Cruzeiro finalista coroa estratégia de Mano

Vinícius Dias

Da intermediária defensiva, Thiago Neves acha Lucas Silva, que passa para Barcos infiltrar, superar o goleiro Weverton e finalizar para as redes aos 26 minutos do primeiro tempo: 1 a 0 para o Cruzeiro, que já havia vencido na ida, explodindo o Mineirão. O Palmeiras ainda chegou ao empate aos 4' da etapa final, com Felipe Melo testando para as redes o escanteio cobrado por Dudu, mas a quarta-feira terminou com festa celeste - e troca de socos dentro de campo. O atual campeão volta à final, garantindo pelo menos mais R$ 20 milhões e coroando a estratégia de Mano Menezes.


Sem Edilson e Arrascaeta, o treinador desenhou o time com Rafinha pela direita, dando suporte ao improvisado Romero, Robinho centralizado e Thiago Neves pela esquerda. Nos primeiros 25 minutos, o Palmeiras apareceu mais no ataque, mas os espaços oferecidos pelo lado esquerdo da Raposa induziam o alviverde a não acionar Dudu, isolado do lado direito. Ainda na etapa inicial, Felipão mexeu no xadrez invertendo o camisa 7. Mano respondeu com Rafinha na esquerda, espaço inicialmente ocupado por Thiago Neves, que apareceu na direita para iniciar a jogada do gol.

Thiago Neves e Barcos: protagonistas
(Créditos: Vinnicius Silva/Cruzeiro E.C.)

O time paulista voltou para a etapa final com Deyverson no lugar de Borja e o venezuelano Guerra substituindo Bruno Henrique. Com linhas mais avançadas, o Palmeiras chegou ao empate, mas oferecia campo ao Cruzeiro, que passou a aproveitar após as entradas de Bruno Silva e Sassá nas vagas de Thiago Neves e Barcos, respectivamente. No roteiro, mais pressão na saída de bola, contra-ataques - como o desperdiçado por Robinho, que não finalizou nem tocou aos 21' - e pelo menos duas intervenções do goleiro Weverton - na cabeçada de Dedé e na finalização de Egídio.

Semifinalista em 2016, campeão em 2017, finalista em 2018.
O Cruzeiro, ao estilo Mano, outra vez supera o rico Palmeiras.

Atlético: raiz, nutella e respeito ao próximo

Alisson Millo*

Quando criança, sempre ouvi do meu pai histórias sobre o boicote sofrido pelo Atlético ao longo dos anos 1980, principalmente contra o Flamengo. Essa história provavelmente você já viu e ouviu um milhão de vezes também. A teoria dele, fora o fato de o Flamengo ser o queridinho da mídia nacional, era uma espécie de censura principalmente ao centroavante Reinaldo e sua simbólica comemoração em homenagem aos Panteras Negras. Um time de massa que tinha em seu craque uma pessoa política e socialmente engajada não devia ser muito bem visto à época.


O motivo dessa breve aulinha de história pessoal é para tratar de um assunto triste que aconteceu no clássico do último domingo. Na falta de futebol, porque foi um 0 a 0 de doer as vistas, a polêmica tomou a mídia. Passada uma semana, você já deve ter visto o famigerado vídeo do cântico entoado por parte da torcida alvinegra e, caso não tenha se indignado, cabe uma reflexão sobre alguns conceitos.

Torcida dominou a pauta pós-clássico
(Créditos: Pedro Souza/Atlético-MG)

Quando Alexandre Kalil lançou a camisa rosa, em 2010, a polêmica tomou conta. Uma simples cor causou um alvoroço que dividiu a própria torcida e se tornou motivo de zoação do rival. Simplesmente por ser rosa. Como se uma cor, seja ela qual for, dissesse alguma coisa sobre a personalidade de alguém, de um clube, de uma instituição.

De mau gosto a piadas infundadas

Até hoje, um ponto de 'provocação' de alguns cruzeirenses é o ex-volante Richarlyson. Jogador limitado tecnicamente, é verdade, muito útil taticamente e com a raça que falta em muitas peças do atual elenco, mas questionado e motivo de piadas pelo excesso de curiosidade sobre o extracampo. Mais recentemente, o Cruzeiro fez uma apresentação de balé no lançamento de seu uniforme e, novamente, uma simples apresentação artística virou combustível para zoações infundadas e de mau gosto.

Atlético empatou com rival por 0 a 0
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Querer tripudiar de uma questão muito séria da sociedade não é provocação. Estádio de futebol não é um espaço alheio ao mundo. Enquanto um grupo 'brinca' que A ou B - e aqui não cabe distinção política nem ideológica - vai matar outra pessoa pelo time que ela torce, um homossexual é realmente morto apenas por ser homossexual. Atleticano ser morto por cruzeirense apenas por torcer pelo Galo é inaceitável. Cruzeirense ser morto por atleticano só por torcer pelo rival é absurdo. Uma torcida inteira ser morta por supostamente ter outra opção sexual não é engraçado.

Racismo, homofobia e indignação

Da mesma forma que a indignação em casos de racismo é geral, com homofobia também deveria ser. Quando o Grêmio foi punido por torcedores terem chamado o goleiro Aranha de 'macaco', a decisão foi aprovada de forma unânime. Caso o Atlético seja punido por esse episódio lamentável de domingo, justiça seja feita, será merecido também. Se por isso o futebol virou nutella, talvez o raiz não fosse tão bom assim.

Galo perdeu boas chances no dérbi
(Créditos: Bruno Cantini/Atlético-MG)

Enquanto o mundo evolui, o futebol parece regredir. Em todos os âmbitos. A qualidade técnica piora a cada campeonato. Jogadores já com idade avançada são os destaques do Brasileirão porque os mais novos são limitados ou sem compromisso. Trazendo para a realidade do Atlético, você já deve ter associado alguns nomes a cada um desses adjetivos. As federações são, em sua maioria, patéticas. E a mentalidade de algumas pessoas parece ter ficado presa em um tempo em que corrupção não era investigada, evolução social e ideológica era inimaginável e desqualificar goleiro adversário simplesmente por usar um uniforme colorido era cabível.

A técnica do futebol não é a mesma. Velocidade e tática muito menos. Passou da hora de a cabeça acompanhar. Disputa só em campo.

*Jornalista. Corneteiro confesso e atleticano desde 1994.
@amillo01 no Twitter, capitão da seção Fala, Atleticano!

Boca Juniors x Cruzeiro: mais do que futebol

Vinícius Dias

É possível falar de futebol e do Cruzeiro superior por 15 minutos, trocando passes e freando o ímpeto do Boca Juniors, que cresceu a seguir, mas parava na marcação celeste até o passe de Pérez achar Zárate cara a cara com Fábio. Thiago Neves perdeu grande chance e Rafinha viu Barrios evitar o empate em cima da linha. Tudo antes de a péssima arbitragem de Éber Aquino se tornar protagonista. Vermelho absurdo para Dedé, em La Bomboneira, minutos antes de Perez marcar o segundo dos xeneizes.


É obrigatório analisar o contexto do erro do paraguaio: Dedé sobe para disputar a bola, se choca involuntariamente com o goleiro Andrada e é expulso após a consulta ao VAR - que pode e vai se transformar em atalho para minimizar falhas desde que utilizado da forma correta. Tão absurdo quanto River Plate e o próprio Boca Juniors terem escalado atletas irregulares durante a mesma Copa Libertadores e somente o Santos ser punido e, com a derrota por 3 a 0, decretada a horas da partida de volta, eliminado.

Zagueiro Dedé: expulsão absurda
(Créditos: Bruno Haddad/Cruzeiro E.C.)

É recomendável recordar o voto do presidente da CBF, Coronel Nunes, na candidatura do Marrocos para sediar a Copa do Mundo de 2026, contrariando o bloco pró-Estados Unidos, Canadá e México formado na Conmebol e reacendendo justamente o debate sobre os critérios de distribuição de vagas na Copa Libertadores. Como é recomendável não esquecer a recente eleição da CBF, sem candidatura de oposição e com 17 dos 20 clubes da elite - entre eles o Cruzeiro - apoiando a tão criticada situação.

Um estádio místico, duas das maiores equipes do continente.
Mas falar da quarta-feira é falar de bem mais do que futebol.

Aécio e Granata miram voto dos cruzeirenses

Vinícius Dias

Se dentro de campo o Cruzeiro concentra as atenções nos preparativos para o confronto de ida das quartas de final da Libertadores contra o Boca Juniors, na noite desta quarta-feira, em La Bombonera, fora dele a campanha eleitoral tem movimentado os bastidores do clube. O foco é o voto - e o apoio - dos torcedores cruzeirenses de Minas Gerais.

Conselheiro e vice disputam Câmara
(Créditos: Aécio Neves/Reprodução)

No primeiro capítulo, nessa terça-feira, as torcidas organizadas Máfia Azul e Cachazeiros se manifestaram em apoio à candidatura de Aécio Neves (PSDB). Conselheiro nato do Cruzeiro, o senador concorre a uma vaga na Câmara dos Deputados tendo como principal apoiador no clube o também senador Zezé Perrella, atual presidente do Conselho Deliberativo.

Vice se manifesta em rede social

Nesta quarta-feira, o vice-presidente Ronaldo Granata (Podemos), também candidato a federal, usou o Instagram para pedir o apoio dos cruzeirenses e, embora sem citar nomes, afirmar que "nas fases boas aparecem candidatos se intitulando candidato das torcidas". O dirigente já havia divulgado no início do mês vídeo com mensagem do presidente Wagner Pires.