21/10/2018

O novo 6x1: maior de Minas e da Copa do Brasil

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul!

Salve! Seis vezes salve. Confesso que a ficha ainda não caiu completamente. Conforme o Cruzeiro ia avançando as fases, eu sempre ia alimentando mais um pouquinho a esperança de ser campeão mais uma vez. Cada minuto de bola rolando nessa Copa do Brasil foi se transformando em um minuto de sonho que eu ia agregando às minhas noites, às vezes mal dormidas. Até os acréscimos do jogo de quarta-feira eu ainda estava perplexo, quase que atônito diante da iminência de levantar pela sexta vez, a segunda seguida, essa taça que tanto tem a cara do maior de Minas. Agora, isoladamente, o Cruzeiro é o maior campeão da Copa do Brasil e, de quebra, o time brasileiro com mais títulos nacionais no século XXI.


E se a Copa do Brasil tem o jeito do Cruzeiro, a recíproca é verdadeira. O Cruzeiro deste ano parece que foi forjado milimetricamente para essa conquista. Como quase tudo nessa vida, o resultado não é fruto de apenas uma variável. Muitos são os responsáveis pelo título, cada um com seu grau de importância em tempos e situações distintas. Como corneteiro assumindo que sou, não posso deixar de reconhecer o trabalho de cada um. A direção, por exemplo, que não raramente é alvo de críticas por minha parte quando da montagem dos elencos e do planejamento para as temporadas, acertou na medida certa em pontos cruciais. A manutenção de praticamente toda a equipe que havia sido penta no ano passado e de seu comandante, bem como a chegada de reforços pontuais como Edilson, Egídio e Barcos, especialmente, foi de suma importância. Ponto para essa nova gestão, que começa seu trabalho muito bem - pelo menos em termos de resultados.

Por falar em comandante, é preciso tirar o chapéu para Mano Menezes. Soube levar o elenco quase que ao limite em todas as fases do torneio, dando uma identidade única à equipe, unindo seu estilo defensivo a um aproveitamento muito bom das chances dadas pelos adversários. O time estava em sintonia perfeita com os pensamentos do treinador, muito obediente taticamente e surpreendentemente efetivo, em especial nas partidas fora de Belo Horizonte. A Raposa venceu todos os seus adversários longe de Minas Gerais e, apesar de alguns sustos desnecessários, segurou a barra em casa e foi eliminando-os um a um. Por fim, quando precisou dar início a um confronto como mandante, justamente na grande decisão, Mano foi mais uma vez perfeito em seu esquema e montou uma estratégia que nos permitiu um domínio quase que absoluto dos 180 minutos de batalha.

Seis vezes Cruzeiro: torcida festejou em SP
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

O grupo de jogadores esteve, como diriam os mais antigos, mais frio que o outro lado do travesseiro. Não consigo me recordar de nenhum momento em que os jogadores tenham aparentado nervosismo além do natural e falta de concentração. Seria injusto de minha parte escolher um ou dois nomes para realçar, mas é inevitável lembrar algumas situações. Fábio foi novamente fantástico. Os três pênaltis defendidos contra o Santos já seriam motivo suficiente para dar a ele boa parte dos créditos. Mas ele foi além. Leo e Dedé se mostraram muito sólidos. Uma dupla que está cada vez mais afinada e evolui constantemente. Egídio e Edilson, ainda que não jogando seu melhor futebol, deram a tranquilidade que faltava à defesa. Barcos foi fantástico nos jogos contra o Palmeiras. Queimou minha língua, inclusive. Arrascaeta saiu do Japão para encerrar o último ato da conquista em Itaquera. Enfim, é injusto de minha parte falar só de alguns nomes, mas saibam que todos estão de parabéns e fizeram um trabalho incrível. Todos. Sem exceção.

A torcida, nossa apaixonada torcida, deu seu já tradicional show dentro e fora de campo. Apoio e festa tanto em casa como em terreno adversário. A esperança de se tornar o maior campeão da Copa do Brasil estampada em cada rosto, resumida em cada gesto de fé, em cada grito de gol, transformada em realidade na explosão do apito final e da festa que tomou conta de Belo Horizonte e de Minas Gerais toda. Onde houver um cruzeirense nesse mundão, haverá um incurável sonhador, um inesgotável guerreiro, um inabalável torcedor. Durante esta conquista não foi diferente. Essa taça é para cada um dos milhões de cruzeirenses espalhados pelo planeta. Eu, ainda que more longe do centro desse universo tão maravilhoso, me sinto muito honrado, agradecido e feliz por fazer parte de mais essa página.

Força, Cruzeiro!

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!

17/10/2018

Cruzeiro: pela sexta página heroica e imortal

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul!

Meus amigos, estamos há um passo de levantar pela sexta vez a Copa do Brasil. Encontramo-nos literalmente a 90 minutos de segurar a taça com as duas mãos e podermos dizer: é nossa. É nossa não só porque, caso aconteça, seremos os campeões de 2018, mas também porque somos, sem sombra de dúvidas, o clube que mais se identifica com essa competição que sabe ser emocionante como poucas. A Copa já está em casa, tendo em vista que somos os atuais campeões. Temos a nobre e muito difícil tarefa de manter o caneco por mais um ano na Toca da Raposa.


Como o Cruzeiro e o cruzeirense amam essa competição! E não é só por agora estarmos em vias de disputar mais uma decisão. O torcedor celeste vive e transpira a Copa do Brasil sempre que as cores de nosso amado clube estão envolvidas na disputa. Todo cruzeirense apaixonado tem pelo menos uma boa história para contar sobre as memórias do torneio. Talvez alguns se lembrem, com sabor amargo nas palavras, dos insucessos, das conquistas que bateram na trave e das eliminações doloridas. Tudo isso faz parte da vida e não teria como ser diferente na trajetória de um clube.

Cruzeiro mira o hexa da Copa do Brasil
(Créditos: Cristiane Mattos/Light Press/Cruzeiro)

Tenho certeza, no entanto, de que os olhos do torcedor brilharão para falar sobre as nossas conquistas. Os mais vividos contarão sobre como Roberto Gaúcho foi buscar uma bola quase perdida na linha de fundo para, depois, mandar um cruzamento na cabeça de Cleison, que desempatou uma final encardida contra o Grêmio, em 1993, arrancando o grito de campeão da torcida que lotava o Mineirão e acompanhava o jogo nos quatro cantos do Brasil, acabando com 27 anos de jejum de títulos nacionais. Um fato memorável depois da terrível década de 1980.

Do Parque Antártica ao Mineirão

Com o primeiro título, o cruzeirense tomou gosto pela Copa e passou a desejá-la cada vez mais. Com o passar dos anos, vieram novas conquistas. Em 1996, veio o primeiro e único título comemorado fora de casa. Derrotamos o poderoso Palmeiras na grande final, com direito a virada no Parque Antártica depois de um empate no primeiro jogo. Em 2000, foi a vez de conquistarmos o nosso título mais sofrido. Pelo menos em termos de final. É praticamente impossível que algum dos amigos leitores ou dos demais milhões de felizardos em torcer pelo Maior de Minas não se lembre do gol de falta de Giovanni já no apagar das luzes, virando a partida contra o São Paulo, em Belo Horizonte, e garantindo o tricampeonato.

Raposa comemorou bi em São Paulo
(Créditos: Site Oficial do Cruzeiro/Arquivo)

Três anos depois, um dos maiores times que o futebol brasileiro já produziu deixou a vitória no primeiro jogo escapar aos 48' do segundo tempo, no Maracanã, mas não tomou conhecimento do Flamengo no confronto de volta. Em uma das partidas mais emblemáticas dos comandados de Vanderlei Luxemburgo, com três gols de cabeça ainda no primeiro tempo, o Cruzeiro não tomou conhecimento do adversário e os mais de 80 mil presentes no Gigante de Pampulha comemoraram nosso quarto troféu.

Do fim do jejum à luta pelo hexa

Passaram-se longos 14 anos. Nesse intervalo, tivemos grandes times. Vivemos o sonho em 2013 e 2014. Brigamos no topo em quase tudo o que disputamos. Mas a nossa tão íntima amiga se mostrava distante e insistia em não voltar aos nossos braços. No ano passado, contrariando quase todos os prognósticos, superamos excelentes equipes durante a campanha e, na decisão, vencemos o drama das penalidades máximas depois de dois empates com a bola rolando e conquistamos nosso penta diante do Flamengo. Agora, outra vez estamos na grande final, com uma pequena, mas importantíssima vantagem conquistada na semana passada.

Na ida, Cruzeiro fez a festa em casa
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

Tudo o que narrei até aqui, amigos, é história! Se, pela idade, tenho poucas memórias das primeiras conquistas, as mais recentes estão absolutamente vivas nas recordações e, em dias como hoje, vêm à tona a cada momento, me tiram o sono e me fazem ansiar quase que desesperadamente pelo novo título. Evidentemente, não será apenas mais um jogo. Um dia, se tudo der certo, a quarta-feira também será parte dessa pesquisa e estará junto com as demais vitórias. Por ora, guerreiros, é a história sendo escrita. É o futebol vivo, o Cruzeiro em toda a sua essência, corpo e alma em campo em busca de mais uma página heroica, imortal e inesquecível.

Força, Cruzeiro!
Nossos corações estarão todos em Itaquera, lutando com você.

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!

13/10/2018

Clássicos: Adilson tem 81% diante do Atlético

Vinícius Dias

Depois de 3.157 dias, Adilson Batista voltará à área técnica em um clássico mineiro. Neste domingo, o paranaense comandará o América diante do Atlético, na Arena Independência. E, no que depender do retrospecto diante do Galo, os torcedores alviverdes já têm motivos para comemorar. Nos 12 confrontos entre 2008 e 2010, sempre dirigindo o Cruzeiro, o treinador registrou 80,55% de aproveitamento.

Técnico perdeu apenas um de 12 jogos
(Créditos: Mourão Panda/América)

Sob o comando de Adilson Batista, o time celeste teve nove vitórias, dois empates e apenas uma derrota contra o Atlético. O retrospecto inclui a conquista dos estaduais de 2008 e 2009 - em ambos, a Raposa venceu o jogo de ida por 5 a 0, no Mineirão - e do Torneio de Verão, disputado no Uruguai. O único revés aconteceu às vésperas da final da Libertadores de 2009, com o Cruzeiro escalando reservas no Brasileirão.

Clássicos de Adilson Batista em Minas Gerais:

2008 - Atlético 0x0 Cruzeiro - Campeonato Mineiro
2008 - Atlético 0x5 Cruzeiro - Campeonato Mineiro
2008 - Cruzeiro 1x0 Atlético - Campeonato Mineiro
2008 - Cruzeiro 2x1 Atlético - Campeonato Brasileiro
2008 - Atlético 0x2 Cruzeiro - Campeonato Brasileiro
2009 - Cruzeiro 4x2 Atlético - Torneio de Verão/Uruguai
2009 - Cruzeiro 2x1 Atlético - Campeonato Mineiro
2009 - Cruzeiro 5x0 Atlético - Campeonato Mineiro
2009 - Atlético 1x1 Cruzeiro - Campeonato Mineiro
2009 - Cruzeiro 0x3 Atlético - Campeonato Brasileiro
2009 - Atlético 0x1 Cruzeiro - Campeonato Brasileiro
2010 - Atlético 1x3 Cruzeiro - Campeonato Mineiro

12/10/2018

Cruzeiro de TN30 convence, mas só vence

Vinícius Dias

Finalização de perna esquerda, cabeceando para fora no rebote de Cássio aos 18 minutos. Chute de direita, de fora da área, acertando a trave do Corinthians aos 34'. Gol de cabeça já nos acréscimos, completando cruzamento de Egídio - desfalque para a volta, mas mais uma vez muito bem na ida. Um resumo da noite perfeita de Thiago Neves, o dono do jogo no Mineirão. Placar mínimo com atuação máxima do Cruzeiro de Mano Menezes, negando espaços, produzindo muito e voltando a vencer em casa.


De volta a campo seis dias depois da eliminação na Libertadores diante do Boca Juniors, a Raposa começou buscando o ataque - quase sempre pela esquerda, embora a presença de Fagner transformasse o lado direito em ponto forte da defesa alvinegra - e pressionando, mas pecando na falta de velocidade. Acuado e sem que a transição funcionasse, o Corinthians se limitava a defender. Aos 39', antes de Thiago Neves explodir o Mineirão, Cássio ainda fez defesa milagrosa na cabeçada de Henrique.

Camisa 30 decidiu o duelo de ida
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

Na etapa final, o Cruzeiro voltou a levar perigo e a desperdiçar chances de ampliar o placar. Aos 17 minutos, Robinho cruzou, Barcos cabeceou e a bola morreu perto do gol de Cássio. Aos 29', foi a vez de Thiago Neves cruzar, Dedé ganhar pelo alto e quase marcar. À medida que o tempo passava, o time de Mano Menezes corria cada vez menos riscos, mas ainda assim ameaçava, enquanto os comandados de Jair Ventura ampliavam a posse, trocavam passes, mas não incomodavam o espectador Fábio.

Cruzeiro convenceu, mas só venceu na noite de Thiago Neves.
Favoritismo ampliado na decisão que já poderia ter terminado.

10/10/2018

No Atlético, a derrota é em primeiro turno

Alisson Millo*

Nas eleições do Atlético, a derrota é em primeiro turno. As propostas até parecem boas: contratar jogadores jovens, construir o futuro e desenvolver a partir daí. Nessa linha, milhões foram gastos com um monte de apostas que, na hora do vamos ver, não vemos nada. Mais do que isso, tiram espaço de talentos da base que ficam em segundo plano perante os investimentos feitos pelo nosso grande diretor de futebol.


Há pouco tempo, neste espaço, exaltei o fato de Bruninho e Hulk terminarem uma partida em campo. Depois disso, nenhum deles jogou mais. Tomás Andrade, David Terans, Leandrinho e Edinho ocupam o espaço que deveria ser de Bruno Roberto, sequer relacionado. Contra a Chapecoense, Gabriel - aquele mesmo - foi um destaque positivo em meio a tantos negativos. Embora irregular, Gabriel é infinitamente superior a Juninho. Outra opção para a zaga é Martin Rea, mas ninguém o conhece e, ao que parece, ele não terá chances tão cedo para justificar sua contratação. E segue ocupando a vaga dos jovens defensores que poderiam ser promovidos.

Atlético, de Denilson, segue em 6º
(Créditos: Pedro Souza/Atlético-MG)

No sábado, Denilson foi titular. Ele tem contrato até junho de 2023. Chegou neste ano com quatro temporadas como profissional e raros gols. Alerrandro, uma das maiores promessas recentes da base, perdeu espaço para ele. Marquinhos e Marco Túlio foram embora sem ter nenhum espaço. E quanto espaço jogadores ruins estão tendo aí hoje? Construir o futuro não passa apenas por trazer jovens unicamente pela idade. É necessário talento. Talvez a inexperiência dos dirigentes, incluindo o presidente, à frente de clubes de futebol explique a série de erros banais.

Outro que tem o problema da pouca idade e da pouca experiência é Thiago Larghi. O eterno interino, o estagiário, o aprendiz, o analista de desempenho que pouco altera o time o mesmo diante do desempenho irregular. Há aproximadamente 15 mil rodadas o Atlético está na sexta posição. Sempre longe do quinto, sempre longe do sétimo e sempre com a ilusão que alguns tentam difundir de que o Galo ainda briga pelo título. Pelo menos os 45 pontos chegaram. Se neste ano não pudemos comemorar muito, pelo menos alcançamos cedo essa marca simbólica. Chega logo, 2019!

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
@amillo01 no Twitter, capitão da seção Fala, Atleticano!

08/10/2018

'Bancada da bola': Série A em baixa nas urnas

Vinícius Dias

Prestes a perder representantes como o deputado federal Andres Sanchez (PT), presidente do Corinthians, e o senador Zezé Perrella (MDB), presidente do Conselho Deliberativo do Cruzeiro, que não tentaram a reeleição, a 'bancada da bola' no Congresso Nacional contará com apenas um dirigente de clube da Série A a partir de janeiro de 2019.


Entre os seis nomes que se candidataram - todos à Câmara dos Deputados -, o único eleito foi Paulo Ganime (Novo), vice-presidente de gestão estratégica do Vasco. Ainda no Rio de Janeiro, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello (Rede), e o diretor de patrimônio cruzmaltino, Marcelo Borges (PSD), não conseguiram uma vaga.

Flamengo e Cruzeiro: dirigentes derrotados
(Créditos: Gilvan de Souza/Flamengo.com.br/Divulgação)

Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, o diretor social do Palmeiras, Guilherme Ribeiro (PRB), não se elegeu para a Câmara dos Deputados. Mesmo desfecho, em Minas Gerais, das candidaturas do segundo vice-presidente do Cruzeiro, Ronaldo Granata (Podemos), e de Anderson Racilan (PV), membro do Conselho de Administração do América.

Votação dos dirigentes candidatos:

Paulo Ganime (Vasco) - 52.983 votos
Eduardo Bandeira de Mello (Flamengo) - 38.500 votos
Guilherme Ribeiro (Palmeiras) - 24.380 votos
Anderson Racilan (América) - 9.757 votos
Ronaldo Granata (Cruzeiro) - 9.907 votos
Marcelo Borges (Vasco) - 1.236 votos

04/10/2018

Com Dedé e a China Azul: Cruzeiro rumo à virada

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul!

É hora de sair da rotina. A temporada vai chegando à reta final e o Cruzeiro terá de enfrentar situações que não têm feito parte da realidade celeste em 2018. Diante do Corinthians, decidiremos a final da Copa do Brasil fora de casa depois de ter passado por todas as fases desta edição com o jogo de volta sendo realizado em Belo Horizonte. Contra o Boca Juniors, nesta quinta-feira, entraremos em campo trazendo uma desvantagem do primeiro jogo do confronto. Esse cenário só ocorreu até agora na final do Campeonato Mineiro, quando conseguimos reverter uma desvantagem de dois gols de diferença trazida da casa do adversário.


O que eu sei é que, se o Cruzeiro tinha algum favoritismo no confronto das quartas de final da maior competição sul-americana, ele foi diluído com o mau resultado em terras argentinas. Todos sabem o contexto em que o placar foi construído e, por isso, não vale a pena ficarmos aqui remoendo. Teremos a chance de buscar em campo uma vitória épica. Diria eu que o favoritismo agora está equiparado. Os argentinos trarão na bagagem o placar que os favorece, a enorme tradição que os cerca e a torcida dos demais clubes brasileiros. O Cruzeiro, por sua vez, não está sozinho nessa, uma vez que conta com sua enorme e apaixonada torcida, que, sem dúvida, acredita que é sim possível arrancar a vaga das mãos xeneizes.

Dedé: em campo para fazer história
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

O 'não', meus amigos, nós já temos. Não existe nada que possamos fazer para mudar o que já passou, o jogo que já foi jogado. Agora, a partida que está por vir, essa sim, deve ser encarada como última oportunidade de mudar nossa sorte na competição. Não adianta olhar para trás, pensar que não merecíamos tamanho golpe em La Bombonera, que tínhamos time para trazer uma situação menos complicada para casa. Se tínhamos time para sair de lá mais tranquilos, com toda a certeza temos time para virar o jogo diante do Mineirão lotado. Encaremos essa batalha com a seriedade e o respeito que ela merece. De fato, não enfrentaremos qualquer clube. Mas eles também sabem que não podem vir a Belo Horizonte a passeio.

Melhor time e decisão em casa

Enfrentaremos nosso Nêmesis, meus amigos. Quando se pensa em futebol sul-americano, em Libertadores, é inevitável que uma das primeiras coisas que vem a nossa cabeça seja o Club Atlético Boca Juniors. Apesar de muita gente falar que quer ou que faz questão de ter um adversário como esse pelo caminho, no fundo, lá no fundinho, muitos gostariam de poder evitá-lo. Nós não temos escolha. Nesta quinta-feira, as equipes estarão perfiladas e prontas para o combate no Mineirão. O Cruzeiro, diante de sua inflamada nação, precisando vencer e buscando o triunfo do primeiro ao último minuto. A torcida, defendendo as cores do nosso pavilhão, apoiando quem estiver em campo em busca do improvável, mas não impossível.

Arbitragem prejudicou Raposa na ida
(Créditos: Bruno Haddad/Cruzeiro E.C.)

Não existe impossível nem jogo jogado antes de a bola rolar no futebol. O Cruzeiro tem conquistas históricas, viradas memoráveis, gol no apagar das luzes, vitórias contrariando todas as expectativas. Que seja mais uma página heroica e imortal de nossa história. Antes do jogo de ida, éramos favoritos pela campanha, pelo time e pelo fato de decidirmos em casa. Que se dane a campanha, mas continuamos com o melhor time e podendo jogar a vida em casa. O 'não' nós já temos. Vamos em busca do 'sim'.

Força, Cruzeiro!

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!

28/09/2018

Cruzeiro finalista coroa estratégia de Mano

Vinícius Dias

Da intermediária defensiva, Thiago Neves acha Lucas Silva, que passa para Barcos infiltrar, superar o goleiro Weverton e finalizar para as redes aos 26 minutos do primeiro tempo: 1 a 0 para o Cruzeiro, que já havia vencido na ida, explodindo o Mineirão. O Palmeiras ainda chegou ao empate aos 4' da etapa final, com Felipe Melo testando para as redes o escanteio cobrado por Dudu, mas a quarta-feira terminou com festa celeste - e troca de socos dentro de campo. O atual campeão volta à final, garantindo pelo menos mais R$ 20 milhões e coroando a estratégia de Mano Menezes.


Sem Edilson e Arrascaeta, o treinador desenhou o time com Rafinha pela direita, dando suporte ao improvisado Romero, Robinho centralizado e Thiago Neves pela esquerda. Nos primeiros 25 minutos, o Palmeiras apareceu mais no ataque, mas os espaços oferecidos pelo lado esquerdo da Raposa induziam o alviverde a não acionar Dudu, isolado do lado direito. Ainda na etapa inicial, Felipão mexeu no xadrez invertendo o camisa 7. Mano respondeu com Rafinha na esquerda, espaço inicialmente ocupado por Thiago Neves, que apareceu na direita para iniciar a jogada do gol.

Thiago Neves e Barcos: protagonistas
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

O time paulista voltou para a etapa final com Deyverson no lugar de Borja e o venezuelano Guerra substituindo Bruno Henrique. Com linhas mais avançadas, o Palmeiras chegou ao empate, mas oferecia campo ao Cruzeiro, que passou a aproveitar após as entradas de Bruno Silva e Sassá nas vagas de Thiago Neves e Barcos, respectivamente. No roteiro, mais pressão na saída de bola, contra-ataques - como o desperdiçado por Robinho, que não finalizou nem tocou aos 21' - e pelo menos duas intervenções do goleiro Weverton - na cabeçada de Dedé e na finalização de Egídio.

Semifinalista em 2016, campeão em 2017, finalista em 2018.
O Cruzeiro, ao estilo Mano, outra vez supera o rico Palmeiras.

24/09/2018

Atlético: raiz, nutella e respeito ao próximo

Alisson Millo*

Quando criança, sempre ouvi do meu pai histórias sobre o boicote sofrido pelo Atlético ao longo dos anos 1980, principalmente contra o Flamengo. Essa história provavelmente você já viu e ouviu um milhão de vezes também. A teoria dele, fora o fato de o Flamengo ser o queridinho da mídia nacional, era uma espécie de censura principalmente ao centroavante Reinaldo e sua simbólica comemoração em homenagem aos Panteras Negras. Um time de massa que tinha em seu craque uma pessoa política e socialmente engajada não devia ser muito bem visto à época.


O motivo dessa breve aulinha de história pessoal é para tratar de um assunto triste que aconteceu no clássico do último domingo. Na falta de futebol, porque foi um 0 a 0 de doer as vistas, a polêmica tomou a mídia. Passada uma semana, você já deve ter visto o famigerado vídeo do cântico entoado por parte da torcida alvinegra e, caso não tenha se indignado, cabe uma reflexão sobre alguns conceitos.

Torcida dominou a pauta pós-clássico
(Créditos: Pedro Souza/Atlético-MG)

Quando Alexandre Kalil lançou a camisa rosa, em 2010, a polêmica tomou conta. Uma simples cor causou um alvoroço que dividiu a própria torcida e se tornou motivo de zoação do rival. Simplesmente por ser rosa. Como se uma cor, seja ela qual for, dissesse alguma coisa sobre a personalidade de alguém, de um clube, de uma instituição.

De mau gosto a piadas infundadas

Até hoje, um ponto de 'provocação' de alguns cruzeirenses é o ex-volante Richarlyson. Jogador limitado tecnicamente, é verdade, muito útil taticamente e com a raça que falta em muitas peças do atual elenco, mas questionado e motivo de piadas pelo excesso de curiosidade sobre o extracampo. Mais recentemente, o Cruzeiro fez uma apresentação de balé no lançamento de seu uniforme e, novamente, uma simples apresentação artística virou combustível para zoações infundadas e de mau gosto.

Atlético empatou com rival por 0 a 0
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Querer tripudiar de uma questão muito séria da sociedade não é provocação. Estádio de futebol não é um espaço alheio ao mundo. Enquanto um grupo 'brinca' que A ou B - e aqui não cabe distinção política nem ideológica - vai matar outra pessoa pelo time que ela torce, um homossexual é realmente morto apenas por ser homossexual. Atleticano ser morto por cruzeirense apenas por torcer pelo Galo é inaceitável. Cruzeirense ser morto por atleticano só por torcer pelo rival é absurdo. Uma torcida inteira ser morta por supostamente ter outra opção sexual não é engraçado.

Racismo, homofobia e indignação

Da mesma forma que a indignação em casos de racismo é geral, com homofobia também deveria ser. Quando o Grêmio foi punido por torcedores terem chamado o goleiro Aranha de 'macaco', a decisão foi aprovada de forma unânime. Caso o Atlético seja punido por esse episódio lamentável de domingo, justiça seja feita, será merecido também. Se por isso o futebol virou nutella, talvez o raiz não fosse tão bom assim.

Galo perdeu boas chances no dérbi
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Enquanto o mundo evolui, o futebol parece regredir. Em todos os âmbitos. A qualidade técnica piora a cada campeonato. Jogadores já com idade avançada são os destaques do Brasileirão porque os mais novos são limitados ou sem compromisso. Trazendo para a realidade do Atlético, você já deve ter associado alguns nomes a cada um desses adjetivos. As federações são, em sua maioria, patéticas. E a mentalidade de algumas pessoas parece ter ficado presa em um tempo em que corrupção não era investigada, evolução social e ideológica era inimaginável e desqualificar goleiro adversário simplesmente por usar um uniforme colorido era cabível.

A técnica do futebol não é a mesma. Velocidade e tática muito menos. Passou da hora de a cabeça acompanhar. Disputa só em campo.

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
@amillo01 no Twitter, capitão da seção Fala, Atleticano!

20/09/2018

Boca Juniors x Cruzeiro: mais do que futebol

Vinícius Dias

É possível falar de futebol e do Cruzeiro superior por 15 minutos, trocando passes e freando o ímpeto do Boca Juniors, que cresceu a seguir, mas parava na marcação celeste até o passe de Pérez achar Zárate cara a cara com Fábio. Thiago Neves perdeu grande chance e Rafinha viu Barrios evitar o empate em cima da linha. Tudo antes de a péssima arbitragem de Éber Aquino se tornar protagonista. Vermelho absurdo para Dedé, em La Bomboneira, minutos antes de Perez marcar o segundo dos xeneizes.


É obrigatório analisar o contexto do erro do paraguaio: Dedé sobe para disputar a bola, se choca involuntariamente com o goleiro Andrada e é expulso após a consulta ao VAR - que pode e vai se transformar em atalho para minimizar falhas desde que utilizado da forma correta. Tão absurdo quanto River Plate e o próprio Boca Juniors terem escalado atletas irregulares durante a mesma Copa Libertadores e somente o Santos ser punido e, com a derrota por 3 a 0, decretada a horas da partida de volta, eliminado.

Zagueiro Dedé: expulsão absurda
(Créditos: Bruno Haddad/Cruzeiro E.C.)

É recomendável recordar o voto do presidente da CBF, Coronel Nunes, na candidatura do Marrocos para sediar a Copa do Mundo de 2026, contrariando o bloco pró-Estados Unidos, Canadá e México formado na Conmebol e reacendendo justamente o debate sobre os critérios de distribuição de vagas na Copa Libertadores. Como é recomendável não esquecer a recente eleição da CBF, sem candidatura de oposição e com 17 dos 20 clubes da elite - entre eles o Cruzeiro - apoiando a tão criticada situação.

Um estádio místico, duas das maiores equipes do continente.
Mas falar da quarta-feira é falar de bem mais do que futebol.

19/09/2018

Aécio e Granata miram voto dos cruzeirenses

Vinícius Dias

Se dentro de campo o Cruzeiro concentra as atenções nos preparativos para o confronto de ida das quartas de final da Libertadores contra o Boca Juniors, na noite desta quarta-feira, em La Bombonera, fora dele a campanha eleitoral tem movimentado os bastidores do clube. O foco é o voto - e o apoio - dos torcedores cruzeirenses de Minas Gerais.

Conselheiro e vice disputam Câmara
(Créditos: Aécio Neves/Reprodução)

No primeiro capítulo, nessa terça-feira, as torcidas organizadas Máfia Azul e Cachazeiros se manifestaram em apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB). Conselheiro nato do Cruzeiro, o senador concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados tendo como principal apoiador no clube o também senador Zezé Perrella, atual presidente do Conselho Deliberativo.

Vice se manifesta em rede social

Nesta quarta-feira, o vice-presidente Ronaldo Granata (Podemos), também candidato a federal, usou o Instagram para pedir o apoio dos cruzeirenses e, embora sem citar nomes, afirmar que "nas fases boas aparecem candidatos se intitulando candidato das torcidas". O dirigente já havia divulgado no início do mês vídeo com mensagem do presidente Wagner Pires.

17/09/2018

Clássico: reservas do Cruzeiro quebram escrita

Vinícius Dias

O empate por 0 a 0 entre o time reserva do Cruzeiro - reforçado pelo meia Thiago Neves a partir dos 20 minutos do segundo tempo - e os titulares do Atlético, nesse domingo, no Mineirão, quebrou uma escrita de 16 temporadas do clássico mineiro. Desde 2003, quando foi adotado o sistema de pontos corridos no Campeonato Brasileiro, os arquirrivais jamais haviam pontuado sem colocar seus principais jogadores em campo.

LEIA MAIS: Atlético x Cruzeiro: paixão chegará ao cinema

O primeiro revés com reservas no principal clássico mineiro remonta a 2009: três dias antes da final da Libertadores contra o Estudiantes, Adilson Batista optou por poupar os titulares e viu a Raposa perder por 3 a 0 no primeiro turno da Série A. Em 2013, foi a vez do Galo de Cuca: quatro dias depois de conquistar o título das Américas, o alvinegro enfrentou o Cruzeiro com time alternativo e perdeu por 4 a 1, de virada, no Mineirão.

Raposa e Galo empataram por 0 a 0
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

O clube celeste voltou a escalar reservas em 2014, de olho nas quartas de final da Libertadores: Marcelo Oliveira, entretanto, viu o futuro bicampeão Cruzeiro ser derrotado por 2 a 1, de virada, na Arena Independência. Roteiro semelhante ao do primeiro turno desta edição, quando Mano Menezes poupou seus principais jogadores para o duelo com o Racing e viu o time comandado por Thiago Larghi levar a melhor: 1 a 0, no Horto.

Times reservas no clássico  - desde 2003:

12/07/2009 - Cruzeiro 0x3 Atlético - Mineirão
28/07/2013 - Cruzeiro 4x1 Atlético - Mineirão
11/05/2014 - Atlético 2x1 Cruzeiro - Arena Independência
19/05/2018 - Atlético 1x0 Cruzeiro - Arena Independência
16/09/2018 - Cruzeiro 0x0 Atlético - Mineirão

15/09/2018

Cruzeiro de olho no clássico e cabeça no Boca

Douglas Zimmer*

Salve, China Azul!

Embora o torcedor sempre queira mais, é preciso estar ciente do contexto e dos problemas que o planejamento e o sucesso trazem ao clube. O Cruzeiro de 2018 vive um daqueles momentos 'complicados' que todo time gostaria de ter de enfrentar. Com o título estadual devidamente guardado na sala de troféus, vivíssimo em duas grandes competições e mantendo-se em posição razoável em outra, é chegada a hora de saber que, talvez, sacrifícios precisem ser feitos para alcançar os resultados desejados.


Apesar de ter um grupo qualificado, a Raposa chega a um ponto crucial da temporada, em que é preciso ter muita calma na hora de definir quem vai a campo nas próximas partidas. Particularmente, nunca fui fã dos chamados times reservas, alternativos, de transição, ou seja lá como você queira chamar a escalação que conta com poucos ou nenhum titular absoluto, alguns reservas imediatos e vários atletas que precisam de rodagem ou ritmo de jogo. Porém, estando envolvido em verdadeiras batalhas pela sobrevivência tanto na Copa do Brasil como na Libertadores, creio que nosso amigo Mano Menezes se verá obrigado a lançar mão dessa estratégia.

Raposa saiu à frente na Copa do Brasil
(Créditos: Bruno Haddad/Cruzeiro E.C.)

Muito além do evidente desgaste físico que tantas competições em tão pouco espaço de tempo produzem, há fatores como concentração, medo de lesões e pouco apelo por parte da torcida. No caso do clássico de domingo, tenho certeza de que o último não será problema. A torcida certamente comparecerá e apoiará o time do início ao fim. Mas, convenhamos, deve ser muito difícil pensar em partidas de um campeonato de pontos corridos no qual, na melhor das hipóteses, brigaremos por vaga no G4, sabendo que dali a quatro dias o adversário será o Boca Juniors, em plena La Bombonera em busca de uma vaga nas semifinais da principal competição do ano.

Um olho no dia 19, outro no dia 26

Sei que estamos falando de atletas profissionais, mas, antes de tudo, são seres humanos. Eu, se pudesse, pularia de uma vez para o dia 19, depois para o dia 26 e assim por diante. Claro que na hora do jogo estarei ligado, com o único e exclusivo intuito de vencer nossos adversários. Mas o restante está voltado para objetivos muito maiores, que exigem 100% de dedicação. Nessas horas, seria excelente se tivéssemos à disposição uma quantidade suficiente de jogadores para não nos preocuparmos com quem vai a campo. Mas isso é praticamente utopia. Por mais que você se planeje, contrate, invista, sempre surgirão obstáculos impedindo que se torne realidade.

Cruzeiro aguarda semi da Libertadores
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

Convenhamos que o Cruzeiro não investiu tanto assim e nem se planejou tanto, mas, por exemplo, dois dos nossos centroavantes estão fora de ação há muito tempo e estamos nos virando - bem, até - sem eles. Somem-se a isso as suspensões e convocações e teremos um cenário bastante propício para que o famigerado time alternativo deixe de ser opção e se torne necessidade. Então, já que 'alternativar' é preciso, torço para que quem for a campo aproveite a oportunidade. Temos muitas peças que podem ser de enorme utilidade se tiverem todo o seu potencial explorado.

Não é demérito nenhum ser lembrado somente nessas horas. Futebol é coletivo e há jogos que são vencidos também pelo trabalho daqueles que não estão em campo. Aquela velha máxima de que 'em time que está ganhando não se mexe' pode muito bem ser aplicada ao Cruzeiro. O time dos mata-matas está ganhando: que não se mexa. O time do Campeonato Brasileiro nem tanto: que sejam feitas as devidas alterações, desde que não interfira no outro. Tenho certeza de que Mano Menezes saberá conduzir o restante de nossa temporada com competência e segurança.

Força, Cruzeiro!

*Gaúcho, apaixonado pelo Cruzeiro desde junho de 1986.
@pqnofx, dono da camisa 10 da seção Fala, Cruzeirense!

14/09/2018


Projeto de mestrado do atleticano Lobo Mauro prevê curta sobre
a paixão feminina no clássico de BH; meta é expandir para longa

Vinícius Dias

Dribles, grandes lances, ídolos e golaços que fazem explodir as arquibancadas do Mineirão e da Arena Independência. E também o coração de milhares de torcedoras. É justamente o olhar das mulheres que são apaixonadas e vestem o alvinegro do Atlético e o azul celeste do Cruzeiro o mote do projeto #NãoTemPedigree, lançado nessa quinta-feira pelo cineasta Mauro Reis, mais conhecido como Lobo Mauro. A data coincide com a expectativa por mais um capítulo do principal clássico de Minas Gerais.


"Pretendo filmar imagens das torcedoras atleticanas e cruzeirenses na arquibancada e nos bares durante os jogos. Sobre essas imagens, usarei a voz de atleticanas e cruzeirenses contando casos vivenciados por elas próprias, sejam engraçados, tristes, inusitados, enfim, que demonstrem o amor dessas mulheres pelo Cruzeiro ou pelo Galo. Além de, claro, sobre a grande rivalidade dos clubes", revela ao Blog Toque Di Letra o cineasta, que cursa mestrado em criação e produção de conteúdos digitais na UFRJ.

Curta-metragem exalta paixão por rivais
(Créditos: Arquivo Pessoal/Lobo Mauro)

Autor de três curta-metragens sobre futebol, entre eles Quando se sonha tão grande, a realidade aprende e As crônicas de Riascos, que abriram a trilogia baseada na conquista do Atlético na Copa Libertadores de 2013, Lobo Mauro planeja lançar no Youtube em janeiro de 2019 o curta Nossa torcida, primeiro produto do projeto #NãoTemPedigree. "Estou ainda captando e buscando as torcedoras dos dois clubes que queiram ser entrevistadas para que eu possa colher o som dessas suas histórias", detalha.

As métricas de engajamento serão utilizadas na dissertação de mestrado, que o carioca defenderá entre março e abril do próximo ano. "A proposta e aposta é de que, com o lançamento do curta, a narrativa seja expandida futuramente em outras obras, como o longa-metragem que já tem até nome - Minha tristeza -, uma HQ Eletrônica, entre outros. Sempre com a proposta temática do universo #NãoTemPedigree: o mundo na visão de mulheres apaixonadas pelo Galo ou pelo Cruzeiro", antecipa.

Confira o trailer do curta Nossa torcida: