15/06/2015

Levir Culpi, um raro sincero

Vinícius Dias

Após seis temporadas no futebol japonês, Levir Culpi retornou ao Brasil trazendo na bagagem uma boa dose de sinceridade. Em abril de 2014, o período sabático pós-despedida do Cerezo Osaka foi interrompido por um telefonema de Kalil. De volta ao Atlético, Levir não hesitou em criticar o "nariz empinado" de atletas e dirigentes após o título da Libertadores, em abrir mão de Ronaldinho - para ele, craque de mais e atleta de menos - e em pôr fim à rotina de concentrações.


Nas mãos do treinador, o time letárgico de Paulo Autuori deu lugar a um 4-2-3-1, ora 4-1-4-1, consagrado pela intensidade. Em quatro meses, o alvinegro foi campeão da Recopa Sul-Americana e da Copa do Brasil, com Dátolo - com 15 assistências em 36 jogos sob o comando de Levir - e Tardelli - com 13 gols em 33 jogos, contra dois em 17 na era Autuori, quando atuava como ponteiro - como protagonistas. A sinceridade virou trunfo na voz dos atleticanos.

Levir: em 14 meses, três conquistas
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Neste ano, o discurso mudou. Não o do técnico, que, por exemplo, segue descartando a necessidade de reforços. Mas, sim, o dos torcedores. Que, inflamados pelo fim da invencibilidade diante do Cruzeiro - em sete duelos anteriores, com Levir, o time havia vencido cinco e empatado dois -, pelo início irregular no Campeonato Brasileiro e pelo comentário sobre atrasos salariais, agora veem na antes aclamada sinceridade do comandante uma arma contra o clube.

Desde abril de 2014, muita coisa mudou na Cidade do Galo.
Exceto a postura de Levir Culpi, um raro sincero no futebol.

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