruzeiro provar de sua própria arma: a marcação sob pressão. A derrota azul foi o retrato de um time combalido ao testar um novo estilo de jogo.

Seja pelo próprio brilho ou pela sorte, vale o recado:
O Cruzeiro caiu no Horto, mas segue vivo e favorito!

13/10/2013

Confiança alvinegra

Alisson Millo

Lembro-me de ter escrito antes do último clássico que aquele jogo pouco importava para o Atlético. Realmente, logo depois de conquistar a Copa Libertadores pouca coisa tem muito valor. Mas de lá para cá muita coisa mudou, e muito tempo passou. Não dá mais para viver sob as glórias de antes.


No último encontro o Cruzeiro fez quatro na equipe reserva do Atlético e ninguém falou nada. "Ganhamos a Libertadores e vocês jogaram contra os reservas". Qual torcedor não usou essa desculpa? Agora ela acabou, só a vitória interessa.

Em maio, Galo "cantou" no Horto
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

De fato, sem Ronaldinho. Mas um time grande não pode viver de um jogador apenas. Réver ainda é dúvida, mas Émerson é um grande zagueiro. Victor e Jô na seleção, mas Giovanni é bom goleiro e do Alecsandro se espera muto, afinal ele é um dos artilheiros da “era dos pontos corridos”. Leandro Donizete já tem condições de atuar 90 minutos, Tardelli vem fazendo bem a função de armador, Luan, sempre com suas loucuras, vem sendo regular e Fernandinho é constantemente o melhor do Galo.

A vez da experiência...

Qualquer elogio a Pierre é mera redundância. Leo Silva é um dos melhores zagueiros do país e Junior César é bastante seguro na lateral esquerda. No meio campo tem ainda Josué, que pode ser titular. Com grande passagem pela seleção brasileira, o volante atleticano é veterano, experiente, mas ainda assim, tem muito futebol para mostrar.

Confiança nos pés de Fernandinho
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

O adversário de domingo é o melhor time do país? Talvez, mas o Atlético é o melhor das Américas, com chance de provar ser o melhor do mundo. O Galo joga em casa, a torcida atleticana é maioria e há a motivação de tentar complicar o rival na luta pelo título. Esse jogo vale muito!

Todo clássico vale demais... Todo clássico tem que entrar para ganhar. Titular, reserva ou sub-15. Galo é Galo e sempre tem que ir para ganhar, ainda mais do lado azul da lagoa. Então, bica bicudo! Enterra mais um no Horto!

Com a força do banco

Douglas Zimmer

Se há alguma frase disparada pelos boleiros e que virou um dos bordões mais corretos do futebol é o tradicional "clássico é clássico e vice-versa". A imprevisibilidade de um jogo entre duas equipes que emanam entre seus jogadores e torcedores a essência de uma batalha maior que a própria definição de o que vem a ser o esporte mais popular do universo. São noventa minutos onde todo o trabalho, o esforço, a história do clube é invocada e os jogadores precisam estar no limite.

Com o Cruzeiro na liderança do campeonato, cabe ao Atlético/MG tentar atrapalhar ao máximo a conquista do rival. Nada mais natural. Entretanto, mesmo que os dois times estivessem ocupando posições intermediárias na tabela de classificação, tenho certeza de que todos os envolvidos iriam para o jogo para tentar superar o adversário a qualquer custo. A flauta da segunda-feira é um prêmio valioso para quem tiver a felicidade e a competência de sair de campo vitorioso. 

No último clássico, vitória celeste
(Créditos: Denilton Dias/Vipcomm)

A Raposa vai para a partida em busca de recuperação, já que foi derrotada em casa pelo São Paulo na última rodada. Marcelo Oliveira promete repetir a formação que não conseguiu se desvencilhar da forte marcação dos paulistas. Levando a campo o time que já está na ponta da língua de todo torcedor, com exceção do zagueiro Dedé que, infelizmente para a gente, está passeando com a Seleção Brasileira pela Ásia. A esperança é de que o entrosamento e as jogadas agudas reapareçam e façam a diferença.

A força do banco...

Marcelo Oliveira fechou a preparação para o clássico fechando parte do treino. Espero que algumas boas jogadas de bola parada tenham sido testadas exaustivamente porque já estou dando falta daquelas armadilhas que costumamos armar na defesa adversária. A manutenção da equipe titular é muito importante, mas tenho um palpite aqui comigo de que quem vai decidir o jogo é o banco de reservas. Opções não faltam.

Dagoberto: opção cinco estrelas
(Créditos: Juliana Flister/Vipcomm)

É impossível se manter alheio a um jogo como este. Se eu fosse o Cruzeiro, não perderia tempo e procurava me impor desde o começo do jogo. Para mim, já ficou claro que a equipe rende muito mais quando controla as ações ofensivas e mantém a posse de bola em busca do gol incessantemente.

Espero que Marcelo Oliveira pense a mesma coisa.
Força, Cruzeiro! 


Zagueiro de três Copas, Gilberto Silva exalta conquista da
Copa Libertadores, e destaca: 'estava esperando eu voltar'

Vinícius Dias

Por trás da expressão comedida se construiu um vencedor. De Londres a Atenas, Gilberto Silva conquistou sete títulos em nove anos pela Europa. Ídolo das torcidas de Arsenal e Panathinaikos, o mineiro, natural de Lagoa da Prata, retornou a casa em janeiro último. Com a camisa atleticana, o sonho da Libertadores virou realidade. "Eu brinquei outro dia: acho que o Atlético estava esperando eu voltar para ter essa conquista'", observa o camisa 15.

Gilberto festeja boa fase do Galo
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Mesmo lesionado, Gilberto Silva, que completou 37 anos no último dia 07, se sente feliz. O que não significa acomodação. Ao lado de atletas como Alex, Rogério Ceni e Juninho Pernambucano, ele integra o elenco do Bom Senso FC. "Nós queremos expor as nossas idéias para colaborar em uma melhora do esporte no Brasil", pontua, descartando a ideia de confronto. Enquanto isso, já se prepara para voltar aos gramados, sonhando com o título do Mundial.

A infância de grande parte dos maiores esportistas brasileiros foi marcada pelos obstáculos. A sua não foge muito à regra. Por duas vezes, você chegou a deixar o futebol, para dar apoio financeiro à família. Mesmo assim, o que te fez acreditar que aquele sonho se tornaria possível? E em quê as dificuldades contribuíram para seu sucesso?

Quando eu tomei a decisão de voltar para o interior e trabalhar para ajudar em casa, me senti meio que na obrigação de ajudar a família, realmente. Meu pai era o único que trabalhava, nós somos quatro filhos, minha mãe doente. Então, eu, como filho mais velho e único homem, me senti nessa obrigação. Mas nunca apagou de mim a vontade de um dia voltar. O que me fez voltar, até a condição de a minha mãe ter melhorado, foi aquele sentimento de tentar outra vez. De um dia chegar mais velho e não ter nenhum arrependimento, mesmo se não desse certo. E felizmente tudo caminhou bem.

Quando voltou ao Brasil, você fez, no primeiro momento, a opção pelo Grêmio, onde atuou até vir para o Atlético. Dez anos depois, entre Europa e Rio Grande do Sul, qual foi a principal mudança que você observou na estrutura e no projeto do futebol nacional? Hoje há mais organização?

Olha, houve uma melhora significativa. No Brasil, Atlético, Grêmio e América são os três clubes em que joguei, e no Atlético continuo jogando. Eu não posso falar muito amplamente das outras equipes, por não conhecer a estrutura, não ter acompanhado tão a fundo em todo esse tempo em que fiquei fora. Mas eu tive uma surpresa positiva em relação ao Grêmio, na questão de organização. Lógico que sempre tem muita coisa a melhorar. Aqui no Atlético, encontrei uma estrutura totalmente diferente de quando eu saí. No América, ainda não tive a oportunidade de ver como se encontra. As notícias que eu tenho são de que houve uma melhora. Mas, agora, jogando o Campeonato Brasileiro, tem coisas que ainda precisam ser melhoradas.

Um dos pontos ainda muito questionados é o calendário nacional. Em menos tempo, as equipes atuam bem mais que na Europa, por exemplo. Esse questionamento deu origem ao Bom Senso FC, do qual você participa. Hoje qual é a principal bandeira levantada por esse movimento?

Esse movimento surgiu por uma reclamação dos atletas, pelo cansaço, pelo excesso de jogos, você não tem um tempo hábil para descansar de um jogo para o outro. Nós já ficamos aí uma sequência grande, de até dois meses, sem ter um período de folga, jogando duas vezes por semana, quarta e domingo. Quando você pratica um esporte de alto rendimento como é o futebol, ainda mais da forma como é hoje, onde a parte física é muito exigida, quando você tem uma sequência muito grande, como nós temos tido, o tempo de descanso é muito curto, praticamente não existe.

Então, a partir daí originou-se esse movimento. Os jogadores foram entrando em contato uns com os outros, e foi crescendo. Os outros jogadores integrando também, para que nós possamos ser ouvidos e levar também as nossas idéias. Não é uma ideia de confronto. Talvez, na cabeça de muita gente, acham que nós vamos confrontar a CBF, confrontar os clubes. Não é nada disso. Nós queremos expor as nossas idéias, para colaborar em uma melhora do esporte no Brasil.

Seu retorno ao Atlético foi marcado por momentos muito distintos. Você chegou ao clube com o sonho de disputar títulos e, em sete meses, já havia comemorado a Libertadores e o Mineiro. Um mês depois, você sofreu uma lesão e foi operado. Como está o Gilberto hoje? Você terá condições de ir ao Mundial? Você planeja renovar com o Atlético?

Hoje, o Gilberto está tranquilo, feliz da vida, mesmo me recuperando de lesão. Acho que isso também é uma dificuldade que a gente enfrenta na carreira. Na minha vida profissional aconteceu o sucesso, mas teve momentos de baixa também, como lesão. Eu já tive lesão na minha primeira passagem pelo Atlético, depois no Arsenal. No Panathinaikos, graças a Deus, passei ileso. No Grêmio tive uma pequena lesão muscular, foi a primeira vez que tive uma lesão muscular na vida. E enfim isso faz parte, infelizmente. A gente tem que aprender a lidar com isso. Apesar de que a gente gosta é de estar dentro do campo, fazendo o que a gente gosta.

Mas, quando eu vim para o Atlético, o objetivo, como sempre foi na minha carreira, era chegar para conquistar campeonatos, conquistar títulos, ajudar o clube a esses objetivos. E não foi diferente nas outras equipes. Infelizmente, no Grêmio não tive essa oportunidade. Tivemos próximos, mas não conseguimos esse objetivo. Aqui no Atlético, em pouco tempo, já houve essas conquistas importantes. Estou me preparando para essa reta final de Brasileiro e para estar pronto para o Mundial.

11 anos depois de ter festejado a Copa do Mundo, você chegou ao topo da América em um dos melhores times da história alvinegra. Como é, para você, ter participado desses dois momentos únicos? Eles se equivalem?

Cada momento é diferente, tem sua particularidade, e cada um é especial à sua maneira, da forma como foi construído. Eu cheguei ao Atlético em 2000, saindo do América, ainda jovem, com vários sonhos, muito caminho a percorrer e, pouco a pouco, fui conquistando meu espaço aqui dentro, até me tornar titular definitivo, e posteriormente ter ido para a seleção, saído do país. Agora, eu volto para participar de um momento histórico na vida do clube. Talvez um dos melhores momentos que o clube tenha vivido, desde o ano passado até agora. Eu me sinto privilegiado por poder fazer parte dessa história.

Eu até brinquei outro dia: acho que o Atlético estava esperando eu voltar para ter essa conquista, ou faltava eu chegar para ajudar nesse ponto, também. Eu acho que é bacana, depois de vários anos, ter jogado aqui, retornar ao clube, ter uma conquista como essa, que até o momento é a mais importante da história. Mas o clube não pode parar simplesmente nessa conquista. Quando você atinge uma conquista como essa, ela tem que te impulsionar a outras.

E todo mundo tem que ter consciência da responsabilidade que carrega, a partir do momento em que você atinge uma conquista dessa, e saber que, em qualquer lugar que você chegue, aqui no Brasil ou no mundo, as pessoas vão te reconhecer pelo resultado do seu trabalho. E é importante que nós consigamos manter daqui para frente as conquistas, que vão levar o clube para um patamar diferente do que já se encontrava, um crescimento maior. E, com isso, todo mundo colhe os benefícios.

Você disputou as últimas três Copas do Mundo e, durante cerca de dez anos, viveu o ambiente da seleção brasileira. Sua maior glória veio sob o comando do Felipão em 2002. Agora, com o retorno do técnico e com a chance de atuar em casa, qual a expectativa que você tem para 2014?

Olha, hoje, não sei se pelo fato de o Felipão ter voltado, mas a gente consegue ter uma visão maior em relação ao time, uma compactação melhor, mais definida. Coisa que, infelizmente, com o Mano (Menezes, técnico da seleção entre julho de 2010 e novembro de 2012), nós demoramos a ter a definição de um time. Talvez isso atrapalhou um pouco nessa formação de elenco e até dificultou o trabalho dele, também. Mas foram opções dele, você tem que respeitar. E o Felipão, pelo curto tempo que ele tem, não dá para fazer grandes mudanças, muitas experiências.

Logicamente, ele colhe muita coisa deixada pelo Mano, do que o Mano fez nesse período de dois anos e meio, mas a chegada dele tem um peso diferente. Com respeito ao que o Mano representa, mas o Felipão é um campeão do mundo. O Felipão tem um reconhecimento mundial diferente, então pelo fato de ele ter chegado as pessoas já enxergam a seleção de forma diferente. O que a gente espera é que a seleção encontre o melhor futebol, coisa que demorou um pouco a encaixar, até pela mudança que houve após 2010.

Mudou-se praticamente todos os jogadores, não ficou uma base, não foi utilizada uma base da seleção anterior para montar esse novo grupo. Mas o que a gente tem que fazer é a nossa parte, agora como torcedor, torcer, acreditar nos profissionais que estão ali, nos atletas. Mas ter a consciência de que vai ser uma pressão muito grande, a dificuldade vai ser muito grande, até porque todo mundo se prepara para esse momento. Provavelmente, das grandes seleções, a seleção brasileira é a mais jovem e com menos tempo de formação comparada às outras europeias.

Com maior poder econômico, os clubes brasileiros têm, cada vez mais, recorrido a grandes nomes do mercado internacional. Neste cenário, como você vê o fato de, ao mesmo tempo, se apresentar como novo mercado promissor, e tentar valorizar os processos de formação de atletas?

Eu penso que a partir do momento que você consegue captar mais recurso para o clube, coisa que era diferente há dez anos, você não pode ser imediatista em relação a um processo até mesmo de conquistas. Infelizmente, no Brasil nós temos uma cultura imediatista. Se você não conquista títulos de imediato, não serve, tem que trocar tudo. Acho que as conquistas vêm como consequência de trabalho. Quando você consegue manter o treinador por mais tempo, consegue formar um bom grupo, e não é tão simples você formar um grupo de qualidade, que vai conquistar títulos.

Você não consegue fazer isso da noite para o dia. Até você chegar à melhor formação leva algum tempo. E, às vezes, a parte de comando tem uma interferência muito grande nesse aspecto. Então, que as pessoas utilizem esse recurso que se aumentou hoje, para valorizar todos os setores do clube, desde a formação de base, mas investir até mesmo na capacitação do atleta profissional como um todo, não somente dentro do campo. Mas na capacidade dele, até mesmo de se relacionar no dia-a-dia, para que quando ele chegar ao profissional ele esteja bem preparado para poder dar o retorno que o clube espera.

E aí o clube cresce como um todo. Conquistando títulos, formando grandes atletas, grandes personalidades também, que vão ser representantes do clube e poder, a partir do momento em que sair, deixar algo bem positivo em relação ao trabalho, mas, ao mesmo tempo, levar uma boa imagem do clube.

Entre tantas idas e vindas, a carreira de um atleta profissional tem seus pontos altos e baixos. Hoje, aos 37 anos, qual você considera ter sido o momento mais 'difícil' de sua trajetória? Como agiu para superá-lo?

O período que foi um pouco complicado para mim, profissionalmente, não foi nem quando eu estive machucado. Acho que, para mim, isso faz parte da profissão. E as lesões que eu tive durante a carreira foram coisas que eu aprendi a lidar com elas. Mas um período difícil foi a minha última temporada no Arsenal (Gilberto defendeu o clube entre agosto de 2002 e julho de 2008), quando eu tinha acabado de ser campeão da Copa América (de 2007) com a seleção brasileira, voltei e daí passei a não ser mais titular, de uma hora para outra. Foi um pouco difícil para mim entender as razões do treinador.

Quando eu vi que as coisas não iam mudar muito, a única coisa que eu procurei foi fazer o meu trabalho, curtir o momento e não entender que ir para o clube todo dia seria um peso. Mas tinha que ser um momento de satisfação, de alegria, porque, mesmo não jogando, eu estava em um grande clube e tinha que fazer o meu trabalho. Mas não adiantava eu fazer sem a minha cabeça estar ali, sem estar ali de corpo e alma. Era importante eu fazer bem, desfrutar, ter meu lado profissional, mas estar com o lado mental ali também, e de forma positiva, para poder, mesmo com o desconforto de não jogar, dar a minha contribuição.