24/03/2017


Um dos mais utilizados por Vagner Mancini, jovem zagueiro comenta
início de trabalho no alviverde: 'Em 60 dias, a gente se reestruturou'

Vinícius Dias

A expectativa pelo principal capítulo da história da Chapecoense - a final da Copa Sul-Americana diante do Atlético Nacional, em Medellín - deu lugar a luto e dor, em novembro último, em razão do acidente aéreo que deixou 71 mortos. Em meio à comoção mundial, no entanto, a necessidade de formar um novo elenco fez com que a tragédia mudasse a vida de vários profissionais. Um deles foi Fabrício Bruno, de 21 anos. "A proposta chegou para mim no dia 26 de dezembro", relembra o zagueiro, natural de Contagem, ao Blog Toque Di Letra.


Três semanas depois do convite, recebido enquanto curtia férias após a primeira temporada como profissional no Cruzeiro, Fabrício Bruno marcou seu nome na história do clube catarinense: foi titular no amistoso contra o Palmeiras, na Arena Condá, o primeiro capítulo da reconstrução. "Em função de tudo o que aconteceu, eu vim de peito aberto e extremamente feliz com o novo desafio", destaca o zagueiro, que tem contrato com o clube celeste até dezembro de 2019 e vestirá a camisa da Chapecoense, por empréstimo, até o fim desta temporada.

Fabrício Bruno: cara nova em Chapecó
(Créditos: Chapecoense/Flickr/Divulgação)

Em sua primeira experiência fora do Cruzeiro, o jovem faz avaliação positiva do trabalho. "Em pouco mais de 60 dias, a gente se reestruturou bem", comenta uma das peças mais utilizadas pelo técnico Vagner Mancini no trimestre. Apesar da estreia com vitória na Libertadores e do vice-campeonato do primeiro turno do estadual, Fabrício Bruno revela que nem tudo foram flores. "Os primeiros dias de trabalho foram difíceis". O mundo responde com o grito que, nos últimos meses, foi além da Arena Condá e do verde e branco: vamos, vamos, Chape!

Você chegou à Chapecoense para sua primeira experiência fora do Cruzeiro menos de dois meses depois de o clube, em razão de uma tragédia aérea, perder as principais referências dentro e fora de campo. Nos primeiros dias de trabalho, diante desse cenário, quais foram as principais dificuldades?

Eu vim para a Chapecoense depois de um longo tempo no Cruzeiro. Os primeiros dias de trabalho foram difíceis. É complicado se reerguer depois de tudo o que aconteceu, entrar na Arena Condá e lembrar da festa que era feita lá e dos amigos que não estão mais aqui. Todas as dificuldades estão sendo superadas no dia a dia, com o trabalho e a amizade verdadeira no grupo novo que se formou.

Do amistoso na Arena Condá contra o Palmeiras, marcando seu nome no primeiro capítulo da reconstrução do clube, até hoje, como tem sido a experiência na Chapecoense?

O jogo contra o Palmeiras marcou a reestruturação da Chapecoense. A experiência está sendo muito boa. Eu fui escolhido para jogar aqui e fazer parte desse momento. Já estou adaptado à nova cidade e focado no trabalho para evoluir e ganhar mais experiência em campo.

A presença de remanescentes de 2016, como Neném e Moisés, e o retorno de jogadores como Apodi, Túlio de Melo e Douglas Grolli, também emprestado pelo Cruzeiro, é um trunfo na relação entre o novo elenco e a torcida?

O Neném é um ídolo aqui, por todo o tempo que ele se dedicou à Chapecoense. O Moises não é diferente. Ele veio de um ano difícil, com uma lesão grave, e agora está aqui para ajudar o grupo. Apodi, Túlio e Douglas de volta é importante para o grupo dentro de campo e também para a torcida pela história que eles já têm aqui.

Quando você recebeu a proposta para defender a Chapecoense nesta temporada? Ao aceitá-la, o que mais te seduziu?

A proposta chegou para mim no dia 26 de dezembro. O que mais me chamou a atenção foi fazer parte desse processo de reconstrução da Chapecoense. Em função de tudo o que aconteceu, eu vim de peito aberto e extremamente feliz com o novo desafio. Quero honrar todos aqueles que se foram e procurar fazer o meu melhor para trazer a alegria de volta à cidade. Foi a minha primeira saída do Cruzeiro. Eu vinha de seis meses sem poder jogar e espero aqui ter oportunidade de mostrar a minha capacidade.

Vice-campeã do primeiro turno do estadual, eliminada na primeira fase da Copa da Primeira Liga, estreia com vitória na Libertadores. Como você, um dos jogadores mais acionados por Vágner Mancini até aqui, avalia o primeiro trimestre da equipe?

Em pouco mais de 60 dias de trabalho, a gente se reestruturou bem e mostramos um pouco dessa nova Chapecoense. Fomos vice-campeões no estadual por detalhe e estrear com vitória na Libertadores foi muito importante por se tratar da principal competição que estamos disputando.

Até o término da temporada, a Chapecoense disputará pelo menos mais quatro competições oficiais: Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Recopa Sul-Americana e Copa Suruga. Qual é a principal meta traçada pelo clube?

A principal meta é ir bem no Campeonato Brasileiro e conseguir ficar bem posicionado na tabela. Temos um grupo novo, e o Brasileirão é uma competição difícil. O que der para buscar, na medida do possível, vamos buscar sim. Na Recopa Sul-Americana e na Copa Suruga, vamos lutar pelos títulos. A Copa do Brasil sabemos que tem que ser passo a passo.

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