16/12/2015


Meia-atacante do Guangzhou Evergrande elogia condições
de trabalho no país, visto como 'novo eldorado' do futebol

Vinícius Dias

Contratado por € 15 milhões, Ricardo Goulart desembarcou na China com status de craque e a missão de conduzir o Guangzhou Evergrande a seu quinto título nacional consecutivo. Em campo, fez bem mais do que isso. Vice-artilheiro e craque do campeonato do país, o camisa 11 foi, também, goleador e principal nome da equipe na conquista da Liga dos Campeões asiática. Uma temporada dos sonhos, compartilhada com o treinador Luiz Felipe Scolari e com cinco atletas brasileiros. "Todos me ajudaram muito", reconhece Goulart.

Ex-cruzeirense festeja gol na China
(Créditos: Facebook/Reprodução)

O sucesso recente do Guangzhou, fruto do intercâmbio entre brasileiros, chineses e um sul-coreano, ajuda a explicar a afirmação do futebol local, cujo calendário e organização são muito elogiados pelo meia-atacante. "A estrutura de trabalho e física aqui (na China) são muito boas", avalia. E ainda é possível ir além. Nesta quinta-feira, o time de Cantão entrará em campo diante do Barcelona, de Messi e Luis Suárez, sonhando com uma vaga na decisão do Mundial de Clubes. "Estamos preparados para jogar a competição", afirma Ricardo Goulart.

A operação que o levou ao Guangzhou, em janeiro, representou a maior venda da história do Cruzeiro, ratificando a força econômica dos clubes chineses. Após uma temporada no país, em termos de estrutura - estádios, centros de treinamento e afins -, qual é o seu diagnóstico sobre a realidade local?

A estrutura de trabalho e física aqui (na China) são muito boas. O futebol (local) está evoluindo, profissionais de vários países estão chegando, e consequentemente os chineses também têm evoluído. É uma cultura diferente da nossa, mas que, aos poucos, vamos nos adaptando.

Quanto a rotina de trabalho e dinâmica de jogo, quais as principais diferenças que você nota no futebol chinês em comparação com o cenário brasileiro?

O futebol chinês é muito rápido. Eles correm muito! Talvez essa seja a principal diferença. A rotina de trabalho é parecida. Só temos menos jogos e um pouco mais de tempo de folga, como consequência de um calendário mais organizado.

Você atua na equipe que tem o maior número de brasileiros - seis, além do técnico Felipão. Isso, de algum modo, contribuiu para sua rápida adaptação? Como é o convívio de vocês, brasileiros, com os atletas locais?

Todos me ajudaram muito. Desde que cheguei, fui bem recebido por eles e o convívio é muito bom. A gente sempre está um na casa do outro, sai para jantar... Foi muito bom esse respaldo e ajudou a todos.

O mercado chinês, tradicionalmente, não é 'ponte' para Europa ou seleção. Mesmo atuando em bom nível e tendo sido eleito o melhor jogador do campeonato local, você se considera, neste momento, mais distante desses dois sonhos?

Não estou pensando nisso. Penso em fazer o meu trabalho. Hoje, com os diversos meios de comunicação, qualquer um pode acompanhar jogos de futebol em qualquer lugar do mundo. Na China não é diferente. Sabemos que é mais difícil e a competitividade é diferente, mas a Liga da Ásia e o Mundial estão aí para mostrar que o futebol daqui também é bem competitivo.

A última imagem de Felipão para boa parte dos brasileiros é a do fracasso na Copa de 2014. Em cinco meses na China, no entanto, foram dois títulos conquistados. Qual é a sua impressão sobre o método de trabalho dele?

Muito boa. Ele chegou aqui muito bem, colocou sua forma de trabalhar, foi muito bem recebido e os resultados (além do Campeonato Chinês, o Guangzhou conquistou a Liga dos Campeões da Ásia sob o comando do técnico) vieram.

Vocês terão a oportunidade de disputar o Mundial de Clubes neste mês. O caminho até a final passa pelo duelo com o Barcelona, por exemplo. O Guangzhou chegará ao torneio como azarão? Ou vocês se veem prontos para buscar o título?

Estamos preparados para jogar a competição. Não podemos pensar em título ou em Barcelona, mas sim temos de ir passo a passo. Esse é o nosso pensamento e assim vamos buscar nossos objetivos.

(Nota da redação: esta entrevista foi realizada no dia 11 de dezembro, antevéspera da estreia do Guangzhou no Mundial).

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