13/03/2017

Libertadores: entre o folclore e o estudo

Vinícius Dias

A Libertadores começou, mais uma vez, com cachorro em campo e discursos sobre o favoritismo brasileiro antes mesmo da análise dos adversários. Na prática, apenas Chapecoense, Flamengo e Grêmio estrearam vencendo. O Atlético/PR tropeçou em casa após abrir 2 a 0, Palmeiras e Atlético/MG empataram, mesmo enfrentando equipes inferiores. Nos últimos três anos, da catimba à crença de que campeões precisam tratar jogos como guerras, vários rótulos foram acionados para justificar a ausência em finais. Mas há mais futebol e planejamento do que folclore por trás.


Em 2014, o melhor brasileiro foi o Cruzeiro, eliminado nas quartas de final. Em 2015, o Internacional caiu nas semifinais. No último ano, ocorreu o mesmo com o São Paulo. Mas em nenhuma das três edições coube o argumento da injustiça. Se o San Lorenzo foi campeão em 2014 apostando na solidez defensiva, marca de Edgardo Bauza, no ano seguinte venceu o River Plate da pressão na saída de bola e das variações táticas de Marcelo Gallardo. Na edição mais recente, o Atlético Nacional do jogo apoiado, talento e aplicação, características de Reinaldo Rueda.

Cuca: mantido e campeão no Atlético
(Créditos: Bruno Cantini/Flickr/Atlético-MG)

Há mais um elemento em comum entre argentinos e colombianos: títulos em meio a projetos duradouros, confirmando a importância da convicção que normalmente falta aos torcedores e, na mesma toada, aos dirigentes brasileiros. Levantamento realizado pelo advogado Custodio Pereira Neto aponta que dez dos 17 trabalhos campeões da Copa Libertadores neste século - incluindo os de Tite, que chegou ao Corinthians em 2010 e venceu em 2012, e Cuca, campeão em 2013 depois de dois anos de Atlético - foram iniciados pelo menos uma temporada antes da conquista.

Com Neymar, Santos foi exceção

Dos outros sete, cinco haviam assumido no ano, mas sucedendo trabalhos mais longos - caso de Autuori no São Paulo, em 2005, cuja transição pós-Leão coube a Milton Cruz, auxiliar que se tornou interino e, depois, retomou a função - ou com elencos mantidos - como Celso Roth no Inter, em 2010. Carlos Bianchi foi campeão na volta ao Boca Juniors, em 2003, reencontrando marcas do trabalho realizado de 1998 a 2001. O único título pós-rupturas, curiosamente, foi de um brasileiro: o Santos de 2011, campeão com Muricy Ramalho, seu quarto técnico em dois anos.

17 anos dizem muito sobre a Libertadores e os clubes brasileiros.
Longe de rótulos e imediatismo, o caminho é estudo e convicção.

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