No futebol, por exemplo, número de denúncias cresceu 75% em
dois anos; ideia é convidar especialistas para debate no Senado

Vinícius Dias

Relator da Comissão de Juristas instituída pelo Senado para elaborar um anteprojeto da Lei Geral do Desporto Brasileiro, Wladimyr Camargos deve colocar em pauta nas próximas semanas a questão da discriminação racial no esporte brasileiro. "Pretendo ouvir as entidades e especialistas que se dedicam a esse tema para formular uma proposta", revela o advogado ao Blog Toque Di Letra.


No futebol, por exemplo, levantamento do Observatório da Discriminação Racial no Futebol apontou um aumento de 75% no número de denúncias de racismo contra atletas ou árbitros em território nacional entre 2014 e 2015. Foram registrados, em 24 meses, 55 casos - 43 nos estádios e 12 por meio das redes sociais.

Camargos, à esquerda, durante reunião
(Créditos: Marcos Oliveira/Agência Senado)

"As entidades esportivas internacionais têm atuado bem no combate ao racismo. É natural que as nacionais se adaptem a essa realidade e tomem medidas disciplinares nas competições. Além disso, o Estado precisa estar preparado para atuar no combate ao racismo. O Estatuto do Torcedor é quem trata do tema. Mas está aquém dos desafios", destaca o advogado Wladimyr Camargos.

Conclusão em junho

Em atividade desde o fim de outubro, a comissão, que reúne 11 juristas, deve apresentar o documento ao presidente do Senado, Renan Calheiros, em junho. "Vamos consolidar toda a legislação esportiva federal em uma única lei", explica o relator. 


Em nenhuma das 12 edições anteriores neste formato o campeão
somou três pontos no clássico e ainda liderou 1ª fase do estadual

Vinícius Dias

Classificado para a fase semifinal do Campeonato Mineiro há mais de duas semanas, o Cruzeiro garantiu a liderança da primeira fase nesse domingo, após derrotar o Guarani, por 2 a 0, no Mineirão. Antes, na 9ª rodada, a equipe comandada pelo técnico Deivid havia levado a melhor no clássico contra o Atlético. O horizonte positivo na busca pelo 37º título esconde um tabu que, desde a adoção do atual formato de disputa do estadual, em 2004, tem incomodado a Raposa e seu maior rival.


Em nenhuma das 12 edições anteriores - seis títulos cruzeirenses, cinco atleticanos e outro do Ipatinga - um clube da capital que conquistou três pontos no primeiro clássico e ainda fechou a fase de classificação no topo da tabela levou o troféu. A primeira vítima dessa escrita foi justamente o Atlético. Em 2004, o time comandado por Paulo Bonamigo venceu o dérbi por 5 a 3 e foi líder da primeira fase. O campeão, no entanto, foi o Cruzeiro de Paulo César Gusmão.

(Arte: Vinícius Dias/Blog Toque Di Letra)

O time estrelado foi vítima em duas oportunidades. A primeira, em 2010, ainda na era Adilson Batista, quando bateu o Atlético por 3 a 1 e chegou com vantagem à semifinal, mas caiu diante do Ipatinga, que na sequência perderia o título para o Atlético de Luxemburgo. Três edições depois foi a vez de o time de Marcelo Oliveira vencer o dérbi de reabertura do Mineirão por 2 a 1 e liderar a primeira fase, mas acabar sendo superado na decisão pelo rival alvinegro, à época dirigido por Cuca.


Estádio usado na 1ª fase não atende às exigências da FMF; ideia
do clube é celebrar acordo com Mamoré por Bernardo Rubinger

Vinícius Dias

Com vaga garantida no G4 do Campeonato Mineiro, a URT se articula nos bastidores para realizar um dos jogos da semifinal em Patos de Minas. O estádio Zama Maciel, onde a equipe mandou seus duelos na primeira fase, tem capacidade para cerca de 5 mil torcedores. O regulamento da competição, porém, define que, nas fases finais, as partidas devem ser disputadas em estádios com capacidade mínima para 10 mil pessoas.


A primeira alternativa do Trovão Azul é buscar um acordo com o Mamoré para atuar no Bernardo Rubinger, a exemplo do que aconteceu contra o Atlético, em fevereiro. O estádio tem atualmente capacidade para quase 9 mil pessoas. Para atender à exigência da FMF, uma das ações estudadas, conforme o Blog Toque Di Letra apurou, seria a retirada de cadeiras de dois setores, abrindo espaços nas arquibancadas.

URT bateu Atlético na casa do Mamoré
(Créditos: Site Oficial da URT/Divulgação)

A intenção da URT é concretizar a negociação com o Mamoré até amanhã. "Depois ainda tem de ter a autorização do Corpo de Bombeiros", afirma o presidente do clube, Roberto Miranda. O local do jogo, contudo, deve ser oficializado apenas na próxima semana. De acordo com o regulamento, o mando de campo na semifinal pertence à FMF. A decisão ainda passa pelo crivo da detentora dos direitos de transmissão.

Duelos das semifinais

Os cruzamentos da próxima fase serão definidos neste domingo. Além do clube de Patos de Minas, estão classificados Cruzeiro e Atlético. América e Villa Nova disputam a última vaga.


Propostas elaboradas em comitês serão apresentadas aos clubes
filiados, ainda neste mês, durante assembleia geral da entidade

Vinícius Dias

Antes mesmo do encerramento da Copa da Primeira Liga, as equipes do grupo já iniciaram o planejamento para a próxima edição. Questões como cotas de TV, calendário, estatuto e busca de parceiros têm sido tratadas por comitês internos. Pela composição definida em encontro realizado em março, no Rio de Janeiro, 13 filiados estão envolvidos - as exceções são Figueirense e Paraná Clube. As propostas elaboradas nos comitês devem ser compartilhadas entre os clubes, ainda neste mês, durante assembleia geral da Primeira Liga.


"São trabalhos executivos. A Liga tem funcionado também para troca de experiências e a divisão (comitês) é para ganhar agilidade", destaca Marco Antônio Batista, integrante do Conselho de Administração do América/MG. "Quando foi criada a Primeira Liga, pensou-se em um contexto em que os clubes tivessem voz ativa, algo que a CBF nunca nos deu com toda essa liberdade de discussão", acrescenta Leonardo Roesler, assessor jurídico e representante do Joinville na entidade.

Marco Batista, à esquerda, em coletiva
(Créditos: Carlos Cruz/América FC/Divulgação)

O comitê cuja pauta está mais encaminhada, segundo o Blog Toque Di Letra apurou, é o de governança, que tem a atualização do estatuto da Primeira Liga como principal atribuição. No intervalo de duas semanas, já foram realizadas três reuniões entre os membros. "(O novo estatuto) já está formatado", confirma Romildo Bolzan Júnior, presidente gremista. Além do tricolor porto-alegrense, América/MG, Chapecoense, Coritiba e Fluminense integram o comitê.

Calendário e cotas de TV

Paralelamente, as atividades do comitê das cotas de TV, cuja pauta inclui ainda discussões sobre calendário e formato do torneio, tiveram início na terça-feira passada. Inicialmente, a Primeira Liga trabalha com sete datas, aumentando o número de participantes para 16. "Avançamos bastante. A reunião foi muito produtiva", observa o presidente do Criciúma, Jaime Dal Farra. Os outros quatro membros do comitê são Atlético/MG, Atlético/PR, Flamengo e Internacional.

Reunião entre os 15 membros da Liga
(Créditos: Rodrigo Fatturi/Flickr/Grêmio FBPA)

"Sobre cotas de TV, nós tivemos várias colocações. Estamos trabalhando com duas situações mais próximas", afirma Dal Farra. O primeiro modelo, em debate desde o ano passado, segundo o Blog apurou, teria 50% das receitas divididas igualmente, com 25% por audiência e 25% destinados à premiação. No modelo alternativo sugerido no comitê, a parcela relativa à audiência aumentaria para 30%, com 45% divididos igualmente e 25% de premiação. O primeiro esboço de arrecadação prevê entre R$ 50 milhões e R$ 80 milhões na próxima edição.

Busca de apoio político

Também na semana passada foram iniciados os trabalhos do comitê de ações institucionais. "Esse comitê cuida das bases da instituição, da marca Primeira Liga e da busca efusiva de apoios", detalha Leonardo Roesler, do Joinville. No momento, há diálogos com o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e com o Conselho Federal de Educação Física (CONFEF), por exemplo. Ainda compõem o comitê Atlético/PR, Flamengo, Cruzeiro e Avaí - os dois últimos, clubes dos atuais presidente e vice da Primeira Liga, respectivamente.

Roesler, ao centro, representa o Joinville
(Créditos: Rodrigo Fatturi/Flickr/Grêmio FBPA)

A busca por novos apoios visa, em especial, ao fortalecimento político da entidade. Conforme o organograma, também caberá ao comitê de ações institucionais a interlocução junto à CBF e às cinco federações envolvidas. Antes, as propostas de calendário e de ajustes na estrutura da entidade serão levadas à discussão em assembleia geral.

Calendário e cotas de TV

Em plenário, ainda deve ser debatida a possibilidade de filiação de novos clubes. Atualmente, há 15 membros. O esboço de calendário, no entanto, prevê 16 participantes na segunda edição da Copa da Primeira Liga. Entre os postulantes estão o Goiás e um bloco da Série B - que reúne equipes como Atlético/GO e Paysandu -, cujas solicitações foram encaminhadas na temporada passada.

Gilvan chegou a deixar Liga ano passado
(Créditos: Washington Alves/Light Press)

Por convenção interna, as decisões tomadas na Primeira Liga têm de ser ratificadas pelos 15 membros, a princípio. "Foi uma sugestão do (Vitorio) Piffero, presidente do Internacional, de que todas as decisões fossem por unanimidade, e não por maioria", revela Leonardo Roesler. Esse ajuste foi posterior ao episódio que culminou na saída do Cruzeiro - decisão revista posteriormente - em dezembro último. "Não poderíamos enfraquecer uma instituição criada para unir e mudar", justifica.